Rizzoli And Isles - Life As We Know It
7 Capítulo 7 - Eu não sou casada!
Notas iniciais
Ótima leitura!
Jane Rizzoli tinha uma única regra para seus relacionamentos: Não se relacionar. Não romanticamente. Ela conhecia a mulher, a chamava para sair e se tudo corresse bem os beijos rolavam até ela estar em sua cama. Com algumas mulheres ela era sincera dizendo que não ia ligar que foi algo de uma única noite, para outras pra não ter que aguentar a cara de cachorro abandonado ela dizia que ia ligar, mas claro que nunca ligava e para poucas, bem poucas mesmo ela dizia que ia ligar, ligava, marcava um segundo encontro, torcia para que fosse tão bom quanto o primeiro e se fosse... Novamente os beijos e a mulher em sua cama, mas era óbvio que essa terceira opção só acontecia uma vez a cada cem anos, então...
Algo que Jane também zelava era sua boa reputação. Sabia que era uma galinha, que era uma cafajeste, que era mal falada e que tinha irritado dezenas de mulheres no decorrer de todos esses anos em toda Boston e arredores, mas não era essa reputação pela qual ela se preocupava. Quando Jane está com uma mulher ela quer passar uma ótima impressão e quer que a mulher goste dela, desde o momento que vê que não levou bolo no encontro até o momento que ela vai embora pela manhã. Gosta de ver o sorriso das mulheres ao deixarem seu apartamento, pois isso lhe da a certeza que ela foi maravilhosamente bem a noite inteira e que vai ser muito bem falada, até a mulher descobrir que ela não vai ligar e começar a odiá-la para todo o sempre e ás vezes lhe dar até um tapa na cara quando a encontra no mercado.
Mas esses dias de glória estavam ameaçados...
Seu celular tocava incansavelmente. Se ela não tivesse suspensa não reclamaria de seu celular tocando atrapalhando seu resto de noite de sono após fazer sexo com mais uma das mulheres que ela não ligaria, mas ela estava suspensa, não era um novo homicídio e ela sabia muito bem quem era porque essas ligações no meio da noite já tinham virado rotina.
- Alô.
- Jane onde você está?
Aquela voz. Sempre que recebia uma ligação de Maura de madrugada ela queria dar seu celular para a legista comer, porque ela sabia sempre como ligar nas piores horas.
- Onde eu estou?
- É Jane... Onde você está? Não tínhamos feito um acordo sobre revezar as noites para acordar e cuidar do TJ? Assim nós duas não ficamos cansadas o dia inteiro?
- Sim, eu me lembro disso. Hoje não é sua vez? TJ está bem ou deu uma de suas crises de choro de novo?
- Não, ele não deu nenhuma crise de choro. Eu só estou te lembrando Jane, porque eu tenho certeza que se fosse minha vez de acordar de madrugada e eu não estivesse em casa você ficaria brava.
- Tudo bem, Maura. Eu já entendi. Já estou indo para casa.
Assim que Jane desligou o celular viu a mulher com que tinha passado a noite caminhar até a porta, já vestida e carregando o salto alto na mão com uma expressão de raiva.
- Você poderia ter me dito que era casada! – A mulher disse furiosa antes de deixar o quarto.
- Mas eu... – Jane levantou da cama com a intenção de ir atrás da mulher, mas ouviu a porta do apartamento batendo. – Eu não sou casada! – Voltou a sentar na cama. Isso não estava certo.
***
Já fazia algum tempo que a garota sentada sozinha em uma das mesas do bar olhava para Jane. A morena já tinha percebido, mas depois da última garota que tinha ficado não ter 21 anos ela tentava de alguma forma descobrir só olhando para a garota se ela tinha pelo menos a ideia mínima para estar em um bar bebendo, mas ela tentava só por cinco minutos até cair em si e se dar conta que olhando para uma garota bonita jamais iria conseguir saber a idade dela e assim levantou a garrafa em direção da garota simulando um brinde, fazendo com que ela sorrisse e caminhasse até o balcão para provavelmente Jane lhe pagar uma cerveja.
- Jade. – Estendeu a mão para Jane que prontamente a cumprimentou.
- Jade... – Disse com seu sorriso que fazia com que as garotas se derretessem. Ainda não entendia qual era o charme do sorriso, algumas diziam que eram as covinhas, mas o que importava era que seu sorriso sempre funcionava. Fez sinal para que o rapaz do balcão trouxesse uma cerveja para a garota. – Então...
Jane poderia começar um assunto que provavelmente faria com que ela ganhasse a garota e a levasse para seu apartamento, mas foi impedida de começar com seu momento “conquista” porque seu celular começou a tocar. Com um sorriso sem graça ela pediu desculpas e atendeu ao celular.
