Roleta Russa
15 Capítulo 15
O apartamento dele não era nada do que ela esperava. Mas bem, talvez ela tivesse sido presunçosa em pensar que um apartamento de dois homens seria uma completa bagunça. Tudo estava no lugar; o local, bem posicionado e decorado por peças sóbrias, tinha inclusive um cheiro agradável, algo que parecia eucalipto, mas um pouco mais suave. Algo que ela não sabia o que era – mas era bom. A mão de Robin continuava sendo um toque quente sobre a sua, exatamente como no dia anterior.
Ele ajudou-a tirar a jaqueta de couro, colocando sobre o suporte onde descansava um casaco verde oliva que ela tinha certeza que era dele. Pegou sua bolsa, pedindo licença, e colocou ali, fazendo-a sentir-se em casa. Ela pensou em perguntar a ele sobre John, mas antes que pudesse fazer isto sentiu as mãos firmes dele escorregando para a sua nuca e rapidamente os lábios dele encontraram os seus. Bem, a pergunta podia esperar. O mundo poderia esperar – contanto ele continuasse beijando-a daquela forma. Desorientada, ela pousou as mãos sobre os bíceps dele, delicadamente contornando as linhas de seus músculos enquanto a língua dele fazia a sua própria estremecer contra o céu de sua boca. Eles deram alguns passos e ela percebeu que havia sido suavemente encostada na parede; sorriu contra a boca dele, deixando que uma das mãos deslizassem para as costas dele, subindo e descendo. Robin parecia bastante compenetrado na missão de fazê-la amolecer com seus beijos, e ela podia dizer que ele estava conseguindo. Um suspiro embaraçoso escapou por entre os lábios agora avermelhados quando os lábios dele tocaram seu pescoço, beijando-a delicadamente, mas ainda assim deixando o rastro molhado pelo toque de sua língua.
“Regina...” Sussurrou ele, e ela quase revirou os olhos pelo prazer causado por ouvi-lo dizer seu nome tão ritmicamente, quase como uma súplica. Sentiu quando os lábios dele abandonaram sua pele, e finalmente os olhos azuis voltaram-se para os seus.
Ele sorriu. “Me desculpe... Eu só estou muito feliz de você estar aqui.” Ele colocou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha, aproveitando para tocar seu rosto com o polegar através de uma carícia suave.
“Eu também estou feliz de estar aqui.” Sussurrou ela, e ele beijou-a na bochecha, descansando os lábios sobre a pele dela por mais tempo que o necessário, embora nenhum dos dois estivesse se importando.
“Um tour pelo apartamento?” Sugeriu ele.
Ela agradeceu-o mentalmente. Não queria que aquela visita se tornasse em algo estritamente sexual, porque não era isso que ela tinha em mente quando apertou a campainha. Na verdade, ela ainda não sabia se já queria dar este passo com ele. Robin era um homem intenso, ela bem sabia, e ela também. Mas ela gostava dele, e gostar, bem, isto elevava algumas decisões a um nível de reflexão e não de impulso. Assentiu, sorrindo e ele entrelaçou os dedos nos dedos dela novamente, guiando-a para dentro do imóvel.
“Bem, aqui é a cozinha e por incrível que pareça hoje está muito bem arrumada.” Brincou ele, observando-a sorrir. Eles passaram pela cozinha, e ele apresentou-a lavanderia que não estava exatamente arrumada, mas bem, ele não estava esperando nenhuma visita. Regina apenas acompanhou com os olhos, ainda encantada pelo que ele chamava de ‘bagunça’. Henry fazia muito pior no próprio quarto, mas ele não precisava saber disso. Eles voltaram o caminho e Robin encarou-a por alguns segundos antes de abrir a primeira porta.
“Aqui é o meu quarto. Quer entrar?”
Ele ficou parado, observando-a. Regina entrou lentamente, os olhos marcando cada pedacinho com atenção. “A decoração foi feita por você?” Perguntou, e ele balançou a cabeça, confirmando, mas não se moveu; permaneceu encostado no batente, assistindo-a, deliciando-se com a curiosidade dela. Ele tinha bom gosto. Foi o que ela concluiu, observando como as cores se misturavam, as paredes escuras com as brancas, o jogo de cama cinza grafite, o quadro do David Bowie em preto e branco, letras de Imagine do John Lennon em outro quadro, também preto e branco. Um sofá mostarda adornava o canto do quarto, uma mesinha onde ela imaginou que ele se sentava com as pernas esticadas e escrevia suas músicas, bebendo uma cerveja long neck. Foi quando ela avistou o piano.
Seus olhos brilharam, e ele não deixou este fato passar despercebido. Ela caminhou até o móvel, as pontas dos dedos deslizando sobre a madeira negra, acariciando, imaginando as mais belas obras de arte que ele deveria produzir sentado ali. “Posso?” Perguntou ela, voltando a encarar o homem charmoso que a encarava da porta e ele sorriu, cedendo a ela acesso a tudo que desejasse.
