Rochas Negras

6 Baile de Máscaras


Notas iniciais
A arte usada no livro não é de minha autoria.

Cassandra entrou na sala do trono, Rapunzel acenou para a amiga, mas Cassandra não viu o aceno, estava muito séria. Cassandra se aproximou de Lucius.

— Pai, três homens invadiram o castelo pelo porão, mas foram detidos pelo Eugene, por mim e pela Dira. – disse Cassandra em tom baixo no ouvido de Lucius.

— O quê?! – perguntou Lucius muito surpreso.

A rainha olhou para ele.

— Não faça alarde. – disse Cassandra, em tom baixo, acenando para a rainha.

— Desculpe. É que essa notícia me surpreendeu. – disse Lucius olhando para Cassandra.

— Esses homens são os mesmos que invadiram aquelas cinco lojas e eles disseram onde está o dinheiro roubado. – disse Cassandra, em tom baixo, no ouvido de Lucius.

— Alguém já foi verificar? – perguntou Lucius em tom sério.

— É por isso que precisamos do senhor. Dira está com os três lá embaixo e precisamos que o senhor reúna um grupo de guardas para levar os bandidos até a prisão e verificar o local do dinheiro. Os guardas na entrada do castelo não deixariam que levássemos um prisioneiro sem que o senhor soubesse e isso poderia causar um alarde. – disse Cassandra no ouvido de Lucius, em tom baixo.

— Filha, assuma meu lugar aqui. – disse Lucius em tom sério.

Lucius ordenou aos guardas na entrada da sala para fecharem as portas, foi até o porão e Cassandra ficou em seu lugar.

No porão, Lucius entrou com quatro guardas e viu Dira, dois homens amarrados e um terceiro desmaiado.

— Dira, vamos levá-los para a cadeia. – disse Lucius enquanto os guardas carregavam os bandidos.

— Capitão, temos que ir até o estábulo! Eu sei onde está o dinheiro! Rápido! – disse Dira enquanto corria para a escada que dava acesso ao andar superior.

— Espere! – disse Lucius antes de correr atrás de Dira.

Lucius seguiu Dira até o quarto de Cassandra, onde Dira afastou um escudo, abriu uma porta e desceu uma escada.

— Como que ela… Cassandra! – disse Lucius muito bravo.

Lucius e Dira saíram no estábulo e cada um montou num cavalo, Dira e Lucius viraram na primeira estrada à esquerda após a ponte e pararam um pouco depois de passarem da taverna.

— Anthony disse que montou um acampamento próximo à taverna. – disse Dira enquanto descia do cavalo.

Lucius desceu do cavalo e seguiu Dira pela floresta.

Dira cortou alguns galhos.

— Dira, está sentindo esse cheiro? – perguntou Lucius enquanto revirava a floresta com os olhos.

— Sim. Parece peixe podre. – disse Dira enquanto cortava galhos.

Após alguns minutos, eles encontraram o acampamento, havia três tendas e uma fogueira apagada, tinham alguns peixes empalados próximos à fogueira.

Logo depois, Lucius checou uma das tendas, que estava vazia.

Dira encontrou o dinheiro na primeira tenda que vasculhou.

— Achei! – disse Dira antes de mostrar uma mala com dinheiro e joias para Lucius.

Lucius sorriu.

Enquanto isso, a rainha Arianna estava sentada em seu trono e ouviu duas convidadas conversando.

— Então a princesa recuperou os poderes? – disse uma delas.

— Sim. Ela foi o principal motivo do atentado dar errado. – disse a outra convidada.

— Primeiro, a Rainha da Neve, agora a princesa daqui. O mundo está estranho. – disse a primeira.

— Rainha da Neve?… Acho que o Frederic já comentou algo sobre. – pensou Arianna enquanto olhava para as duas convidadas,

Depois de acharem a mala, Dira e Lucius voltaram para o C.T. da guarda real com a mala cheia de dinheiro e joias.

