Road Trip
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Felicity
Por mais que eu achasse que era melhor vir sozinha não teve meio de meus dois guardiões me largarem, nem mesmo apelando para o lado paterno do John, quando falei que ele precisava ficar mais em casa, segundo ele a própria Lyla preferia que ele me acompanhasse. Ótimo, não bastasse um Papai Urso, agora uma Mamãe Ursa.
Estávamos hospedados na casa de Barry, por que ninguém poderia saber que estávamos aqui, Oliver queria ir comigo para aos laboratórios, mas fiz sua cabeça para me aguardar junto com Diggle no carro, era o mais sensato, se realmente ele queria que ninguém soubesse o seu segredo, era melhor ele ficar um passo atrás. É claro que ele queria mandar o segredo dele para longe, mas eu fiz entender que se alguma coisa realmente fosse me acontecer ele estaria perto, e que Barry estaria comigo o tempo todo. Então a contra gosto lá estava ele reclamando no meu ouvido enquanto eu entrava na SL com o Barry como meu guarda costas.
–Você sabe que se acontecer alguma coisa com você não vai ter rapidez nesse mundo que me salve, não sabe? –Barry diz abrindo a porta para o laboratório onde cisco está a volta com os que eu pedi para fazer.
‘Ainda bem que você sabe.’ –Ouço a ameaça de Oliver pelo comunicador.
–Não vai acontecer nada. –Minha voz sai um pouco mais alta do que deveria.
–Eu realmente espero que aconteça alguma coisa. –Cisco vem até nós, alheio a nossa conversa paralela. –Por que pelo trabalho que eu tive para construir isso. Por sinal o que foi isso que eu construí? – Ele me olha interrogativo, olhar que é o mesmo de Wells e Caitlin.
–Palmer veio a SL com o intuito de colocar um projeto particular em ação. –Barry começa explicando.
–Aqueles projetos, Cisco que eu encaminhei, são os projetos dele. – Eu tento os fazer entender.
–Mas aqueles projetos estão calculados de forma errada, você mesmo me passou a correção. – Ele diz sentando em sua mesa.
– E ai que está o problema. – Tiro os meus óculos, eu me sentia exausta com o excesso de pesquisa que estava fazendo. — Ele calculou errado e agora não sabemos o que ele criou? Se ele está bem? Se ele está vivo? – Eram muitas perguntas sem respostas, isso era frustrante.
–E você acha que ele fez alguma coisa rela com aquela pedra? – Wells me olha de um jeito que me assusta.
–Aquela pedra tem radiação desconhecida, ninguém sabe como trabalhar com ela, ele acho que tinha descoberto um jeito. Talvez até tenha descoberto, mas um jeito diferente ao que ele esperava. –Tagarelo de desespero, eu não devia estar sendo interrogada.
Eu havia pedido a Cisco que criasse uma maneira de achar o traço da radiação da estrela anã e um sistema para reverter a besteira que Palmer tinha feito, seja lá qual era ela, e por mais incrível que pareça ele tinha conseguido faze-lo, bom, na teoria.
Então a noite passou com todos a procura de um sinal de uma estrela que teoricamente havia desaparecido. Até mesmo a super velocidade de Barry não estava adiantando em nada para localizar, o sinal era tão fraco que por vezes aparecia mas se esvair tão rápido quanto surgia. Até que por volta das três da manhã Caitlin achou um sinal um pouco mais forte que nos direcionou até o que procurávamos.
–Isso vai dá certo? –Pergunto olhando para Cisco.
–Exatamente o que tem que dá certo? –Ele devolve a pergunta enquanto ativa um serie de botões.
Pensando bem nem eu sei o que tem que dá certo, é mais um pressentimento. E a princípio nada acontece, a máquina é desativada sozinha, mas aos poucos alguma coisa vai aparecendo no meio da sala, e surge um Palmer desacordado no meio do laboratório de pesquisa da SL.
[...]
‘Ele estava o que?’ –Oliver praticamente grita ao meu ouvido. Eu tinha saído de perto de todos, para passar o relatório fantástico dos fatos para John e Oliver.
–Encolhido. –Eu repito baixinho fechando meus olhos como se assumir aquilo doesse em minha alma. –Igual naquele filme “Querida encolhi as crianças”, sabe que o pai é cientista e cria um raio no sótão de casa, e as crianças disparam o laser sem querer...
