Rizzoli And Isles - Life As We Know It
6 Capítulo 6 - A Garota da Festa
Notas iniciais
Capítulo dedicado a Carol, ela pode não ter Deus no coração, mas ela gosta de capítulos assim, aliás, espero que ela goste desse, enfim...
Ótima leitura!
Elas não tinham nada em comum, mas mesmo assim tinham se tornado inseparáveis e talvez por não terem nada em comum é que se davam tão bem.
Quando Jane entrou para essa escola ela tinha o intuito de duas coisas: Não ser expulsa e terminar o ensino médio, mas até que o bônus que tinha ganhado não era ruim, ter a companhia de Maura era algo que ela não contava, não imaginava e para início de conversa ela nem queria, mas depois da conversa sobre Shakespeare e Conto de Fadas tudo tinha se tornado tão natural que elas não serem amigas era algo até impossível.
Cada dia que Jane passava com Maura era uma descoberta nova e ela gostava disso, gostava mais ainda por saber que ela não tinha nada a ver com as patricinhas metidas que estudavam na mesma escola, ela podia ter a mania de falar sem parar, a famosa enciclopédia ambulante, mas Maura era adorável e tinha uma inocência que Jane achava a coisa mais maravilhosa que alguém podia ter na vida. Gostava de passar o tempo com ela, de como ela ria quando estavam juntas, gostava de como elas discutiam quando discordavam de algo, mas no final elas acabavam rindo e tudo ficava bem, gostava da forma em que Maura a olhava e ainda o jeito fofo em que Maura lidava com as coisas, porque ela sabia que a loira queria fazer mil e uma perguntas sobre sua vida, mas ela se limitava a perguntar só o que ela imaginava que Jane iria responder, o que Jane não via motivo, porque se sentia tão confortável ao lado de Maura que ela podia lhe perguntar o mundo e ela não ia pensar duas vezes em responder, mesmo ela sabendo que isso podia ser um problema, já que nunca tinha deixado nenhuma garota entrar assim em sua vida, tirando Elisabeth, sua melhor amiga.
Maura era outra que a cada dia aprendia mais sobre Jane, não pelo motivo da morena ser aquela que fala sem parar sobre sua vida, a primeira coisa que ela havia aprendido era que Jane não gostava de falar sobre sua vida, via como ela ficava desconfortável e para disfarçar o desconforto ela sempre respondia algo com sarcasmo ou uma piada que a maioria das vezes Maura não entendia, então ela procurava não fazer tantas perguntas, quando Jane tivesse vontade ela falaria e depois a loira não queria parecer aquelas garotas que querem saber tudo da vida dos outros, tinha medo de aborrecer Jane e acabar a perdendo.
Perder Jane...
Tinham poucas semanas que elas estavam estudando juntas, mas a morena já tinha se tornado parte de seu dia e ela estava feliz com isso, gostava da companhia de Jane, de como a morena a fazia rir, gostava das discussões que elas acabavam tendo por qualquer assunto e o que ela mais gostava era o fato de seu coração acelerar e ela ficar com um sorriso bobo cada vez que Jane se aproximava.
Maura vivia de explicações cientificas, mas pela primeira vez na vida, desde que conheceu Jane ela resolveu não levar essas explicações adiante, porque caso contrário teria que concordar que estava apaixonada pela única garota da escola que era legal com ela sem querer nada em troca, a única garota que resolveu ser sua amiga de verdade, então ela não arriscaria perder isso por algo que a ciência dizia que ela sentia.
Era sábado à noite. Depois de uma semana com Maura tentando convencer Jane a ficar em casa e comerem uma pizza, ela se via em frente a uma enorme casa, com o som estrondando. Seu poder de persuasão precisava ser trabalhado, porque mesmo ela não querendo, a noite da pizza não aconteceu e elas acabaram indo para a festa que Jane ficou dizendo a semana inteira.
Mesmo Jane não querendo estragar a inocência de Maura, ela queria que a amiga saísse mais, depois de tudo que já tinha ouvido da própria Maura, ela precisava sim deixar os livros um pouco de lado e ver outras pessoas e nada melhor do que ela ver suas pessoas, mesmo que elas não fossem as melhores do mundo, mas pelo menos imaginava que a loira iria se divertir, então ela recusou a noite da pizza e arrastou Maura até a festa.