Lucius levou a mala para uma cela no térreo e Dira foi até a cela C31, onde Anthony e seus dois comparsas estavam.

— Muito bem, rapazes. O dinheiro realmente estava lá. – disse Dira sorrindo para os ladrões.

Os ladrões estavam muito bravos com Dira, estavam a encarando com muita raiva.

— Pode comemorar, mas todos sabemos que a alegria de vocês vai durar pouco. – disse Anthony em tom confiante.

— Quero ver você manter esse tom no seu julgamento. – disse Dira enquanto se afastava da cela.

Na sala do trono, Rapunzel se aproximou de Cassandra.

— Cass, está tudo bem? – perguntou Rapunzel olhando para as pessoas dançando.

— Sim, só houve um imprevisto que meu pai teve que resolver. – respondeu Cassandra um pouco nervosa.

— Você, por acaso, sabe onde o Eugene está? – perguntou Rapunzel olhando para a porta principal da sala do trono com um olhar de preocupação.

— Ele deve estar se arrumando para vir. – respondeu Cassandra ainda nervosa.

Naquele momento, Eugene entrou na sala do trono. Ele estava usando um terno, além de sapatos pretos. Eugene não estava usando máscara.

Rapunzel ficou feliz ao ver Eugene.

Eugene viu Rapunzel e se dirigiu até ela, mas uma moça apareceu em seu caminho.

— Eugene, você está lindo! – disse a moça revirando Eugene com os olhos.

A moça tinha os cabelos castanhos claros, compridos, olhos azuis e era um pouco mais baixa que Eugene. Ela estava mascarada.

— Mary? Oi, eu preciso ir. – disse Eugene apontando para os tronos.

— Espera. Você não quer dançar? – perguntou Mary segurando Eugene por um braço.

— Vou dançar com a Rapunzel. – respondeu Eugene apontando para Rapunzel.

Naquele momento, Eugene percebeu que Rapunzel o estava encarando com um olhar assassino.

Mary suspirou e soltou o braço de Eugene.

— Vemo-nos por aí, Eugene. – disse Mary enquanto se afastava.

Eugene não ouviu o que Mary falou, ele estava amedrontado olhando para Rapunzel.

Quando Eugene se aproximou de Rapunzel, tentou beijá-la, mas ela virou o rosto.

— Loirinha, por que você está brava? – perguntou Eugene um pouco confuso.

Rapunzel não respondeu e se dirigiu até o lado direito do rei, Eugene a seguiu e ficou do lado direito da princesa.

Enquanto isso, Cassandra estava se segurando para não rir.

— Está atrasado, Eugene. – disse o rei olhando para as pessoas dançando.

— Sinto muito, majestade. O senhor vai saber o motivo do meu atraso quando o baile terminar. – disse Eugene olhando para o rei.

O rei Frederic continuou olhando para as pessoas no baile.

Eugene olhou para Rapunzel e sorriu.

— Loirinha, acho que já entendi tudo. – disse Eugene olhando para as pessoas dançando.

— Entendeu o quê? – perguntou Rapunzel olhando para Eugene.

— Você está com ciúmes da Mary. Lembro de você ter ficado brava ontem de manhã depois de eu citar o nome dela. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

O olhar assassino de Rapunzel voltou e Eugene se assustou.

— Eugene, eu não tenho ciúmes. – disse Rapunzel com um olhar assassino.

— Calma. Era só brincadeira. – disse Eugene um pouco nervoso.

Rapunzel voltou a olhar para as pessoas dançando, ela ainda estava brava com Eugene.

Após alguns minutos, alguns empregados entraram, pela entrada principal, acompanhados de alguns guardas. Os empregados estavam carregando as coroas dos reis e da princesa. As pessoas na sala pararam de dançar e deram espaço para os empregados passarem. Logo em seguida, a música cessou.

