Roleta Russa
2 Capítulo 2
Capítulo 2
- Há dois dias o senhor Victor Rey foi a uma padaria perto de sua casa às oito horas da noite. E ao virar a rua foi cruelmente assassinado. No locar se encontravam um casal, os assassinos, Riley e Aline, que foram surpreendidos pelos policiais.
Mesmo olhando para minhas mãos ainda podia escutá-los com sua opinião de como acham que foi o crime. Estava tudo errado, o sangue em cima do Victor não era dele, mas claro que a mídia ignorava a verdade só pensando no dinheiro. Logo seria minha vez de narrar com foi o fato e nessa minha vez eu não iria esconder nenhuma palavra.
O martelo do juiz soou.
- Silencio! Agora, o advogado de ataque já explicou os fatos. Aline, é sua vez de falar como aconteceu. Pode começar.
Olhei para cima e senti calafrios com os duzentos pares de olhos em minha direção.
Você consegue, respira e conta a verdade! – disse a mim mesma.
- Querem toda a verdade? Então eu vou contar, só peço que não me interrompam. Apesar de que não fui eu que morri, e a vitima também não é da minha família... – fiz uma pausa engolindo as lagrimas que já se formavam. – Ainda dói lembrar.
O advogado de ataque pegou os papeis com os fatos escritos, ele já estava preparado para me contrariar protestando.
- As sete e meia da noite, eu sai da minha casa e fui a padaria, pois eu e Riley não tínhamos jantado. Eu fui sozinha e...
- Senhor juiz! Gostaria de dar uma palavra com a acusada – o advogado me interrompeu.
- Concedido.
Pigarreou.
- De acordo com as câmeras de segurança, você estava na rua as sete e trinta e oito. Mas o caminho até a padaria só leva 5 minutos, o que fez nesses três minutos restantes?
Suspirei com a pergunta idiota e por ter me interrompido.
- Fui amarrar meus sapatos e respondi uma mensagem do Riley.
Ele me desafiou com o olhar.
- Vocês adolescentes tem muita habilidade com o celular, então claramente não e preciso parar para responder a mensagem.
Revirei os olhos.
- Bom, mas se a rua tiver tão escura que nem a tela do celular da pra ver, então sim, tive que parar. Agora, já acabaram as suas perguntas ou vai continuar me impedindo de contar?
O juiz fez um sinal para que eu continuasse.
- Cheguei na padaria e comprei alguns pães e leite. Em seguida paguei e voltei pelo mesmo caminho que fui. Mas Victor me interrompeu me zombando.
O juiz olhou a ficha.
- De acordo com depoimentos você e Victor não se davam bem, correto?
- Sim – respondi. Na escola ele era o popular, e tinha todas as garotas que queria na palma da mão, exceto eu. Eu nunca me interessei e por isso então ele passou a me humilhar.
- Certo, continue a declaração.
- Ele veio na minha direção... Rindo e parecia bêbado... Estava todo desorganizado...
E você pode ver meu coração batendo
Você pode ver através do meu peito
Estou apavorada, mas eu não vou desistir
Eu sei que tenho que passar este teste
Então, basta puxar o gatilho
As memórias me invadiram...
- Aline! Aaaline! Aline! Yeap!
Bêbado.Virei e o encarei.
- Vá para sua casa Victor! E me deixa em paz!
Bufando, virei para continuar caminhando. Porem, Victor jogou as coisas que eu tinha comprado no chão.
- Droga garoto!Porque você fez isso!?
Bufando com muita raiva me ajoelhei e recolhi minhas coisas, mas não tudo porque muitas coisas ele havia pisado.
- Para de pisar, droga! Eu comprei isso pra comer! Você está estragando tudo!
Na hora que toquei na caixa de leite no chão minha mão ardeu. Ele tinha pisado nela e gritei de dor.
- Hahaha! Não consegue pegar a caixinha de leite! – disse se jogando em cima de mim e tentando me beijar a força.
Bati em seu peito tentando afastá-lo sem sucesso. O peso dele em cima de mim era descomunal, não sou uma pessoa forte, sou muito fraca por sinal.
