Notas iniciais
Eae trivaginários, bora ler mais uma fic doida sobre a propaganda trivago?

P.O.V Johanna

Quando acordei o relógio marcava quinze para as nove, arregalo os olhos me levantando de supetão, aparentemente meus pés ainda estão dormindo, pois simplesmente não me obedecem e eu caio no chão.

– Eu não deveria ter bebido tanto ontem à noite. — Ponho uma mão na cabeça e me levanto indo em direção à mala que estava totalmente bagunçada — E deveria ter arrumado essa coisa antes.

Fecho a mala com dificuldade — tendo até que sentar nela para conseguir fechar — e suspiro. Eu não queria ir embora, muito menos dizer adeus. Olho para o quarto e, por alguns minutos, sinto pena da camareira. Pego a mala e a levo para fora do quarto, ando pelo corredor sentindo como se estivesse naquele hotel a mais tempo do que na minha própria casa, olho para um vaso de flor que estava murchando e rio das lembranças que surgem na minha cabeça, era como se estivesse em um cinema assistindo um filme de comédia. Tudo isso tinha sido mesmo real? Sim, claro que foi. O elevador se abre revelando um espelho que refletia uma garota sorrindo como uma idiota. Rio e reviro os olhos enquanto entro e aperto o botão para o térreo. Encosto na parede e sinto o elevador descendo, o frio na barriga tão conhecido. Logo chego ao meu destino e caminho arrastando a mala para a recepção.

– Você já ia sem se despedir? — Ouço uma voz e me viro rapidamente. Era ele, eu sabia desde que ouvi o "Você", mas era tão impossível e ridiculamente clichê que eu me virei esperando que na verdade fosse um homem com uma voz parecida, simplesmente como uma brincadeira boba do destino, mas não. Era ele.

– Chris... — Minha voz saiu meio rouca, meio boba.

– Chris? Ora, vejam só, está agindo como uma garotinha apaixonada agora? — Seu sorriso iluminou todo o lugar e eu não aguentei e sorri também.

– Garotinha apaixonada meu pau, idiota — Dou risada e corro para abraçá-lo.

Porque é como se eu fosse o gelo e ele o fogo, derreto-me em sua presença.

{Um mês atrás...}

P.O.V Christian

Terno, arruma a gola da camiseta, coloca a gravata, ajeita a manga. O relógio gritava que estava atrasado. Pisquei algumas vezes de nervosismo e corri para a sala.

– Você está atrasado. — Meu pai disse com sua voz severa de sempre. — Espero que isso não se repita. Você é o herdeiro dessa loja e... Quem diabos amarrou sua gravata? Um velho com doença de chagas? — Observação: Meu pai tem chagas. — Venha aqui e deixe-me arrumar isso... Pronto, está melhor. Continuando... Você é o herdeiro da loja Black, sabe o que isso significa? — Ele não esperou minha resposta. — Significa que você vai arruinar todo o trabalho que eu, seu avo e seu tataravô tivemos a vida inteira. Obrigado, Christian.

Fiquei parado por algum tempo antes de perceber que ele havia parado de falar.

– Oh... — Simplesmente consegui dizer isso.

– Espero que pelo menos consiga trazer esse maldito premio para casa.

– Entendido. — Me virei para ir embora o mais rápido possível até ouvir uma tossida. Aquela maldita tossida habitual. Antecedia uma daquelas frases que me faziam ter enxaquecas por algumas semanas.

– Se, por acaso, não trouxer o premio, passarei a sua herança para seu primo.

Meu primo. William Tolkin Black. O maldito mimado que sempre roubava minhas coisas, sempre disputava para ver quem era melhor. Ele já tinha uma famosa marca de roupas masculinas que eu odiava e ostentava seu titulo nas reuniões de família.

– Oh... — Balbuciei e sai de lá sem ouvir mais nada.

"Oh", quando peguei essa maldita mania? Pelo menos isso realmente irritava o meu pai, então valia a pena.

Abri a porta do meu conversível e entrei como em uma cerimonia lenta e sagrada, fiz uma prece aos deuses dos carros e passei a mão pelo belo volante. Parti para o aeroporto amaldiçoando o mar, por culpa dele simplesmente não poderia dirigir todos aqueles quilômetros até a França. Eu teria que embarcar em um perigoso e insano jato particular e tentar não vomitar.

– Senhor? — A aeromoça me chamou enquanto eu estava encolhido no banco do jato. Era como se eu tivesse dormido no carro e aquilo fosse um sonho, não me lembrava de como havia chegado ali, só sei que estava sentado no jato e ele já iria decolar.

– Sim? — Minha voz saiu fina e tremula.

– Ahn... Aperte o cinto. — Ela sorriu desconcertada ao ver um homem daquele porte choramingando.

– Eu não consigo...

– O que? — Ela perguntou e me olhou com desprezo por alguns segundos. — Eu ajudo. — Ela sorri e fecha meu cinto.

Se eu não quiser vomitar não devo olhar para a janela. Pensar nisso é como dizer a alguém "Não olhe para baixo", a primeira coisa que a pessoa fará é olhar para baixo. Não pense que você não deve olhar para a janela, apenas pense que deve olhar para frente.

