Rizzoli And Isles - Life As We Know It

8 Capítulo 8 - Quanto você conhece alguém?


Notas iniciais
Primeiramente... Mil desculpas pela demora, mas é que minha irmã não contente em pegar uma gripe resolveu passá-la para mim, então... Mas agora está tudo bem =)

Capítulo dedicado a Manu que está fazendo aniversário hoje. Feliz aniversário SUA LINDA! ♥

Ótima leitura

PS: Eu revisei, mas aquele esquema de sempre se tiver algum erro por que é madrugada.

O quão bem nós realmente conhecemos alguém? Sempre existe aquela pessoa que pensamos conhecer como a palma da nossa mão, mas será que realmente a conhecemos tão bem assim? Ás vezes pode ser que a conhecemos mesmo, que só o fato dela pensar você já sabe todos os próximos passos da pessoa, se ela da um suspiro diferente você sabe que tem alguma coisa errada, mas ás vezes não conhecemos nem um terço do que pensamos que conhecíamos, porque pessoas são complexas, pessoas possuem segredos, pessoas possuem sentimentos e pensamentos que elas não se sentem confortáveis em compartilhar, pessoas tem comportamentos bipolares e o pior – ou melhor dependendo do ponto de vista – as pessoas mudam e uma vez que elas mudam você tem que começar a conhecê-la tudo de novo.

Maura sabia que não conhecia Jane, não completamente, sabia que ainda teria que aprender muitas coisas sobre a morena para finalmente poder dizer que a conhecia, mesmo não tendo certeza se algum dia iria conhecê-la completamente e o encontro era uma oportunidade para isso.

Nunca foi de se importar com o comportamento das pessoas, mesmo porque ela tinha medo de pessoas por não saber se relacionar muito bem com elas, mas agora tudo parecia diferente, pelo menos depois que conheceu Jane. Queria dar uma chance para as duas, porque definitivamente não acreditava que Jane podia ser uma pessoa tão ruim – romanticamente – como ela se descrevia, tinha sim pesquisado sobre a amiga, sobre como ela era chamada, mas essa não se parecia com a Jane que ela estava convivendo praticamente desde o começo do ano letivo e se fosse as coisas podiam mudar porque sem duvida alguma quando a morena estava com Maura ela era uma pessoa completamente diferente, começando com o fato de ter dito que não ficaria com ela porque não queria machucá-la já era algo diferente, pelo que tinha visto quando fez sua pesquisa sobre a Jane ela não costumava falar isso para as garotas, então já deveria contar para alguma coisa. Então como tinha combinado ás 20 horas ela chegou a lanchonete que costumavam frequentar e esperou por Jane que com dez minutos de atraso viu a morena cruzando a porta da lanchonete e assim que a viu sentada na mesa de costume mandou um sorriso e foi se encaminhando para se juntar a Maura, mas foi parada no meio do caminho por uma loira.

– Jane Rizzoli. – A loira lhe deu um selinho. Maura olhava a cena confusa. – Ótimo que você apareceu por aqui sua sapatão... Fiquei sabendo que você foi a festa sexta passada.

– Nize! – Foi a única coisa que a morena conseguiu dizer, estava surpresa, não pelo comportamento da loira, porque ela sempre fazia isso quando se encontravam, mas estava surpresa com a situação, tinha um encontro com Maura e logo de cara encontra uma ex-peguete que a beija, já tinha começado maravilhoso esse encontro, que a propósito ela não tinha certeza se era uma boa ideia. – Pois é... Eu estava na festa sexta, mas você não, pelo menos eu não te vi.

– Por que eu não fui. – Revirou os olhos. – Meus pais resolveram ir viajar justo no dia da festa e me arrastaram junto. Fiquei indignada quando voltei e falaram que você apareceu na festa, deveria ter me avisado!

– Foi de última hora, mas vão ter mais festas para a gente ir, tenho certeza.