- Vamos! – gritou ele. – Eu sei que me quer! Olha para mim! Eu sou tudo!
- Eu não quero! Me deixe em paz!
E então me beijou com força, sentia a dor, meus dentes sentiam. Eu estava desesperada, assustada. E então fiz a única coisa que pude, o mordi, até sentir gosto de sangue.
- AH! Sua... Sua... Olha o que você fez! Ah, agora você vai se arrepender Aline!
Meus olhos arregalaram em minhas órbitas ao ver a barra de metal em sua mão, ele iria me bater com aquilo e pela sua raiva claramente iria me matar.
Ele correu em minha direção pronto para me bater, ele bufava como um touro enfurecido, seus olhos queimavam de raiva. Era possível ver as veias de sua mão e sua testa saltando. Ele andava calmo, passos largos com seus tênis de marca, sua mão esquerda estava solta balançando junto com o corpo e a direita segurava a barra de metal arrastando no chão provocando fagulhas. Seu sorriso estava irônico e totalmente louco de raiva. Ele parecia um monstro, não, ele não só parecia. Ele era um monstro.
Eu já chorava, minhas pernas tremiam de medo e desespero, mas fiz o que podia, eu corri não ao menos sabendo a direção. Até que bati em uma parede. Droga! O beco é sem saída! Corri para os lados inutilmente, a saída estava do outro lado, e para isso, eu tinha q passar pelo Victor.
- Socorro! – gritei em plenos pulmões, como um bebe com fome.
Eu podia ouvir a risada do Victor e o barulho da barra no chão, podia prever q a ponta que arrastava estava ficando afiada.
- Alguém me ajuda! Socorro! – gritei mais alto.
Quando abri meus olhos Victor estava a minha frente fazendo sinal de silêncio, ele segurava a barra como uma lança para caçar um animal. Fiquei meus olhos em esperança que acabasse logo. Ouvi um barulho algo, como um tiro a ser disparado.
Abri meus olhos e Victor estava no chão, seus olhos frios em contato com o solo, totalmente abertos e encarando o vazio sem fim. A barra rolou para uma distância a centímetros do seu corpo, e ele não fez esforço para pegar. Pude sentir algo quente sob meus pés, um líquido escarlate manchando minhas sandálias de borracha. Sangue, ainda aquente pintando o chão como a reforma de uma casa.
Seu peito não mexia com a batida de sua respiração, em suas costas tinha um buraco bem onde ficaria seu frio coração. Por lá que a bala entrou. Meus olhos tinham molhados pelas lágrimas de pavor que eu sentia. Minha um cadáver aos meus pés, Victor estava morto e eu vi tudo, logo diante de mim.
Olhei para frente lutando contra as lágrimas pela minha visão, mas de nada adiantou. Tudo o que pensava era que se Victor morreu, ela seria a próxima. Se não morreu nas mãos do garoto então seria pelas balas do assassino. Respirei profundamente, então esse seria meu fim, sempre pensei que morreria com a velhice, mas nunca jovem com um tiro em meu peito, meu corpo em um beco, ao lado do meu quase assassino morto.
- Aline? Você está bem?
Abri meus olhos, era apenas Riley na minha frente, o mesmo que correu em minha direção em destino de me confortar com um abraço quente na noite fria. Me aconcheguei em seu peito sentindo seu coração batendo no mesmo ritmo absurdamente rápido que o meu.
Fui arrancada de meus devaneios como um burro de carga a ser torturado para puxar a charrete com mais força e agilidade. Meu tempo para depor havia acabado agora, não estava mais em minhas mãos, o juiz iria decidir. Ainda tremia, pois em meu coração havia um pesar equivalente a montanhas de chumbo, um péssimo pressentimento. Pelo amor do mundo, que meu pressentimento só seja um medo.
Enquanto a minha vida passa diante dos meus olhos
Pergunto-me, verei outro nascer do sol?
Muitos não têm a chance de dizer adeus
Mas é tarde demais pra pensar no valor da minha vida
(Rihanna – Russian Rolete 2ª parte)
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