Road to the Stars
1 Prólogo
Notas iniciais
Nova York.
Junho de 1997
Eu olhei para o céu estrelado e a Lua que brilhava. Sua luz iluminava o quarto, lançando algumas sombras estranhas sobre o quarto. Eu estava debruçado na janela. Já devia ser mais de meia-noite. Meus pais estavam dormindo e eu devia estar fazendo a mesma coisa, mas não resisti quando vi a janela aberta e as estrelas convidativas, quase pedindo para serem observadas.
Desde que eu me entendia por gente, tinha tido fascínio pelo espaço. Claro que esse não é o tipo legal de coisa para se fascinar quando se tem10 anos. Os garotos da minha idade gostam de quadrinhos, futebol ou figurinhas. Devem imaginar como eu sou popular.
Mas em breve isso vai mudar. Um dia, em um futuro nem tão distante assim, eu vou chegar mais longe que todos eles.
Vou chegar às estrelas.
Nova York.
Junho de 2014
Tudo que você desejava quando era uma criança
Era para ser velho agora
Mas agora que você está aqui, de repente tem medo
Você perdeu o controle
Eu não me tornei famoso. Nem quando eu tinha 10 anos nem hoje. Continuo o mesmo Zé Ninguém observando as mesmas estrelas inatingíveis. A vida não mudou muito desde aqueles dias. Reconheço que a vida ficou mais complicada, agora eu tenho mais problemas, mas eu continuo morando na mesma cidade, no mesmo CEP e tenho o mesmo emprego há pelo menos 5 anos.
Lembro-me com saudades dos dias que eu era tratado com um gênio mirim e recebia toneladas de elogios todos os dias dos meus pais. Desde sempre eu me destaquei, não pelos motivos populares, mas me destaquei. Entrei na universidade 2 anos antes dos outros e me formei com sucesso absoluto em todas as matérias.
Então, depois desse dia, eu comecei a trabalhar em um centro de pesquisas, onde todos eram iguais a mim. Acabaram-se os elogios. E meus pais também morreram.
Meu pai morreu quando eu tinha 15 anos. Minha mãe quando eu tinha 23. Ele morreu de ataque cardíaco. Ela de câncer. Eu morava na casa deles desde então, já que era a única herança que me deixaram.
Atualmente, a única coisa que tenho de importante é Tiffany Stoffany.
Eu a conheci no dia da minha formatura. Lá estava eu, ouvindo aquele discurso do orador da turma quando virei para a plateia distraidamente e encontrei seus olhos. Ela era irmã de um colega meu, não tão chegado assim, mas ela demonstrou algum interesse em mim (o que era algo inédito, então eu não podia perder a oportunidade). Depois disso, fomos evoluindo lentamente, como a girafa.
Vou poupá-los do lento processo. Não vale a pena incomodá-los com descrições.
A questão é que agora estamos deitados na campina do centro de pesquisas, observando o céu. Ela já havia dito milhares de vezes que aquilo era chato, mas achei que ela estava apenas brincando.
– Você já parou para pensar que essas estrelas estão a bilhões de anos-luz de distância, o que dá trilhões, zilhões de quilometros longe daqui — comecei — E mesmo assim nós enxergamos elas. Consegue imaginar quão grande é seu brilho?
– Hum — ela murmurou, olhando as pontas (duplas) do cabelo.
Lembrete mental: ela não gosta de perguntas filosóficas. Ela não gosta de informações científicas. Cale a boca sobre tudo isso. E se, mesmo assim, você soltar algo desse tipo, diga um elogio em seguida.
– Mas nenhuma delas brilha como você — eu sorri. Cientificamente falando, aquilo era blasfêmia.
– Ownt, você é fofo — ela sorriu — Seria interessante se eu pudesse usar algo que aumentasse meu brilho. Como uma jóia ou algo assim. Para que eu ofuscasse todas as inimigas.
– Você não tem inimigas.
– Claro que tenho! As invejosas, as recalcadas, aquelas que só querem me ver para baixo. Todas essas eu preciso ofuscar com meu brilho.
– Não precisa se preocupar com isso – eu deveria dizer que “recalque” não era sinônimo de “inveja”?
Ficamos em silêncio. Depois de alguns minutos, aquilo começou a me incomodar de tal forma que eu precisava quebrar aquele silêncio.
– Posso te dar algo para você brilhar.
– Sério? — seus olhos brilharam e ela abriu um sorriso — Eu amo diamantes.
– Pensei em algo melhor que isso.
– Não existe algo melhor que um diamante. A não ser dois — ela riu e eu apenas sorri.
– Estou falando de algo melhor. Maior, mais brilhante... Algo que só você teria. Afinal, ter um namorado inteligente tem suas vantagens.
– Claro, você pode criar uma jóia super brilhante.
– Pare de falar de jóias, são só pedaços de pedra — eu me sentei na grama macia — Estou falando de uma estrela.
– Está brincando.
Não vou dizer que os cientistas não tem senso de humor. Alguns são bem engraçados. Mas eu nunca fui esse tipo de pessoa. Geralmente piadas não saem da minha boca e eu só dou risada para não me sentir excluído.
– Não, não estou — eu disse, usando meu melhor tom de seriedade.
– Isso é impossível.
– Claro que não. Eu poderia construir algo, não sei ao certo... Ir a qualquer lugar.
– Se fizesse isso eu te amaria para sempre.
Isso tudo se arrastou e te pegou durante a noite
E contaminou sua mente
Cada dia que se passa mais rápido que o anterior
Em breve você será velho
Era loucura e eu sabia. Mas o que eu tinha a perder? Família? Amigos? Não me faça rir.
Eu tinha amigos, familiares afastados e tudo mais, mas eles não se importavam comigo. Isso não é drama. É ser realista. Você sabe quando alguém tá "cagando e andando" para você.
– Eu vou — eu assenti. Se eu morresse no processo, não ia ser grande perda para o mundo. Eu não descobri a cura do câncer nem nada assim. Eu sequer tenho estabilidade no emprego.
– Tem certeza?
– Claro. Nem deve ser tão difícil — eu ri. Pela primeira vez em dias, havia feito uma piada.
Voltei para casa com aquilo na cabeça. Por que fazemos promessas das quais não podemos cumprir?
Eu não poderia cumprir aquilo. Havia uma distância considerável entre eu e qualquer estrela, até mesmo o Sol. E, mesmo que eu chegasse em uma, não poderia colocá-la no bolso e trazê-la.
Mas e se eu conseguisse? Eu poderia ter o que sempre quis: reconhecimento (tirando os elogios dos meus pais, é claro). Poderia fazer alguma coisa pela humanidade.
Então eu decidi que ia começar a trabalhar naquilo no dia seguinte.
Eu, Thomas Andersen, iria trazer uma estrela do espaço. Ou morrer tentando (provavelmente é isso que vai acontecer mesmo...).
Você está sob o peso de viver.
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