Eu não conseguia, meus olhos viravam pouco a pouco para a janela. O jato começou a se mover e então eu senti as lagrimas escorrendo. Ah, que droga!

P.O.V Johanna

– Senhorita? — A aeromoça bonita com um cabelo estranhamente perfeito chamou-me. Tirei os enormes fones de ouvidos e estourei a bola de chiclete gigante que tinha formado.

– Que foi? — Perguntei.

– Ah... Desculpe-me, mas você não pode deixar o celular ou qualquer aparelho...

– Me deixa em paz! — Gritei e coloquei os fones novamente. Pude sentir os olhares das pessoas sentadas ao redor e outra aeromoça se aproximou.

– O que está havendo? — Ela perguntou para a outra e eu pude ler seus lábios.

– O PAPA É POP, O PAPA É POP! — Comecei a cantar alto — O POP NÃO POUPA NINGUÉM!

– Senhorita, nós precisamos embarcar! — A outra aeromoça gritou o suficiente para que eu consiga ouvir. Os outros passageiros começaram a se levantar para enxergar melhor.

– O PAPA LEVOU UM TIRO A QUEIMA ROUPA, O POP NÃO POUPA NINGUEM! — continuei a cantar.

– Tiro? — Pude ver os passageiros se abaixarem rapidamente.

A aeromoça com o cabelo estranhamente perfeito estourou e começou a puxar meu celular com força. Não percebi quando minha mão voou para sua face, só sei que sai correndo quando ela caiu no chão com a mão no rosto e uma expressão indignada. Mal conseguia ouvir minha risada com a musica no ultimo volume. Senti uma mão tentando me puxar.

– O PAPA É POP, O PAPA É POP! O POP NÃO POUPA NINGUEM! O PAPA LEVOU UM TIRO A QUEIMA ROUPA! O POP NÃO POUPA NINGUEM.

Estava tocando uma musica mais calma quando estava algemada na sala de segurança do aeroporto. Olhei para o policial e suspirei. Seria muito bacana se tivesse outro chiclete, esse estava totalmente sem açúcar e tinha uma pedrinha desconfortável, devia ser porque caiu no chão quando vinha para cá. O que mata não engorda, ou algo do tipo, não é?

O telefone passou dos ouvidos atentos do policial diretamente para os meus.

– EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO NOVAMENTE! SABE QUANTOS AEROPORTOS PROIBIRAM SUA ENTRADA? — Meu pai gritava totalmente descompassado. Revirei os olhos rapidamente. — E NÃO REVIRE ESSES MALDITOS OLHOS!

– Como você sabe que eu revirei os olhos?

– EU TE CONHEÇO, JOHANNA WHITE! E EU ESPERO, ESPERO MUITO, QUE VOCÊ CONSIGA TRAZER ESSE PREMIO PARA CASA OU...

– Ou... — Prendi a respiração. Esse "Ou" sempre vinha acompanhado de algo que me fazia bater a cabeça na parede.

– Ou eu vou dar a sua herança para sua prima!

Minha prima. Minha doce e vadia prima. Aquela que casou com o príncipe da Inglaterra? Aquele príncipe idiota e cego, ele com certeza ficou com ela por causa daqueles peitões que ela exibe em todo o lugar.

Estourei outra bola de chiclete e ele desligou o telefone. Bati minha cabeça na parede algumas vezes antes do policial me soltar.

– Outro voo estará saindo daqui vinte minutos. É um jato particular, mas...

– Mas... – O olhei curiosa.

Eu não acredito nisso, a herdeira da loja White está trabalhando como uma aeromoça idiota. Algum cretino estava indo para o mesmo destino que eu e uma das aeromoças estava passando mal e não pode ir. Bufei e abri uma garrafa de champanhe, depois de uns trinta minutos o babaca mimado chegou e o jato pode decolar. Para preservar as bebidas me mandaram ir ver se o "senhor" precisava de alguma coisa. Andei lentamente até lá e precisei conter o riso quando vi um cara totalmente gay encolhido como uma criancinha.

– Senhor? — Espero que ele não perceba a vontade que estava de rir naquele momento.

– Sim? — A voz dele era uma piada. Quis simplesmente rir tanto que precisei morder a bochecha por dentro. Doeu bastante.

– Ahn... — Ai, agora dói para falar. — Aperte o cinto. — Dessa vez não consegui conter uma risada que pude disfarçar com um sorriso.

– Eu não consigo... — O olhar dele era vago e a voz dramática. Fala sério. Quanto drama, era só um jato.

– O que? — Dei alguns segundos para ele tentar desfazer a frase e apertar a merda do cinto, mas ele não fez isso — Eu ajudo. — Sorrio e fecho os cintos dele.

E então começou a cena mais engraçado do mundo. O jato começou a se mover e ele olhava para janela e depois para frente rapidamente. Ele estava APAVORADO. Tampei a boca para rir e me abaixei. E então pude ler o nome escrito ao lado do assento "Black", com aquele jeito de escrever do meu inimigo. A risada parou e eu olhei em volta. Estava viajando em um jato Black? Se meu pai souber disso... Respirei fundo e olhei para o menino a minha frente. Ele era um Black? Com certeza não, ele era um fracote. Ri baixo e sai para pegar mais bebidas e me sentar, pois o jato ia decolar.

Notas finais
Hue
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.