- Por que o TJ está na casa da sua mãe? – Uma Maura completamente irritada perguntou do outro lado da linha. – Cadê você Jane?
- Eu sai para resolver alguns assuntos importantes.
- Queria tanto que você tivesse crise de urticárias assim como eu cada vez que você mentisse.
- Eu não estou mentindo!
- Ah por “assuntos importantes” você quer dizer fazer sexo com alguma mulher...
- Eu não disse isso.
- Não precisa, eu te conheço. Só acho errado você pedir para sua mãe cuidar do TJ enquanto você está resolvendo seus “assuntos importantes”.
- Como você sabe que eu pedi para minha mãe cuidar do TJ? – Antes que Maura pudesse responder ela mesma encontrou a resposta. – Ela te ligou, não ligou?
- Ligou... Pode sair da onde quer que você esteja, pegue o TJ na sua mãe e venha para casa, precisamos ter uma pequena conversa.
- Eu vou pegar o TJ na minha mãe, vou para casa, mas não vou ter conversa nenhuma com você Maura. Já estou cansada de conversar com você.
E antes que Maura pudesse dizer qualquer coisa Jane já havia desligado o celular. Por ingenuidade – que ela nem possuía – pensou que poderia pelo menos pegar o número do celular da garota para marcar alguma coisa depois, mas assim que desligou o celular e voltou sua atenção para Jade foi surpreendida com os cinco dedos da garota em sua cara.
- Qual o problema de vocês? – A garota pergunta nervosa. – Não sou o tipo de garota que toma cerveja paga por mulher casada e que tem filho ainda por cima!
- Mas eu... – Ia levantar para ir atrás da garota que tinha acabado de deixar o balcão, mas seu rosto ardia. Levou a mão até o rosto. – Eu não sou casada. – Passou a mão no rosto fazendo uma leve massagem. – Essas garotas de hoje em dia tem a mão muito pesada. Eu hem.
***
Jane nunca foi fã de animais. Mas depois que Korsak lhe deu a Jo Friday ela até que mudou sua maneira de pensar, não que ela fosse lotar seu apartamento de animais praticamente formando um zoológico, mas ela aprendeu que ter um bicho de estimação tem seu charme, ainda mais quando esse bicho de estimação é uma cachorra porque é difícil encontrar alguém que não goste de cachorros e Jane descobriu isso da melhor maneira: Levando Jo Friday para passear. Descobriu que a cachorra ficava feliz com os passeios matinais e noturnos e em consequência Jane também ficava feliz porque normalmente era desses passeios que saiam seus melhores encontros, mas...
- Você é nova por aqui, não é?
Perguntou uma mulher. Aparentava ser um pouco mais nova que Jane só. Branca, cabelos castanhos claros com uma franja de lado e um cachorro da mesma raça de Jo Friday.
- Me mudei tem pouco tempo. – Respondeu com um sorriso de canto de rosto deixando suas covinhas a amostra fazendo com que a mulher sorrisse. – Ainda tentando me acostumar com o bairro.
- Você se acostuma rápido. É um ótimo bairro. Sou Emanuelle. – Estendeu a mão para Jane que prontamente a cumprimentou. – Mas pode me chamar de Manu.
- Manu então. – Continuou com o mesmo sorriso. – Sou Jane. – A mulher aumento seu sorriso. Como já era acostumada a usar essa “estratégia de conquista” Jane mudou sua atenção da moça para os cachorros. – Acho que minha cachorra gostou do seu cachorro...
- Espero que sua cachorra não seja comprometida, porque sabe... Não quero machucar o coração do meu bebê, ele já se machucou demais da última vez.
- Termino difícil dele?
- Com toda certeza. Ele foi traído pela esposa. Não consigo entender como as cachorras podem fazer isso com alguém.
- Eu também não consigo entender, mas pode ficar despreocupada, por que Jo Friday não tem compromisso nenhum e nem a dona dela. – Jane mandou um sorriso sacana para Emanuelle, mas o sorriso era tão irresistível e parecia tão inocente que nem dava para perceber que era um sorriso sacana. A moça sorriu de volta, envergonhada. – Talvez possamos trocar telefones, para você sabe... Nossos bebês conversarem já que eles se gostaram tanto.
- Eu acho uma ótima ideia.
Jane tirou seu celular do bolso e quando estava se preparando para anotar o número do celular de Manu o seu celular começou a tocar. Com um sorriso sem graça pediu licença e atendeu ao celular.
- Jane pode me fazer um favor?
- O que Maura?
- Pode passar na farmácia e comprar a pomada de assadura do TJ?
- Pensei que tinha uma guardada e que íamos comprar mais quando fossemos fazer compras.
- Eu também pensei, mas não tem. E também traga um pacote de fraldas porque as que tem aqui também estão acabando.