Sentou-se na banqueta, e abriu a tampa, os olhos sorrindo ao se deparar com aquela visão novamente. Teclas de piano à sua frente, e a liberdade de tocá-las livremente. Respirou fundo, e se permitiu tocar alguma coisa. Algumas notas de Tchaikovsky, seu pianista preferido, surgiram imediatamente em sua mente. Seus dedos fluíam com naturalidade, e ela sentiu uma paz que há muitos anos não sentia. Permitiu que o som a guiasse, que a aura da melodia lhe tomasse refém e só depois de algum tempo, um tempo do qual ela não fazia ideia de que havia se passado, as notas encontraram seu caminho e finalizaram-se.
Quando terminou, ela percebeu que Robin havia se movido finalmente e agora estava ajoelhado ao seu lado, encarando-a como se ele estivesse vendo-a pela primeira vez, um sorriso absurdo estampado em seus lábios. “Você é encantadora, Regina.” Ela sorriu, ruborizada, mas fechou a tampa rapidamente e levantou-se.
“Eu só estava arriscando.” Respondeu com modéstia, encarando-o.
“Esse piano está a sua completa disposição quando você quiser.” Respondeu ele, ainda parecendo completamente encantado. Ela sentiu-se ligeiramente acanhada e Robin deve ter lido isso em seu semblante pois limpou a garganta e anunciou o próximo cômodo. Eles não entraram no quarto de John, e ela também não ousaria invadir a privacidade de outra pessoa de tal maneira, de modo que logo em seguida eles estavam de volta à sala.
“Aliás, onde está ele?”
“Ele disse que não voltava hoje. Acho que era um encontro.”
“Ele parece estar se dando melhor do que você.” Riu ela, caminhando até o sofá e sentando-se nele, imediatamente satisfeita por notar quão macio ele era.
“Você está aqui. Isso quer dizer que eu estou muito melhor do que ele.”
Robin sentou-se na outra ponta do sofá, escolhendo deliberadamente ficar a uma distância saudável dela. Queria que Regina tivesse espaço e liberdade para escolher o que aconteceria entre eles. Podia ler em sua síntese que ela não gostava de ter nada imposto a ela, e que se ele quisesse mantê-la por perto, precisava ceder-lhe essa autonomia.
“Você conversou com a sua amiga?” Perguntou ele e ela ergueu os olhos imediatamente, sorrindo de maneira condescendente.
“Não... Eu sei que errei e pretendo conversar com ela assim que possível. Mas você não me deixou pensar em mais nada. Desde ontem, tudo o que eu conseguia pensar era no que você me disse, sobre não desistir de mim, sobre ter medo, e todas aquelas coisas.”
“Você me faz sentir assim todos os dias, Regina.”
Ela arqueou as sobrancelhas, e ele sorriu, continuando. “Eu penso em você o tempo todo. O que está fazendo, se está se cuidando, se está em perigo. Eu sei, isso não é da minha conta. Você é uma mulher extraordinária que se dá muito bem sozinha e não precisa de um músico barra psicólogo para lhe mimar... porém, o que posso fazer? Você me deixa assim, protetivo. Preocupado.”
”Isso nunca vai parar. Você sabe disso, não? Eu não vou deixar de ser uma policial. Eu infelizmente vou estar sempre em risco.”
“Eu sei.” Suspirou ele, encarando-a.
“E isso não te faz repensar as coisas?”
“Você não é repensável, Regina. Você não é uma escolha. Você acontece, e Deus sabe que um fenômeno quando acontece leva tudo e todos que encontra pelo caminho. Eu não acho que exista algo que seja capaz de me fazer desistir agora. Basta eu olhar para você e eu sei, eu sei que eu tenho que ficar aqui. Com você.”
“Robin...” Suspirou ela, o coração ligeiramente apertado. Era óbvio que o medo a rondava. O medo de que tudo ocorresse exatamente como em seu casamento. O medo de que ela repetiria os mesmos erros, e que no final, Robin a desprezasse tanto quanto Jefferson parecia fazê-lo.
“Por que você não olha para essa situação como um vidro quebrado?” Perguntou ele, e ela riu, achando aquela a pergunta mais fora de contexto do mundo.
“Que?”
“Existe uma filosofia oriental que ensina que tudo na vida está em constante movimento. Tudo tem um começo e um fim. Toda arvore começa em uma semente, e voltará, eventualmente, à terra. Rochas se formam, e rochas são desfeitas. Nossos corpos nascem e um dia morrerão. Quando nós esperamos que algo se quebre, não ficamos surpresos ou desapontados, mas ficamos gratos pelo tempo que esse processo levou. Não estou te dizendo para ser apática às coisas, mas que as vezes, a melhor coisa que podemos fazer é aceitar as coisas como são. Relacionamentos começam e relacionamentos terminam, mas isso vai lhe impedir de vive-los com tudo o que você tem?”
Ele não sabia se havia sido incisivo demais ou se estava escorregando para a terapia. Bem, John já havia lhe avisado. Regina levantou-se e caminhou até ele, em silêncio. Os olhos cor de avelã pareciam suaves e calmos, mas havia algo neles, um brilho quase sutil que ele conseguia notar – mas não conseguia traduzir.
