Roleta Russa
7 Capítulo 7
Regina decidira trabalhar de casa. Estava chovendo, o dia parecia ainda mais melancólico que o normal. Ligou para John, que assegurou a ela que daria conta de manter as coisas por um dia. Sentia-se muito grata por tê-lo como braço direito, ele era bastante eficaz e comprometido com o trabalho.
Aquele caso desgastava seu emocional com facilidade. Não que ele já não estivesse sendo testado ao limite; os últimos dias se tornaram uma procissão de discussões intermináveis entre ela e Roxy. A menina parecia absurdamente revoltada por ter sido deixada durante uma noite em uma sala acinzentada de uma delegacia. Por outro lado, Regina tinha vontade de rir da ingenuidade da filha. Leopold fora educado o suficiente de colocá-la em uma cela separada, e ela teve lidar apenas com uma breve solidão, diferente das pessoas comuns que eram enfiadas em celas com outros criminosos, de todos os tipos.
Se não fosse confidencial e uma leitura capaz de traumatiza-la pelos próximos dez anos, Regina a faria ler aqueles processos. A ler cada arquivo sobre as vidas arruinadas de jovens como ela, que ludibriadas pela possibilidade de uma vida melhor caíram em armadilhas que só lhes trouxeram dor e sofrimento antes das inevitáveis mortes.
Ouviu a campainha sendo tocada. Podia ouvir os passos de Greta vindo da cozinha e se distanciando na direção do hall da entrada. “Senhorita Bell.”
“Ela está em casa?”
“No escritório. Passou a manhã toda lá.”
Regina sorriu. Ouviu os passos de Rosie pelo corredor, o salto indiscreto denunciando sua chegada. Ela bateu duas vezes na porta. “Regina?”
“Pode entrar, Rosie.”
“Atrapalho?”
Regina balançou a cabeça, sorrindo. “Eu precisava de uma pausa, você veio em boa hora.”
Rosie estava com um conjunto verde que realçava seus olhos. Regina adorava o estilo dela; uma mistura boêmia, mas com requintes modernos que com certeza eram frutos da influência de Valerie. A loira fitou seus olhos, como que procurando algo e Regina fechou os processos, devolvendo o olhar.
“O que foi?”
“Você leu o jornal de hoje?”
“Há algo que eu deveria ler?”
“Bem, talvez.”
Regina suspirou, e pegou seu celular. Abriu o aplicativo de leitura e puxou o jornal do dia corrente. “Qual página?”
“Sete.”
Talvez fosse uma nota sobre seus filhos. Era uma publicidade ruim para uma das delegadas mais novas e prestigiadas da cidade, e para um dos advogados mais cotados do estado. Abriu a página sete e passou lentamente pelas manchetes. Oh.
“Jefferson Hatter, advogado criminalista condecorado pelo Conselho Regional anuncia seu noivado. Emma Audrey Swan, fisiculturista e garota propaganda de diversas marcas do mercado fitness, pioneira no projeto Saúde e Emagrecimento Responsável desfilou pela festa de inauguração do TK Club com um anel de diamante de 12k. Estamos ansiosos pela festa!”
Regina segurou o lábio inferior entre os dentes. Estava acontecendo. “Espero que me avisem da data. Preciso comprar algo para as crianças usarem.”
“Sério, Regina? É tudo o que têm a dizer?”
“O que quer que eu diga?” Ela encarou os olhos verdes da loira à sua frente, colocando o celular sobre a mesa. “Estou muito feliz por eles? Espero que me convidem? Eu não vou me dar ao trabalho de mentir. Eu não me sinto confortável de ler isso, afinal eu fiquei casada com ele por dezoito anos. Me dê um tempo.”
“Ao menos agora você foi honesta.” Rebateu a loira.
“Eu preciso beber.” Grunhiu Regina, fechando os olhos.
