Ron & Hermione - Years Of Love
2 Capítulo II - Um novo Granger?!
Notas iniciais
Aparecemos no que parecia ser um campo ao lado de uma grande cidade. Larguei as mãos de Ron e Harry e olhei em volta.
– Que sítio é este? — perguntou Harry.
– Se tivermos vindo ao sítio certo então é a capital. — tirei um mapa da cidade da mala. — Estamos aqui. — apontei para um campo perto da cidade.
– Como vamos fazer então? — perguntou Ron.
– Primeiro que tudo montamos a tenda, não? Aqui parece-me bem. — respondi.
*
Passámos a tarde inteira procurando. Nada. Também não me parecia que os encontrássemos logo no primeiro dia. Voltámos À tenda completamente exaustos. Me deitei numa das camas. E se nunca chegasse a encontrá-los? Talvez eles já não estivessem na Austrália... E se eu não conseguir anular o feitiço? Quase sem dar por isso, já me caia uma lágrima. E se... E se não os encontrássemos? Solucei alto. Só esperava que eles já estivessem a dormir.
Eu ia encontrá-los.
Eu ia anular o feitiço.
Eu ia fazê-lo, ou não me chamasse Hermione Jane Granger.
– Hermione? — chamou alguém.
Não. Naquele momento até preferia que o Malfoy me visse ou ouvisse chorar, mas Ron não. Limpei as lágrimas às costas da mão e tentei acalmar a voz antes de responder.
– Ron?
Ouvi um colchão de uma cama ranger.
Digam-me que ele não se está a levantar...
Mas estava. Felizmente eu tinha parado de chorar. Parou e se ajoelhou ao lado da cama.
– Então? — perguntou num tom preocupado.
Aliens... Hermione, ele foi possuído por aliens...
Isso. Minha consciência ajuda sempre com as respostas com mais sentido para os meus problemas. Mas aquilo não era um problema, a não ser que contasse como problema ter aqueles olhos azuis olhando para mim fixamente esperando que eu respondesse.
– Nada... — respondi finalmente, tentando parecer descontraída. — Porquê?
– Pareceu-me que... Humm... Nada, esqueça.
Ele continuou me olhando.
Quando é que ele para de me olhar assim?
– Sabe que eu não tenho jeito para estar coisas, mas... Vamos encontrá-los e se não... Se não nada, nós vamos... Encontrá-los. Deu para perceber? — ele estava mais vermelho do que os cabelos de todos os Weasley juntos.
– Sim, deu... Obrigada.
Ao menos ele tentou. Pela primeira vez não estava a agir como uma cenoura insensível. Eu até achei fofo... De uma maneira, bem... Diferente.
Finalmente ele voltou para a cama. Podia implicar comigo própria de novo.
*
21 de julho.
Andámos praticamente pelo país inteiro. Chegámos a procurar em várias cidades no mesmo dia. Faltavam apenas umas três. Procurámos em hotéis, cafés, bares, em todo o lado.
A cada noite eu ficava pior e as minhas dúvidas tornavam-se maiores. As habituais, mas agora lembrava-me de todas as consequências, por mais absurdas que pudessem ser. Cheguei mesmo a pensar se Voldemort não os tinha encontrado antes de morrer e... Mas era praticamente impossível. Eram Muggles. Muggles. Nenhum feiticeiro tinha registo deles. Amanhã procuraremos em Sidney. Não sei como não foi das primeiras, é uma das cidades mais conhecidas. Por isso agora tinha mais esperança.
Acreditem ou não, mas era tal a quantidade de comida que a Sr.ª Weasley nos tinha mandado que ainda tínhamos imensa de sobra. Desta vez nem Ron tinha do que se queixar.
Naquele dia deitei-me mais cedo.
Espero que seja desta, façam com que seja desta vez que encontro meus pais...
Acordei bastante cedo no dia seguinte. Estava imenso calor em Sidney. Como era grande, decidimos arrumar a tenda e ir para um hotel perto da entrada da cidade.
Tomámos o pequeno almoço já no hotel e saímos. O sol estava tão quente que parecia que estávamos num deserto se não numa cidade habitada de milhares de pessoas. Começámos por algumas ruas perto do hotel. Usámos o Manto da Invisibilidade do Harry para espreitar em algumas casas (nenhum local era exceção). Ocupámos a manhã inteira com uma grande parte da cidade. Se eles estivessem por lá, não podiam escapar. Pelo menos em princípio... Como estávamos longe do hotel almoçámos num restaurante.
– E se perguntarmos por duas pessoas de apelido Granger? — perguntou Harry.
– Não adiantaria, eles próprios não sabem que se chamam Granger.
– Porque não lhes colocou um detetor ou algo do género? — perguntou Ron.
– Ahh, um detetor? Era uma boa ideia, que tal etiquetas e escrever na testa ''O meu apelido é Granger''?. — respondi com sarcasmo — Desculpa... É que...
– Nós vamos encontrá-los. De certeza. — interrompeu ele. — Não precisa de se preocupar.
Ele continuou falando. Mas eu já não tinha a cabeça lá. Olhava agora fixamente para o fundo da pequena rua onde estávamos, vendo dois vultos com um carrinho de bebé. Não podia ser, meus pais não têm nenhuma criança. Me voltei para Ron e Harry para tentar acompanhar a conversa, mas aquilo não me saía da cabeça. Os vultos se pareciam com meus pais, mas só podia ser imaginação. Aproximavam-se lentamente. Parecia que vinham em direção ao restaurante. Não podia. Não conseguia agora desprender o olhar. Eram eles. Se aproximaram de um empregado que estava a anotar pedidos na mesa ao lado. Não havia dúvida. Mas o que faziam eles com um bebé? Provavelmente estavam a tomar conta dele... Fiquei paralizada quando consegui apanhar a conversa deles. A essa hora já Harry e Ron olhavam petrificados para eles e para mim, esperando uma reação.
– Então, vejamos, é uma mesa para dois e com lugar para o nosso pequeno Davis. — disse meu pai sorrindo, enquanto o empregado assentia com a cabeça.
Como assim o bebé era deles? Eles tinham tido mais um filho? Eu não queria acreditar. O que iria acontecer? O empregado apontou para uma mesa perto da nossa e eles se sentaram. Minha mãe cruzou o olhar comigo, sem me reconhecer, sem saber que eu era sua filha, sem saber de nada. Agora eu fazia um grande esforço para conter as lágrimas. Como é que eu iria anular o feitiço agora que os tinha encontrado num restaurante cheio de gente? Consegui finalmente olhar para Harry e Ron procurando ajuda. Acalmei-me e perguntei:
– E agora?...
– Calma. Tenho uma ideia. — disse Ron de repente.
O Ron tinha tido uma ideia? Era raro que corresse muito bem.
– E que ideia é essa? — perguntei.
– Vamos ter de esperar que eles saiam e segui-los. Quando finalmente chegarem a um sítio mais vazia, você anula o feitiço. Que tal?
– Até que não é uma má ideia... — comentou Harry, que ainda não tinha desviado o olhar deles.
– Sim, faz sentido. — concordei. — Esperamos até eles acabarem, depois levantamo-nos quando eles o fizerem e seguimo-los?
Ron e Harry fizeram que sim com a cabeça. Esperámos que eles acabassem (o que demorou um pouco porque no fim Davis resolveu fazer birra) e nos levantámos da mesa ao mesmo tempo. Era agora ou nunca.
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