“Regina, eu...” Mas tudo que conseguiu em resposta foi Regina empurrando-o de volta para o sofá.
“Shhhhhh...” Pediu ela, apoiando um dos joelhos ao lado de seu quadril e em seguida o outro joelho; ajeitou-se delicadamente e em segundos, ela estava sentada em seu colo. Uma das mãos dela deslizou para o sofá, segurando-se firme ali afim de ajeitar-se no colo do anfitrião. “Chega de conversa, Robin.”
A mão dela deslizou para o rosto dele, a pele delicada roçando contra a barba rala, inerte pela sensação arrepiante mas deliciosa que pinicava e raspava. As mãos dele viajaram para a jaqueta dela, empurrando-a para fora dos ombros e ela consentiu, soltando-o apenas o tempo suficiente para Robin derrubar a peça no chão. Assim que o som do tecido se chocando com o chão a atingiu, ela voltou a deslizar a palma da mão sobre o rosto dele. A sensação da barba dele era viciante e ela mordeu o lábio imaginando qual seria a sensação de senti-la roçando outras partes de seu corpo. As mãos dele deslizaram para a pele dela, apenas tocando a base de suas costas por baixo da fina camiseta de algodão que usava e um aaah escapou de seus lábios. Deslizou as mãos para a camisa dele, procurando a base e ele rapidamente tirou-a, cedendo aos anseios dela.
Eles haviam desacelerado novamente. Robin manteve as mãos na base das costas dela, seus dedos brincando com a pele ali, deslizando, descobrindo, causando arrepios diretamente em sua nuca. Os olhos dele ganharam um tom azul denso, e ela percebeu que aquela era sua cor favorita neles. Mordendo o lábio inferior, ela deslizou as mãos pelo tórax dele. Robin era maravilhoso; algo que ela já desconfiava, mas bem, ao vivo e a cores era absurdamente melhor. Era basicamente impressionante o quanto um homem podia ser atraente, e ainda mais impressionante como a pele dele queimava a ponta de seus dedos. Pressionou os dedos em alguns pontos, testando a musculatura e deve ter gemido mais alto do que pensou, pois sentiu-o segurando com um pouco mais de firmeza na base de suas costas.
“Você é....” Suspirou ela, deslizando a mão pelo centro do tórax dele até chegar no cinto, e depois voltando a encarar os olhos azuis. “É...” Mas ela não sabia que palavra usar. Na verdade, olhar nos olhos dele sempre lhe deixava perdida. Ele deslizou uma das mãos até seu pescoço, por dentro de sua camiseta, percorrendo o caminho da sua espinha e ela enterrou as unhas em seus ombros. “Robin...”
Ele alinhou seus lábios, mas não a beijou. Ainda olhando em seus olhos, ele segurou seus cabelos, roçando, tocando seus lábios torturosamente. “Achei que você não quisesse mais conversar.”
“Você deveria me manter ocupada.” Rebateu ela e ele imediatamente encaixou seus lábios nos lábios dela, uma mão firme em seus cabelos e a outra em sua cintura. As unhas dela deslizavam em seus ombros e pescoço, até que Regina deixou que uma escorregasse até seus cabelos, puxando-os e apertando-os; aparentemente, era algo que ele gostava muito. Um grunhido sexy ecoou pelos lábios dele, fazendo Regina mergulhar em sua excitação já latente. A língua dele era quente e macia, e deslizava sobre a sua de maneira quase obscena, causando ondas de calor por todo o seu corpo.
“Regina...” Sussurrou ele contra a boca dela, e no minuto seguinte ela havia mudado o ângulo e aprofundado o beijo ainda mais, movendo-se sobre o colo dele e finalmente percebendo que havia acordado algo abaixo de si. Você não vai transar com ele hoje, você não vai.... Sua voz interna perdeu-se por trás de seus olhos quando Robin voltou a beijar seu pescoço, as mãos dele agora um pouco mais ousadas, apertando suas coxas, deslizando para a sua bunda e apertando-a contra ele. Ele distraiu-se por ali, deixando um rastro de beijos semiabertos, a língua deslizando por sua pele e fazendo com que ela o segurasse pela nuca exatamente ali, querendo mais e mais do que ele pudesse lhe oferecer.
Seu corpo estava agindo por conta própria. Ela puxou a camiseta com rapidez e Robin gemeu guturalmente quando seus olhos registraram o sutiã de renda negra que comportava os fartos seios dela. Ele rapidamente passou a beijar a pele por cima deles, acariciando-os com devoção, deslizando a língua entre a divisa da pele e da renda. Não pare... foi a única sentença que ela conseguiu formar, uma vez que estava rebolando lentamente contra ele, sentindo-se absurdamente febril e se ele deslizasse as mãos para o fecho de seu jeans ela tinha certeza que não ia ser capaz de se negar este prazer.
