Rollyhup Village
1 Prólogo.
Notas iniciais
A morena sentiu seu coração pulsar mais rápido e suas mãos suarem e as secou em seu vestido branco sujo por causa do dia cansativo de trabalho em sua horta, de onde retirava seus alimentos. O rapaz em sua frente sorriu nervoso ao reconhecer a garota e revirou os olhos. Não era possível. Em todos os lugares lá estava ela, desfilando sua arrogância e ironia, como se o mundo tivesse o dever de atura-la e trata-la com educação e submissão, apesar de sua falta de gentileza clara aos olhos de qualquer um que convivesse com a morena. O que os dois jovens não esperavam é que a poucos metros dali dois enormes olhos amarelos observavam a cena com tamanho interesse e satisfação.
- Adrian, precisamos conversar. – a morena disse em um fio de voz, torcendo para que sua voz não falhasse.
- Precisamos? – Adrian arqueou a sobrancelha, confuso. – Lembro-me muito bem de nossa última conversa, Anastásia, e você deixou bem claro que não quer ver minha pessoa a não ser que fosse na guilhotina.
Anastásia abaixou a cabeça deixando que seu capuz tampasse seu rosto que no momento possuía um tom avermelhado por causa do constrangimento. Talvez Adrian fosse o único que conseguisse ter esse efeito sobre a morena, mas nem ao menos percebia e convenhamos isso é algo bom, sabe-se lá o que ele já teria feito se soubesse que tinha esse poder. Como sempre escutamos, dê poder á um homem e saberá quem és. E Anastásia estava prestes a descobrir quem Adrian realmente era por trás de toda essa pose de bom moço.
- Eu preciso lhe dizer algumas coisas, extremamente importantes. – Anastásia levantou seu rosto podendo encarar Adrian, que a encarava encorajando-a a continuar a falar. – Eu te amo, Adrian. Amo mais do que á minha arrogância ou meus chás da tarde. Por você eu aturaria tudo, eu entraria em uma igreja católica vestida de branco e ainda virgem, seria capaz de esconder o que eu realmente sou só para que pudéssemos ter amizade com vizinhos, coisa que sei que te faria feliz. Seria capaz de abandonar essa vila deixando tudo para trás se você estivesse ao meu lado. Sei que não venho sendo a criatura mais simpática com você ou com qualquer outro habitante dessa vila, mas eu... – Anastásia colocou uma mecha de seu cabelo para trás de sua orelha e olhou para baixo, novamente. – Eu amo você e não sei, ou pelo menos não sabia, como lidar com esse sentimento, eu não sei muito bem me expressar e você é o único que não me odeia ou tem medo de mim.
Adrian encarou a garota por uns instantes sem nem ao menos piscar, ele estava chocado com essa declaração. Quando a morena disse que precisavam conversar essa era a última coisa que ele esperava. Era tarde demais para ter alguém andando pela vila, haviam apenas os dois jovens conversando no meio da rua estreita e cheia de barro e os enormes olhos amarelos, que observavam tudo com muita atenção era quase como se a criatura estivesse sorrindo, satisfeito com a fragilidade da morena. Anastásia não precisava que Adrian dissesse nada, ela via pelo jeito como ele a olhava, a resposta estava naqueles olhos castanhos que ela tanto amava. Adrian não acreditava no que a morena dizia, ele nunca acreditou e, talvez, nunca viesse a acreditar.
- Você é insana, Anastásia. Completamente insana. – o moreno murmurou, mas Anastásia conseguiu ouvir e logo sentiu seus olhos marejarem, mas ela não iria chorar, não ali, não por ele.
Adrian balançou a cabeça de um lado para o outro em sinal de negação e virou-se de costas. Ele não ficaria ali nem mais um minuto se quer. E assim Adrian começou a caminhar lentamente na direção contrária a Anastásia, deixando a morena estática e completamente vulnerável. Por um momento Anastásia desejou que a morte viesse visita-la mais uma vez e seu desejo foi realizado. A última coisa que a morena viu foram dois olhos amarelos e depois tudo ficou escuro.
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