Ronan
1 Capítulo único - Ronan
Notas iniciais
One-shot baseada na música "Ronan" da talentosa Taylor Swift.
Capa feita pela sheilaalves.
Princesa,Ariel amou o mimo.
♥
One shot Ronan
Os dedos descansaram sobre as teclas em uma leveza quase angelical.
O som ainda ecoava pelo ambiente enquanto o toque de uma lágrima perdida no piano não poderia ser ouvida.
O corpo projetado para a frente, prostrado.
Nunca foi tão difícil terminar uma música.
O mundo parecia pesar em seus ombros, sufocá-lo.
Uma torrente de aplausos furiosos era ouvida de longe por ele. Nada mais importava.
Aquele momento era somente seu. Sua dor. Seu desabafo. Seu lamento.
Não ousava levantar os olhos porque sabia que não suportaria o sentimento de pena exposto em tantos olhares.
Ao seu redor tudo era sentidos. Sensações. Sentimentos.
Como desejava que pudesse ter sido diferente.
Um final feliz para ele!
Queria gritar, mas ao mesmo tempo queria correr e correr e talvez se trancar em um mundo de lembranças só seu.
Desejava que o tempo voltasse para que pudesse sentir sua companhia outra vez.
Foram necessários somente doze meses para ele perceber o quanto amava tal criaturinha.
Um músico errante, que apenas passeava pelo mundo atrás de inspiração. Ideias. Motivos.
Que não havia se preparado para conhecer personalidade tão doce e pura.
Com os olhos fechados, ele se lembrava de tudo aquilo que o fizera escrever aquela canção.
Memórias On
Deixou a mala no chão, encarando a pequena casa com desdém. Amarelo claro e florida. Onde aquilo parecia ser uma casa para ele?
Ele pedira um quarto sóbrio e talvez quem sabe sujo, onde ele pudesse ter espaço somente para suas cervejas e o velho piano.
Sua mãe adoraria estar ao seu lado. Ele até visualizava o rosto de Esme em uma largo sorriso, enquanto ela o levava pela mão casa adentro para comerem alguns biscoitos.
Suspirou, puxando os cabelos bronze na tentativa de arrancar a lembrança feliz.
Resolveu entrar e ter esperança de que aquela pequena cidade lhe trouxesse inspiração.
E realmente trouxe.
Uma inspiração de quatro anos e de sorriso fácil.
Ronan.
Memórias Off
As mãos fecharam-se em punho e mais lágrimas desciam.
Deus! Ele jamais chorara em público! Jamais algo havia tocado tão fundo em seu âmago para produzir tal reação.
Ousou levantar os olhos e desejou não ter tido coragem para isso.
Em um mar imenso de olhares piedosos, apenas um se destacava.
Grandes e castanhos.
A figura delicada distinta de tantas pessoas normais.
Com as mãos no peito, o anjo chorava e acenava para ele.
A música era para ela também.
A pessoa que chegou e virou seu mundo do avesso. Confundiu seus sentimentos, nublou seu senso de direção.
Trouxe inspiração.
Ele, mesmo devagar, levantou as mãos e acenou de volta. E aquilo foi como se uma corrente interligasse os dois. Unindo-os, aproximando-os.
Sentiu um calor gostoso no peito e soube que aquilo era seu consolo.
A música o fazia se sentir próximo a Ronan.
Parados e estáticos, eles continuavam a se encarar, enquanto lembranças eram compartilhadas, conforto era oferecido.
Um encontro, como naquela primeira vez.
Memórias On
Ele tentava se concentrar no barulho das folhas ao vento quando foi tirado de sua inércia por ele.
Ao ouvir o ruído do portão, elevou os olhos se deparando com uma figura minúscula que estava na ponta dos pés tentando entrar em sua casa.
De quem era aquela criança?
A contragosto, saiu de seu refúgio e foi até ao encontro do pequenino.
Ele mantinha a atenção focada na tentativa de abrir o trinco e não percebeu sua chegada.
Posso ajudar?
O menininho de cabecinha raspada, observou surpreso, o olhou e sorriu.
Ah! Oi moço! Como é o seu nome? O meu é Ronan.-estendeu a mãozinha pálida em sua direção e ele desconcertado, sentindo-se obrigado, retribuiu.
Eu sou Edward. Por que você está tentando entrar na minha casa?
O garotinho corou.
É que eu te vi sentando ali ó, debaixo da alvore e vim falar com você.
E o que queria falar comigo?
Dizer "Oi",ué! Mamãe sempre diz que tem que ser legal com as pessoas...