A campainha tocou e ela abriu os olhos imediatamente, mas Robin continuou beijando seus seios por cima da renda fina e delicada. “Robin” Sussurrou ela, mas a mão dele estava tão firme em sua cintura, a outra acariciando-a com tanto tesão que ela quase cogitou ignorar o som que vinha da porta. “A campainha.”
Ele parou. Respirou fundo, e puxou o rosto dela, beijando seus lábios por segundos em um suave encostar. “Está esperando alguém?” Brincou ela, rindo. As bochechas estavam um pouco coradas, mas era bastante compreensível para quem havia acabado de ter uma sessão de amassos no sofá.
“Deve ser a pizza.”
“Então vá busca-la.”
Ela tentou mover-se, mas ele a segurou pelas coxas, fazendo com que os olhos castanhos voltassem a se alinhar com os azuis. “Mas não precisamos. Isso daqui está mil vezes melhor do que qualquer pizza e eu...”
“Podemos continuar depois.” Respondeu ela, beijando a bochecha dele. “Além do mais, eu estou faminta.”
Assim que ela saiu de cima dele, ele colocou a almofada sobre seu colo. Regina riu, arqueando uma das sobrancelhas. “O que foi?”
“Eu não posso ir assim lá fora.”
“Robin, só coloque a camiseta. É ali na porta.”
“Regina, há uma parte de mim que não entendeu a parte que paramos por enquanto...” Pediu ele, arqueando as sobrancelhas. “Por favor, não é para rir.”
Ela riu, pedindo desculpa assim que ele franziu as sobrancelhas, fazendo uma careta. “Me dê o dinheiro, eu pego a pizza. Enquanto isso você vai... cuidar disso.”
Ele apontou a carteira dele sob a mesinha da entrada e ela colocou a camiseta branca, rindo. Ajeitou os cabelos, e observou enquanto ele caminhava para o banheiro, ainda mantendo a almofada sobre o colo. “Isso não tem graça.” Resmungou ele, de costas para ela e fechando a porta do banheiro logo em seguida.
“Tem sim.” Respondeu ela, caminhando na direção da porta.
***
“Como é que você não sabe onde sua mãe está?”
Jefferson levou uma das mãos à cabeça. Irritado, andava de um lado para o outro de seu escritório. Henry estava dizendo alguma coisa sobre um tal de Leo estar lá, e Valerie, e se Regina não estava com Rosie, ou trabalhando, onde é que ela estava?
“Certo, Henry. Passe o telefone para a Valerie por favor.”
Ele ouviu alguns murmúrios distantes, o que possivelmente era uma conversa que Valerie estava abafando. Segundos depois, a voz suave e de sotaque britânico ecoou na linha. “Olá, Hatter. No que posso ajudá-lo?”
Sua voz saiu carregada e prepotente. “Onde está Regina?”
“Ocupada. Quer deixar recado?”
“Eu estou falando sério, Valerie. Eu preciso falar com ela. Onde ela está? Por que as crianças não sabem onde ela está?”
Valerie suspirou. “Porque Regina é mãe deles e não o contrário, dahling. Regina está ocupada agora. Deixe recado.”
Ocupada. Ocupada demandava um complemento. Se não uma atividade, então alguém. E Regina só seria discreta sobre seu paradeiro se isso significasse...
“Ela está em um... encontro?”
“E se estivesse?”
Ele parou, os olhos fixos na parede cor de marfim. Essa ideia havia sido tão inexistente por algum tempo que ele... ele jamais pensara que este momento chegaria. Mas bem, eles eram divorciados, não eram? Regina encontraria alguém eventualmente.
“Ela não me disse nada.”
“Por que acho que você é o ex marido dela e ela não te deve nenhuma satisfação?”
“É com o Graham, não é? Ele disse que eles estavam saindo, mas eu achei que ela não faria isso. Eu sempre disse a ela que esse garoto queria mais do que parceria profissional, mas ela...”
“Não lhe interessa, nem que fosse o próprio George Clooney. Ela não poderá bancar sua babá dessa vez.”
“Você costumava gostar de mim, Val.” Sibilou ele, amargo com a reação da loira.
“Eu costumava gostar de você, Jeff. Mas você a machucou, então não espere nada menos do que desprezo vindo de mim.”
“Eu não sou esse monstro que ela pintou.” Reclamou ele, irritado. Pegou alguns processos e enfiou em sua maleta; estava cansado e estava mais do que na hora de ir para casa. Aquele dia já havia sido demasiadamente estressante.
“Regina nunca pintou nada. É incrível que ela ainda consiga ver o bem em você, Hatter. Regina é uma mulher muito melhor do que eu, esta é a sua sorte. Tudo que penso sobre você são coisas baseadas no que meus próprios olhos viram. Essa conversa não tem nenhuma finalidade, dahling. Regina não vai atender você agora, Regina não vai ficar lamentando por você para sempre e eu não vou perdoar você. Bonne nuit, monsieur.”
Antes que pudesse dizer alguma coisa, a linha ficou muda e ele respirou fundo, arremessando o celular contra a parede. O som estrondoso fez com que Emma aparecesse na porta quase que de imediato. “Jefferson, o que está acontecendo?”