‘Felicity’ –Oliver me chama enquanto ouço as risadas de Diggle, merda eu fiz de novo. ‘Esse tipo de coisa não acontece.’ –Ele diz enfaticamente.
–É, igual pessoas correrem por ai em super velocidade. – Me viro e vejo Wells me olhando, eu finjo arrumar meu cabelo.
–Falando sozinha Felicity? – Seus olhos azuis através da lente dos óculos me provocam arrepios.
– Aí está você. – Ouço Barry que chegou em um momento oportuno. – Acho melhor te levar agora, Caitlin vai ficar monitorando Palmer, mas você precisa voltar para o trabalho com urgência, seu chefe vai ficar uma fera se você não a parecer.
[...]
Dois dias haviam se passado desde do incidente com Palmer, eu e Oliver ainda nos dividíamos na QC, só que agora já tínhamos pegado um ritmo mais certo, e não estávamos nos desgastando tanto.
Caitlin me informou que Palmer havia acordado um dia depois do incidente, estava se recuperando bem, e que agora estava engajado em reproduzir conscientemente os eventos que o levaram a se encolher a um tamanho, segundo ela, de um átomo. Sinceramente acredito que os eventos fritaram o QI do Ray, mas são o QI é dele, ele que se vire com ele.
Então em uma noite calma sem muitos problemas, eu estava em meus computadores, John já havia ido em bora. Oliver patrulhava as ruas com Roy mas como disse era uma noite calma.
–Garotos. –Os chamo pelo comunicador. – Por hoje já deu, não deu?
Ouço o riso de Roy. ‘Tenho que concordar com a Felicity, hoje está muito calmo, chega até ser entediante.’
‘Ok, você dois venceram.’ –Oliver diz mas posso ouvir o sorriso em sua voz.
Passa pouco mais de dez minutos e ouço a porta se abrindo. –Onde está Roy? –Pergunto quando só vejo Oliver entrando.
–Preferiu ir para casa direto. – Diz isso deixando o arco sobre a mesa e arrancando o capuz sem cerimônia nenhuma. Mas afinal por que ele iria se esconder se só estava eu e ele aqui em baixo. –Sabe o que eu estava pensando? –Ele vem até mim, e sinceramente é difícil pensar em alguma coisa que não o seu abdome que está agora a pouco menos se trinta centímetros do meu rosto, como eu conseguia ficar tão perto e não toca-lo? – Felicity? Você está me ouvindo? –Eu olho para o seu rosto e ele traz um sorriso ali.
–Desculpe, o que? –Digo sem graça.
–Você estava babando em mim? –Ele chega mais perto e eu apenas viro o meu rosto.
–Oliver eu não preciso babar em você, tenho acesso direto a tudo isso ai. –Tento fazer pouco caso apontando para ele.
Oliver vira minha cadeira par que eu fique de frente para ele. –Isso não me impede de babar nas suas coxas todos os dias antes de você acordar. – Ok, agora eu estava escarlate.
–Você tem algum proposito nessa conversa ou apenas me deixar constrangida? –Tento fazê-lo mudar de assunto.
–Eu estava dizendo, mas você não estava escutando, que já está na hora. –Eu o olho sem entender.
–Hora do que Oliver?
–Assumir. –Ele diz naturalmente.
–O que? –Eu quase caio da cadeira
–Assumir a gente publicamente, Oliver Queen e Felicity Smoak juntos, assim acaba as fofocas pelos corredores.
–Secretaria dá golpe no executivo, realmente vai acabar as fofocas e vai ter a confirmação. – Me levanto, fico de costas para ele, se eu soubesse que era para ter essa conversa teria deixado ele fazer a ronda por mais tempo.
–Desde quando você se importa com o que os outros dizem? –Ouço sua voz se elevar, ele estava ficando bravo com a nossa conversa, mas eu também.
–Desde nunca, e você sabe bem disso, mas ... – Minha voz falha, e só então eu percebi o que eu realmente tinha medo. –Eu quero ir para casa. –Minha voz está embargada.
–Agora você vai me dizer. –Olive me vira novamente de frente para ele e só então percebe o quão frágil eu estou, me amaldiçoou por não consegui me controlar. –Felicity qual é o real problema? – A sua voz é quase de desespero por me ver daquela maneira.