O músico olhou fascinado pela inteligência do pequeno menino e antes que pudesse dizer algo em resposta ele a viu.
Ronan!
Ela vinha correndo na direção do garotinho, aparentemente aflita e com um dinossauro de brinquedo na mão.
Nunca mais faça isso com a mamãe! Você poderia ter se machucado! Sabe que não pode ficar no sol, filho...
Ela chegou esbaforida se abaixando e envolvendo o pequeno em seus braços.
Ele se sentia um intruso ao observar uma cena tão íntima. Um momento de afeto só deles.
Ela o percebeu e se levantou , impactando-o com a beleza singular.
Grandes esferas achocolatadas, nada em comum com os azuis límpidos do pequenino. Os cabelos grandes e castanhos que refletiam um brilho avermelhado quando tocado pelo sol.
Ela estendeu à pequena e delicada mão.
Oi, sou Bella. Você deve ser o vizinho novo e eu realmente peço desculpas por ter sido incomodado por Ronan, é que ele gosta de fazer amigos e...- ela falava bastante, ele observou.
Está tudo bem, Bella. Eu sou Edward e na verdade, seu filho não estava incomodando.
Os olhos castanhos se arregalaram quando ele sorriu, fazendo-o perceber que aquilo fora extremamente atraente.
Mas a ligação gostosa criada entre eles foi interrompida pelo jato de vômito que atingiu a perna dele.
Olhou assustado, apenas para ver o menininho, Ronan, com a mãozinha na barriga enquanto mais líquido saía de sua boca.
Bella se agachou pegando o filho no colo enquanto murmurava um pedido de desculpas frenético e o levava embora.
Ao se ver sozinho em frente ao seu portão, recolheu seus papéis e voltou para dentro.
Mas não pôde dormir aquela noite.
Os olhos azuis não saíam de sua cabeça e ele se sentiu perturbado.
O menino estava doente, mas deveria ele ir até lá?
Seu íntimo se alegrou apenas pela chance de ver a mãe dele novamente.
Bufou, percebendo que fora tocado por aqueles dois mais do que deveria.
Levantou-se e saiu às pressas, pressionado por uma força qualquer.
Pulou a cerca e bateu na porta com os dizeres "Lar, Doce lar" e esperou.
Foi atendido por uma Bella que já não resplandecia como anteriormente.
Ela parecia cansada, sem vida, e ao vê-lo se jogou em seus braços.
Uma explosão acontecia no peito de Edward ao senti-la ali tão perto de si.
Incapaz, retribuiu o abraço enquanto procurava respostas para aquele sentimento estranho que invadia seu peito.
Não gostava de como se sentia, por que sabia que poderia ser letal. Mas ao mesmo tempo, teve vontade de gritar, afinal, algo ele estava sentindo.
Desde a perda dos pais ele jamais fora capaz de expressar qualquer reação que não fosse a melancolia.
E achou que jamais poderia se sentir bem outra vez.
Deixou tudo de lado e confortou Bella durante toda a noite.
Com pesar, ouviu o relato de uma mãe que sentia todos os dias o medo de perder o único filho.
Filho amado, que era portador de um câncer raro e maligno e que desde então fora incapaz de viver como uma criança normal.
O coração apertou de ser testemunha de lágrimas puras.
Visitou Ronan no quartinho desenhado de bichinhos infantis e carrinhos espalhados pelo chão.
Ele não entendia o porquê, mas se sentia parte daquele ambiente.
E pela primeira vez, ele contou uma história.
Pela primeira vez, ele sentiu vontade de pegar uma criança nos braços. E o pegou.
Sentiu o corpinho cansado contra o seu e confuso, se perguntou o que estava fazendo ali.
Mas não conseguia partir.
E se alegrou por não ter feito isso.
Pois aquela foi a melhor noite da sua vida.
Memórias Off
Depois daquele dia, ele passou a ser companheiro fiel de Bella e Ronan.
Foi envolvido pela pequena família que diariamente o fazia se sentir vivo.
O músico melancólico dera lugar á um homem esperançoso que lia a melhor estória todas as noites e depois de algum tempo, fora agraciado com o melhor roçar de lábios que já tivera.
Mas a aura de paz foi quebrada pelos gritos e choros daquela noite.
Ronan parecia saudável a cada dia que se passava, o fazendo acreditar que o tratamento estava obtendo resultados.
Saíram para o parque tendo a melhor noite de suas vidas.
Mas a volta foi feroz e dolorosa.
Ronan se sentiu mal e teve de ser internado às pressas.
Edward se lembrava de ficar a noite toda segurando a pequena mãozinha, enquanto esporadicamente ajeitava o quepe de soldadinho que ele vestia.
