RONY

Depois de meu patético desmaio na noite anterior, finalmente dormi tranquilamente, tendo sonhos maravilhosos cujo conteúdo eu só revelaria a Hermione se eu voltasse como um fantasma depois de morrer.

Acordei ainda tendo, em meus olhos, o reflexo da garota tímida de lingerie que me embasbacara horas atrás. Virei o corpo, tentando me orientar na luminosidade fraca do quarto que entrava pela janela, e finalmente focalizei Hermione dormindo tranquilamente ao meu lado.

Arrisquei acariciar seus cabelos delicadamente, temendo acorda-la. Hermione tinha os cabelos macios, apesar de revoltos, como a pele de uma lontra. Uma linda lontrinha que ressonava suavemente, aconchegada por um lençol de linho.

– Hum... para — ouvi Hermione resmungar através dos cabelos que cobriam seu rosto — eu quero acordar... assim vou é... dormir... de novo...

Ri baixinho.

– Bom dia, Altheda — brinquei, apelidando-a com o nome de uma das bruxas do conto da Fonte da Sorte. Hermione riu, provavelmente captando o sentido.

– Ei... não estou morrendo.. — ela questionou, erguendo o corpo e arregalando os olhos, fingindo pavor. O lençol caiu de seu corpo, revelando outra vez aquela combinação perfeita de busto e ventre que me surpreendera mais cedo. Hermione pareceu reparar no meu olhar, pois ficou indecentemente vermelha.

– Ei... — puxei seu rosto em minha direção — por que você se envergonha tanto? Você é linda, Hermione... devia ter orgulho de ter um corpo tão bonito...

Hermione arfou, piscando os olhos com uma timidez admirável.

– Para... não sou não...

Me aproximei até parar à meros centímetros de seus lábios.

– Se não fosse bonito, eu faria... isso? — mascarando meu próprio constrangimento, passeia mão suavemente em sua coxa.

A reação de Hermione foi impressionante... ela primeiramente paralisou, chocada, apenas para, logo em seguida, se entrelaçar em mim como uma serpente desértica. Quase caí quando ela se jogou em cima de mim,,

– Nossa, Hermione... — eu disse, rindo — você ainda vai me matar...

Hermione fez menção de se afastar, mas eu a impedi, segurando seus pulsos.

– O que está fazendo?

– Evitando te matar — Hermione ergueu uma sobrancelha, mas o sorriso em seu rosto era impagável.

Sorri, revirando os olhos.

– Pode me matar assim quando quiser...

– Nem pensar — ela bufou — não quero você apagando como fez ontem.

– Oi, gente — nós dois quase fomos para o chão quando Darel entrou do nada no quarto.

– Merda, Darel! — Hermione exclamou, cobrindo o corpo com o pouco que restara do lençol caído no chão; não segurei uma risada com seu grito — já ouviu falar numa coisa chamada "porta"? Experimenta bater!!

Darel gargalhou, o que me fez sorrir. Desde que Nyree se juntara a nós, nosso guia estava muito mais feliz e bem humorado. Parecia ter conseguido um ânimo totalmente novo para dar seguimento à viagem.

– Desculpe, Granger — ele se desculpou... ou fingiu se desculpar, que fosse — só vim avisar que está tudo pronto para pegarmos a estrada. Aluguei um Toyota Hilux que deve quebrar nosso galho... não é a mesma coisa que meu Ranger, mas... — ele deu de ombros — daqui para Darwin não deve levar mais de seis horas de mato pela frente...

Uma risadinha baixa entrou no quarto... seguida da dona. Nyree parecia tão contente quanto Darel por estarem juntos ali. Ela grudou no braço de Darel como um carrapicho, olhando para o garoto com uma expressão muito parecida com a de Hermione quando ficávamos a sós no quarto.

Ih, rapaz...

"Parece que vocês não são os únicos bobos apaixonados por aqui", brincou meu inconsciente.

Hermione revirou os olhos e levantou, fazendo a bondade de fechar o roupão. Já não bastava ela ainda estar estonteante e sedutora, ainda tinha que estar assim na frente de uma montanha de testosterona — ainda que fosse uma montanha de testosterona confiável — e sua namoradinha morena?

Quando o casalzinho feliz saiu, Hermione me empurrou levemente, rindo.

– Seu ciumento.

– Quem, eu? — fingi arfar — não, imagine, Hermione... só quero você à cinco quilômetros de distância de qualquer cara bonitão ou solteiro. Só isso.

