Rock Bottom

17 Castigo, graduação e despedidas


Notas iniciais
Penúltimo cap!

Alicia

— O que aconteceu dessa vez?

— Você trabalhava com John e nunca me contou isso. — já falei que minha mãe é uma pessoa muito direta? Pois é, ela é — O que eu já te falei sobre isso??! Ainda mais esconder dos seus pais! — fiquei quieta — Não vai falar nada?

— Ahm...sinto muito?

— Você está muito encrencada, mocinha!

— Viu?! Foi exatamente por isso que eu não disse nada! Qualé, não é nada de mais, nem muito menos um crime, é um hobby que eu compartilhei para ajudar os outros. Não é trabalho.

— Mas escondeu de mim e ainda fez depois de eu falar tanto! E isso não vai ficar assim!

— Não disse pra eu não ter um hobby.

— Disse para não trabalhar com a música!

— Ai aquilo não é trabalho!!

— Olha lá como fala com sua mãe!

— Argh! Isso é injusto! — odeio bater pé, mas foi assim que eu saí de lá e ainda bati a porta com força

Era exatamente por isso que eu não queria que ela soubesse. Mas que droga! Eu não sabia que a mãe de John sabia, ele nunca me mencionou isso. Argh! O que vai acontecer agora? Minha mãe não é muito de dar castigo, mas quando eu faço uma coisa que ela não gosta ferra demais pro meu lado e agora eu tenho medo dela me afastar de John, apesar de parecer que nos apoia. Não sei o que fazer...! Ela não pode fazer isso! Também não vai, ou vai? Não! Não pode nem vai! Alguns minutos depois escuto batidas na porta e uma voz masculina "vou entrar", nem deu tempo de protestar.

— Sua mãe me contou o que aconteceu. Acabei de chegar e escutei vocês lá de fora. Tenha paciência com ela. Brigar só vai dificultar mais as coisas.

— Mas pai, é um hobby! Hobby! Não é trabalho. E eu não fiz nada de mais.

— Escondeu de nós. Isso é de mais.

— Eu não fiz nada. — cruzei os braços e ele riu de mim — Queria que eu contasse como? "Oi, tô escrevendo músicas e mandando pra gravadora". Eu justamente fiz ao contrário disso, lembra, até a Mack entrou no esquema.

— Aé né. Até que pra uma criança você planejou bem.

— Ah obrigada, eu sei. — rimos — Viu, pai? Eu sabia que ela ficaria assim. E é desnecessário.

— Entendi. — se levantou — Eu vou conversar com ela, mas não pense que vai se safar de algo, porque ela não vai deixar passar em branco. — bufei

— Tudo bem, fazer o quê. Valeu. — assentiu e saiu me deixando sozinha

Ótimo. Pelo menos agora sei que vai ser um castigo mais leve, só não faço ideia o quê. Enfim, decidi conversar com minhas amigas e esfriar a cabeça.

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John

No show, cantei minha nova música, a que eu escrevi pra Ali e parece que gostaram. Desde que a mostrei pra RR Records eles falaram pra eu gravar imediatamente, pra podermos fazer os ajustes para poder cantá-la nos próximos shows, e agora estou eu terminando um deles. Mas antes de ir pra casa, ainda tem hora hora de M&G, ou seja, só depois de uma hora e meia estava no hotel arrumando as malas para ir embora pela manhã. Só tinha 7 horas de sono.
Esgotando esse tempo, me chamaram para ir ao aeroporto já que eu não tomo café da manhã, ou como qualquer coisa antes de entrar no avião, foi só trocar de roupa e sair. Partiu San Francisco.
(????) horas depois descemos do avião e seguimos para o outro hotel. Tanto no aeroporto quanto no hotel tinha muita gente já que dessa vez era horário de almoço e como é bom sentir o aroma Californiano e saber que estou à minutos de casa. Porém não tinha como eu aproveitar isso já que era ensaio o dia todo e show durante a noite.
Assim que nosso comitê de 15 pessoas chegou no hotel, pediu para levarem nossas malas para cima, deixar no corredor para nós pegarmos as certas e não deixar acontecer o que aconteceu uma vez de eu pegar uma mala super nada haver que era do meu professor de dança. Depois seguimos até o restaurante do hotel para comermos algo. Foi uma loucura. Por causa das férias, tinha muita gente no estado inclusive nessa cidade, então tinha segurança e fãs pra todo lado, pelo menos só durou 10 minutos, depois parei de me importar e me concentrei em comer enquanto os outros faziam o mesmo.