– Acho bom! E aproveitando que você está aqui... – A loira entrelaçou seu braço com o de Jane e começou a dar pequenos passos adentrando mais na lanchonete. – Eu posso expulsar as meninas que vieram comigo e nós podemos ter aquele encontro que você está me devendo.

– Me desculpa Nize. – Jane desvencilhou seu braço do da loira, aproveitando que tinha chegado na frente da mesa em que Maura estava sentada. – Mas hoje não vai dar, tenho companhia. – Deu uma olhada para Maura e voltou a olhar para a loira. – Quem sabe em uma próxima vez.

A loira mandou um olhar para Maura como se a analisasse e não deixou de esconder sua expressão de descontentamento com o que viu. Maura era bonita, na realidade era linda, diferente das garotas que Jane costumava ficar, diferente até dela mesmo.

– Pensei que eu fosse a única loira da sua vida.

– Na realidade existem várias loiras na minha vida ou existiam, enfim... Eu te ligo para marcarmos alguma coisa.

Claro que a loira não ia sair dali como se tivesse acabado de levar um fora, mesmo que tivesse levado. Nize deu outro selinho em Jane, agora de despedida, lançou um olhar para Maura mostrando que não tinha realmente gostado da loira e foi sentar-se na mesa um pouco distante dali. Tinha ouvido que Jane estava andando com uma nova loira por ai, mas não sabia que era seu novo interesse amoroso, mesmo que conhecendo Jane como achava que conhecia a morena não tinha interesse amoroso por ninguém e sim interesse malicioso.

– Me desculpa, Maura. – Disse envergonhada com a situação e se pegou surpresa por estar envergonhada, normalmente ela gostava quando suas ex e atuais peguetes se encontravam, era até divertido uma mostrando o ódio pela outra só pelo olhar, mas dessa vez era diferente, Maura não era uma simples peguete e mesmo sabendo que sempre passava a impressão mais errada do mundo para todo mundo queria que com Maura fosse diferente. Em resposta ganhou um sorriso da loira como se respondesse que estava tudo bem. – Bom... – Se preparou para se sentar, mas...

– Sabia que ia te encontrar aqui Jane! – Disse Beth já com as mãos no braço de Jane pronta para tirá-la dali da posição que a morena se encontrava, mas então percebeu que Maura estava lá também. – Oi Maura! – Disse com um sorriso simpático e em resposta ganhou um sorriso não tão simpático e um aceno com a mão. – Eu já te devolvo a Jane, mas é que eu preciso dela... – Puxou Jane para um canto da lanchonete um pouco distante da mesa em que Maura estava sentada, mas ainda assim ficava no campo de visão da loira. – Eu preciso da sua ajuda... Você ficou com aquela menina... A Tainá, não ficou?

– Que Tainá?

– A Tainá... Aquela menina que veio da Amazônia, Acre, sei lá... Um lugar desses do Brasil que ninguém conhece. A indiazinha, aliás, que tem o nome da indiazinha.

– Ah ta... A Tainá! Não fiquei com ela não Beth, até tentei, mas ela é hétero.

– Ela é hétero? – Beth soltou uma gargalhada. – Na onde que aquela menina é hétero? – Jane deu de ombros. — Sério mesmo que você não ficou com ela, Jane?

– É sério! Desde quando minto sobre quem eu fico para você?

– Olha... – Elisabeth olhou por cima do ombro de Jane e viu Maura olhando para as duas, claro que não ouvia sobre o que era a conversa, mas sabia que estava curiosa. – Vem comigo.

– Beth eu não vou com você, eu to no meio de al...

E antes que pudesse terminar a frase Elisabeth já tinha a arrastado para fora da lanchonete, deixando Maura com cara de paisagem. Pelo visto aquele encontro não ia acontecer. Aliás, onde ela estava com a cabeça pensando que o encontro ia realmente acontecer? Soltou um longo suspiro olhando para a mesa e quando subiu sua visão encontrou um lindo garoto loiro com um sorriso tímido em sua frente.