“Valerie.”
Ela franziu as sobrancelhas, confusa. “Essa não é a amiga da Regina?”
“A própria.” Resmungou ele, ajeitando suas coisas. “Você está pronta para ir embora?” Questionou ele, olhando-a de soslaio. Assim que se virou, a voz firme e irritada o deixou em posição de alerta.
“Jefferson Hatter, olhe nos meus olhos enquanto eu estiver falando com você.”
Ele suspirou e virou, alinhando sua postura e caminhando até ela. Emma evitou o toque dele, encarando seus olhos de maneira resignada. “Agora você vai me contar exatamente porque teremos que comprar outro celular para você.”
“Valerie me odeia. Ela deixou bastante claro; também deu a entender que Regina está saindo com alguém e não me disse.”
“Você esperava mesmo que ela fosse lhe contar?”
Ele arqueou as sobrancelhas. “Você está do lado dela, Emma?”
“Não se trata de lado aqui, baby. Ela não é mais sua esposa. Você disse a ela o que estava sentindo por mim antes de pedir o divórcio? Não. Não espere que ela aja de maneira diferente.”
“Mas Regina...”
“Jefferson, eu estou cansada disso.” Suspirou a loira. “Você vai ligar para ela amanhã cedo, e marcar um almoço. Nós, ela, seus filhos. E se ela quiser que Valerie e Rosie estejam lá, elas também estão previamente convidadas.”
Ele embranqueceu com a ideia. “Emma, você não sabe o que está pedindo.”
Ela caminhou até a bolsa branca da Balenciaga, ajeitando-a sobre o ombro. Ciente de ela estava sendo curiosamente observada, ajeitou os cabelos, deslizou as mãos pelo vestido esmeralda que estava vestindo e voltou suavemente para a frente dele. “Você ouviu alguma entonação de pergunta? Porque não foi.”
Ele encarou os olhos verdes por algum tempo, e suspirou. “Emms”
“Não me venha com Emms. Faça o que eu falei, ou nós vamos ter problemas, Jefferson.”
Ele engoliu em seco, passando os dedos pelo cabelo. Valerie e Regina o queimariam vivo na frente de seus filhos e Emma. “Eu vou esperar no carro.” Concluiu ela, deixando-o para trás.
***
O que restara da pizza havia sido descartado na cozinha. Robin havia se deitado sobre o sofá, de barriga para cima e Regina havia se deitado ao lado dela, apoiando apenas a cabeça no peito dele para que pudesse assistir a tevê. Natalie Portman rodopiava enlouquecidamente, a performance final de um filme deslumbrante, até que alcançou a pose final, as asas de cisne esticadas e fazendo alusão a todo um processo psicológico absurdamente encantador. A Rainha dos Cisnes exibindo sua majestade.
“Esse filme é um dos meus preferidos.” Comentou ela, as mãos deslizando sobre o abdômen dele, um carinho inocente.
“É tão perplexo quanto você mesmo.” Riu ele e ela bateu em sua barriga, fazendo-o gemer de dor, mas ela sabia que não havia batido com força e ele estava apenas dramatizando.
“Eu só... Me identifico com ela.” Comentou ela, distraidamente, sentando-se. Robin ajeitou-se e permitiu que ela sentasse entre as suas pernas, de modo que agora as costas dela estavam apoiadas confortavelmente sobre o seu abdômen e ele podia abraça-la por trás.
“Qual parte?” Sussurrou ele, afastando o cabelo dela e alinhando seus lábios à orelha dela. Percebeu que o roçar de seus lábios ali causou arrepios nela. “A busca pela perfeição? A atração por mulheres? A loucura?”
“Dois acertos e um erro.” Sussurrou ela, suspirando quando ele apertou ainda mais os braços ao redor dela.
“Hmmmmm, considerando que você não é louca, não fica difícil adivinhar o que é verdade.” Ele debruçou-se e beijou seu pescoço, sem entreabrir os lábios. “Com quem? Rosie? Valerie?”
“Ewww, Robin. Elas são praticamente irmãs para mim.”
Ela ouviu-o rir. A risada dele era rouca mas cheia de vida, e ela simplesmente adorava aquele som. Adoraria ouvir aquele som todos os dias. “Mas brincadeiras à parte, eu realmente vejo isso em você. A necessidade de ser perfeita, de fazer tudo de maneira perfeita, de controlar as coisas para que sejam executadas com perfeição.”
“Deve ser assustador.”
“Um pouco, mas eu não tenho medo de você, Regina.”
“Você deveria ter.”
Ele debruçou o rosto, deslizando a ponta do nariz pelo pescoço dela, até a base de sua orelha. Ali, ele inspirou profundamente e depois deixou o ar sair lentamente pelos seus lábios, tocando a pele dela. Regina apenas suspirou, permitindo a si mesma derreter sob as carícias dele. “Robin...”
“Sim?”
“Eu não estou pronta ainda...”
Confuso, ele afastou-se dela alguns centímetros, virando o rosto dela delicadamente, buscando seus olhos. “Como assim?”