— E aí, preparado para a graduação? — procurei pela dona da voz na grande mesa e vi que era Karla, ela é a pessoa mais íntima, posso dizer, do comitê todo, como é ela que organiza minha agenda, conversamos bastante e se sua pergunta é se eu já tive um caso com ela, a resposta é sim, meio difícil não rolar nada, ela é realmente muito bonita além de muito sedutora quando quer

— Ah é mesmo. Estou muito ansioso e depois ainda tem a mudança de cidade por causa da faculdade.

— Acha o certo? Pelo menos por agora?

— Eu preciso ir. São os estudos que me prendem, se não tiver um, daqui a pouco tô na China fazendo tour mundial. — falei um pouco mais baixo e sussurrando pra ela que estava na minha frente, mas um pouco pro lado

— Não vai fazer mais shows recentemente?

— Ainda não. Talvez no ano que vem eu pare um pouco e emende junto das férias pra fazer um mundial de seis meses finalmente.

— É, com cinco anos de carreira muitos já têm feito pelo menos dois e você só um.

— Era um estudante jovem e diferente dos outros. Não iria largar tudo.

— Está certíssimo. — voltamos a comer em silêncio enquanto observávamos os olhos conversarem, estavam falando do iluminação de hoje à noite e tudo mais, às vezes eu dava uma sugestão ou outra, mas prefiro fazer isso lá direto, junto com todos e ao vivo

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Enfim mais um show feito e mais uma noite mal dormida. Pelo menos já estou voltando pra casa, só que dessa vez são míseros minutos no ar, então a única coisa a ser feita é admirar a vista. Quando finalmente chegamos no aeroporto, entrei no carro e me levaram pra casa. Lar doce lar, mas mais uma vez não posso aproveitar já que tenho 2 horas para chegar até a escola.
Toquei a campainha já que a porta estava fechada e estava difícil demais pra pegar minha chave é logo meu pai abre a porta pra mim. Nos cumprimentamos, minha mãe chegou também e conversamos nós três um pouco. Tomei um banho, descansei um pouco e depois partimos para a graduação.
(C/N: olha, eu não sei muito bem como ocorrem as graduações lá, então farei do jeito brasileiro)
Chegando lá, encontrei todos do lado de fora, inclusive a Ali já estava lá olhando para os lados à minha espera. Assim que nossos olhares de cruzaram, ela olhou para nossos amigos e veio andando até mim.

— Chegouu, o toureiro. — okay, não faço ideia da onde ela tirou esse palavra

— Ele, chegou. Cansado, mas chegou! — disse em terceira pessoa — Haha, isso é engraçado. — ela riu fraco e eu a acompanhei, em seguida fiz um sinal de "vem" com as duas mãos enquanto falava — Não se faça de durona de novo. Eu sei que você quer, pode vir. — riu de mim e me puxou pra um abraço gostoso, depois de alguns segundos nos separamos e já tinham outras pessoas esperando por um abraço, ou seja lá o que for que esperavam

— E aí, cara? — Jay foi o primeiro a tomar o lugar de Alicia e aí me abraçou rapidamente dando batidinhas nas minhas costas. Tipo, literalmente, a empurrou pro lado e entrou na frente

— E aí?

— Como foi o mini tour? — Giulia me abraçou também

— Bem bom. Como ficou tudo aqui?

— Bem bom. — me repetiu rindo, ri junto.

— E aí??! — Laura chegou falando comigo animadamente e ergueu a mão pedindo um high five, ri de novo, cada amigo que eu fui arrumar

— Lauraa! Última dia aqui né?

— Yep. E até que vou sentir falta de vocês, galera. — falou e todo mundo riu sarcasticamente

— He he he. "Até", he he. "Até". "Até"??— Luke disse ainda rindo daquele jeito, depois eles entraram numa briguinha de amigos que eu aproveitei pra cumprimentar o resto do povo, mas não demorou muito para avisarem que estaria começando e aí ficamos quietos e prontos

Aos poucos cada dupla foi entrando e eu estava esperando até a minha dupla finalmente vir até mim. Jason se aproximou.