O rei Frederic levantou e colocou sua coroa na cabeça. Depois, pegou a coroa da rainha e a levou até a rainha Arianna.

Eugene foi até a coroa da princesa e a levou até Rapunzel.

Uma música diferente começou a ser tocada pelo Mão de Gancho.

Eugene e Rapunzel foram para o meio do salão dançar.

Era possível perceber que Eugene estava um pouco nervoso durante a dança, pois Rapunzel o estava fitando com os olhos, ela ainda estava brava com ele.

— Loirinha, eu sei que sempre sonhei grande, eu até já quis ter uma ilha só para mim, mas eu nunca me imaginei dançando com uma princesa. – disse Eugene sorrindo para Rapunzel enquanto eles dançavam.

Rapunzel não respondeu e continuou olhando para Eugene com seriedade.

— Sunshine, você ainda está com ciúm… – disse Eugene antes de ser interrompido por Rapunzel.

— Eugene, eu já disse que não sou ciumenta. – disse Rapunzel ainda olhando com seriedade para Eugene.

— Eu nem estou mais pensando nisso. – ela continuou.

— Então… Por que você está assim comigo? – perguntou Eugene surpreso.

— Onde você estava? Você disse que tinha uma ronda para fazer, mas o Capitão me disse que te dispensou. – disse Rapunzel desviando o olhar.

Eugene ficou sério por um momento.

— Ei, desculpa ter mentido para você, mas prometo que você vai saber de tudo depois do baile. – disse Eugene sorrindo para Rapunzel.

Rapunzel voltou a olhar para Eugene.

— Agora, por favor, pode voltar a sorrir para mim? – perguntou Eugene ainda sorrindo para Rapunzel.

— Não. Você ainda não me explicou nada. – disse Rapunzel em tom sério.

Eugene sorriu de nervoso.

Após Eugene e Rapunzel terminarem de dançar, foi a vez dos reis.

Após a dança dos reis, o baile continuou.

Rapunzel ficou evitando Eugene e Cassandra ficou rindo da situação.

Depois, Eugene cansou de correr atrás de Rapunzel e foi para a área externa do castelo.

Enquanto isso, Peter e Stan ainda estavam na lateral do castelo.

— Será que esses ladrões virão mesmo? – perguntou Stan em tom sério.

— O Flynn é um gênio, mas acho que ele errou dessa vez. – respondeu Peter olhando para Stan.

Eugene estava sentado na escadaria da área externa. Ele estava pensativo.

— Oi, Eugene. – disse Mary com uma mão no ombro de Eugene.

— O quê?! Mary?! O que você está fazendo aqui?! – perguntou Eugene assustado.

— Calma. Eu não sou tão feia assim. – disse Mary sorrindo para Eugene.

Eugene sorriu e se acalmou.

— Desculpa. Eu me assustei. Eu estava distraído. – disse Eugene sorrindo para Mary.

— Distraído? O que aconteceu? – perguntou Mary enquanto sentava ao lado de Eugene.

— A Rapunzel está brava comigo. – respondeu Eugene olhando para o céu.

— Por isso ela estava te evitando depois da dança. – disse Mary olhando para o céu.

Logo em seguida, Mary olhou para Eugene com um sorriso malicioso e perguntou:

— Eugene, por que você não deixa ela?

— O quê?! – perguntou Eugene muito surpreso.

— Tem muitas outras mulheres por aí. Eu, por exemplo, não ficaria te evitando. – disse Mary colocando uma mão numa das bochechas de Eugene.

Eugene ficou muito surpreso.

— Eu achava que a Rapunzel estava exagerando com aquele ciúme todo, mas… – pensou Eugene antes de afastar a mão de Mary e levantar.

Naquele momento, Dira e Lucius chegaram em seus cavalos. Eles pararam em frente à escadaria onde Eugene estava com Mary.

— Flynn. – disse Dira olhando para Eugene.

— Dira, vocês encontraram? – perguntou Eugene em tom sério.

