Rollyhup Village

2 A família Spoter.


Notas iniciais
Bem, espero que gostem desse capítulo, logo vão ver que ele volta 2 meses antes do acontecido no prólogo, mas fiquem tranquilos porque tem mais coisa que vai acontecer depois do "acidente" ok? MUITA COISA!

2 meses antes

A rua estava deserta demais para se ouvir qualquer outra coisa que não fosse o cantar da coruja. A jovem mulher andava calmamente pela rua estreita enquanto admirava a beleza noturna no meio da vila. Rollyhup era uma vila segura e não tinha histórico de violência ou furtos, cidadãos amigos e que confiavam uns nos outros impediam que qualquer mal entrasse naquela vila, isolada no meio da floresta. Pamela Vins, era o nome da primeira vitima. A mulher que andava calmamente pela rua estava sendo observada. Observada por seu assassino. Tudo aconteceu rápido demais e se alguém perguntasse á Pamela da última coisa que ela se lembra, tenho certeza que ela diria que foram dois enormes olhos amarelos. Em questão de segundo a criatura pulou de trás do arbustro que se escondia e correu em direção a mulher. Suas patas entravam em contato com o chão empoeirado e fazia um barulho assustador. Pamela soltou um grito fino e aterrorizado, mas ninguém nunca ouviria.

Anastásia jogou o capuz de seu vestido para trás deixando a mostra seu rosto pálido e suas bochechas rosadas por causa do frio. Todos os olhares da feira foram direcionados para a morena que soltou um sorriso cínico e fez um gesto com a mão em sinal para irem cuidar de suas próprias vidas.

– Oh, Malina, eu o amo tanto, mas sinto que é errado... – uma voz fina e chorosa era facilmente escutada.

Anastásia moveu sua cabeça em direção a voz irritante e vi duas meninas escondidas atrás de uma das vendas, uma delas, a loira chorava inconsolada e a ruiva parecia tentar consola-la, mas não estava tendo muito êxito.

– Já lhe expliquei o que deves fazer, Jane, siga seu coração e será feliz. – a ruiva disse enquanto fazia carinho no ombro da amiga, em sinal de consolo.

A morena revirou os olhos e colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha. Anastásia não era o tipo de pessoa que “seguia o coração”, a morena era calculista e acima de tudo, fria. A morena mordeu o lábio inferior e caminhou até onde as meninas se encontravam.

– “Siga seu coração e será feliz”? Francamente, garota, não seja estúpida! Siga seu coração e tudo que você será é uma grande idiota! – Anastásia sussurrou de maneira horripilante.

Jane e Malina logo voltaram seus olhos para a bela mulher em sua frente. Longos cabelos negros como a noite, rosto fino e delicado, com enormes olhos castanho- claro e pele branca como a neve, uma beleza perigosa, uma beleza que dava medo. As garotas nem imaginavam que estavam sendo observadas. O irmão de Malina, Adrian, encarava as garotas de longe e logo que reconheceu a terceira garota ele logo se alertou. Precisava tirar as irmãs de perto dela. Anastásia Montteth era a mulher mais arrogante e inconveniente que tinha na vila e estava incomodando sua irmã.

– Com sua licença, senhoritas. – a voz grossa de Adrian chamou a atenção das garotas. – Malina e Jane poderiam ir ajudar nosso pai na venda? Ele está bem atarefado com essa fornada de pães.

As duas adolescentes logo se levantaram e marcharam em direção a venda do pai de Malina, onde o velho homem equilibrava uma travessa de pães e atendia uma fila enorme de fregueses. Era claro que o próprio Adrian poderia ajudar o pai, mas não deixaria sua irmã perto de uma mulher tão mal vista como Anastásia, isso era claro para as meninas, que logo se apressaram a ficar longe da mulher tão temida e odiada. A morena, por sua vez, sorriu ao ver o homem protegendo a irmã mais nova. Era algo ridículo aos olhos da mulher.

– Não irei mordê-las, senhor, muito menos jantar o fígado delas – debochou Anastásia com um sorriso nos lábios.- São apenas pobres adolescentes iludidas com a realidade da vida e eu estava fazendo minha gentileza do ano ao ajuda-las a perceber a realidade. Permita-me perguntas, mas qual delas seria sua irmã? A loira ou a ruiva?