- Ao Invés de fazermos compras mais tarde porque não fazemos agora? Eu vou para casa e vamos ao supermercado, porque não são só as coisas do TJ que estão acabando, minha cerveja acabou ontem e assim você para de me ligar a cada cinco minutos pedindo para comprar algo.
- Eu não te ligo a cada cinco minutos.
- Liga sim. Até daqui a pouco Maura.
Parecia que Jane ainda não tinha aprendido a regra do “não atenda o celular parecendo que você está falando com sua esposa quando você está prestes a conseguir um encontro com alguém” por que assim que ela desligou o celular teve que encarar uma Emanauelle muito irritada.
- Não tem nenhum compromisso não é?
- Não, não é nada disso que você está pensando, ela...
- Você deveria ter vergonha! Você é casada e tem um filho! – Puxou o cachorro pela coleira para que ele saísse de perto de Jo Friday. – Vamos Doug!
- Manu, espera! Ela não é minha... – Não ia adiantar tentar mudar as coisas, a mulher já tinha atravessado para a outra calçada. Pelo menos não tinha levado um tapa na cara. – Já te disse hoje que se Tommy não estivesse morto eu mataria ele Jo? – Recebeu um latido em resposta da cachorra. – Então... – Começou a andar fazendo com que a cachorra acompanhasse seus passos. – Vamos para casa porque eu tenho compras a fazer.
E foi assim que Jane Rizzoli descobriu que ia começar a ficar mal falada, não porque diz que vai ligar e não liga, mas sim porque Maura ligava para ela nos momentos mais inconvenientes fazendo com que assim as mulheres achassem que ela fosse casada e ainda tivesse um filho e pelo visto, para as mulheres, alguém que trai é pior do que alguém que diz que vai ligar e não liga.
- Está tudo bem Jane?
Maura já tinha percebido que fazia alguns dias que tinha alguma coisa incomodando Jane. Mas não conseguia dizer o que era. A morena às vezes parecia muito irritada, mas por incrível que parecesse não estourava com ela.
Estava completando 2 meses e 10 dias que elas tinham passado a viver juntas. E diferente dos primeiros dias a convivência até que estava sendo boa. Jane e Maura tinham ótimos momentos quando estavam juntas em casa, ás vezes a convivência lembrava um pouco de quando elas namoravam por causa das brigas por nada e a única diferença era que acabava em risadas ao invés de beijo e sexo e algumas vezes tinham as brigas que elas só se entendiam no outro dia, mas nada demais. Maura poderia ter declarado para TJ que ainda era apaixonada por Jane, mas em nenhum momento deixou isso transparecer e deixar com que a relação que elas vinham montando durante esses dois meses ficasse estranha.
- Está tudo ótimo, Maura! – A morena bateu com a porta do armário assustando a legista e TJ que estava sentado na cadeirinha até então comendo, mas com o susto começou a chorar.
Tirando o fato de Maura atrapalhar todos os seus encontros ou possíveis encontros, Jane não tinha o que reclamar, estavam mesmo tendo uma ótima convivência. A loira era ótima com TJ e elas faziam um ótimo trabalho tomando conta dele. Mas Jane estava irritada com Maura a atrapalhando sempre, sabia que provavelmente não era culpa da loira de ligar nas horas mais inapropriadas, porque a maioria das vezes ela estava errada e isso era quase implorar uma ligação da ex-namorada, mas mesmo assim estava irritada, não queria explodir, mas já estava no limite.
- Jane! – Maura disse em tom de repreensão pegando TJ no colo para acalmá-lo. – O que aconteceu?
- VOCÊ ACONTECEU MAURA! – Finalmente, depois de dias guardando, Jane explodiu. Maura a olhou assustada, não fazia ideia do que ela estava falando. – Só essa semana você conseguiu acabar com sete encontros meu Maura, sete!
- Sete encontros? Hoje ainda é quarta-feira, Jane!
- Para você ver como anda a minha situação.
- Mas eu ainda não entendi o que eu tenho a ver com isso.
- Não? – Soltou um riso de indignação. – Você me liga o tempo inteiro! As mulheres pensam que eu sou casada quando estou conversando com você e ninguém acredita quando eu falo que não sou! Não sei como elas conseguem pensar que eu sou esse tipo de mulher que trairia a esposa que acabou de ter um filho. – Maura encarou Jane com um olhar cínico, como se dissesse com a ironia máxima “nossa, quem seria capaz de pensar uma coisa dessas de você, não é verdade?” olhar que Jane entendeu muito bem e mandou um sorriso debochado para ela. – Já não casei e tive filhos por isso!