— Sim. Anthony falou a verdade. – disse Dira enquanto descia de seu cavalo.

— Acho que você está bem ocupado agora. Vemo-nos depois. – disse Mary enquanto subia as escadas.

Eugene observou Mary ir embora com os olhos arregalados.

— Melhor eu não falar nada à Rapunzel. Fico nervoso só de pensar no que ela poderia fazer com a Mary. – pensou Eugene assustado.

Dira e Lucius subiram alguns degraus até se aproximarem de Eugene.

— Rider, você foi bem-sucedido hoje, mas esta é a primeira e última vez que me deixa de fora. – disse Lucius encarando Eugene.

Eugene sorriu.

— Depois do baile, pretendo explicar tudo ao senhor na frente dos reis. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Interessante. Vai contar, também, que estava conversando com outra mulher aqui fora? – perguntou Lucius enquanto subia as escadas.

— O quê?! Espera, Capitão! Foi só uma conversa! – disse Eugene nervoso enquanto subia as escadas.

Dira seguiu os dois enquanto ria.

Na sala do trono, Lucius voltou para o seu posto, Cassandra ficou perto do pai. Além disso, Eugene tentou falar com Rapunzel, mas foi ignorado.

Antes de entrar na sala do trono, Dira voltou para avisar aos guardas vigiando as laterais do castelo que os ladrões já foram detidos. Os guardas ficaram surpresos.

Quando o baile acabou, Lucius mandou Cassandra ficar perto dos reis e foi buscar Anthony Weasel na prisão a pedido de Eugene. Dira ficou perto da entrada lateral.

— Eugene, por que quer que fiquemos aqui? – perguntou o rei Frederic.

— Calma, majestade. O senhor já vai saber. – disse Eugene em tom sério.

Lucius retornou com dois guardas e mandou que eles largassem Anthony próximo do degrau antes dos tronos, Anthony estava com as mãos amarradas.

— Todos os guardas, com exceção de Eugene, Cassandra e Dira, saiam da sala! – ordenou Lucius.

— Lucius, o que significa isso?! – perguntou o rei Frederic surpreso.

— Devia perguntar isso ao Flynn Rider. – disse Lucius olhando para Eugene.

Eugene foi para perto de Anthony, que estava de joelhos.

Na sala, além de Anthony e Eugene, estavam os reis sentados, a princesa em pé ao lado direito do rei, o conselheiro real entre os reis, o capitão da guarda, Cassandra e Dira, ambas mais atrás de Eugene.

— Há dez dias, uma loja de armas aqui do reino foi roubada de um jeito bastante incomum. – disse Eugene olhando para o rei.

— Incomum até para o Flynn Rider? – perguntou o rei com sarcasmo.

Eugene sorriu.

— Sim, até para mim. – respondeu Eugene.

— O que quer dizer com incomum? – perguntou o conselheiro real.

— Xavier, o dono da loja, não percebeu nada assim que entrou em sua loja, ela não tinha vestígios de invasão. A porta estava trancada e todos itens em seu devido lugar. – respondeu Eugene olhando para o conselheiro.

— O quê?! Então, o que foi roubado?! – perguntou o rei Frederic muito surpreso.

— Xavier guarda seu dinheiro num baú, que fica num andar subterrâneo em sua loja, ninguém, de acordo com ele, sabia desse andar, nem do dinheiro. – disse Eugene olhando para o rei.

— Mesmo sendo o rei, eu não sabia desse andar. – disse o rei surpreso.

— Mesmo sendo um segredo, esse andar foi encontrado e o dinheiro roubado. Xavier só percebeu que foi roubado porque costuma checar o baú todos os dias. As outras quatro vítimas só perceberam porque a guarda real avisou. – disse Eugene olhando para Anthony.

Anthony estava olhando para o chão.

