Road to Fame
4 Capítulo 3 - Movin' Out
Notas iniciais
Ah, Brick...
Assim que desliguei do telefonema com Lucy, fui acordar Amy pois precisava passar na casa dos meus pais para contar minha decisão. Por mais tranquilos que eles fossem, eu estava com medo da reação deles ser ruim. Nos arrumamos em questão de vinte minutos e logo fomos para minha antiga casa, no carro de Amy.
Chegamos rápido e minha mãe veio abrir a porta para nós:– Bree, Amy, que surpresa boa. Entrem meninas. Seu pai saiu, mas logo volta.– Eu só preciso conversar rapidinho com algum de vocês.– O que aconteceu filha?– Eu decidi trancar minha faculdade para participar de um concurso de canto — falei com o maior medo do mundo. E se minha mãe também achasse que fosse um erro? E se nem ela me apoiasse?– E isso vai te fazer bem? – Sim, muito. – Então, vá. Eu e seu pai estaremos torcendo por você, sempre. Se te faz feliz, vai me fazer feliz também. Só quero que me prometa que se não der certo lá, você vai voltar para Nova York e seguir com seus estudos e seu emprego. – Prometo. Muito obrigada, mãe! O– dei um abraço nela e continuei — e agora, se a senhora me dá licença, para não perder o costume, vou lá no meu quarto. Eu e Amy começamos a subir as escadas e comecei a pensar em como aquela casa me trazia paz, conforto e segurança. Meu quarto não havia mudado muito desde que saí de lá. Continuava o mesmo papel de parede listrado com cores neutras, o armário escuro e a cama de solteiro delicadamente arrumada como se ainda fosse utilizada. Eu sentia saudades de lá, embora amasse a independência e a liberdade que eu tinha morando sozinha. Meu antigo quarto me lembrava Nick, mas o que eu menos queria era ficar pensando nele, ainda mais por estar no meu quarto arrumando minhas coisas para ir para a Califórnia. Separei minhas coisas com a ajuda de Amy e descemos para ir embora.– Tô indo. Tchau, mãe. Te amo. — gritei, mas não recebi respostas, já que minha mãe estava dormindo. Decidimos passar na loja, porque aí eu poderia acertar minha situação com Jane. Antes de irmos, passamos em uma lanchonete e na minha faculdade para trancar meus estudos, que nem haviam começado. Amy me deixou na loja e foi embora, pois tinha outros assuntos para resolver. Ao entrar na loja, me deparei com Nick sentado no balcão.– Bree, acho que precisamos conversar. — ele disse, chegando perto de mim e me puxando para um canto, mais reservado pelo braço. Me soltei dele e tentei me afastar. – Não temos nada para conversar, Nick.– Ah, temos. Por acaso ainda continua com aquela ideia de ser uma estrela? — disse, com um certo tom de zoação na voz.– Sim. — tentei soar o mais madura e certa de minha decisão possível. — Eu esperava que até esse momento você já tivesse mudado sua opinião. Eu esperava mais de você, Brianna. Nunca achei que fosse correr atrás dealgo tão infantil como isso. – E eu esperava que você fosse me apoiar, seja qual fosse minha escolha. O problema aqui é que nós esperamos demais um do outro. Ou melhor, esperávamos. O meu voo é daqui uma semana, cabe a você decidir ir até lá e me apoiar ou não. Minha decisão eu já tomei. E agora, licença, preciso ir acertar outras coisas. Dei as costas para Nick e senti que queriaa chorar. Nunca havia sido tão fria com ele, mas ele merecia. Ainda precisava arrumar um monte de coisas, então segurei meu choro e fui procurar Jane. Nisso, percebi que Nick havia deixado a loja. Lucy já tinha alguém que poderia trabalhar no meu lugar e a pessoa ia lá na loja naquele mesmo dia. Estava tudo indo tão rápido que eu mal podia acreditar.– Jane, podemos conversar um momento?– Claro. É verdade que não vai mais trabalhar aqui? Com o tempo, aquela loja foi se tornando uma segunda casa. A pergunta de Jane me fez lembrar de tudo que passei lá. Mas já tinha chegado o tempo de sair da loja.