- Me desculpa, mas eu não te ligo de propósito, e não tem como eu adivinhar que você está com alguém quando eu for ligar. E como você consegue fazer com que pensem que somos casadas? Você atende ao celular na frente delas?
Jane poderia responder o óbvio e dizer que sim, mas isso ia soar realmente idiota, mais idiota do que já era por ela sempre atender ao telefone fazendo com que as mulheres com quem ela saia pensasse que ela é casada e com toda certeza Maura iria rir de sua cara, porque ela tinha toda essa pinta de mulher pegadora e não sabia nem disfarçar um telefonema, aliás, não conseguia fazer com que as mulheres mesmo que ouvisse sua ligação não deduzissem que ela é casada já que não tinha nada para disfarçar, ela não era alguém que traia a esposa que tinha acabado de ter um filho, porque ela não tinha esposa e muito menos um filho, então...
- Você não está atrasada para o seu compromisso não? – Resolveu por fugir da pergunta, não conseguia pensar em nada menos idiota para responder do que a verdade. – E não se preocupe que eu não vou me vingar estragando seu compromisso fazendo com que pense que somos casadas.
- Como eu não estou indo para um compromisso romântico, não vai ter nada para estragar. – Deu o TJ para Jane segurar. – E mesmo se estivesse indo... Acredito que não faria com que a pessoa pensasse que somos casadas. – Mandou um sorriso de deboche para Jane. – Tem certeza que não tem problema você passar a tarde com ele?
- Desde quando eu vejo problema em passar o dia com você, hem TJ? – Jane ergueu o menino e lhe deu um beijo na bochecha. – Pode ir para seu compromisso não romântico em paz, vamos ficar bem.
- Okay então. – Maura deu um beijo na bochecha de TJ. – Qualquer coisa pode me ligar, não vai atrapalhar.
Jane respondeu com um sorriso cínico enquanto acompanhava com os olhos a legista deixando a cozinha.
- Estamos convivendo há dois meses com ela e você ainda não sujou uma roupa de grife dela. – Jane colocou TJ no carrinho. – Você não está se saindo um bom sobrinho. – Em resposta ganhou uma risada do sobrinho mostrando toda a boca banguela que ele tinha. – Eu sei que você gosta dela, quem não gosta? Mas está errado isso, muito errado.
***
Realmente o compromisso de Maura não tinha nada de romântico, pelo contrário, era um compromisso familiar, mais especificamente um almoço com a sua mãe, não sabia bem ao certo porque não tinha dito a Jane, talvez por pensar que não devia satisfação da sua vida para a morena, nada sério, mas mesmo assim não disse, só falou que tinha um compromisso, mesmo porque não fazia ideia do que poderia sair daquele almoço, então era melhor não comentar nada.
Assim que chegou ao restaurante e foi avistada pela mãe, Constance não deixou de se levantar da mesa e abraçar a filha. Mesmo que elas não se vissem com frequência por Maura morar em Londres e Constance continuar em Boston e ainda ter várias viagens devido as suas exposições elas tinham uma ótima relação, algo que querendo ou não tinham que agradecer a Jane, mas isso é assunto futuro.
- Cadê ele? – Constance perguntou assim que se separou do abraço e perceber que a filha estava sozinha.
- Ele quem?
- TJ.
- Ah... – Maura se sentou e Constance acompanhou a filha sentando em frente dela. – Achei melhor não trazê-lo.
- Por quê? Eu queria conhecê-lo.
- Você vai conhecê-lo mãe, mas queria saber se o seu “eu entendo” ao telefone era porque você me entende mesmo ou só porque queria marcar um almoço e me dar um sermão por eu ter largado Londres e aceitado cuidar do bebê da Lydia.
- Pelo que eu saiba você já estava largando Londres, Maura. Eu até comprei a casa que você escolheu. E eu não acho ruim você ter aceitado cuidar do filho da Lydia porque ou você cuidava dele ou ele iria para adoção, sem necessidade já que ele tem família, mas pena que a família dele é a da Jane.
- Pelo que eu saiba você gostava da família Rizzoli.
- Não tenho nada contra Angela e Frankie, meu problema é com a Jane e eu sei que é o seu também.
- Eu não tenho nenhum problema com a Jane, mãe. Estamos bem, estamos convivendo civilizadamente como duas adultas que tem que viver na mesma casa.
- Oh você não tem problema nenhuma com a Jane? – Maura assentiu. – Quer dizer que você não a ama mais? Que já a superou?
- Eu não disse isso. — Bem que Maura soube que assim que recebeu o telefonema da mãe marcando o almoço que ela não deveria ter aceitado... – Eu disse que estamos convivendo civilizadamente, para o bem do TJ.
- Maura...
- Mãe, não se preocupe, está tudo bem, não é como se eu e Jane fossemos ficar juntas novamente só porque temos que viver na mesma casa. Já se passaram dezessete anos.