Rosie sabia que ela não estava bem com aquela notícia. Por algum tempo ela acreditava que eles acabariam retornando um ao outro. Jefferson e Regina foram um dos casais mais lindos e harmoniosos que ela já conhecera mas o final fora amargo, muito mais para ela do que ele para ele.
“Vamos sair hoje.”
“Hoje é terça-feira, Rosie. Você não pode estar esperando que eu passe a madrugada em uma boate e volte às seis da manhã para deixar as crianças no colégio e depois enfrentar uma delegacia cheia de burocracias.”
“Na verdade, eu estava.” Rosie sorriu, e Regina revirou os olhos. “Mas se você não dá conta, podemos comprar alguns vinhos e queijos e fazer um brunch parisiense no seu quarto.”
“Você não ousaria comer nada nos meus lençóis de quatrocentos fios a menos que este seja seu último pedido com vida. Nada de comida no quarto.”
“Isso quer dizer que você só transa na sala ou”
“Rosie Bell!” Gritou Regina, as bochechas ganhando um tom rosado em questão de segundos. “Pare de brincar com as palavras, você entendeu exatamente o que eu quis dizer.” Rosie continuou rindo, deliciada pelo acanhamento da amiga. “E eu dou conta de qualquer coisa.”
“Então vamos sair hoje.”
“Quinta feira.”
“Fechado. E você não pode cancelar.”
Regina concordou. “Tudo bem.”
“Como estão meus sobrinhos? Roxy não aparece na joalheria faz algum tempo.”
“Ela está de castigo. Converse com ela quando puder, tente ajudar essa menina a criar juízo. Ela foi indiciada por invasão à propriedade privada e posse de entorpecentes semana passada e agora está cumprindo pena alternativa.”
“Foi naquele dia do pub, não é?” Regina concordou, balançando a cabeça. Rosie lembrou-se de algo de repente, os olhos ganhando um brilho vivaz. “Falando naquele dia, e o cantor?”
“Que?”
“Não se faça de tonta. O músico. Aquele que ficou cantando aquelas músicas deprimentes que você gosta e que não tirou os olhos de você por um segundo.”
“Eu não o conheço, Rosie, já disse. Eu o atropelei, entreguei meu cartão, ele não ligou de volta. Nos encontramos no pub e trocamos algumas palavras, mas eu saí correndo porque a polícia me ligou. Fim do relato.”
Rosie apoiou a palma da mão sobre o rosto. “Me diga que pegou o telefone dele, Regina.”
“Por que eu pegaria o telefone dele? O cara é um grosso.”
“Você ao menos sabe o nome dele?”
“Robin.” Respondeu ela. Por algum motivo, a lembrança fez um sutil sorriso brotar em seus lábios. Um sorriso que não passou despercebido.
“Você está sorrindo.”
“Não.” Rebateu Regina, irritada. “Não estou sorrindo. Pare com essas fantasias. Você está lendo romances demais.”
“Regina, você sorriu lembrando desse cara, tem alguma coisa aí sim.”
“Não tem nada aqui, pare de se iludir. Ele é um idiota.”
“Se ele ligar, você vai sair com ele.”
Regina fitou-a com o semblante fechado. “Me desculpe, mas eu não ouvi a entonação na sua pergunta.”
“Não é uma pergunta. Você vai sair com ele, Regina.”
Foi a vez da morena rir. “Ou o que, mamãe?” Vai brigar comigo?”
“Honestamente, eu já vi você levando vários caras para hotéis no centro da cidade. Já vi você flertando. Tem algo a respeito desse músico, pode ser até desprezo, raiva, o que quer que seja, mas é diferente. Te faz parecer bem. Então você vai sim. Dê uma chance. Se ele for um imbecil, você nunca mais toca no assunto. Promete?”
“Você é muito insuportável, Rosie. Espero que saiba disso.”
“Eu não ouvi você prometendo, Regina.”
“Tudo bem. Eu prometo, mas uma única vez. Se ele ligar, o que eu acho bastante improvável, eu só estou concordando em sair com ele, se eu não gostar eu vou voltar direto para a minha casa, entendido?”