Se lembrava dos olhos azuis cansados o pedirem uma estória.
De um príncipe que se apaixonava por uma princesa que vivia sozinha.
E da voz fraquinha dele pedindo para que ele fosse o tal príncipe e que jamais deixasse sua mamãe.
Se lembrou que depois de tanto tempo, se permitiu chorar, quando sentiu que a vida havia abandonado Ronan.
Chorou como se sua vida dependesse daquilo. Gritou por milagre. Implorou para que levassem ele e deixassem que Ronan tivesse uma vida, e que fosse ele o príncipe que jamais abandonaria a mãe.
Jamais imaginou que algum dia sentiria algo tão sublime como o que sentia por Ronan.
Lembrou-se do choro de Bella em coro ao seu, as mãos juntas, afundando juntos até um abismo de dor.
Suas lágrimas não puderam aquecer a pele já gelada do pequeno homem, valente soldado, que havia lutado até o último minuto.
Que havia partido, mas deixara uma marca tão forte em Edward, um cara que apenas era seu vizinho solícito, o amigo que estava apaixonado por sua mamãe, que ele sabia que jamais se esqueceria de Ronan.
"Vamos lá querido
Nós vamos voar para longe daqui...
Tu foste o meu melhor
Durante quatro anos..."
Os versos se repetiam furiosos em sua mente.
A tarde chuvosa após o enterro, os fizeram se sentarem ao piano e escreverem aquela canção.
Ronan fora sua viva inspiração. E Bella dava continuidade á isso.
Jamais achou que amaria, e agora amava duas pessoas mais do que a si mesmo.
O velho piano, foi instrumento para a criação da melhor canção da sua vida.
Sentados lado a lado, eles compartilhavam estórias e lembranças daquele que havia sido o melhor durante quatro anos.
"Vamos lá querido
Vamos voar para longe daqui..
Para fora dessas cortinas,desse quarto,dessa casa cinzenta..."
Ele fora içado de seu próprio mundo por eles.
E enquanto dedilhava a canção, a voz rouca se misturando a doce e angelical de Bella, ele pensou por que seu milagre não foi atendido.
Mas entendeu que o melhor milagre, foi ter passado um tempo com ele.
Onde achou a própria felicidade e corria até ela.
Atravessou a multidão e embalou o pequeno corpo falante, como embalara Ronan na primeira vez.
Esqueceu o mundo lá fora, e forçou as palavras para fora de si.
Eu te amo e jamais vou te deixar sozinha.
Sua resposta seguiu-se de um beijo e um apertado abraço, aquele mesmo da primeira vez.
Fechou os olhos e chorou porque sabia que cumpriria sua promessa.
O príncipe se apaixonou pela princesa, que jamais estaria sozinha.
E lutaria como o pequeno soldado que o salvou da melancolia.
E que foi o seu maior milagre.
Não durante quatro anos, mas por uma vida inteira.
Fim
Notas finais
Oi Meninas! Tudo bem? Então,enquanto eu termino a long,eu posto uma estorinha (que pra mim é água com açúcar,rs)mas espero de coração que vocês gostem! E se gostarem,deixem reviews,recomedações,porque isso me incentiva muito! Depois de ouvir essa música eu não tive paz enquanto não escrevi algo. Foi algo que me marcou! Espero que vocês sintam o mesmo que eu senti ao ouvir e ler a o/s.Realmente esse mundo tem sido o meu escape para as loucuras da minha vida! (Vestibular chegando,eu uma pilha de nervos! Rs)
Obrigada á todas vocês por lerem! E se quiserem papear,eu estou sempre no twitter ~~@yarabastoss
Beijinhos no coração de vocês!
E lembrando que é um ato nobre a doação de sangue e medula e pode salvar muitas vidas! Quem puder,ajude!
Até mais! =x
Ps:Essa minha beta me faz chorar com essas notas dela.
Amiga,♥
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Notas da beta:
Olá meninas! Que saudades de betar fics da Yara! Tudo é sempre lindo!
E Agora ela nós traz a doce e triste história de Ronan, o pequeno garotinho que sofre com um câncer raro. Mas que dentro de seu pouco espaço de tempo, fez uma transformação imensa da vida do príncipe Edward e da princesa Bella, trazendo o amor para suas vidas... um amor que não duraria apenas quatro anos, mas sim uma vida inteira!
Termino minha nota com uma citação do livro A culpa é das estrelas, que eu acredito ser mais que perfeita para Ronan:
Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso.
Fiquem com Deus e até a próxima fic da Yara.
Bjsss,
Juh Cantalice.
(@juhcantalice)
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