– A loira. Realmente não vejo porque jantaria o fígado delas, apenas não seria bom para minha irmã ou Jane ser vista perto da senhorita. – Adrian deu de ombros.

Anastásia soltou uma risada e analisou melhor o rapaz a sua frente. Era alto com largos ombros e um belo sorriso, o cabelo preto estava um pouco acima dos ombros e a barba para fazer lhe dava um ar mais sexy.

– Veja, finalmente, temos um habitante sincero por essas redondezas. Quer dizer que seria algo ruim para a reputação da sua irmã ser vista comigo? Agora compreendo a imagem tal errada que ela tem da vida, uma garota muito protegida pela família, eu presumo. Deveriam mudar alguns conceitos dela. – a morena deu um sorriso de lado.

– E qual ideia errada seria essa, senhorita? – Adrian possuía um sorriso divertido nos lábios. Ele estava se divertindo com a petulância da garota. Devia concordar com a mesma, as pessoas da vila eram boas pessoas, mas estavam longe de ser divertidas.

– De que seguindo o coração se obterá a felicidade. Devo dizer que foi a frase mais patética e clichê que eu ouvi desde “sem o amor não se vive”, deveriam escolher melhor os livros que sua irmã anda lendo, senhor, tenho quase certeza que ela leu isso em algum livro de romance. Mentes vazias dão liberdade para pensamentos patéticos. – Anastásia respondeu gesticulando a mãos enquanto falava.

– Não acho que minha irmã tenha errado em suas afirmações, porém cada um possui sua opinião. Fique tranquila que os livros que minha irmã lê não são apenas de romance e eu me certifico muito bem disso. – o moreno sorriu novamente e logo se virou dando um pequeno aceno a garota. – Foi bom falar com você, Anastásia Miller.

– Qual seu nome mesmo, senhor? – Anastásia perguntou com um sorriso irônico nos lábios, que fez Adrian logo perceber o quão linda ela ficava assim.

– Adrian Spoter, senhorita, a sua disposição. – então Adrian soltou uma risada e partiu em direção a padaria de seu pai com um enorme sorriso nos lábios. Não era todo dia que se conhecia uma pessoa tão diferente como Anastásia Miller.

Anastásia por sua vez continuou andando em direção a sua venda, onde vendia os melhores e únicos chás da vila. Sem dúvida alguma se a população tivesse outra pessoa que fornecesse chá eles iriam na venda desta pessoa, mas aparentemente, ninguém na vida tinha bons conhecimentos e paciência para fabricar bons chás, então não se tinha para onde fugir. Era a venda de Anastásia ou uma casa sem chás, o que era um absurdo para qualquer família que se prese. O resto do dia fora bem tranquilo e normal para Anastásia, vendeu muito bem como todos os dias, parou durante umas horas para almoçar na venda próxima a padaria e pode ver rapidamente Adrian com um lindo sorriso nos lábios, que acenou para ela. Já estava caminhando em direção a sua casa como todos os dias por volta das três horas da tarde quando alguém cutucou seu ombro. Revirou os olhos e estava preparada para mandar quem quer que fosse embora quando viu a menina, Malina, parada ao lado de um senhor de cabelos brancos e barriga que denunciava que ele ia beber com o restante dos homens da vila todos os dias após o trabalho.

– Em que posso ajuda-los? – Anastásia perguntou sem a mínima vontade de sorrir, tudo que queria era chegar em casa, cuidar de sua hora, tomar um banho quente e deitar em sua cama enquanto lia um bom livro até que o sono a levasse.

– Sou Pierre, o padeiro, pai de Malina e Adrian, que a senhorita conheceu hoje mais cedo. – o senhor disse a encarando com o medo bem claro.

– Sim, e repito a minha pergunta inicial, em que posso ajuda-los? – a morena já estava começando a perder a paciência, odiava essa coisa que todos os habitantes na vida tinham, essa coisa de enrolar antes de falar logo o que desejavam. Porque no final, todos querem alguma coisa.