“Para sexo. Eu... ainda não quero dar esse passo.”
Ele sorriu, segurando seu rosto e beijando-a com doçura e firmeza. “Regina, não é isso que importa. Vamos fazer tudo como você quiser, da maneira que você se sentir mais confortável. Tudo bem?”
“Sim...” Suspirou ela, um sussurro quase inaudível e ele se perguntou se havia feito algo errado. Mas no minuto seguinte, ela demonstrou uma força surpreendente e os girou, deitando por baixo dele e cruzando os braços por trás de seu pescoço. Robin apenas aceitou o que ela estava oferecendo, apoiando os antebraços no assento para não a esmagar com seu peso e deitando-se sobre ela. Ela entreabriu as pernas e deixou que uma das pernas dele se encaixasse ali, e ele continuou a beijando as mãos acariciando suas coxas por cima do tecido do jeans. As unhas delas deslizavam por suas costas e entre seu cabelo, puxando, apertando-o, arranhando sua pele – não que ele estivesse reclamando, aquela sutil dor era deliciosa para ele. Decidiu deixar-se guiar pela vontade de Regina; as unhas dela puxaram sua camiseta para cima e Robin arrancou-a, fazendo-a sorrir antes de voltarem a se atacar, as bocas urgentes e famintas que se tocavam com tesão.
Ohhhhh gemeu ela quando ele rebolou contra ela, a perna que estava entre as pernas dela pressionando-a por cima do jeans. “Bom?” Questionou ele, certificando-se dos limites e ela apenas segurou em seus ombros, balançando a cabeça em sinal de aceitação enquanto beijava o pescoço dele, mordicando a pele. A fricção não era exatamente pontual onde ela desejava, mas era gostosa e ela aceitou. Suas unhas enterraram-se na carne dele, marcando seus ombros e sua escápula; ela passou a rebolar junto com ela, aumentando a força do atrito enquanto ele a beijava com volúpia, provando que um dia ele seria capaz de fazê-la atingir o nirvana apenas por beijá-la.
“Robin...” Gemeu ela, mesmo sem saber o que é que ela estava pedindo. Ele deslizou os lábios e sugou seu pescoço, sem fazer força, apenas o calor dos lábios abertos e o deslizar da língua e isso foi o suficiente para ela grunhir, deslizar as mãos para o cabelo dele e puxar o rosto dele de volta ao seu. “Eu preciso de mais...” Ele consentiu e se afastou, fazendo-a estremecer com a súbita perda de calor. Ele a sentou no sofá, as pernas esticadas e dobradas a ponto de seus pés estarem paralelos ao chão, e as costas recostadas contra o apoio do sofá. Ela não sabia o que ele ia fazer, mas não tinha estrutura para perguntar. Acompanhou com os olhos, sentindo todo o seu corpo dilatar de prazer e calor, certa de que sua temperatura corporal já havia passado do aceitável há tempos. Ele ainda estava em pé, apenas um joelho apoiado entre suas coxas quando tomou seus lábios, beijando-a, e as mãos dele alcançaram o cós de seus jeans. Os olhos dela abriram-se repentinamente.
“O que vai fazer?” Questionou ela, preocupada que ele não tivesse entendido que os limites dela continuavam os mesmos.
“Eu preciso de espaço. Não se preocupe. Em nenhum momento minha calça vai sair do meu corpo. Seu corpo, suas regras.” Ele ajoelhou-se na frente dela, e puxou-a para a beirada do sofá, beijando a base de seu ventre. “Eu só pretendia fazer um trabalho... manual, se você quiser.”
Oh
Oh
Oh
“Tudo bem.” Respondeu ela, e ele desafivelou o cinto, abrindo-o, os olhos fixos nos olhos dela. Ela sequer se lembrava da última vez que se sentira tão sexy assim. Da última vez que um homem a desejara dessa forma. Por que ela havia demorado tanto para aceitar que ela queria este homem?
Hipnotizado, ele manteve os olhos nos olhos dela enquanto desabotoava o jeans e deslizava o zíper. “Babe...” Pediu ele, e ela entendeu, erguendo o corpo delicadamente para que ele pudesse deslizar o jeans por suas pernas. O contato visual foi quebrado quando ele puxou a calça, dobrando-a e colocando-a sobre o sofá. Os olhos dele viajaram por suas pernas, assim como as mãos, acariciando de baixo para cima, percorrendo o caminho com curiosidade. “Você tem pernas matadoras, eu já disse isso?”
“Acho que sim. Você diz muitas coisas.”
Ele ajoelhou-se entre as pernas dela, e ela encaixou uma das pernas em sua cintura. Eles voltaram a roçar os lábios uns sobre os outros, sussurrando e gemendo. “Eu só digo verdades. Você é sensacional.”
Ela sorriu, e aprofundou o beijo. Cruzou os braços atrás do pescoço dele, entregue ao momento e sentiu o corpo todo reverberar de prazer quando ele afastou sua calcinha e pressionou o polegar sobre o clitóris dela. “Robin!” Alertou ela, sensível e prestes a derreter-se nos dedos dele se ele não desacelerasse. Ele soltou o órgão sensível e deslizou o polegar, entreabrindo sua vulva, sentindo o quão molhada ela estava.