– Maura, certo? – Perguntou, mas sem esconder nenhum pouco a sua timidez, era incrível como ele tinha conseguido perguntar aquilo, por que estava realmente nervoso. Maura fez um afirmativo com a cabeça. – Acho que você não deve me reconhecer, mas eu estava na festa sexta-feira... Brandon Thomas, mas costumam me chamam de B.T. – Ele estendeu a mão para Maura que mesmo sem saber exatamente o que o garoto queria o cumprimentou com um pequeno sorriso. – Eu só queria perguntar... Você e a Jane...? Quero dizer... Vocês duas...? É que vocês saíram juntas da festa e... Bom...

Antes de ouvir qualquer resposta que fosse de Maura sentiu uma mão em seu ombro e quando se virou para ver quem era deu de cara com Jane.

– Quem é o amiguinho, Maura?

A loira ia abrir a boca para responder algo, mas foi interrompida pelo próprio B.T.

– Na realidade ela não me conhece, mas nós dois estudamos juntos.

– Em qual das escolas que eu passei durante esse último ano?

– É... – Balançou a cabeça em negativo. – Deixa para lá. Prazer te conhecer, Maura. Bom te ver, Jane.

Maura mandou um sorriso simpático para B.T e tanto ela quanto Jane acompanharam o garoto se afastando com o olhar.

– Parece que alguém gostou de você. – Jane disse com um sorriso de canto de rosto. – Me desculpa Maura, mas...

– Pelo amor de Deus, Jane! Manda essa sua amiga parar? Já está virando obsessão.

Realmente parecia que elas não iam conseguir ter o tal encontro, porque parecia que meio mundo tinha resolvido conversar com a Jane, precisar da Jane, fazer barraco com a Jane. E parece que agora era a hora do fazer barraco.

– Não é obsessão! – Respondeu Beth ofendida. – É que não tem como você ser hétero, Tainá!

– Eu já disse que tenho namorado!

– Desde quando namorado quer dizer alguma coisa? Jane...

– Mesmo se eu não fosse hétero... Vocês duas não tem um código?

– Que código? – As duas perguntaram juntas.

– Nunca ficar com a garota que a outra ficou?

– Não... – Jane respondeu. – E se tivéssemos esse código... Eu não fiquei com você.

– Mas tentou!

– Você tem certeza que é hétero, Tainá? – Beth perguntou ainda indignada. Não podia ser.

– Me errem vocês duas!

Assim que Tainá deixou a lanchonete, as duas se entreolharam e começaram a rir.

– Você deveria ter me avisado que ia vir aqui na lanchonete, Jane... – Elisabeth foi se acomodando na mesma ao lado de Maura. – Assim tinha me poupado de ir a sua casa. – Pegou o cardápio que estava em cima da mesa e olhando para ele disse. – O que vamos pedir? – Tirou sua atenção do cardápio e voltou para Maura. – E não venha com coisa de gente fresta não, Maura! Jane já me contou as coisas que você come, uma vez na vida temos que arriscar e comer um hambúrguer. – Pegou o cardápio novamente. – Então...?

Jane olhou para Maura como um olhar de pedido de desculpas e se sentou de frente para a loira que só ergueu os ombros. Não tinha muita coisa que podia ser feita, mesmo que expulsassem Elisabeth da mesa com toda certeza alguém mais acabaria aparecendo e elas nunca iam comer e muito menos conversar, pelo menos com Beth ali Jane sabia que iam comer e conversar, não as coisas que Maura queria conversar, mas iam conversar.

– Desculpem atrapalhar o encontro de vocês duas, tudo bem? – Beth pousou o cardápio na mesa. – Mas vocês ainda vão ter muito tempo para conversar sobre o beijo de sexta passada. A propósito... Deb está muito puta com você Jane.

– Você contou para ela? – Maura perguntou depois que ela e Jane trocaram olhares completamente envergonhados devido ao comentário de Beth.

– Eu não contei para ela! – Jane respondeu ofendida com a acusação de Maura.