- E mesmo assim você ainda não a esqueceu...
- Eu fiquei pensando mãe... Talvez eu não tenha superado a Jane ainda porque eu fui embora e nunca mais voltei, fiquei imaginando que ela podia estar diferente, que ela havia amadurecido...
- Mas pelo que você me disse ela continua a mesma de sempre. A mesma Jane Rizzoli por quem você se apaixonou há dezessete anos. – Maura soltou um suspiro. Independente do que ela falasse não ia sumir com o fato de que ela ainda tinha sentimentos por Jane e isso só ficava mais forte a cada dia de convivência com a morena. – Maura eu só não quero que você saia machucada de novo, você sofreu demais quando Jane te traiu, foi para Londres, passou as férias inteiras trancada no seu apartamento e só voltou a ser você mesma quando esbarrou com Lydia no Campus.
- Por isso que eu estou vivendo na mesma casa com a Jane, mãe. Pela Lydia, porque ela confiou a guarda do TJ a mim. Eu não vou deixar com que Jane me magoe de novo, eu não vou voltar com ela.
Constance via que a filha pelo menos tentava acreditar em tudo que dizia e que mesmo ainda sendo apaixonada por Jane, como ela sabia que a filha era já que Maura não fez questão nenhuma de negar, ela não era mais uma adolescente, não seria meia dúzia de palavras bonitas saindo da boca de Jane que faria com que Maura voltasse com ela, mas também não gostava de saber que a filha tinha que brigar com seus sentimentos para não transparecê-los para Jane e a morena ter a certeza que a legista ainda era apaixonada por ela, mal sabia ela... Resolveu mudar de assunto, sabia que por mais que falasse, por mais que tentasse aconselhar nada mudaria e no final das contas a última palavra, a decisão final sempre seria de Maura.
- Seu pai ficou muito feliz quando eu disse que você estava cuidando do TJ. Está ansioso para conhecer o neto.
- Quando falar com papai de novo diz que TJ não é neto dele, porque ele não é meu filho.
- Você está criando ele, Maura! Ele pode não ser um Isles, mas vai ter a criação de um.
- Não, não vai. Quando acabar esse um ano eu não vou querer entrar em briga com a Jane, eu vou dar a guarda dele para ela e só vou combinar visitas, porque não quero sair da vida do TJ, mas ela é a tia, ela tem o direito.
- Tudo bem, Maura. – Constance disse em tom de tédio. — Mas quando vamos conhecê-lo?
- Pode ser no domingo. Angela ainda faz o domingo do nhoque dela, vocês podem ir almoçar conosco.
- Eu não acho que seja uma boa ideia.
- Por que não? Você e Angela não tiveram contato nenhum durante todos esses anos? – Constance fez um negativo com a cabeça. – Eu falo sério, mãe.
- Eu também. Decidi não ver mais a Angela, porque vê-la significava que eu podia encontrar a Jane qualquer hora e se eu encontrasse eu poderia perder minha classe.
Maura mandou um olhar surpreso para mãe devida aquela revelação e em seguida soltou um riso. Definitivamente sua relação com Constance tinha melhorado e muito desde que Jane tinha entrado na vida dela e mesmo depois que saiu essa relação só se fortaleceu e agora que estava de volta a Boston seria legal ter a mãe por perto, talvez fosse precisar quando não conseguisse mais lidar com tudo que – ainda- sentia por Jane.
***
- Espera... – Frost disse após ouvir tudo que Jane disse. – Por que você está brava com a Maura mesmo?
Depois que Maura saiu para o seu compromisso a morena sabia que precisava conversar com alguém que não fosse TJ. Pensou primeiramente em sua mãe, mas sabia que Angela ia encontrar um jeito de ficar do lado de Maura e ela não queria isso, queria alguém que ficasse do seu lado, então a opção melhor era conversar com Frost, Korsak e Frankie, mas parecia que a conversa não estava saindo com ela esperava.
- Por que ela fica agindo como se fosse minha esposa. Liga a cada cinco minutos! Sabe sexto sentindo? Você deve ter sofrido com isso Korsak... Você devia dizer para suas mulheres que ia ficar até mais tarde no trabalho, mas ia beber e elas ligavam e descobriam que você mentiu.
- Na verdade não. Elas sempre sabiam que eu estava indo para o bar, então nunca me ligavam.
Jane bufou. Era melhor continuar conversando com TJ, pelo menos ele não falava e assim poupava seus ouvidos de escutar coisas idiotas.
- Sabe o que eu acho? – Frankie disse fazendo com que os três o encarassem. – Que você ainda gosta da Maura, que queria que ela te tratasse mesmo como esposa dela e por isso você fica atendendo essas ligações dela na frente das mulheres fazendo com que elas pensem que você é casada e tem um filho, porque você quer a Maura, mas ela não quer saber de você, por que você a traiu.