“Entendido.”
Rosie bateu palmas, animada e esperançosa que isso levaria a uma gigantesca nova história de amor e Regina não pode evitar sentir pena dela. Elas não estavam em Paris, não estavam em um romance de Nicholas Sparks, não estavam em um filme renascentista e romântico sobre escritores e floristas.
“Você me coloca em cada furada, porque é que eu continuo sendo sua amiga mesmo?”
“Você me ama, Regina Mills. Aceite.”
***
Roxy cruzou o corredor até a biblioteca. Precisava encontrar um livro sobre saúde vocal, mas não tinha ideia de quem era o escritor. Talvez a senhora que ficava no computador central a ajudasse, mas ela não tinha a fama de ser exatamente muito cordial e embora Roxy bastante insolente e direta, ela não sabia lidar com grosseria.
Estava quase chegando no prédio quando ouviu alguém a chamando atrás de si. Virou-se rapidamente, pensando que poderia ser Henry. Mas não era, era o garoto que ela havia torcido para não encontrar.
“Oi.” Disse ele, animado.
Roxy fitou os olhos azuis. Deveria responder, mas em vez disso virou e continuou seu caminho. Leo não se deu por vencido e continuou atrás dela. Ela observou as placas indicatórias e se encaminhou para o corredor de livros científicos e técnicos. “Está tudo bem com você?” Perguntou ele.
Ela suspirou. Pelo jeito ele não iria a lugar nenhum. “Sim.”
Se ele estava esperando ela perguntar sobre ele, ia demorar bastante. Ela não estava interessada em como ele estava, esteve ou ia estar. Só queria ser deixada em paz. “Legal.” Comentou ele e ela perguntou-se como é que ele conseguia ignorar o mal humor dela com tanta facilidade. “Soube que você tem ficado na detenção todos os dias da semana. É por causa da invasão ao parque?”
Ela respirou fundo e virou-se para ele. “Você veio aqui para dizer eu te avisei? Porque se for, fale logo e me deixe em paz.”
Ele arregalou os olhos, ajeitando o boné sobre os cabelos negros. Para a surpresa dela, ele pareceu um tanto envergonhado. “É claro que não, Roxy. Eu não desejaria isso para ninguém, muito menos você.” Ela balançou a cabeça para indicar que estava ouvindo. “Que livro você está procurando?”
“Você não pode ajudar.”
“Você pode me deixar tentar, que tal?” Rebateu ele, e ela respirou fundo, encarando os olhos azuis. Pela primeira vez desde que ele a abordara. Por algum motivo, gostava da maneira que ele olhava para ela. Era diferente do eventual olhar que recebia dos garotos, e embora aquilo fosse um pouco desconfortável, era algo que lhe fazia sentir-se bem.
“Eu não sei o nome correto ou o escritor. Eu vi o livro no colo do professor auxiliar da aula de canto. É um livro vinho, letras garrafais brancas, deve ser fonte Times ou Arial. Eu sei que tinha as palavras saúde vocal, mas ele estava em movimento e eu não consegui ver tudo.” Ele estava sorrindo e ela revirou os olhos. “Eu sei que sou patética, mas eu queria muito encontrar aquele livro.”
“Patética não seria uma palavra que eu usaria para descrever você.”
“E que palavra você usaria então, Romeu?”
“Paradoxal.” Isso chamou a atenção dela, mas antes que ela pudesse responde-lo, ele continuou. “Eu sei que livro você quer. É o Manual de Saúde Vocal, escrito por Rita de Cássia Fucci Amaro. Editora Atlas.”
“Como você sabe?”
“Eu auxilio a Senhora Marie a organizar a biblioteca nas horas vagas.”
Roxy observou-o em silêncio enquanto ele passou por ela, seguindo duas prateleiras e então tirando o livro de uma delas. Os olhos dela brilharam. Ele o estendeu e ela o pegou. “Você faz aula de canto?”