– Pois é... Ela não me contou e por ela não ter me contato eu deduzi que vocês tinham se beijado, por que se não tivessem ela teria me contato, aliás, tinha voltado para a festa. Então... O que vão querer?

Jane e Maura se entreolharam, mas nada falaram, só pegaram também os cardápios e passaram a ver o que iriam pedir.

Tinha tudo para aquele tempo na lanchonete ser o mais desconfortável possível, mas foi tudo o contrário. Maura ainda queria conversar com Jane e a morena estava com receio de depois disso Maura não querer mais nem tocar no assunto com ela, mesmo que nada disso fosse sua culpa, ela não tinha culpa de ser conhecida, mas o tempo que ficaram na lanchonete com Beth nem parecia que a ruiva tinha atrapalhado o encontro das duas, porque elas desencanaram e resolveram olhar para aquele momento como uma noite entre amigas, mesmo que Maura não se sentisse exatamente como amiga de Beth e também por não querer ser só amiga de Jane, mas dava para levar desse jeito. Conversaram sobre tudo – menos o beijo – e riram sobre tudo também, ainda mais da cara que Nize fazia na mesa um pouco atrás quando sem sucesso ela tentava disfarçar que estava olhando para a mesa delas e que estava odiando tudo. Tiveram um ótimo tempo na lanchonete, foi até divertido.

– Vai querer carona? – Jane perguntou a Elisabeth assim que elas saíram da lanchonete e estavam paradas ao lado do carro dela.

– Não... – Fez um negativo com a cabeça. – Vou ir checar se essa história da Tainá ter namorado.

– Algumas pessoas chamariam isso de obsessão.

– O que chamam de obsessão eu chamo de persistência. – Mandou um sorriso debochado para Jane. – Boa noite vocês duas.

As duas acenaram com um sorriso como forma de também desejar boa noite e ficaram olhando por alguns segundos Elisabeth sumir na calçada e após isso se olharam. Primeiros segundos que elas tinham sozinhas desde que Jane tinha chegado a lanchonete e por mais irônico que fosse o momento que elas estavam tendo sozinhas era do lado de fora da lanchonete, talvez pudesse ser bem aproveitado.

– Vou te levar para casa.

Ou não.

Maura nada disse, só mandou um meio sorriso e Jane abriu a porta para que ela entrasse no carro. Talvez tivesse sido uma péssima ideia ter marcado esse encontro, talvez fosse melhor deixar as coisas como estavam, talvez Jane nem quisesse conversar com ela sobre o beijo, talvez o beijo tivesse sido uma péssima ideia...

Talvez...

Talvez...

E talvez.

Passaram alguns minutos andando de carro, mas curiosamente Jane estava indo por um caminho que Maura desconhecia e a loira percebeu isso, mas nada disse, provavelmente Jane conhecia um caminho mais curto para sua casa, porque do jeito que sua cabeça estava a mil e só pensava as piores coisas possíveis, com toda certeza Jane tinha pegado um atalho para ficar menos tempo com ela no carro e não ter que conversar, mesmo que elas já estivessem em silêncio o caminho inteiro, mas para surpresa de Maura a morena parou o carro em frente a uma praça e desceu, fazendo com que assim a loira descesse atrás, confusa, não fazia ideia do que estavam fazendo ali, ainda mais a noite quando não tinha ninguém por lá.

– Primeira coisa que você tem que saber... – Jane que estava de costas para Maura, se virou para olhar para a loira que tinha acabado de parar ao lado dela. – Não marque de conversávamos em um lugar que eu conheça porque não vão deixar a gente conversar.

– Quem vê até pensa que é tão popular assim. – Maura disse em um tom divertido fazendo com que Jane a olhasse com um olhar de falsa desconfiança como se dissesse que era errado Maura dizer uma coisa dessas e abriu um sorriso de canto de rosto. – Meu Deus! Você acha mesmo que é tão popular assim?