– Quem é vivo sempre aparece!
Maura viu uma garota ruiva, da pele branca, mais ou menos da altura de Jane, tinha até um sorriso encantador, de olhos azuis, – sim, ela conseguiu reparar até na cor dos olhos – indo em direção de Jane e abraçá-la.
– Eu falei que eu ia aparecer. – Jane respondeu se separando do abraço. – Não falei?
– Vai saber Rizzoli... Você foi para essa escola de riquinhos, podia muito bem ter esquecido dos seus amigos pobres aqui. – Disse com um sorrisinho de canto de rosto e logo mudou sua atenção que estava em Jane para Maura. Olhou a loira de cima a baixo e alargou seu sorriso. – Você deve ser a famosa Maura.
A loira não sabia o que dizer. Estava tão acostumada com Jane e seus amigos da escola em que estudavam que tinha até esquecido que Jane vinha de outra escola e que consequentemente tinha feito amigos nela.
– Elisabeth. – Estendeu a mão para Maura e mesmo um pouco confusa, por assim dizer, ela cumprimentou a ruiva. – Mas como Jane me trocou e fez você como melhor amiga dela, pode me chamar de Beth.
A verdade era que Jane já havia citado algumas vezes seus amigos da(s) escola(s) antiga(s), mas nunca tinha dado nenhum nome específico, muito menos o de Elisabeth. Imaginava que ela tinha amigos, mas que não eram tão próximos, mas só de ver o abraço que Jane e Beth trocaram elas pareciam ser bem próximas.
– Tenho certeza que Jane não falou da minha existência para você porque ela tem vergonha de mim. – Mandou uma piscadela para Maura, seguido de um meio sorriso. – Não se preocupe, não fico ofendida com isso.
– Você é a maior vergonha da minha vida Beth. E eu não faço ideia por que estou aqui conversando com você, não quero ficar mal falada.
As duas caíram na risada e Elisabeth puxou Jane para mais um abraço. Desde que as aulas haviam começado elas não se viam e isso era raro na amizade das duas, ainda mais por andarem sempre grudadas. Jane podia não ter contado para Maura, mas ela e Beth estudavam juntas desde a oitava série e eram melhores amigas desde então. Depois de Maura que estava se mostrando uma ótima amiga, mas mesmo assim não sabia exatamente tudo de sua vida, Elisabeth era aquela que sabia cada detalhe, sabia o que Jane pensava, o que Jane sentia, o que Jane ia fazer, sabia de completamente tudo e mesmo com Jane mudando de escola mais do que tomava banho essa amizade não havia sido abalada.
– A festa não é minha, mas podem ficar a vontade viu?
Elisabeth puxou Jane pela mão para que elas entrassem na grande casa que estava acontecendo a festa, na realidade a festa acontecia no grande quintal da grande casa, Maura ainda estava completamente confusa com tudo aquilo, mesmo começando a entender que a morena tinha outros amigos e que ela tinha acabado de descobrir que ela tinha uma melhor amiga, começou a se perguntar por que Jane tinha a levado para essa festa. Ela tinha outro grupo de amigos, provavelmente deveria conhecer todo mundo que estava na festa, então para que levá-la sabendo que ela ia se sentir deslocada e pelo que ela estava acabando de perceber era só questão de tempo e Jane provavelmente esquecer que tinha a levado para a festa.
– Essa é sua última chance de me contar a verdade Jane. – Elisabeth dizia perto do ouvido de Jane. Já estavam perto da pista de dança da festa e a música era imensamente alta. Seu braço estava envolto do pescoço de Jane. – Você está ou não está ficando com a Maura?
– Quantas vezes eu vou ter que te dizer que não? Ela é só minha amiga e gosta de homens.
Elisabeth revirou os olhos e fez uma careta como se dissesse que já estava cansada de ouvir aquela mesma história.
– Eu também gosto de homens.
– Sério Beth? – Jane soltou um riso. – Você ainda usa essa?
– Qual é! Não são meus preferidos, mas... – Deu de ombros. – Então você não está ficando com a Maura?
– Não.
Respondeu em tom de tédio. Desde que tinha contado para Elisabeth sobre Maura a amiga todo dia lhe fazia a mesma pergunta.
– Okay. – Tirou seu braço que estava em volta do pescoço de Jane. – Então divirta-se até eu te trazer uma verdadeira diversão.