– Sim, é verdade. Vim falar sobre isso com você hoje. A Lucy já deve ter te falado que já conseguiu alguém para me cobrir, pelo menos por enquanto. Se quiser, posso dar todas as instruções para ela hoje.– Não precisa, afinal você ainda deve ter muitas coisas para resolver.– Você nem imagina o quanto. Mas está tudo bem por você eu sair?– Claro Brianna, você já me ajudou tanto com essa loja... Você precisa ir atrás dos seus sonhos.– Muito obrigada, Jane. Posso falar com Lucy?– Sim, mas rápido. Ela ainda precisa treinar a menina nova que vai chegar daqui a pouco. Enquanto Jane ia atrás de Lucy, fiquei pensando em quem poderia ser a menina nova que ia trabalhar no meu lugar, mas não consegui lembrar de ninguém que queria trabalhar lá nos últimos tempos.Lucy chegou interrompendo meus pensamentos.– Bree? Quer falar comigo? — Sim, só queria contar que Nick não me apoiou, mas mesmo assim, vou para o concurso e que já está quase tudo certo para ir. E quem é a menina nova? — Uma tal de Celeste Jones que apareceu aqui ontem, logo depois que você foi embora, querendo saber se tínhamos vagas para ela poder trabalhar aqui. Então, embarca quando? Celeste Jones? A mesma Celeste da escola? O que será que fez ela voltar? Até onde todos sabiam, ela tinha ido para Paris logo após a formatura, morar com seus familiares.
– Embarco daqui uma semana. Aí passei aqui na loja para acertar minhas coisas com a Jane e para me despedir, já que provavelmente não iremos nos ver tão cedo assim. Lucy me abraçou e disse: — Boa sorte lá, eu sei que vai conseguir. Vou estar torcendo por você aqui.– Vou sentir saudades, mas preciso ir. Muito obrigada por tudo. Me despedi de Lucy e de Jane, fui me dirigindo à porta, totalmente destraída e, sem querer, trombei com alguém.– Desculpa. — fui dizendo até perceber que era Celeste. — Desculpa, Celeste.– Ei, cuidado por onde anda, piranha! Brianna, parece que seu jeito não muda. Continua roubando o homem das outras?– Não, eu nunca fiz isso. Nick nunca foi seu homem. E bom serviço aí. Preciso ir embora, não estou com paciência para te ouvir falando.– Vai lá correr para a mamãe, vai.– Não sou você. Com licença. Fui embora deixando Celeste falando sozinha. Incrível como mesmo depois de todo esse tempo ela ainda guardava rancor de ter tirado ela de perto de Nick naquela festa. Fui a pé para meu apartamento e aquela parecia a maior caminhada que eu já havia feito, graças ao meu cansaço. Cheguei já tirando os sapatos e a roupa e indo para o chuveiro, tomar um banho. Eram, no máximo, cinco horas da tarde, mas eu já ia colocar meu pijama. Quando saí do banho e me troquei, tomei um chá e fui dormir. Acordei só no outro dia. Aproveitei os dias que ainda faltavam para o dia de ir para a Califórnia chegar para fazer compras de tudo que ia precisar lá, para arrumar minhas malas e reservar um hotel. O concurso ia ser em Los Angeles então foi fácil encontrar um hotel com vagas. A semana passou num piscar de olhos e logo chegou o dia. 17 de julho, dia de ir para Califórnia. Meus pais, Amy e Paul foram me levar no aeroporto. Cheguei em cima da hora e logo ouvi o chamado:– Atenção, passageiros do voo 4637, com destino a Los Angeles, favor ir para o portão 16. Me despedi de todos e achei que fosse ver Nick por lá. Ele não foi e isso significava, pelo menos para mim, que aquele era nosso fim. Fui uma das primeiras a embarcar no avião. Eu estava na poltrona da janela e achei que a poltrona do lado ia ficar vazia. Estava prestando atenção na visão que tinha pela janela do avião, que ainda estava parado, quando um homem alto, com fones de ouvido, moreno e, confesso, bem bonito se sentou ao meu lado. Ele olhou rapidamente para mim, disse "boa tarde" e voltou para suas músicas sem ao menos me dar a chance de responder. Alguns minutos depois, percebi que ele ficava me encarando, mas nem dei muita bola, já que estava preocupada em ir para L.A.. "Senhores passageiros, afivelem seus cintos. O avião vai começar a decolar"
Fale com o autor