– E não sou? – Jane perguntou andando em direção a um banco que tinha um pouco a frente delas. – Você viu que ninguém nos deixou em paz na lanchonete. – Jane se sentou no banco e olhou para trás procurando por Maura que tinha parado atrás do banco e a olhava com um sorriso. – É nisso que você quer se meter?

– Eu pesquisei sobre você. – Dessa vez Jane a encarou com um olhar realmente de desconfiança e um pouco surpreso. – E você é popular. As meninas são completamente apaixonadas por você. – Maura deu a volta no banco e se sentou ao lado de Jane. – E elas te odeiam por serem apaixonadas por você porque você nunca vai dar uma chance para elas.

– E por que você acha que com você vai ser diferente?

– Porque você já me disse que eu sou diferente delas.

– E eu também disse que você merece alguém melhor do que eu, porque a única coisa que vou fazer com você é te machucar.

– Você não sabe disso.

– Eu sou uma Rizzoli, Maura. – A loira ergueu os ombros como se dissesse que aquilo não importava, mas na realidade ela não sabia o que aquilo queria dizer. – Eu gosto da sua amizade, Maura! – Jane levantou do banco ficando de costas para Maura. – Eu não quero perder isso se eu estragar tudo. – Voltou a olhar para Maura. – Eu sou uma bagunça!

– Você fica falando sobre machucar e magoar, mas você nunca esteve em uma relação de verdade... – Maura se levantou do banco e andou até perto de Jane. — Não custa nada tentar.

– Maura eu não quero tentar. Por que caso eu tente eu sei que a cada dia que passar eu vou me apaixonar mais por você e por estar cada dia mais apaixonada por você eu vou ter medo de fazer alguma besteira, alguma idiotice que possa te machucar, mas consequentemente eu vou acabar fazendo a idiotice, por que essa sou eu, a rainha das idiotices e...

Normalmente Maura sempre se imaginou em uma situação que ela falaria sem parar e que alguém a calaria com um beijo, fazia parte de um dos seus Contos de Fadas, mesmo que ela nunca tivesse lido um Conto de Fadas, mas foi surpresa ela calar alguém com um beijo, foi surpresa ela calar Jane com um beijo. A loira já tinha entendido perfeitamente que a garota por quem ela era apaixonada não sabia lidar com seus sentimentos e muito menos expressá-los e entendeu que ela falar sem freio algum provavelmente era um modo dela fazer isso, e Maura ficou imensamente feliz em descobrir isso, por que assim pode descobrir que seus sentimentos por Jane eram correspondidos, que a morena também era apaixonada por ela.

– Maur... – Jane disse com a voz mais rouca do que o habitual a afastando alguns milímetros, fazendo com que Maura sorrisse, não por ter o beijo interrompido, mas porque era a primeira vez que Jane a chamava por um apelido, sempre tinha lhe chamado só por Maura. – Olha... E se der errado?

– Eu tenho que ir para Londres mesmo no final do ano letivo, vou estudar em Oxford.

– Você vai estudar em Oxford? – Maura fez um afirmativo com a cabeça – E se der certo?

– Bom... Vou ter que procurar uma faculdade por aqui mesmo.

Jane sabia que estava fazendo a coisa mais errada do mundo começando um relacionamento com Maura que ela sabia que daria errado, mas se Maura queria apostar no “tentar” e ainda acreditava que ela podia ser diferente, mesmo ela acreditando que não, não custava nada tentar, mesmo sabendo que se ela magoasse a loira correria o de risco de perdê-la para sempre.

Diferente do primeiro encontro – não que Maura tivesse levando esse “jantar para espairecer” como um encontro – elas em nenhum momento foram atrapalhadas. Ao contrário da época que namorou Jane que a cada passo que ela dava tinha uma “conhecida”, nesse restaurante não esbarraram com ninguém, mas Maura imaginou que fosse porque ela ainda carregava a primeira regra de: “não marcar um encontro onde me conheçam”, mas não tinha do que reclamar, já que levando em consideração que não estavam em um encontro e Jane não queria dormir com ela no fim do jantar – pelo menos era o que ela procurava pensar – o jantar ocorreu perfeitamente bem, conversaram como se fossem duas amigas, como se elas fossem as amigas do começo do ano letivo só que agora com assuntos mais “adultos” e Jane sem duvidas estava com o humor ácido mais aprimorado, não para o assunto sobre as duas, parecia que não existia as duas porque o relacionamento que elas costumavam ter não foi citado nenhuma vez.