— O mais plausível numa situação como essa é pensar em vazamento de informações, mas o Xavier trabalha sozinho, então descartei essa hipótese. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Rider, a ideia de ter um traidor na guarda é muito absurda, isso nunca aconteceu antes. – disse Lucius olhando para Eugene.

— Eu também pensava assim, pai. – disse Cassandra olhando para o chão.

— O quê?! Como assim?! – perguntou Lucius muito surpreso.

Além do capitão da guarda, os reis, a princesa e o conselheiro ficaram perplexos com a fala de Cassandra.

— Há dois dias, um ladrão detido por Max, após roubar a loja de roupas na rua principal, pediu a Dira para falar comigo. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Aquele Jack tagarela! – disse Anthony um pouco exaltado.

— Você acha que somos idiotas? Você estava pouco se lixando para o que ele falasse desde que o assunto não fosse o seu amiguinho na guarda.– disse Dira olhando para Anthony.

— Eu tenho que concordar com o Lucius nessa, estou cético quanto a existência de um traidor. – disse o conselheiro olhando para Eugene.

— Antes de prosseguir, gostaria de recapitular algumas coisas. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

Rapunzel fitou Eugene com os olhos.

Eugene ficou nervoso e desviou o olhar.

— Lembram o motivo de eu ter vindo a Corona há seis meses? – perguntou Eugene um pouco nervoso.

— Como poderíamos esquecer? – perguntou a rainha com um sorriso.

— Bom, eu fui contratado por um homem chamado Barão para roubar a coroa da princesa de Corona. Porém, por causa do meu fracasso, Jack me contou que o Barão contratou vários bandidos para roubarem a coroa há seis meses e, como recompensa antecipada, deu alvos fáceis em Corona. – disse Eugene olhando para o rei.

— Ainda querem a coroa da minha filha? – pensou o rei enquanto olhava para Rapunzel.

— Quando Jack citou o Barão, lembrei-me de que Lady Caine foi ajudada por ele, o que me levou ao fato dela e mais dez caras invadirem uma casa e nenhum guarda ver nada. Houve duas situações estranhas e a única coisa em comum entre elas era o Barão. No caso da invasão da Lady Caine na área residencial da ilha, fiquei pensando sobre algum guarda ter fornecido o padrão das rondas naquela área, isso trouxe de volta a hipótese que eu descartei inicialmente. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Onde os roubos na área comercial se encaixam nisso? – perguntou Lucius olhando para Eugene.

— Supondo que houve vazamento de informações na primeira situação envolvendo o Barão, provavelmente houve na segunda. – respondeu Eugene olhando para Lucius.

— Mas, você mesmo disse que Xavier era o único que sabia daquele local, não tem como um guarda vazar algo que não sabe. – disse a rainha Arianna olhando para Eugene.

— Eu também pensei nisso, por isso, perguntei para a futura rainha se a guarda real tinha acesso às plantas das lojas. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

— Isso é verdade, filha? – perguntou o rei Frederic olhando para Rapunzel.

— Sim. E eu disse a ele que as plantas de casas e lojas no reino ficam sob a tutela do capitão da guarda depois de serem aprovadas. – disse Rapunzel sorrindo para Eugene.

— Como o guarda que limpa a sala do Capitão, por exemplo, faz o serviço quando o Capitão não está na sala, imaginei que era possível algum guarda obter as plantas. – disse Eugene olhando para o rei.

Frederic, Arianna, Rapunzel, o conselheiro e Lucius ficaram surpresos.

— A pessoa que limpa a sala do Capitão não é fixa, há um revezamento sem padrão, por isso, é difícil saber quem exatamente é o traidor. Estranhamente, nunca fui chamado pelo Capitão para limpar aquela sala. – disse Eugene levando uma mão ao queixo.

— E nunca vai ser! – disse Lucius encarando Eugene.

Eugene riu de nervoso.

— Há um erro nesse seu raciocínio. Por que não supor que o Lucius é o traidor? – perguntou o conselheiro real.