A ruiva mandou uma piscadela junto com um sorriso malicioso para Jane e antes de sair acenou para Maura que estava um pouco atrás das duas e olhava tudo com a cara emburrada. Elisabeth não ia dizer nada, mas já tinha captado tudo no ar.
– Vem Maura, quero te apresentar uma galera.
Diferente do que Maura pensava as pessoas naquela festa não eram de todas estranha. Ela descobriu que quem estava dando a festa era um ex-aluno da escola em que ela e Jane estudavam e que pelo seu mau comportamento os pais resolveram colocá-lo em uma escola publica. Já tinha visto o garoto algumas vezes, mas nunca havia conversado com ele, como também nunca havia conversado com todos os “conhecidos” dali, já tinha visto muito deles, mas nenhuma única troca de palavras, o que chegava a ser normal quando se tratava de Maura Isles.
O mundo de festas era território completamente desconhecido para Maura, mesmo quando ela namorava, o que abria portas para os convites para essas festas, não para ela obviamente, mas sim para seu namorado que não chegava a ser popular, mas era conhecido, ela não costumava a ir nas festas, preferia ficar em casa lendo um bom livro ou assistindo a algum documentário, não gostava de pessoas, não gostava de se enturmar, porque ela não sabia como se enturmar, não entendia 10% dos assuntos que as pessoas conversaram, porque sempre incluíam filmes, bandas, séries ou qualquer outra coisa que ela nunca tinha visto ou ouvido falar, sempre se sentia deslocada e dessa vez não estava sendo diferente.
Tinha que admitir que pensou muito mal sobre como Jane ia se portar na festa cedo demais. Diferente do que ela tinha imaginado a morena dava sim atenção a todas as rodas de amigos, mas não deixava de dar atenção para ela, pelo contrário, fazia questão de apresentá-la a todos e tentar fazer com que ela criasse algum “laço”, mas pelos motivos citados anteriormente, isso não acontecia.
Era engraçado como Jane se dava bem com todos ali e como todos pareciam gostar muito dela realmente, o que não era difícil já que ela era a Jane, mas a morena no meio de todos aqueles amigos era diferente, ela não se mostrava mal humorada maior parte do tempo, coisa que ela era na escola e fazia com que assim a maioria do pessoal não gostasse dela, mesmo tendo uma parcela que adorava o jeito Jane Rizzoli de ser. Maura não sabia explicar e mesmo se sentido deslocada gostou de conhecer esse “outro lado” de Jane, porque em todas as rodas de amigos que elas iam sempre tinha uma história sobre algo que Jane tinha feito na escola e que todos acabavam rindo.
A cada segundo que passavam naquela festa Maura descobria alguma coisa sobre Jane. Descobriu que ela gostava de beber cerveja e mesmo ela tendo alertado a morena que isso era errado porque ela estava dirigindo e também porque ela não tinha 21 anos, Jane não deu atenção e disse que seria apenas um copo, porque ela aparentava ser irresponsável, na realidade ela era irresponsável, mas não ao ponto de dirigir bêbada. Descobriu que Jane odiava drogas e passou longe de todos os grupinhos que estivesse usando seja lá o que fosse. Descobriu também que Jane era uma péssima dançarina. A morena só podia ter bebido um copo de cerveja, mas não deixou de puxar Maura até a pista de dança para ver se a loira era tão ruim assim como ela dizia que era, e assim como Maura estava descobrindo coisas sobre Jane a morena também descobriu algo sobre Maura: Ela era uma ótima dançarina. Se era possível Jane ficar mais encantada com Maura, definitivamente, depois de vê-la dançando ela tinha ficado.
– Acho que você deixou algumas garotas com inveja. – Disse Elisabeth a Maura. As duas já tinham parado de dançar, mas ainda continuavam na pista de dança.
Maura não tinha percebido, pois estava se divertindo de verdade dançando com Jane, mas ao olhar para os lados, para as garotas que estavam fora da pista de dança não deixou de perceber um olhar de aborrecimento e até raiva sendo jogados para ela e ela não conseguiu entender o porquê, só estava dançando. Elisabeth percebeu o olhar de confusão de Maura quando a loira viu todas as caras emburradas direcionadas a ela e não deixou de soltar um discreto riso, pois ela sabia que o problema não era Maura dançar, o problema era Maura dançar com Jane, mas parecia que a loira não tinha entendido aquilo e não seria ela que iria explicar.