“Não. Mas tenho interesse.”
“Tudo que desperta interesse deve mesmo ser alimentado.” Ele colocou as mãos no bolso. “Bem, vou deixa-la em paz agora.”
Antes que ele se afastasse, ela o chamou. Ele virou-se, a regata cinza evidenciando o corpo magro, os olhos azuis brilhando em antecipação. “Sim, Roxy?”
“Obrigada. E me desculpe por ter sido grossa com você.”
Ele sorriu. “Como eu disse, eu posso lidar com você. Faça uma boa leitura do livro.”
Segundos depois ele virou-se e caminhou na direção da saída e ela resolveu procurar uma mesa desocupada onde poderia começar a estudar.
***
Henry desceu as escadas para o jardim do colégio. Precisava falar com Leo, mas não o encontrava em lugar algum. Estava prestes a seguir caminho até a pista de atletismo quando a viu. Usando os cabelos presos em um rabo de cavalo, ela continuava tão linda quanto sempre fora.
Dando meia volta, ele torceu para que ela não o tivesse visto. “Henry!” Gritou ela, e ele suspirou, dando-se por derrotada. Seja mais rápido na próxima vez.
Virou-se e Violet já estava perto dele, apertando os livros de literatura contra o peito. “Como você está?”
“Bem, e você?”
“Um pouco sobrecarregada de tantos livros, para ser sincera.” Ela sorriu e ele sentiu-se mal por amar tanto aquele sorriso.
“Espero que Cole esteja ajudando você com isso.” A aliança brilhava no dedo anelar dela. Uma lembrança de que ela não era mais simplesmente uma garota pela qual ele era apaixonado. Mas sim uma garota pela qual ele era apaixonado e que tinha namorado. Um namorado que poderia lhe dar uma surra com apenas uma mão.
“Eu não diria isso. Ele precisa treinar muito, os jogos regionais começam em breve.”
“É verdade. Ele vai concorrer à algumas bolsas?”
“Estamos entrando em um acordo para concorrer às mesmas faculdades. Isso vai facilitar a gente se encontrar no futuro.”
Futuro. Henry respirou fundo, evitando olhar nos olhos dela. Já era ruim o suficiente ter que fingir estar bem com aquela situação. Ela bateu o pé no chão lentamente, um ritmo intermitente como quem pensava no que dizer.
“Você tem certeza que está tudo bem mesmo?”
“Sim, por quê?”
“Você parece desligado, Henry. Johanne me disse que você tirou C na prova de história. Isso é tão estranho.... Sua matéria favorita e você indo tão mal em uma prova.”
“Eu estava em um momento ruim, Violet. Mas passou. A Senhora Lockhart concordou em me dar trabalhos extras e eu vou recuperar essa nota. Não se preocupe.”
Ela sorriu, mas ele percebeu que os olhos não acompanharam os lábios. Tomando a iniciativa, ela segurou na mão dele e Henry sentiu o coração paralisar por alguns segundos, tomado pela sensação calorosa da pele dela em contato com a sua. Seu coração parecia arder em chamas. “Eu sei que eu estou namorando, mas nós ainda somos amigos, certo?”
Henry forçou-se a sorrir. “É claro.”
“Se precisar de companhia para estudar, me avise. Eu posso ir para seu apartamento, ou você vem em casa.”
“Eu não sei se o Cole vai gostar dessa ideia.”
“Se ele reclamar nós podemos estudar aqui, ou naquele café que íamos no outono. Sabe, aquele que serve marshmallows quentes no palito?”
O sinal sonoro tocou acima deles, avisando que faltava apenas cinco minutos para as próximas aulas começarem. Antes que pudesse reagir, ele sentiu os braços dela ao redor de seu corpo, abraçando-o apertado. “Você é importante para mim, Henry. Fique bem.” Disse ela, afastando-se em seguida e seguindo caminho com suas outras amigas.
Henry ficou parado, observando-a desaparecer, pensando no quanto ela também era importante para ele. Muito mais do que ele tinha coragem de assumir.