— Ali disse pra eu ocupar esse posto pra não arranjar problemas com a mãe dela.

— Mas que tipo de problemas eu iria a fazer arrumar? — perguntei confuso

— Têm coisas que ainda estão pendentes de conversarem, amiguinho. — bateu em meu ombro e fiquei mais confuso ainda, como assim?

O que aconteceu com 2 dias fora? Não deu tempo de pensar em nada, pois logo tivemos que entrar e nos sentar. Ali e Jenny estavam a duas cadeiras de mim a esquerda, quem estava no meio de nós dois era Luke, Laura e a própria Jenny, respectivamente. Ou seja, sem problemas para conversarmos, ou ao menor tentar, por linguagem labial.

— Psiu, ei. — não me ouviu então apelei para Laura — Chama a Ali aí, por favor. — e assim ela fez e ela me olhou finalmente — O que tem pra me contar? — moldei com os lábios e ela fez o mesmo

— Uma coisa.

— Ah, obrigado. — "disse" com sarcasmo — Quer almoçar comigo?

— Não posso, não posso te ver também no dia de hoje. É um "castigo" que minha mãe inventou pra mim.

— Pelo o que? — perguntei e ela fez uma cara de "pensa" e eu: — Hm, aah, é aquela coisa que você tem que me contar que Jason disse.

— Frase muito longa. Não entendi.

— Hm, okay. Eu saquei.

— Bem, melhor.

Depois paramos e voltamos a nos sentar corretamente já que estávamos um pouco inclinados.

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Alicia

Depois de toda a cerimônia fomos ao local para confraternização que foi um salão alugado por nossa escola. Tentei falar com John várias e várias vezes, mas minha mãe não tirava a olho de mim pra ver se seguia o "castigo", até que conseguimos uma brecha.

— Vem, é a nossa chance! — eu disse assim que nossas famílias foram na fila pra pegar comida, saímos de lá e fomos pro lado de fora, o dei um beijo delicado mas urgente sem me preocupar com mais nada e depois que o ar nos faltou só encarei aqueles grandes lindos olhos azulados... yeak! Quanto clichê!! — Senti saudades.

— Eu também. Agora pode me explicar essa história um pouco?

— Posso. Minha mãe descobriu que trabalhei com a música anos atrás e aí ficou muito brava comigo, mas meu pai veio falar comigo depois e bla bla e relaxou um pouco ela. Só que como não é muito de dar castigo, escolheu eu não falar com você por um dia todo. Ou seja, hoje.

— Meio estranho seu castigo ser uma pessoa. Mas okay né.

— Pois é. — rimos

— Ah, tenho um presente pra você. — me disse enquanto mexia no bolso e apareceu com uma caixa retangular, me deu — Abre. — assim foi feito mostrando um lindo colar um um pingente prateado

— John...isso é lindo! Obrigada!

— Não é só isso.

— Olha, se for outra presente pode esquecer, não aceito mais, não preciso dessas coisas. — riu

— É outra coisa. Me dê sua mão. — assim dei meio relutante tentando o entender — Não fiz o pedido direito, então vamos fazer isso agora. — sorri e ele retribuiu, então era isso — Alicia Elizabeth Frankston, aceita namorar comigo?

— É claro, John Sebastian Morrow! — dei mais um beijo nele e guardei o presente na minha bolsa — Agora, infelizmente, temos que voltar e não se falar mais.

— Até amanhã.

— Até. — e assim eu me separei dele entrando o deixando pro lado de fora, observei meus pais ainda na fila já que era muita gente e me sentei na cadeira de antes junto, Giulia sentou ao meu lado pouco tempo depois

— Você sumiu.

— Fui ao banheiro.

— Tá, agora a verdade. — fuzilei meus olhos pra ela, por que tem que me conhecer tão bem?

— Dei uma pequena fugidinha com John. Não conte para minha mãe!

— É claro que foi. — riu — Não vou contar.

— Valeu. Mas e aí, como vai você e Cody?