Korsak e Frost encararam Frankie surpresos. Tinham conversado algumas vezes sobre alguém dizer para Jane que ela ainda gostava da Maura e que era para ela parar de fazer a ressentida, mas não imaginaram que o irmão da morena ia mesmo ter a coragem de dizer e sem nem citar o nome de nenhum dos dois como as cabeças pensantes de tudo que ele disse. Estava esperando por um esporro de Jane, mas o que ganharam foi um riso cínico.
- Maura ainda é apaixonada por mim se vocês querem saber. – Os três a encararam com um olhar de “não acredito”. – É verdade! Ela disse para o TJ. E o que me da mais raiva é que ela disse para o TJ e não disse para mim, então ela fica agindo como essa esposa possessiva que fica me ligando 24 horas por dia e querendo ou não eu gosto disso, porque eu ainda sou completamente apaixonada por essa mulher, mas não devia, porque ela foi embora, me deixou aqui, não deu porcaria de noticia nenhuma durante dezessete anos e eu pensei que já tinha a superado, mas não, foi tudo coisa da minha cabeça, por que só foi eu ouvir ela dizendo pro meu sobrinho que eu era a mesma idiota de sempre e que ela ainda estava apaixonada por mim que os meus sentimentos por ela saíram e eu não sei lidar com isso, porque eu não vou me declarar e eu também não vou jogar na cara dela que eu sei que ela é apaixonada por mim, eu bem que queria, mas o psicólogo disse para eu não fazer isso e...
Os três encaravam Jane boquiabertos. Nunca imaginaram na vida que viriam Jane falando sem parar daquele jeito e ainda abrindo todo seu coração. Não era segredo para ninguém que a morena ainda era completamente apaixonada por Maura, ela poderia negar o quanto quisesse, mas eles sabiam. Ao perceber que os rapazes a olhavam sem dizer uma palavra e com uma expressão perplexa ela parou de falar.
- O que foi? – Perguntou incomodada com o olhar dos três.
- Você fala sobre sua paixão por Maura com o psicólogo que era pra você conversar sobre o ocorrido que te deixou suspensa? – Perguntou Frost. Foi a única pergunta que ele conseguiu formular depois de todo aquele desabafo de Jane.
- Eu não falo... – Disse em tom de tédio fazendo careta. — Ele que toca no assunto.
- Se você sabe que a Maura ainda é apaixonada por você e você ainda é apaixonada pela Maura, por que vocês não tentam resolver as coisas? – Perguntou Korsak. – E quando eu digo resolver não é você jogando na cara dela que você avisou que ela nunca ia conseguir te esquecer.
- Você anda conversando com meu psicólogo? Por que ele me disse a mesma coisa.
- Talvez porque seja o certo a se fazer. – Disse Frankie.
Conseguiram deixar Jane pensativa. Não que ela já não estivesse antes desde que o psicólogo falou sobre ela tentar acertas as coisas com Maura quando ela finalmente soltou – sem querer- que ainda era apaixonada pela loira – não que ele não soubesse – mas pensar em acertar as coisas com Maura e agir para tentar acertar as coisas com Maura eram duas coisas completamente diferentes e ela não sabia se estava pronta para isso.
***
Com o fim do almoço com sua mãe, Maura ainda demorou um pouco para voltar para casa. Jane ainda não havia ligado, então deveria estar tudo bem com TJ. A verdade era que ela precisava ficar um pouco sozinha para pensar sobre tudo que conversou com sua mãe no almoço e com o tempo que passou pensando descobriu que ela só estava enganando a si própria. Não tinha dito o contrário para sua mãe quando Constance disse que ela ainda era apaixonada por Jane, porque era verdade, ela ainda era e TJ era a prova de sua confissão, mas estava se enganando sobre não voltar com a ex-namorada, uma parte de si queria pelo menos uma segunda chance com a morena, mas ela não podia pedir por isso, primeiro porque se contasse sobre seus sentimentos para Jane era capaz da detetive jogar na cara dela que tinha a avisado e depois Jane continuava a mesma de sempre, se elas voltassem em uma piscada que Maura desse ia encontrar uma mulher dormindo com Jane, não ia arriscar passar por esse sofrimento de novo. A Jane atual podia ser a Jane de dezessete anos, a Jane cafajeste por quem ela se apaixonou e sabia que não deveria ter se apaixonado, mas mesmo assim se apaixonou, porque acreditava em uma mudança da morena, mas infelizmente essa mudança não aconteceu, nem quando elas namoravam e nem dezessete anos depois, não ia tentar uma segunda chance para acabar como da primeira vez.