— Willian, o que está insinuando? – perguntou Lucius encarando Willian.

Eugene sorriu.

— Eu não erro. Se o Capitão fosse um traidor, os reis já estariam mortos há muito tempo. Aliás, seria muita burrice da parte de um traidor colocar o melhor guarda desse reino para proteger o rei no dia de um atentado. – disse Eugene olhando friamente para o Willian.

Eugene mudou de tom rapidamente.

— Além disso, a Cassandra admira muito o pai. Não tem como uma mulher esperta como ela admirar um ser humano imprestável. – disse Eugene enquanto sorria.

Rapunzel, Frederic, Arianna, Dira, Cassandra e Lucius sorriram.

— Muito bem. Só estava checando se você não estava esquecendo de algumas possibilidades. – disse Willian olhando para Eugene.

— De qualquer forma, era tudo suposição, eu precisava ter certeza de que havia um traidor, então, fui até a sala do Capitão e verifiquei as plantas. – disse Eugene enquanto ria de nervoso.

— Você o quê?! – gritou Lucius muito bravo.

— Calma, Lucius, deixe o rapaz terminar de falar. – disse Willian em tom de deboche.

Lucius fulminou Willian com os olhos.

— Checamos todos os mapas e plantas naquela sala e, aparentemente, estava tudo lá. – disse Dira olhando para Lucius.

— Porém, Capitão, eu notei que a planta da loja do Xavier estava na quarta posição de cima para baixo. Pode me explicar como você organiza aquelas plantas? – perguntou Eugene olhando para Lucius.

— Eu guardo as plantas das lojas em ordem alfabética de acordo com o dono atual. Sempre que há uma troca de dono, eu organizo a papelada. E eu organizo as plantas de cima para baixo, é impossível que a planta da loja do Xavier seja a quarta. Isso não aconteceria nem se eu organizasse de baixo para cima. – disse Lucius levando uma mão ao queixo.

— Foi o que pensei também, por isso, concluí que as plantas foram reviradas. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Aquela facilidade para encontrar lugares secretos só existia por causa de vazamento de informações. – disse Cassandra olhando para Lucius.

Lucius olhou para Cassandra.

— Filha, você quem ajudou Eugene a entrar na minha sala, não foi? – perguntou Lucius sorrindo.

— Sim. – respondeu Cassandra olhando para Lucius.

— Parece que sua filha é mais esperta que você, Lucius. – disse Willian em tom de deboche.

Os reis riram e Lucius fitou Willian com os olhos.

— Eu não acreditei totalmente só checando as plantas, eu pensava que o senhor pudesse ter mexido na papelada e esquecido de organizar, mas, mesmo assim, não contei nada ao senhor, pois o senhor dificilmente acreditaria.– disse Cassandra olhando para Lucius.

— Na verdade, mesmo que o Capitão acreditasse, ele envolveria outros guardas e haveria o risco do traidor saber e os ladrões não aparecerem. – disse Eugene olhando para o rei.

— Agora entendo você me enganar. – disse Lucius sorrindo.

— Como os mapas estavam na sala também, é fácil deduzir que o traidor teve acesso a eles também. Era o que eu precisava para saber que os ladrões também sabiam dos túneis. – disse Eugene olhando para Willian.

— Como você sabia o exato local da invasão? Há mais de uma passagem secreta no castelo. – disse Willian olhando para Eugene.

— O Capitão me falou que as coroas ficariam no quarto dos empregados, Rapunzel me mostrou um livro com o esquema do castelo, bastou eu ver a passagem secreta mais próxima do quarto dos empregados para eu deduzir que viriam pelo porão. – disse Eugene olhando para Anthony.

— Flynn Rider desgraçado. Agora entendo por que o Barão queria que a Lady Caine te matasse. Não se trata de você ter mudado de lado ou do que fez com a filha dele, trata-se da sua inteligência, você é uma ameaça aos planos dele. Bastou o Jack falar do Barão para você associar duas situações diferentes e frustrar o que seriam os melhores roubos da história. – disse Anthony olhando para Eugene.