– Bem, minha filha Malina é uma garota muito jovem que está se preparando para estudar nas melhores universidades que a Europa possui nos dias de hoje e, apesar de a senhorita ser de longe a pessoa que eu menos estaria disposto a pedir ajuda todos nessa vila sabem que é a pessoa mais inteligente e culta de todos os habitantes, há rumores até mesmo que a senhorita tem estudo nas melhores faculdades. Por esse motivo vim lhe pedir um enorme favor. Gostaria que a senhorita desse aulas á Malina, a ajudasse a ganhar o máximo de cultura e sabedoria que conseguir. Adrian, meu filho mais velho, não quis nada da vida e passará o resto da vida aqui me ajudando com os afazeres, mas Malina pode conseguir algo a mais. É uma menina muito inteligente. – Pierre explicou a situação a Anastásia, que o encarava espantada. Por essa a morena não estava esperando, não mesmo.

– Adrian é muito inteligente também, senhor Pierre, ouso dizer que o senhor apenas não percebeu isso. Além de inteligente é muito sincero e posso ver que puxou isso do senhor, gosto de pessoas sinceras porque sou uma também. Pelo que vi de sua filha é uma menina muito ingênua e terei que mudar um pouco disse nela caso ela queria ter uma boa vida na universidade, caso contrário os rapazes irão pisar em seu coração como se fosse pão mofado. E estou lhe sendo sincera quando o digo, mas sim, senhor Pierre, eu aceito sua proposta. – Anastásia então dirigiu seu olhar para Malina que olhava a morena com certo medo nos olhos, ia ser divertido dar aulas a ruiva, pelo menos ia educar alguém da vila para que não existissem mais tantos idiotas por lá.

– Começamos quando? – Pierre perguntou enquanto passava os braços ao redor dos ombros da filha.

– Podemos começar hoje se Malina quiser. Só peço que o senhor venha busca-la daqui a umas horas, fica perigoso para que uma menina da idade dela ande sozinha pela floresta depois que o sol se põe. – Pierre logo assente com a cabeça e faz sinal para que Malina se juntasse a Anastásia.

– Irei mandar alguém busca-la, Malina, bons estudos e lhe agradeço muito, senhorita Anastásia, está sendo de grande ajuda. – então Pierre deu um beijo na testa da filha mais nova e partiu em direção a vila deixando as garotas sozinhas.

– Bem, acho que podemos ir andando, senhorita Spoter. – Anastásia vestiu o capuz de sua capa vermelha e as garotas começaram a andar em direção a casa na floresta da morena.

A morena abriu a porta de madeira da pequena casa e logo deu espaço para que Malina entrasse. Era uma casa pequena, porém bem limpa e organizada, totalmente diferente dos rumores que circulavam pela vila de que Anastásia prendia ratos e baratas em gaiolas para criá-los de forma grotesca e nojenta.

– Uou! Não é nada parecido com o que eu imaginava! – Malina exclamou sem pensar e logo que pensou no que disse abaixou sua cabeça. – Desculpe-me, eu não tive a intenção de ofendê-la.

Anastásia soltou uma risada e olhou para Malina com diversão nos olhos. Foi ai que a ruiva percebeu o grande segredo da morena, ela gostava dos rumores que circulavam pela vila, gostava de ser odiada e excluída de todas as comemorações do lugar, era uma forma que ela encontrou de se manter protegida das maldades que o ser humano poderia cometer. Anastásia Miller era mais inteligente que qualquer um poderia esperara.

– Acho que você sabe muito bem que eu não me importo com ofensas, senhorita Spoter, se me importasse eu não viveria nessa vila muito menos seria um ser tão arrogante, não acha? Ás vezes ser odiada pelas pessoas é algo bom, eles não criam expectativas que nem sempre poderiam realizar. Seu pai te ama e te admira por isso cria grandes expectativas com relação a você e, infelizmente, você nem sempre poderá realiza-las. Já seu irmão não liga muito para isso como eu pude perceber, por esse motivo seu pai nunca vai se decepcionar com ele porque não tem grandes expectativas. – Anastásia sorriu e fez sinal para que Malina sentasse-se à mesa onde tinha um prato com biscoitos caseiros. – Vamos considerar essa nossa primeira lição.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.