– Eu não sabia que você conhecia restaurantes Franceses.

– Eu não conheço restaurantes Franceses, quero dizer, só de vista, nunca vim aqui.

– Sério? – Maura a encarou desacreditada. – Você nunca trouxe nenhuma... Como é que vocês chamam mesmo...? Ficantes... Você nunca trouxe nenhuma de suas ficantes?

– Não. – Respondeu naturalmente ignorando o tom e a expressão desacredita de Maura. – E mesmo se eu conhecesse ou gostasse de vir a restaurantes Franceses, eu não traria nenhuma delas para esse.

– Por que não?

– Você não reconhece o lugar?

Maura encarou Jane sem entender e depois olhou para os lados analisando o lugar tentando puxar alguma lembrança, mas o lugar não era conhecido por ela.

– E deveria?

– Viemos aqui tantas vezes na adolescência. Tivemos até a tentativa do nosso primeiro encontro aqui, esqueceu?

– Aqui é aquela lanchonete onde todas as suas ficantes de Boston frequentavam? – Jane fez um afirmativo com a cabeça. – Oh meu Deus! Eu nunca ia imaginar, está completamente diferente.

– Não traria ninguém a esse restaurante que não fosse você, aqui era nosso lugar.

– Nosso lugar? – Maura ergueu uma das sobrancelhas expressando que poderia ter entendido algo errado. – Você trazia todas as garotas que você ficava para a lanchonete.

– Eu sei, mas depois do dia que você marcou de conversarmos nela minha vida nunca mais foi a mesma, e a lanchonete passou a ser nossa lanchonete, porque as meninas que eu ficava pararam de frequentá-la por raiva e as que ainda frequentavam era também por raiva. Você não lembra da garota que derrubou refrigerante em você?

– Helenize. – As duas soltaram um riso. – Vocês a chamavam de Nize. Aquela garota era louca!

Até que não tinha sido tão ruim tocar no relacionamento que tiveram, porque não conversaram realmente sobre ele, lembraram dos momentos engraçados que tiveram quando começaram a namorar e quando as garotas que eram apaixonadas por Jane descobriram. Cada história vários risos e gargalhadas, eram as mais animadas do restaurante, estavam a vontade uma na presença da outra, nem pareciam que algum dia tinham sido namoradas e que terminou como terminou.

– Posso fazer uma pergunta? – Maura perguntou. Depois de tanto rirem um silêncio de poucos segundos tinha sido feito e ela precisou quebrar. Jane fez um afirmativo com a cabeça. – O que aconteceu com as suas mãos? Vi que você costuma aperta as cicatrizes que tem nela...

– Nada demais. – Jane levou as mãos para cima da mesa. – Só um serial killer que as pregou no chão.

Maura ficou impressionada com a naturalidade como Jane contou aquilo. Um serial killer não é nada demais. Como que por instantaneamente Maura pegou a mão esquerda de Jane e acariciou a cicatriz, não fazia ideia se tinha o direito de fazer aquilo, mas quando viu já estava fazendo.

– Dói?

– Não. – Disse em um tom divertido fazendo um negativo com a cabeça. – Elas até avisam quando vão chover.

– Sério? – Maura perguntou no mesmo tom divertido. Era melhor não fazer grande caso, talvez fosse difícil para Jane falar sobre isso agora.

– Sério. Melhor do que a mulher da previsão do tempo e olha que eu gosto da mulher da previsão do tempo.

– Você gosta da mulher da previsão do tempo, mas não é porque ela diz que clima que vai fazer Jane.

– Nunca falei que era. – As duas riram. Mesma cara de pau de sempre. – E você... Qual o grande acontecimento de Londres?