***
“Quem é R.M?” Questionou Little John, com o cartão de visita em uma mão e calça jeans suja na outra. Ele estava separando as roupas para colocar na máquina de lavar quando o papel voou no chão, chamando sua atenção.
“Ninguém da sua conta.” Rebateu Robin, mas antes que alcançasse o cartão John o escondeu atrás de si.
“Que interessante... Temos uma garota na área.”
“Ela não é uma garota, John. É uma mulher. Mostre algum respeito.”
Os olhos castanhos de John abriram-se ainda mais e ele riu, satisfeito com o incomodo de seu colega de quarto. “Você está a defendendo. Isso é novo, Locksley.”
“Me devolva a porcaria do cartão.”
“Não. Acho que vou ligar para esse número. Já que você não quer me contar quem é.”
Robin bufou, passando a mão pelos cabelos loiros. Seu amigo podia ser um pé no saco quando queria. “É a mulher do pub. The Rabbit Hole.”
“A que atropelou você?”
“Essa mesmo.”
“Holy fuck! Temos um entrelace do destino aqui! Quais as chances de vocês terem se esbarrado assim? Quando vocês vão sair de novo?”
“Nós não vamos.”
“Você não percebe que deve ter uma razão para vocês ficarem cruzando seus caminhos?”
“Não tem nada a ver com isso. Agora me devolve o cartão.”
“Tenho uma ideia melhor.” Rebateu o grandão, arremessando o jeans no corredor e caminhando até a cozinha, pegando o telefone sem fio.
“Não ouse fazer isso.” Ameaçou Robin, os olhos beirando o desespero. Podia imaginar o que seu amigo estava prestes a fazer. Tentou dar um passo à frente, mas John abriu a janela e sorriu. “Ou você me deixa ligar ou vou jogar o cartão pela janela, Locksley.”
“Não!” Gritou o loiro. Little John sorriu diabolicamente, discando o número. Ele fitou Robin. “Um dia você vai me agradecer por isso.”
“Eu vou asfixiar você enquanto dorme, isso sim.”
Robin ouviu-o gargalhar enquanto voltava para a lavanderia, mas todos os sons foram imediatamente sufocados quando ele ouviu a familiar voz feminina falando alô do outro lado da linha.
***
“Alô?” Perguntou ela de novo, desconhecendo o número que a ligava. Sabia que era um telefone residencial pela estrutura, mas não era nenhum dos que estava habituava.
“Sou eu.” Ela sentiu um arrepio percorrer sua nuca. “Robin, do The Rabbit Hole.”
“Eu me lembro.”
Ela não estava acreditando que aquilo realmente estava acontecendo. Na sua imaginação, ele nunca ligaria, e ela nunca teria que cumprir sua promessa à Rosie. Por que é que aquele homem não poderia seguir o roteiro uma vez na vida?
“Você fez o orçamento da sua moto?”
Ela o ouviu rir do outro lado da linha e ficou um pouco mais ansiosa. “Não. Você não causou avarias na minha moto. Talvez no meu ego, mas o seguro não cobre isso.”
“Não me espere pedir desculpas.” Rebateu ela, sorrindo e agradecendo aos céus por não ter ninguém ali para testemunhar aquilo. “Se você não ligou para cobrar o conserto, então...”
Ela podia sentir a base de seu estomago se contorcendo de ansiedade e mesmo tentando lutar contra aquela sensação, não sabia o que fazer. Não conseguia evitar. Ouviu-o murmurar alguma coisa para longe do telefone e concluiu que ele não estava sozinho, mas não se apressou em tirar conclusões precipitadas. “Gostaria de saber se você aceita ir tomar um café comigo. Apenas conversar, nada mais.”
Ela deveria dizer não. Seu cérebro batia estrondosamente na placa de fuja, na placa de evite, corra, mas ela viu-se agindo exatamente na direção contrária. Respirou fundo. “Sim, eu gostaria.”
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