Ao chegar em casa não deixou de abrir um imenso sorriso ao entrar na sala e presenciar uma das cenas mais fofas de sua vida: Jane deitada no chão da sala com TJ deitado de bruços em seu peito, os dois dormiam. Se fosse outra pessoa que ela visse naquela posição possivelmente perguntaria o que a pessoa estava fazendo deitada ali, mas não com Jane, porque já tinha visto aquela cena inúmeras vezes, mas não atualmente, não com a morena tendo um bebê deitado em sua barriga, mas já tinha visto e isso sempre lhe proporcionou ótimos momentos.
Depois do beijo naquela sexta-feira, Jane e Maura não tinham mais conversado. Não por que a morena era uma sem vergonha que só se aproximou de Maura esse tempo todo para beijá-la e depois que conseguiu o que queria a deixou de lado e foi ficar com outras garotas. Tudo bem que isso era algo típico de Jane Rizzoli, mas não com a Maura, ela tinha realmente gostado de beijar a loira e curiosamente passou por pequenos segundos em sua cabeça que ela poderia viver o resto da sua vida só beijando a Maura, mas logo esse pensamento ia embora porque sabia que era errado pensar desse jeito já que estaria alimentando sua paixão por Maura, mas estava lhe incomodando o gelo que a loira estava dando.
Na segunda-feira a loira sentou bem longe de Jane e óbvio que todos perceberam. Jane tentou conversar diversas vezes com Maura, não só na segunda-feira como pelo resto da semana, mas ela sempre desconversava ou simplesmente saia andando deixando Jane falando sozinha. Era por esse motivo que Jane não gostava de ficar com héteros ou pelo menos as que diziam que eram, mas tinham curiosidade de ficar com uma garota e depois que ficavam a ignoravam eternamente, não que ela se importasse, mas com Maura ela se importava, mas depois de passar a semana inteira tentando conversar sobre o que aconteceu resolveu dar um tempo para a loira.
O beijo tinha sido o melhor de sua vida, nenhum garoto que Maura tinha beijado na vida tinha feito ela se sentir como se sentiu quando beijou Jane, queria repetir o beijo, pelo resto de sua vida, mas depois que o beijo se encerrou e ela entrou em casa ficou pensando nas palavras de Jane sobre se apaixonar por ela, porque ela já estava apaixonada pela morena, só que não sabia como lidar com aquilo. Não podia contar para Jane porque ela tinha feito algumas “pesquisas” e descobriu que a morena era conhecida como destruidora de corações, mesmo que não desse esperança para as meninas com quem ela ficava a fila por garotas apaixonadas por Jane era extensa e agora ela entendia os olhos odiosas das garotas para cima dela na pista de dança na festa. Então Maura resolveu por ignorar Jane até resolver o que faria sobre o beijo, porque ela não queria estragar a amizade com Jane, mas não sabia se ia conseguir esconder muito bem sua paixão pela morena, estava tudo uma completa bagunça.
Quando o sábado chegou e Maura finalmente tinha conseguido colocar seus pensamentos em ordem ela foi até a casa de Jane e para sua surpresa assim que entrou na sala encontrou a morena deitada no chão bem ao lado do sofá, lendo um livro.
- O que você está fazendo?
Mesmo tendo ficado imensamente feliz ao ouvir a voz de Maura e saber que ela estava em sua casa e que finalmente tinha parado de ignorá-la, Jane não mudou sua posição, continuou com o livro em frente ao seu rosto e só limitou a responder:
- Lendo...
- Eu sei. Mas porque você está lendo deitada no chão?
- Se você não sabe o chão é um ótimo lugar para se pensar. – Respondeu ainda sem tirar a atenção do livro. – Ainda mais quando tenho que pensar e entender essa porcaria desse livro da aula de História.
- Eu disse que ia te ajudar.
- Eu sei... – Jane finalmente tirou sua atenção do livro o pousando em seu peito e encarando Maura. – Mas isso foi antes de você me ignorar a semana inteira.
Maura suspirou. Sabia que devia explicações, então era melhor começar a falar. Olhou para Jane por alguns segundos e viu que a morena tinha entendido que ela queria conversar, mas não fez menção de levantar do chão para que elas pudessem pelo menos sentar no sofá e conversarem, então mesmo sem saber qual foi a última vez que o carpete da sala foi limpo, ela se deitou ao lado da morena no chão.
- Me desculpa. – Maura disse olhando para cima, mas virou a cabeça para o lado e encontrou os olhos da morena lhe olhando, não sabia se era melhor continuar a dizer o que tinha a dizer olhando nos olhos de Jane, mas ia ter que prosseguir de qualquer forma. – Eu fiquei confusa depois do beijo, só isso, eu...