“Você está tão encharcada, Regina...” Grunhiu ele, quase choramingando, enquanto brincava com a entrada dela, apenas deslizando os dedos por ali, provocando-a, atiçando-a. Mas ela não estava com paciência. Seu orgasmo estava ali, por baixo de sua pele, exigindo libertação, seu corpo havia se tornado um redemoinho de ondas de calor e ela precisava, urgentemente, de uma válvula de escape.
“Robin, por favor...” Pediu ela e ele voltou a beijar seu pescoço enquanto deslizava dois dedos para dentro dela, encontrando apenas a familiar maciez e calor, um calor absurdo e crescente. Ohhhh
Regina apertara ainda mais os braços ao redor de seu pescoço, impossibilitando-o de ver o que ele estava fazendo e ele não conseguiria fazer nada daquela maneira. Afastando-a, ele teve que retirar os dedos dela e recebeu um grunhido descontente, mas ele simplesmente a deitou contra o sofá, mantendo o quadril dela no ar e deslizando os dedos lentamente para o seu interior. Hmpf! As mãos dela buscaram por ele desesperadamente e ela as manteve em seus ombros, enquanto Robin continuou sua tortura suntuosa, puxando e empurrando, salivando sobre o quão macia ela era por dentro. Ela estava com pressa, ele não. Beijando a parte interna de sua coxa, ele continuou, seus dedos em um ritmo tranquilo, indo e voltando, dentro e fora, vez por outra checando-a; ela estava vestida da cintura para cima, mas ele podia ver os mamilos duros marcando sua camiseta, as mãos dela que vez por outra buscavam por algo no sofá onde pudesse se segurar e calar os gemidos descontrolados.
“Mais forte.” Pediu ela, mas ele sorriu, lhe dando exatamente a metade do que ela havia pedido. Nem tão forte que ela finalmente alcançaria seu alívio, mas um pouco mais forte do que ele estava fazendo anteriormente. Ela grunhiu, apertando a mão dele que estava sobre o seu abdômen e ele sorriu, feliz pelo fato que ela não podia vê-lo. Virou-se para a pele interna de sua coxa e puxou-a com os dentes, sem fazer muita força, ganhando um gemido diferente e muito mais profundo, algo que fez com que sua boxer parecesse ainda mais desconfortável. Ohhh Deus
Ele retirou os dedos, virando-os e voltando-os para dentro dela lentamente, dessa vez com a palma voltada para cima, os dedos curvados, e em poucos segundos ele atingiu exatamente o ponto que a fez se empurrar contra os dedos dele, rebolando. Sim, sim, sim... Robin sorriu, mordendo o lábio inferior e pensando o quanto ele adoraria debruçar-se e lambê-la até que ela explodisse em seus lábios. Mas ele havia dito a ela que eles permaneceriam manualmente, e ele iria cumprir o prometido.
Não de acordo com ela.
Robin estava estocando os dedos com força, um ritmo que aos poucos ganhava um pouco mais de velocidade quando ele sentiu que ela o tateou até encontrar seus cabelos, puxando-os exatamente para onde ele havia pensando em estar. “Você tem certeza?”
“Pelo amor de Deus, Robin... Eu tenho absoluta certeza.”
Ele sorriu, abrindo as pernas dela um pouco mais e continuou bombeando os dedos dentro dela. Debruçou o rosto e sem nenhum aviso, deixou que sua língua deslizasse em uma lambida firme e vigorosa por cima do clitóris dela. Ooooh
Atencioso, Robin colocou uma de suas pernas sobre o ombro dele e ganhou profundidade, combinando a força de seus dedos e o calor de sua língua; sugando-a, lambuzando com a própria saliva misturada à excitação dela. Vez por outra ele forçava sua língua exatamente sobre os próprios dedos, fazendo que com Regina fosse obrigada a revirar os olhos e grunhir sem voz, sem capacidade de pensar em uma palavra coerente para gemer.
Coerência era uma das coisas que ela havia perdido. Assim como a habilidade de formar frases completas, ou de fazer qualquer outra coisa que não fosse concentrar todos os seus sentidos no orgasmo arrebatador que crescia a cada segundo na parte baixa de seu ventre. Robin acelerava e desacelerava, empurrando-a cada vez na direção do precipício e depois a acalmando, e ela achou que ele a torturaria até a exaustão. Os dedos dele estavam acertando o ponto certo, ela só precisava que ele fosse mais rápido, mais forte, mais rápido, e mais... Mas aparentemente ele não tinha a mesma perspectiva pois os dedos lhe abandonaram. A sensação de perda foi imediata e ela estava prestes a xingá-lo quando ele forçou a língua para dentro dela e passou a penetrá-la daquela maneira, o polegar passou a esfregar seu clitóris e de repente todo seu corpo entrou em um colapso maravilhoso, espasmos firmes, e incontroláveis, os músculos das suas pernas contraindo-se de maneira metódica. Robin ainda continuou lambendo-a, mais delicadamente e ela ainda estava contorcida sobre ele, os olhos fechados e as órbitas perdidas até que ela se sentiu hipersensível e teve que afastá-lo antes que doesse.