— Bem eu acho. Não estamos namorando, mas saímos bastante. E é engraçado às vezes quando vou pra casa dele, sua mãe sempre nos apoiou e continua apoiando juntamente da irmã mais velha dele, aí elas ficam falando que devíamos ficar firmes logo e essas coisas. Apesar de ser de certa forma constrangedor, é engraçado e sempre acabamos rindo e conversando.

— Nem consigo imaginar isso acontecendo. — falei gargalhando — Mas fico feliz por vocês.

— Giu! — olhamos pra trás e vimos Cody

— Vou lá.

— Até depois.

Mais uma hora alí e finalmente fomos embora. Só veria as meninas a noite de novo pra fazermos nossa última festa do pijama juntas que seria na casa da Laura para ajudá-la com as malas. Amanhã antes do almoço ela já vai pra Sorbonne e depois que ela for, vamos ajudar Jenny com as delas que sai no mesmo dia, mas a noite rumo à University of New York.
Chegando finalmente o horário que combinamos, peguei minha malinha e me dei uma última olhada no espelho. Estava com uma calça jeans azul escura, uma camisa regata degradê que começava num tom quase branco puxado pro vermelho e ia até o vermelho não tão forte. Pra terminar, tinha colocado o colar e o lindo anel que John tinha me dado, passado um batom vermelho matte, delineador e rímel. Me aprovei e saí do quarto. Também haveria uma festa de despedida um tanto grande que ela estava preparando, mas não sabia quem iria exatamente.

— Vou à festa de despedida da Laura. — avisei meus pais quando os encontrei na cozinha

— Quem vai estar lá?

— Eu não sei, já que a festa é dela. Mas vou para dormir com Giulia, Jenny, ela e mais umas amigas da mesma.

— Por que está de batom? — o quê? Que pergunta mais ridícula!

— Porque eu adoro batons. Simplesmente quis passar. — respondi como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. É crime passar agora? Se eles pensam que passo pra impressionar alguém, estão mega errados, realmente gosto, fora que nem sei quem vai. Depois da minha resposta, eles deram um olhar desconfiado um para o outro, viraram de costas pra mim e começaram a cochichar, revirei os olhos

— Tudo bem, você pode ir. Mas vamos levar você.

— Aah isso é sério?? — perguntei incrédula

— Muito sério, então vamos.

Entramos no carro e eu os dei as instruções de como chegar. Poucos minutos depois, chegamos. Eles desceram comigo do carro, toquei a campainha e Laura nos atendeu.

— Olá, senhores.

— Oi, Laura. Soubemos que partirá amanhã. Viemos nos despedir e desejar uma boa viagem e uma ótima faculdade. — minha mãe disse e nossa, não é que é uma ótima desculpa?!

— Ah sim. Muito obrigada!

— E então. Soube que vai rolar uma festa de despedida aqui, que legal né? — meu pai comentou

— Aham, como só Deus sabe lá quando vamos nos ver de novo, organizei ela pra me despedir dos amigos.

— Viu? Nada de mais. Agora que já viram podem me deixar aqui?? — meu pai me olhou sem expressão e puxou Laura para conversar no cochicho, pude a perceber conter um riso enquanto assentia

— Então vamos, Natasha. Tchau, Laura.

— Tc-- — limpou a garganta — Tchau. — acenaram pra ela e enfim pude entrar — O que foi aquilo?

— Faz parte do castigo né. Não tive como impedir.

— Se ferrou.

— Só até hoje.

— Verdade.

— Então vamos pra lá logo, já são 8 horas e tem que curtir sua festa. — fomos andando

— Ah e sobre isso, você não poderá curtir tanto se é que me entende.

— John, não vem não é? — negou com a cabeça e eu dei de ombros mesmo um pouco decepcionada — Meio que já esperava por isso.

— Por quê?

— Bom, observando o fato de que ele não fica confortável do meio de pessoas que não é amigo por ser cantor...foi uma hipótese.

— É mesmo. Ei, vou ficar andando pra um lado e pro outro aqui, mas depois fico com vocês um pouco também, okay?

— Uhum... Onde eles estão? — perguntei me referindo aos nossos amigos em comum

— Estavam lá fora.

— Beleza.

Saí a procura deles e não foi muito difícil encontrá-los, só não localizei nem Jason nem Jenny, mas devem estar por aí, já que foi isso que Giulia disse.