– Tirando que conheci meus pais biológicos... Nenhum.

– Você conheceu seus pais biológicos? – Jane perguntou surpresa. Desde que Maura tinha contado que era adotada soube que um dos maiores sonhos da ex-namorada era conhecer os pais biológicos. – Que ótimo, Maura!

– Bom...

– Não é ótimo?

– Ótimo de tê-los finalmente conhecido porque assim pude parar de me perguntar como eles são, mas... Conhece Paddy Doyle?

– Claro! Grande mafioso. Trabalhamos em alguns casos dele, mas o cara sumiu do mapa e... – Jane fez uma pausa. – Você não está dizendo que seu pai é o Paddy Doyle? – Maura fez um afirmativo com a cabeça. – Como...? Meu Deus, Maura! – A loira mandou um meio sorriso para Jane, pois é, se estava difícil para a ex-namorada acreditar, imagine para ela na época. – E sua mãe?

– Ela não quis saber de mim. – Jane a encarou com um olhar doce, percebeu que mesmo que a ex-namorada tentasse levar tudo em uma boa, parecia que ainda era chateada com toda essa história. – Mas depois ela quis saber de mim, mas só por causa do meu rim, por que a filha dela, minha meia-irmã, precisava dele.

– Ela ainda está na fila de transplante?

– Quem?

– Sua meia-irmã?

– Não. Por quê?

– Não vai me dizer que você doou seu rim, Maura?

– Claro que eu doei! – Respondeu em tom de indignação. – Que tipo de pessoa você pensa que eu sou? Não podia deixar minha meia-irmã morrer.

– Tanta coisa que você ainda tem que aprender. Você não pode sair doando seus órgãos pra essas pessoas que não querem saber de você, senão daqui a pouco ela vai ta pegando seus órgãos para fazer tráfico. Pai mafioso e mãe Papa Rim traficante de órfãos. Constance e Richard não são tão ruins assim.

Mais risos por parte das duas. Na realidade se pudesse descrever o jantar ele poderia ser descrito só com “risos” porque as duas não lembravam qual foi a última vez que tinham rido tanto assim. Foi um ótimo e agradável jantar.

Com o fim do jantar foram até a casa de Angela pegar o TJ e curiosamente Constance não estava mais lá, se é que ela tinha chegado a ir, porque quando foram deixar o bebê ela também ainda não tinha chego, na cabeça de Jane isso era tudo um plano de Angela e Constance para que ela e Maura tivessem um momento juntas, já que a ideia do restaurante tinha partido de sua mãe, mas quando questionou Angela disso, obviamente que ela disse que era coisa da cabeça de Jane e que ela só queria passar algum tempo com TJ e uma antiga amiga, só isso.

– TJ dormindo como se fosse um bebê normal. – Jane disse chegando a cozinha.

– Mas ele é um bebê normal. – Maura se serviu de uma taça de vinho. – Quer?

– O vinho do restaurante não era tão bom quanto os que você está acostumada a tomar? – Jane se encostou na bancada da cozinha. Maura estava do outro lado.

– Claro que era! Mas quase não o tomei, a conversa estava tão agradável que esqueci.

– Vou ter que concordar... A conversa estava realmente agradável, tanto que eu vou te fazer uma pergunta.

– Que pergunta? – A loira perguntou curiosa após bebericar um pouco de seu vinho.

– Se você não me conhecesse e tivesse me conhecendo agora com o jantar que tivemos... Você me daria uma chance?

Pega de surpresa com a pergunta, Maura tomou mais um gole de seu vinho e percebendo que a pergunta de Jane era realmente séria ela soltou um riso de nervoso. O que ela ia responder?

– Que pergunta é essa Jane?

– Só uma pergunta.

– Talvez eu daria. – Um sorriso de canto de rosto foi aberto por Jane. – Mas como eu te conheço há 17 anos, claro que isso não se aplica.

