Notas iniciais
Paulo superou?

Passaram se alguns meses e chegou enfim dezembro daquele ano. Dezembro era o mês do aniversário de Paulo, suas festas de aniversário eram bem mais legais quando sua família era presente. Paulo já não criava expectativas nem para seu próprio aniversário.
Nesse mesmo dia, enquanto Paulo se arruma para sair com seus pais Fernando e Verônica. Ele recebe uma notificação em seu celular, uma mensagem. Após meses que se passaram, aquela era a primeira mensagem que Ana mandava para Paulo, na mensagem Ana dizia o seguinte:
— Hey, sei que faz um tempo que a gente não se fala, depois do que aconteceu, mas eu não esqueci de você viu, meus parabéns, espero que tudo de certo pra você. — Paulo lendo a mensagem só havia um pensamento em sua mente "Tudo deu errado".
Acabou que nem respondeu a mensagem. Não aguentando mais aquela dor, exclui o contato de Ana, cortou qualquer tipo de laço que os dois poderiam ter a distância. Os dias na vida de Paulo passam e ele sente que apenas está existido, apenas existe, ele não vive mais uma vida que um jovem normal deveria viver. Mas o que seria uma vida normal, se a juventude de hoje em dia se esconde em uma vida social baseada em festas, drogas e relações que nunca vão para frente, tudo por status, mal sabe o mundo que todos esses jovem choram nos cantos em seus quartos, sem sentimentos, sem esperança, eles colocam um sorriso artificial todas as manhãs para mostrar ao mundo que estão "bem". Mas Paulo não se esconde em máscaras, mostra o que vive, e mesmo assim esse mundo imundo em que chamamos de lar, não percebe seu sofrimento. Paulo acostumou a aceitar a solidão, pois o silêncio se tornou a sua melhor companhia.
Dias se passaram, meses se passaram, até que enfim Paulo se formou no ensino médio, passou no vestibular, escolheu a faculdade de psicologia. Queria entender seus sentimentos e queria poder ajudar as pessoas que sentiam o mesmo que ele. Paulo era o melhor de sua turma, sempre tirando notas boas, sempre estava estudando, agora o passa tempo de Paulo era o estudo, começou a entender como os sentimentos funcionavam, mas ainda não entendia por que o vazio daquele por do sol ainda o perseguia. Por que Ana Carolina continuava em sua cabeça, por que aquele sentimento continuava forte, como se Paulo ainda a amasse.
Após seus anos de estudo Paulo se formou, o diploma na mão, conhecimento adquirido, e coração partido. Paulo acabava que quando terminasse ele entenderia, e conseguiria resolver o problema. Mas foi então que tirou a própria conclusão que, decepção só se resolve com aceitação, e Paulo não aceitava aquela partida de Ana. Depois da faculdade Paulo decidiu sair de casa, já estava com seus 23 anos, conseguiu emprego em duas faculdades em períodos diferentes, sendo ele o Psicólogo.
Paulo acabou encontrando várias situações iguais a dele em sua juventude, nunca encontrou uma igual a de Ana. Era incrível como conseguia ajudar todos, mas não conseguia ajudar a si mesmo. Os dias foram de passando, as memórias foram se apagando da mente dele, quando um belo dia, decidiu sair para espairecer pelas ruas do Rio De Janeiro, com sua condição financeira estabelecida e boa até o momento, decidiu comprar seu primeiro carro, não gostava de luxúria nem de aparecer para todos verem, comprou um carro não tão simples, mas também não tão chamativo, um Audi A3 azul escuro, zero km.
Não preenchia o vazio de seu coração, então resolveu visitar seus pais, que moravam perto da praia, lembrar um pouco de sua infância que até então teria sido a melhor época de sua vida. Paulo sempre admirou sua mãe e seu pai, o relacionamento que levavam era extraordinário, a cada discussão que tinham, mais apaixonados ficavam, era uma chama de amor que não se apagava mesmo tendo 38 anos de casados, era o relacionamento que Paulo queria viver. Jantou com seus pais, conversaram sobre muitas coisas. Então no final da Jantar, Paulo se retirou para seu antigo quarto, onde seus pais deixaram tudo como ele deixou. Deitou na sua cama, olhou para o teto, sua vida passou como um flash em sua mente, ficou mais alguns minutos em seu antigo quarto e desceu para sala. Chegando lá perguntou para sua mãe se poderia passar a noite com eles:
— Mãe eu posso dormir aqui com vocês hoje, estou me sentindo tão sozinho. — Falou ele com uma cara triste.
— Oh meu filho, pode sim, sabe que sempre vai ser bem vindo aqui, aqui sempre será sua casa meu bebê. — Disse a mãe com um sorriso de ponta a ponta.
Dava para perceber que sua mãe Verônica estava muito feliz por receber seu filho de novo. Passando algumas horas, seus pais foram dormir, Paulo ficou acordado mexendo em seu celular, era incrível como tudo lembrava Ana. Cada movimento, cada ação, todo lugar lembrava ela. Não aguentando mais aquele aperto decidiu ligar para ela, mas como fazer isso se a última mensagem que trocaram, ou melhor, ela mandou e Paulo não respondeu, foi a 7 anos atrás, esse número nem deve existir mais pensou Paulo. Mas decidiu mesmo assim, não custava tentar:
" ESSE NÚMERO NÃO EXISTE "
— Droga, e agora oque vou fazer? Preciso falar com ela, preciso ao menos saber se ela está bem. — Disse ele muito contrariado.
Tentou ligar mais algumas vezes, mas sem sucesso, como era um país diferente, o número não iria funcionar, mensagem por aplicativo, Ana provavelmente teria deletado esse número. Será que ela tem alguma rede social? talvez Facebook, Instagram. Não demorou muito e lá estava Paulo procurando em todas as redes sociais. Duas, três, quatro horas da manhã e nada de acha-la. Muito cansado, decidiu dormir, como já era sábado, não se preocupou em ter que acordar cedo para trabalhar. Sentiu uma luz muito forte em seu rosto e acordou, havia deixado as cortinas da janela aberta, olhou em seu celular e já eram 11:23 da manhã. Se arrumou o mais rápido possível, desceu as escadas e lá estava sua mãe esperando ele para o café da manhã, vendo a pressa dele ao descer as escadas disse em tom de sarcasmo:

— Eu já devia era estar preparando o almoço não é mesmo Paulo?!

— Desculpa mãe estava muito cansado ontem a noite, quando fechei os olhos eu desmaiei. — Respondeu Paulo com um sorriso no rosto.

— Estou te enchendo meu filho, sente aí que já estou terminando as panquecas, e seu pai o café.

Sentaram então todos a mesa e registravam as deliciosas panquecas que Verônica sempre preparava em todos os sábados. Conversa vai, conversa vem, o pai de Paulo faz uma pergunta que não agrada muito a Paulo:

— Como vai as namoradinhas Paulo?

— Não tão bem quanto eu esperava pai. — Falou Paulo com um sorriso muito sem graça.

— Paulo, Paulo, você nunca foi tão prestigiado com as garotas em. — Disse o pai de Paulo com sarcasmo.

— Na verdade até fui, mas sempre com pouco sucesso pai, diferente do senhor, eu não tive sorte nisso que chamam de amor.
O clima já não era tão legal, Verônica cutuca Fernando, dizendo para ele parar com o assunto e entrar em outro raciocínio de conversa. Fernando se toca que o assunto é muito delicado, e muda a conversa para política, e outros em questão.
Passaram mais algumas horas, algumas conversas e Paulo decide que é hora de voltar para casa, se despede de seus pais e volta para seu aconchego.
Paulo passa o dia inteiro assistindo séries de ação e terror. Com o dia se passando decidiu comprar algo para comer, pediu algo em seu celular. Mas não funcionou, parece que nem mesmo para se alimentar as coisas estavam indo bem. Levantou da cama, vestiu uma roupa mais adequada, pegou suas chaves e resolveu comer algo diferente. Passando por uma dessas pequenas barracas de sanduíche de esquina, comprou seu sanduíche favorito, um que ele comia quando criança, pra ser mais exato X-Bacon.
Procurou um lugar mais calmo naquela noite, e acabou passando por um lugar familiar, mas que não visitava a muito tempo, sim, era a antiga praça. Estacionou seu carro, desceu, e lá mesmo naquela praça de frente ao mar, onde tudo aconteceu, degustou seu delicioso sanduíche.
Para acompanhar esse delicioso lanche, comprou também o seu refrigerante favorito, um Mineiro Guaraná, bem gelado. De frente para o mar, vendo as ondas se quebrarem, refletia amargamente sobre tudo que aconteceu até lá. Paulo deu o último gole em seu refrigerante muito gelado por sinal, amassou a latinha e arremessou em uma lixeira que estava ali perto, como um jogador de basquete ao final do jogo, precisando apenas de uma cesta, ele acerta, e no mesmo momento seu celular que estava em seu bolso vibra, mal sabia ele que aquele arremesso seria sua vitória. Paulo que estava em um desespero tremendo para reencontrar Ana em algum site de amizade, recebe uma notificação em seu Facebook:
"Ana Carolina mandou uma solicitação de Amizade".

Notas finais
Aguardem o 3 Capitulo!!!