Eugene olhou para Anthony com imponência.

— Anthony, embora eu já saiba a resposta, gostaria que você dissesse por que só invadiu cinco lojas mesmo tendo todas as plantas de estabelecimentos a disposição. – disse Eugene olhando para Anthony.

— Eram as únicas lojas, de acordo com o guardinha de vocês, cujos donos não guardavam seus dinheiros ou joias num banco. – respondeu Anthony olhando para o chão.

— Ora, ora. Por que você não invadiu um dos bancos ou uma das joalherias? – perguntou Dira sorrindo.

— Você sabe melhor do que eu que esses lugares são muito bem vigiados por dentro e por fora. – respondeu Anthony olhando para o chão.

— Como ele te entregou as plantas? – perguntou Willian olhando para Anthony.

— Ele me mostrava e depois as queimava, provavelmente eram cópias. – respondeu Anthony olhando para o chão.

— Agora só nos resta saber quem é o traidor. – disse Lucius olhando para Anthony.

— Eu não sei quem ele é. Ele apareceu mascarado e falava cochichando. – disse Anthony olhando para Lucius.

— É bom que não esteja mentindo. – disse Lucius encarando Anthony.

— Acredito que ele não está. Faz sentido o traidor ser muito cauteloso, ele sabe que será executado se for descoberto, então, qualquer deslize, como um comparsa abrindo o bico após ser preso, pode ser fatal. – disse Eugene olhando para Lucius.

Frederic sorriu.

— Tem outra coisa que gostaria de contar a vocês. – Eugene continuou.

— Fale. – disse o rei Frederic.

— O Barão não me contou sobre nenhum informante quando me contratou, isso teria facilitado o meu trabalho. – disse Eugene sorrindo.

Frederic e Lucius fitaram Eugene com os olhos.

Rapunzel, Willian e Arianna sorriram.

— O motivo para isso é que ele não tinha nenhum informante. – disse Eugene em tom sério.

Anthony arregalou os olhos.

— O que quer dizer com isso? – perguntou Lucius olhando para Eugene.

— Esse informante surgiu depois do retorno da Rapunzel. – disse Eugene em tom sério.

Todos na sala ficaram perplexos.

— É alguém que se revoltou por causa da princesa ou… – disse Dira levando uma mão ao queixo.

— Isso mesmo, Dira. Provavelmente é alguém que não me aceita aqui. – disse Eugene enquanto cerrava as mãos.

Rapunzel olhou para Eugene com um olhar triste.

— Bom, isso é tudo. Achei necessário contar sobre os roubos na área comercial para vocês porque o fato de haver um traidor na guarda real é um assunto muito grave. – disse Eugene em tom sério.

Eugene virou e foi em direção à entrada principal, Rapunzel foi atrás dele. Eles ficaram conversando num corredor do castelo.

Alguns minutos depois, o rei e a rainha se aproximaram de Eugene.

— Bom trabalho, Eugene. – disse Frederic enquanto colocava uma mão num nos ombros de Eugene.

— Obrigado, majestade. – disse Eugene um pouco nervoso.

Frederic retirou a mão do ombro de Eugene.

— Pode me chamar de Frederic. – disse o rei enquanto se dirigia com a rainha para as escadas que davam acesso ao piso superior.

Eugene ficou muito surpreso.

Eugene e Rapunzel se olharam e sorriram um para o outro.

Mais tarde, Eugene e Rapunzel foram ao quarto dele.

Rapunzel abraçou Eugene e disse:

— Eugene, desculpe-me por ter te evitado durante o baile, eu fiquei com raiva por você ter escondido coisas de mim.

— Está tudo bem, Sunshine. – disse Eugene com um sorriso.

— Ainda não entendi por que você não me disse sobre o traidor e a invasão de hoje. – disse Rapunzel olhando para Eugene.