- Você descobriu que não gosta de beijar garotas, eu entendi Maura, já passei por isso várias vezes.
- O que? Não! Não é isso Jane. Eu gostei de te beijar, na realidade eu já pensava em te beijar fazia um tempo. – Os olhos de Jane agora lhe encaravam com curiosidade. – Mas eu não sabia se você queria me beijar, então... Mas eu gostei de te beijar, mas você disse todas aquelas coisas sobre não se apaixonar por você e... – Se calou e Jane entendeu muito bem o que ela quis dizer, mesmo não completando.
- Oh não, Maura... – Jane sentou e se encostou no sofá. – Você não... – Maura podia estar vendo errado, mas via medo nos olhos de Jane e não sabia se aquilo era uma coisa boa ou ruim. Sentou ao lado da morena. – Qual é Maura! Eu te avisei.
- Eu já estava apaixonada por você quando você me avisou, não podia fazer nada.
- Podia não ter feito com que eu te beijasse, porque tudo que eu disse era verdade.
- Eu não acredito.
- Não acredita no que?
- Que eu não mereço me apaixonar por você e que você nunca se apaixona e caso se apaixonasse me machucaria, eu te conheço Jane.
- Não Maura, você não me conhece.
- Bom... Então quero conhecer, hoje, ás 20 horas naquela lanchonete que costumamos ir.
- Maura...
Antes que Jane pudesse dizer alguma coisa foi surpreendida com Maura lhe dando um beijo e logo em seguida levantando e caminhando até a saída da sala.
- Nos vemos mais tarde.
Nunca na vida Jane Rizzoli ficou sem reação depois de receber um beijo de alguma garota, mas parecia que Maura tinha o poder de causar toda e qualquer tipo de reação nela e por mais assustador que fosse ela gostava, mesmo sabendo que não devia, mesmo sabendo que tinha que fazer com que Maura se desencantasse dela, mas ela não queria que isso acontecesse, porque caso contrário ela teria que fazer o mesmo.
Ao lembrar da expressão de Jane sem reação nenhuma após o beijo, Maura abriu um sorriso, mas não percebeu que sorria enquanto estava olhando para Jane deitada no chão e também não tinha percebido que a morena tinha acordado e que a encarava.
- Você não perde essa mania não é verdade?
Despertada de seus pensamentos e percebendo que Jane a encarava com um meio sorriso sacana no rosto fez questão de fazer seu sorriso desaparecer, mas não conseguiu fazer com que não ficasse corada de vergonha por saber que Jane tinha percebido que ela a encarava e ainda que estava com um sorriso idiota no rosto.
- Que mania?
- De ficar me olhando com um sorriso bobo enquanto eu estou dormindo no chão.
- Eu não estava te olhando com um sorriso bobo.
- Sério?
- Sério. Eu só estava lembrando de algo, só isso. E porque você está deitada no chão? Pensei que você só fizesse isso para pensar, mudou suas manias?
- Na realidade não. – A morena se sentou com cuidado no chão para não acordar o TJ. – Eu deitei aqui para pensar em algo... Como foi o almoço com a sua mãe?
- Como você sabe que eu fui almoçar com a minha mãe?
- Por que... – Jane se levantou do chão. – Minha mãe me ligou dizendo para as 19 horas deixarmos TJ lá na casa dela, porque ela e sua mãe vão jantar juntas e sua mãe quer conhecer o TJ já que hoje no almoço você não o levou para ela conhecê-lo.
- Desde quando nossas mães continuam amigas? Porque a minha disse que não via a sua faz tempo.
- Eu não sei e nem quero saber. – Jane colocou TJ no cercadinho. – Mas eu disse que deixaria ele lá, assim nós duas podemos sair para jantar.
- Jantar? – Maura fez uma expressão surpresa. – Quem disse que eu quero sair para jantar com você?
- Qual é Maura! Desde que você foi embora abriram vários restaurantes novos que você vai gostar de conhecer e depois desde que começamos a morar juntas não saímos mais para jantar fora.
- Você quer dizer que eu não saí para jantar fora não é? Porque você sai para jantar fora quase todo dia.
- Eu não saio para jantar fora, eu vou ao bar. – Maura ia abrir a boca para dizer algo, mas Jane não permitiu, sabia que iam começar a discutir sobre como ela conhece as mulheres com quem faz sexo ou pretende fazer. – E não estamos falando disso. Vamos Maura! Não é como se fosse um encontro é só um jantar, para espairecer, aproveitando que vamos estar sem o TJ por algumas horas. Só ficamos jantando em casa com você cozinhando, pedindo pizza ou eu fazendo meu macarrão, temos que mudar um pouco isso. Se você aceitar eu deixo você escolher o tipo de comida... O que você me diz?
Notas finais
Até o próximo capítulo ;)
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