– Jane tem alguém querendo te conhecer.
Elisabeth virou Jane e apontou com a cabeça para um grupo de amigos que se encontrava logo a frente e nesse grupo se encontrava uma garota morena, de cabelos cacheados, muito bonita por sinal, que assim que viu Jane olhando em direção ao grupo não deixou de abrir um largo sorriso. A morena mandou um sorriso malicioso para Beth como se perguntasse se essa era a verdadeira “diversão” em que a amiga se referiu assim que ela chegou a festa e em resposta ganhou um assente com a cabeça.
Se fosse em outros tempos Jane Rizzoli não pensaria duas vezes antes de deixar Beth ali e correr atrás de sua “diversão”, mas pela primeira vez se importou de olhar para trás e em nesse atrás eu digo que ela se importou de olhar para Maura que estava atrás das duas, sem duvidas não estava entendendo nada do que as duas conversavam, mesmo porque elas quase não falavam, Jane e Beth sempre foram mais de se comunicar com olhares e gestos. Não queria deixar Maura sozinha, tinha arrastado a loira para aquela festa e não queria chateá-la, fazendo com que ela achasse que tinha sido deixada de lado.
– Vai lá conversar com seus amiguinhos Rizzoli, enquanto isso vejo se Maura me ensina alguns passos de dança. Só não vá nos trocar por outras melhores amigas.
Jane ainda olhou para Maura procurando por uma autorização se ela deveria ir mesmo e deixá-la ali com Beth e como resposta ganhou um sorriso indicando que ela podia ir. Mandou um meio sorriso para a loira e puxou Beth para perto de si e falou em seu ouvido.
– Só dançar, porque ela não é para o seu bico.
Elisabeth soltou uma gargalhada. Não tinha pensado em Maura daquele jeito, mesmo que a loira fosse extremamente bonita, mas se tinha uma coisa que Beth não era, era fura olho, mesmo Jane jurando de pé junto que não tinha ficado com Maura e que nem estava ficando porque a loira gostava de homens, mas por tudo que já tinha captado desde que elas chegaram nada impedia a morena de não ficar, então...
– Relaxa Rizzoli. – Deu um leva tapa no ombro de Jane e praticamente empurrou a amiga para fora da pista de dança. Se aproximou de Maura. – Então...
– Você não gosta de mim. – Maura disse em um tom mais alto que o normal, caso contrário Elisabeth não iria entender nada devido ao som alto.
– O que? – Elisabeth se aproximou mais de Maura, tinha ouvido a pergunta da loira, mas quanto mais perto, menos elas precisariam gritar. Soltou um riso. – Isso não é verdade! Eu causo essa primeira impressão nas pessoas mesmo e não faço ideia do por que. Jane também pensou que eu não gostasse dela... Na realidade eu não gostava, mas... Jane falou tanto de você que não tem como eu não ir com a sua cara loira.
– Jane falou tanto de mim assim?
Elisabeth sempre foi observadora e dessa vez não foi diferente. Não tinha nem confirmado algo sobre a pergunta de Maura, mas já pôde perceber o quanto os olhos verdes amarronzados ganharam um brilho só com a simples pergunta, na hora que desse a resposta positiva então era capaz de sair fogos de artifícios deles.
– Ás vezes chega até ser chato e eu tenho que mandar que ela mude de assunto.
Um sorriso apareceu nos lábios de Maura. Nunca tinha ouvido Jane falar nada especifico sobre Beth, não se lembrava nem do nome dela ter sido citado, mas saber que Jane falava dela sempre para uma amiga que ela não conhecia até aquela dia fez com que ela se sentisse extremamente feliz, mesmo que isso não significasse absolutamente nada e não mudasse sua decisão de não dar ouvidos ao que a ciência explicava sobre o que eram todos aqueles sentimentos que ela tinha por Jane.
E mais uma vez a Elisabeth observadora tinha acertado, mas não ia dizer nada, ia só continuar observando.
– Mas chega de falar da Jane. Eu quero aprender alguns passos com você, porque antes de você chegar eu era a que arrasava nessa pista. – Maura a encarou com um sorriso tímido. – E não se preocupe que ninguém vai ficar te olhando de cara feia dessa vez.
E as duas passaram um bom tempo naquela pista de dança.