– Você não me conhece há 17 anos, você me conheceu há 17 anos. Sou uma pessoa diferente agora.

– Não, não é. Eu não me apaixonaria por você de novo.

Um silêncio se fez. Não porque não tinha nada a ser dito, mas sim porque tinha que ser pensado o que iria ser dito para que nenhuma besteira saísse, especialmente da boca de Jane, mas se ela queria colocar o que tinha pensado em pratica ela iria precisar dizer de alguma forma o que ela sabia.

– Eu sei, Maura. Eu ouvi você falando com o TJ. – A legista a encarou confusa, mas logo se deu conta ao que ela se referia. – Eu sei que você ainda é apaixonada por mim.

– Certo. – Ela pousou a taça na bancada. – Está esperando o que para dizer que você avisou? – O tom era rude, para a surpresa de Jane. — Que eu não deveria ter terminado com você... Eu sou uma idiota, eu sei.

– Não, você não é uma idiota. Porque eu também sou apaixonada por você e acho que deveríamos tentar de novo.

– Tentar de novo? – Maura soltou um riso incrédulo e deu a volta no balcão parando de frente para Jane. – Não Jane, não deveríamos tentar de novo, porque você continua a mesma pessoa que disse que eu não merecia me apaixonar por você, que você merecia alguém melhor!

– Mas eu não estou te dizendo isso agora, porque eu mudei. Eu não sou mais aquela garota, Maura!

– Sério Jane? Estamos há dois meses convivendo juntas e eu não vi essa sua mudança. – Fez um negativo com a cabeça. – A noite foi agradável demais para ser verdade.

Maura ia sair andando e subir para seu quarto. Estava irritada, não uma irritação de que poderia sair tacando uma garrafa de vinho na cabeça de Jane, mas sim uma irritação normal, com a situação, com Jane e até mesmo com ela, mas seus planos de subir para o quarto foram interrompidos com Jane segurando em seu braço e fazendo com que ela se virasse e ficasse frente a frente com a ex-namorada.

– Olha... Você não pode me chamar para jantar dizendo que não é um encontro e depois dizer que ouviu minha conversa com o TJ de eu ser apaixonada por você e me dizer que você ainda é apaixonada por mim. Isso não é certo, você não tem esse direito...

Se contasse ninguém acreditaria, mas há 17 anos era Maura que calava Jane com um beijo por que a morena tinha destrambelhado a falar e o assunto era o mesmo: “Tentar”. Mas dessa vez foi a vez de Jane de calar a ex-namorada com um beijo.

O primeiro beijo depois de anos. O primeiro beijo com gosto realmente de primeiro beijo. O beijo que por muitas noites depois de separadas elas lembravam que estavam dando. Era estranhamente maravilhoso como o beijo tinha ainda o mesmo gosto, como causava as mesmas sensações, como era viciante a ponto de não quererem parar de se beijar jamais.

De começo Jane pensou que não seria correspondida e que ainda levaria um tapa na cara já que tinha virado moda, mas diferente do que pensou Maura correspondeu e em questão de segundos o beijo foi aprofundado. O beijo era suave, mas ao mesmo tempo urgente, não entendiam como tinham conseguido ficar tanto tempo sem se beijaram, pareciam que depois de muito tempo em reabilitação tinha voltado para o vicio, mas esse vicio era bom, era maravilhoso, mas Maura percebeu que não podia entrar nele novamente, então antes mesmo do ar ser necessário, ela deu um leve empurrão em Jane.

– Jane...

– Eu sou alguém por quem você pode se apaixonar, Maur...

A voz mais rouca que o habitual, baixa, lhe chamando pelo apelido que ela não ouvia há anos fez com que o coração de Maura batesse mais acelerado do que já estava batendo no momento, fez com que suas pernas fraquejassem e quando percebeu sua boca já tinha ido de encontro novamente com a boca de Jane, mas dessa vez ela não tinha a intenção nenhuma de parar.

Notas finais
*com a mão no bolso, olhando pro alto e assobiando*

Até o próximo capítulo =)