Robin ajeitou-a sobre o sofá, percebendo que a respiração dela estava entrecortada e desapareceu por alguns segundos, voltando com uma pequena toalha. Ele entreabriu suas pernas, os olhos atentos a ela, assegurando-a de não estava fazendo nada e a limpou, voltando sua calcinha para o lugar.
“Robin... Isso foi...”
“Uma delícia.” Sorriu ele, os lábios esticados em um sorriso vitorioso antes dele levar os dedos aos lábios e chupá-los como uma sobremesa. O gesto a fez enrubescer e ela desceu os olhos pelo dorso dele, o abdômen marcado pelo V que acabava dentro da calça e.... bem.
Ele percebeu o que ela estava observando e sorriu, tímido. “Eu vou cuidar disso.”
“Não é justo você me dar um orgasmo desses e eu te deixar terminar na mão novamente, Robin. Só...” Ela respirou fundo, tentando acalmar a própria respiração. Ouviu os passos dele até ela, e Robin debruçou-se, beijando-a na testa.
“Não se trata de ser justo, Regina. Eu só fiz algo que queria fazer há certo tempo. Hoje se trata de você. Eu sei me virar.”
“Mas...”
“Nada de mas Robin, policial.” Ele sorriu, beliscando o abdômen dela. “Aos poucos nós vamos igualar esses placares.”
Ela estava encarando-o com um sorriso nos lábios quando seu celular tocou. Regina levantou-se, ainda um pouco tonta e caminhou até sua bolsa, percebendo que ele estava admirando-a, os olhos fixos em seu quadril. “Hey baby girl.”
“Val.”
“Posso levar as crianças para casa? Você não tem que voltar tão cedo e eu...” Um breve silêncio alertou Regina. “Você está ofegante?”
“Não!”
Valerie riu do outro lado da linha e Regina sabia que havia perdido a batalha. “Estou atrapalhando algo importante?”
“Valerie...”
“Okay, okay. Levo as crianças para casa ou essa é a respiração pós orgasmo? Já acabou aí?”
Ela virou-se para Robin. Ela adoraria ficar, mas ela tinha filhos e ela não podia simplesmente jogar essa responsabilidade em Valerie em troca de alguns orgasmos, mesmo que a própria Valerie fosse mais do que apoiadora disso. Precisaria aprender a lidar com essa situação e Robin, se fosse paciente, também aprenderia. Ele balançou a cabeça, como se estivesse lendo o pensamento dela e apontou para o relógio, e ela percebeu que ele havia entendido. “Eu chego em meia hora.”
Valerie permaneceu em silêncio por meio minuto. “C’est tout. Você que sabe, baby girl.”
Ela desligou e Regina suspirou, caminhando até ele e jogando os braços ao redor do pescoço dele. Seus lábios se encontraram em um beijo apaixonado. “Me desculpe por sair tão abruptamente, Robin. Juro que não era minha intenção...”
“Você tem filhos. Eles devem vir em primeiro lugar, Regina.”
“Não fique chateado.”
Ela pretendia se afastar e ele a segurou contra si, roubando outro beijo maravilhoso e sensual que fez as pernas dela amolecerem. “Depois de uma visita dessa, a última coisa que se passa pela minha cabeça é ficar chateado com você.”
Regina sorriu, cruzando o caminho e colocando sua calça. Robin havia colocado a camiseta novamente e ela estava vestindo o sapato quando ele se debruçou, pegando sua jaqueta e a ajudando a se vestir. Ela agradeceu e ele a acompanhou até o banheiro, observando-a ajeitar os cabelos e o rosto. Perguntou-se como uma mulher podia ser tão indubitavelmente linda.
“Quando posso te ver de novo?” Perguntou ele, e ela sorriu para ele através do reflexo.
“Quando será seu próximo show?”
“Daqui quatro dias. Hard Rock Story Bar. Downtown, 87.”
“Então já temos uma data, e um endereço.”
Ele a acompanhou até a porta, e lhe cedeu a bolsa, mas não sem antes encostá-la na parede, roubando mais alguns beijos. Beijá-la era um vício e ele estava claramente percorrendo um caminho sem volta. “Robin, se você continuar eu não vou conseguir ir embora...” Sussurrou ela, sorrindo.
“A ideia é tentadora, mas você precisa ir. Seus filhos te esperam.”
Ela agarrou-o pela nuca, e o beijou mais uma vez antes de se despedir, desaparecendo pelo corredor de seu prédio. Robin fechou a porta, e voltou-se para o seu apartamento. Sorriu, passando a mão por seu cabelo e pensando no que acabara de acontecer. Se ele tinha alguma dúvida de que ela viera para ficar, ele não tinha mais. Ele não ia conseguir manter-se racional. Ele ia se apaixonar, e ia se apaixonar perdidamente, até não se encontrar mais.
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