Tentei não reagir quando ela se inclinou e beijou suavemente o lóbulo da minha orelha, falhando miseravelmente. Meu corpo quase aderiu ao instinto de joga-la contra a cama, mas pelo menos isso eu pude evitar. Não queria perder o controle ou fazer uma cena como na tribo Tokonga.

– Em outras palavras... isso se chama ciúme — Hermione murmurou, rindo — e isso é bom.

Franzi a testa para ela, surpreso.

– É bom, é?

– Sim — acompanhei-a com os olhos enquanto começava a se vestir — isso quer dizer que você quer cuidar de mim... o que talvez signifique que goste de mim ou algo parecido — ela brincou.

Bufei enquanto colocava uma camiseta, balançando a cabeça.

– "Gostar" não é bem o verbo que eu usaria na frase...

Hermione riu enquanto amarrava os sapatos.

– Que tipo de verbo você usaria? — Hermione indagou, indo em minha direção assim que terminei de me vestir.

– Ah... não sei... — puxei-a pela cintura,olhando para cima, me fingindo de pensativo — talvez amar... idolatrar.. desejar... — eu pontuava cada palavra com um beijo em seu pescoço. O corpo dela sacudia em meus braços enquanto ria.

– Desejar? — Hermione riu — me acha desejável?

– Ahn, deixa eu pensar, ahn... — mordi de leve seu pescoço, o que só fez Hermione rir ainda mais — ah.. sim.

– Caramba, gente! — Darel gritou do lado de fora da suíte — deem um tempo, vocês dois! Vamos embora!

– Tá legal, cara — resmunguei — vamos logo, senão o Sexta Feira não vai nos deixar em paz.

Hermione me olhou, admirada, enquanto apanhava nossas coisas e saía do quarto.

– Andou lendo Robinson Crusoé? — ela sorriu — você está ficando muito culto , Rony. E isso não é um elogio.

– Não é? Por quê? — fiquei espantado.

Hermione me olhou com uma expressão tão carinhosa que nem mesmo eu pude evitar de me sentir bobo.

– Por que se você virar intelectual...não vai ser mais o Rony que eu conheci.

Abracei sua cintura enquanto descíamos as escadas.

– Eu nunca mais vou ser aquele Rony que você conheceu — beijei sua cabeça — prometo...

– Aham... — ela fez um muxoxo, sarcástica — acredito... quando a Luna virar striptease...

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– Me bota dentro do guarda-roupa que eu estou passado — algavariei ao ver a Hilux cinza que Darel alugara.

Olhei para o nosso guia, apalermado. Aonde aquele moleque conseguia dinheiro para alugar aquelas belezinhas? Será que ele era um contrabandistas de artefatos mágicos tipo B? Um traficante de poções do amor? Agente duplo? Misericórdia...

– Pare de babar, Weasley. É só por um dia — Darel riu — andem, entrem logo, vocês dois...

Hermione e eu nos aninhamos nos bancos traseiros. Nyree foi na frente, toda pomposa, como se Darel fosse seu chofer particular. Eu duvidava que até mesmo a Rainha pudesse se sentir tão lisonjeada.

O carro arrancou e partiu em direção à estrada com uma rapidez surpreendente... ou era eu que, por estar ao lado da garota da minha vida, estava sentindo que as horas eram meros minutos?

– Está ansiosa? — perguntei para Hermione, após um bom pedaço de estrada — para ver seus pais?

Hermione murmurou alguma coisa, parecendo tensa. Apertei sua mão.

– Ei... vai dar tudo certo... vamos encontra-los... vamos reverter o Feitiço de Memória e vamos voltar para casa. Você vai ver só...

Hermione ergueu a cabeça para mim.

– Eu... — ela parecia não saber escolher as palavras — eu... queria falar... Rony... agradeço muito — Hermione piscou, suspirando — por tudo que você tem feito. Acho... que nunca vou poder retribuir...

Ergui seu queixo para que olhasse para mim.

– Você já retribuiu, Hermione — sorri — você me deu você. O melhor e maior presente que alguém poderia ganhar na vida.

Os olhos dela se arregalaram, antes que Hermione abrisse uma expressão de felicidade que me arrebatou o coração.

– Ah, Rony... — ela suspirou, com uma risadinha aflita, me abraçando.

Hermione deitou a cabeça em meu ombro, e lá ficamos, abraçados, até chegarmos a Darwin.