–Eu só quero ir para casa. – E agora eu não me controlava mais, chorava compulsivamente.
–Eu não vou a lugar nenhum até você me dizer o que você tem, você não me quer mais com você? Por que essa é a única explicação para o que eu estou vendo aqui. –Ele estava à beira do desespero.
–Não seja absurdo. – Eu soco o seu peito em frustração, e minhas lagrimas continuam a cair. – Eu te amo, e você sabe disso.
–Então o porquê de você não quere nos assumir? Por que desse seu choro? –O desespero em sua voz dá luar a tristeza.
–Por que eu tenho medo. –Digo em voz alta o que me consumia. –Morro de medo de você me abandonar, de te perder. –Agora eu gritava. –Por mais que estejamos juntos ainda há uma barreira de proteção, mas se nós assumirmos publicamente essa barreira vai cair, e eu não sei o que vai acontecer se você me deixar, essa é a minha última barreira Oliver se você rompe-la não tem mais volta.
Ele solta o meu braço e vejo em seu rosto o quão irritado e magoado ele está. –Eu não quero volta Felicity, o que te levou a imaginar que eu queria voltar alguma com o que temos? Não tem volta para o que eu sinto por você, você morre de medo que eu te deixe, isso não é nada comparado o medo que eu tenho de você me deixar, eu não queria entrar nesse relacionamento por que eu sabia que a partir do momento que eu experimentasse o que é estar com você, te amar e ser amado por você, a partir do momento que eu experimentasse o que era a real felicidade eu estaria perdido. Eu não tenho barreiras quando o assunto é você, você me teve para você por inteiro. – Ele se afasta e senta em uma cadeira. – Mas você está dizendo que esse tempo todo você estava se protegendo?
Eu percebo a idiotice que eu estava fazendo, eu tinha magoado a pessoa que eu mais amava, mas ele não sabia o que eu tinha sofrido e o porquê que eu tinha criado essa barreira. Vou até ele, mas ele não me olha nos olhos, então eu me sento no chão aos pés da sua cadeira e faço com que ele me olhe, cruzo minhas pernas e o que eu estava para fazer iria me machucar, portanto, eu precisaria de um pouco de força.
–Eu nem sempre fui assim, loira, roupas coloridas, batom vibrante, fala rápida, camadas e mais camadas de proteção. – A lembrança ainda doía. – Eu era uma garota que usava maquiagem preta, roupas de darks, coturno, meu cabelo parecia um ninho de pássaro. –Sorrio sem vida. –Mas apesar de todo esse estereótipo de garota rebelde era muito fácil me conquistar, o que eu estou dizendo é que eu confiava muito fácil. –Tento faze-lo entender. Passo a mão pelos meus cabelos, desamarro o rabo que repentinamente fazia minha cabeça doer. – Um dia um amigo meu me apresentou esse garoto, ele era brilhante, e eu me encantei por ele, pelas ideias dele, e pelo jeito que ele via como tudo poderia ser. A história é grande, e muito dolorosa, mas resumindo ele me usou e eu quase fui presa por isso. Então decidi que nunca mais iria me abrir para ninguém daquela maneira, eu mudei o meu comportamento, o meu jeito de ser, o sofrimento moldou Felicity Smoak assim como o sofrimento moldou Oliver Queen. Mas minhas barreiras caíram uma a uma por sua causa Oliver, desde o dia em que você entrou em minha sala, e depois em meu carro sangrado, e dia a dia, e quando eu digo que essa é a última barreira e por que você já destruí todas e não me julgue por sentir medo, por que apesar de te amar ser a única certeza que eu tenho, eu ainda tenho cicatrizes mais profundas que as suas. E são as do pior tipo, aquelas que ninguém enxerga e que todos menosprezam a dor.
Oliver se levanta da cadeira o que me pega de surpresa, e vai para um canto, eu também me levanto e fico sem ação, não sei o que ele vai fazer, espero por um tempo e aquilo me afligir. Pego minha bolsa e vejo ele saindo do banheiro, pega sua jaqueta e vem em minha direção.
–Eu ainda estou chateado com você. – Diz me inclinado o corpo e me beijando. -Mas nem todas as cicatrizes e todas as barreiras do mundo vão afasta-la de mim.
–Ótimo... –Respondo atordoada pelo beijo. -E agora como você pretende nos assumir? – Deixo a última barreira cair de vez.
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