— Loirinha, se eu te contasse sobre a invasão, você faria de tudo para participar e a princesa não aparecer no baile causaria um certo alarde. Sobre o traidor, eu precisava ter certeza, não podia te deixar aflita só com uma possibilidade. – disse Eugene enquanto alisava os cabelos da namorada.

Rapunzel soltou Eugene e os dois ficaram de frente um para o outro.

Eugene revirou Rapunzel com os olhos.

— O que foi? – perguntou Rapunzel confusa.

— Você está linda nesse vestido. – disse Eugene com um olhar apaixonado.

Repunzel ficou corada.

Eugene se aproximou de Rapunzel e a beijou.

— Eu te amo, Eugene. Você pode me contar tudo, eu sempre estarei do seu lado. – disse Rapunzel com um olhar apaixonado.

— Tudo bem. Sem segredos. – disse Eugene com um olhar apaixonado.

— O que você fez com a filha do Barão? – perguntou Rapunzel em tom sério.

Eugene arregalou os olhos.

— Loirinha, do que você está falando? – disse Eugene rindo de nervoso e desviando o olhar.

— Aquele Anthony falou algo sobre a filha do Barão. – disse Rapunzel fitando Eugene com os olhos.

— Ele falou? Eu não lembro disso. – disse Eugene ainda desviando o olhar e rindo de nervoso.

— Você não está escondendo nada de mim, está? – perguntou Rapunzel ainda fitando Eugene com os olhos.

— Sunshine, acho que você está imaginando coisas. – disse Eugene um pouco nervoso.

Rapunzel virou e saiu do quarto furiosa.

A leste de Corona, num corredor de algum lugar, uma mulher usando uma capa com capuz corria de uma mulher portando luvas.

A mulher com as luvas disparou uma rajada de fogo de sua mão direita, a mulher com a capa parou e ergueu o antebraço esquerdo, um escudo com diversos símbolos surgiu em seu antebraço, a rajada de fogo atingiu o escudo, que ficou em chamas.

A mulher com as luvas sorriu.

Logo em seguida, as chamas se concentraram no centro do escudo e uma rajada de fogo foi disparada em direção a mulher com as luvas, que foi atingida em cheio e caiu desacordada.

O escudo desapareceu e a mulher com a capa correu até um cômodo. Neste local, havia muitos objetos como espadas e cristais coloridos. A mulher com a capa vasculhou o lugar por um tempo até achar uma caixa com um pergaminho. Ela afastou alguns itens de uma mesa para colocar a caixa em cima e derrubou uma chave prateada que estava em cima da mesa. Havia o símbolo de Corona na chave.

— Perfeito. – disse a mulher com a capa enquanto pegava o pergaminho.

Naquele momento, a mulher pisou na chave, mas não percebeu. Logo em seguida, a chave desapareceu.

A mulher com a capa abriu o pergaminho e disse:

Bewegung[1]!

De repente, um círculo de luz branca começou a ser formado e, após a formação do círculo, uma circunferência de luz branca apareceu. O pergaminho começou a se desintegrar. A mulher com a capa começou a afundar na circunferência até ser engolida. Logo em seguida, o círculo e a circunferência desapareceram.

Em Corona, durante a madrugada, era possível ver um raio atingir algum local da floresta. No local atingido pelo raio, uma circunferência de luz branca surgiu. De dentro da circunferência, emergiu a mulher com a capa. Após a mulher emergir, a circunferência desapareceu.

A mulher notou algo no chão, era uma capa, vermelha, com capuz menos comprida que a sua. Quando olhou para frente, a mulher percebeu que estava diante de uma torre.

— Hora de pegar a gota de sol. – disse a mulher com um sorriso cruel.

1 – Do alemão, “deslocar”.

Notas finais
Aquela mulher usou teletransporte?! Coitado do reino de Corona, é um problema atrás do outro.