P.O.V. Luna.

Imagine minha cara quando eu descubro que o rapaz que eu achei bonito é ninguém mais ninguém menos que Maximiliano Sandoval o filho da melhor amiga da minha mãe.

Minha mãe é uma socialite italiana muito bem apessoada. Ela casou com meu pai e tirou a cidadania, eu nasci em Volterra num dos quartos do Castelo, fui criada aqui. Com ocasionais visitas aos meus parentes americanos e ocasionais visitas deles.

—Querida.

—Sim mamãe?

—Chegaram rosas brancas e são pra você.

Eu cheguei ao Hall de entrada e vi dúzias e dúzias de rosas brancas. As minhas favoritas.

—Adorei. Mas, de quem são?

Eu peguei e li o cartão.

Com a minha profunda afeição, Maximiliano Sandoval.

—Profunda afeição!

P.O.V. Max.

Ela fica na minha mente vinte e quatro horas por dia.

—Max! Maximiliano!

—Eu estou aqui mãe.

—Tem certeza? A sua secretária me falou sobre as flores.

—Sim e daí?

—Meu filho, a Luna é uma menina muito inocente, muito devota, muito poderosa...

—Poderosa?

—Acho que você deve saber. Que a Jean me perdoe.

—Porque a Jean teria que perdoar você? E o que eu deveria saber?

—Você já deve ter ouvido falar do que ela é, a Luna. E nunca pensou que fosse verdade, mas ela é.

—É o que mamãe?

—Uma bruxa.

—Uma bruxa?

—Uma serva da natureza meu filho.

—Eu não acredito. Mas, isso explica o porque delas dançarem no eclipse.

—Você viu um dos rituais meu filho?

—Vi. É uma energia fenomenalmente grande. A lua brilhou mais forte naquela noite eu juro!

—Eu sei. Você deve a sua vida, a sua existência á mãe de Luna que fez um ritual, um feitiço para que você pudesse nascer. Ela o fez contrariada, mas fez.

—Porque contrariada?

—Porque eu não sou sua mãe biológica. A sua mãe biológica morreu quando você nasceu foi o preço que a magia cobrou. A vida da sua mãe fluiu para você. Porque só a morte paga a vida. Sua mãe era Maria Sandoval a ex-esposa do seu pai. Foi assim que eu conheci a mãe da Luna. Foi através da sua mãe, ela sabia o que estava fazendo, a Maria me avisou que ia morrer que a bruxa que lançou o feitiço nela a avisou que ela pagaria a sua vida com a dela e por isso ela me procurou. Ela sabia que eu amava seu pai e sabia que não queria que o filho crescesse sem mãe.

—E acreditou?

—No começo? Lógico que não! Mas, a sua mãe morreu assim que você nasceu tal como o feitiço havia decretado. Não encontraram explicação física para a morte dela. Então procurei a suposta bruxa e eu a vi fazer crescer uma árvore de uma muda. Num piscar de olhos. Eu vi a magia da híbrida meu filho.

—A mulher é imortal. O pai da Luna é um vampiro de quatrocentos anos.

—Luna é uma bruxa meu filho. Uma serva da natureza.

—Adorei. Muito engraçado mãe.

—Não estou brincando!

—Bruxas mãe? Sério?

—Pede pra ela mostrar. Veja. Veja as roseiras.

Haviam botões de rosas e eles começaram a abrir. Abriram todos ao mesmo tempo e quando eu olho vejo Luna entrando pela porta. Com um sorriso genuíno.

—Bom dia Senhora Sandoval. Eu vim agradecer ao seu filho pelas flores.

—Você é sempre bem vinda. Você não apenas ama a natureza, mas a natureza a ama de volta.

—Pérolas? Não é joia de velha?

—São as pérolas da lua! Tome segure.

Eu nem vi, saiu num impulso.

—Uma bruxa até parece. Bruxas não existem.

Minha voz soou diferente. Soou grossa demais.

—Você contou. Você nos traiu!

Vi as rosas arderem em chamas.

—Puta merda! Você é uma bruxa mesmo!

—Por favor, não entenda mal. Nós ajudamos as pessoas, mantemos o equilíbrio da natureza. Não somos essa figura horrenda que se vê na televisão.

—Eu estou chocado. Mas deslumbrado ao mesmo tempo.

Minha voz soou grossa de novo.

—Me devolva as pérolas.

Assim que ela pegou as pérolas de volta eu me senti diferente.

—Desculpe. Eu tinha esquecido desse efeito das pérolas da lua.

—Que efeito?

—Elas são tão poderosas que fazem os homens dizerem o que está em seu coração sem rodeios. Não se pode mentir quando se usa elas.

—Então porque as usa?

—Porque elas são uma das sete joias do universo que foram dadas ás famílias escolhidas pelos deuses. A deusa Lua fez as pérolas. Estão na minha família a gerações sem fim.

—Adorei. Isso é mesmo incrível.

—Você acha?

—Eu acho.

—Oba!

—O fogo!

—Shuta Incendea!

—Isso foi... incrível!

—Não pode contar pra ninguém ouviu?

—Eu não pretendia.