Se Maura pudesse classificar um dos dias mais divertidos de sua vida, com toda certeza esse estaria no topo da lista. Tinha ido para festa sem intenção nenhuma, pensou que só irritaria Jane porque não iria interagir com ninguém, ia ficar em seu canto se sentindo a pessoa mais deslocada do mundo. Claro que ela não ia sair dali com dezenas de amigos novos, claro que mesmo se ela quisesse ia conseguir ficar em uma roda de amigos sozinha conversando sobre os assuntos que eles conversavam, porque era algo que ela não tinha costume, mas mesmo assim estava se divertindo. Tinha dançado com Jane, tinha conhecido uma das amigas de Jane que aparentava ser bem agradável e estava sendo muito legal com ela, mesmo que Maura ainda sentisse que a ruiva não fosse muito com a sua cara, mas procurou pensar que era só impressão mesmo. Talvez essa diversão toda que ela estivesse tendo fosse pelo simples fato de Beth ter dito que Jane falava sobre ela quase que incansavelmente, mas também poderia chamar de diversão tudo que tinha conseguido aprender sobre Jane só com aquela festa.
Jane. Jane. Jane.
Não conseguia tirar a morena da cabeça, não como algo obsessivo, mas sim da forma em que a ciência explicava e ela não queria dar ouvidos. Mesmo dançando e tendo um ótimo momento com Elisabeth, Maura não deixava de às vezes olhar para onde Jane se encontrava conversando, com uma garota. No começo pensou que ela estaria só mais entre um dos vários grupos de amigos que ela parava para conversar, mas depois pôde perceber que Jane e a garota tinham se afastado um pouco do grupo e conversavam de forma descontraída, riam e muito. Podia ser só mais uma das amigas de Jane, mas isso estava começando a lhe incomodar.
– Onde que fica o banheiro? – Maura perguntou ao pé do ouvido de Elisabeth. A ruiva apontou para um lugar atrás da onde elas estavam, logo abaixo da onde se encontrava o DJ. – Eu já volto.
Não estava realmente com vontade de usar o banheiro, só precisava de um lugar para pensar, mas como ela só conseguia pensar, colocar suas ideias em ordem com o mínimo de barulho possível, claro que uma ida ao banheiro não ajudou no problema de Maura, porque mesmo lá dentro a música ainda continuava alta. A loira não queria admitir, pela primeira vez queria que a ciência não estivesse certa, mas era indiscutível, ela estava sim apaixonada por Jane e tinha acabado de descobrir outro sentimento: Estava com ciúmes da morena conversando com uma possível amiga. Aquilo era errado, muito errado. Não Jane conversando com uma amiga, mas sim ela (Maura) com ciúmes de alguém que nunca tinha demonstrado intenção de ser algo que não fosse só sua amiga, mesmo porque tinha praticamente certeza de que Jane não gostava de garotas. Não para beijar. Não para namorar. Se olhou no espelho por alguns minutos e tentou se convencer de que não iria estragar uma amizade, a única amizade sincera que teve durante todos esses anos por causa de nenhum dos dois sentimentos. Nem por causa da sua paixão e muito menos por causa do ciúmes. Respirou fundo. Voltaria para a pista de dança, continuaria tendo um bom momento com Elisabeth e não ligaria para Jane conversando com a tal garota. Com esse pensamento Maura deixou o banheiro.
Sem duvida alguma Maura teria se poupado de diversos outros sentimentos caso tivesse ido para a pista de dança sem procurar por Jane e deixar com que a morena se juntasse a elas na pista de dança depois, mas ela teve que focar sua atenção onde Jane estava enquanto se encaminhava para a pista de dança e em consequência disso viu a morena beijando a tal garota que ela até segundos atrás pensava que só fosse uma amiga.
Se viu obrigada a parar no meio do caminho. Aquela cena fez com que suas pernas não lhe obedecessem por inúmeros segundos. Ficou sem respirar por alguns segundos também e só foi perceber que isso tinha acontecido quando o ar foi necessário e ela se lembrou que precisava respirar. Ficou olhando para as duas ainda com a esperança de ser algum tipo de mal entendido, que talvez a garota tivesse puxado Jane para o beijo entendendo errado as intenções da morena, mas estava mais do que óbvio que não era nenhum tipo de mal entendido. Quanto mais Maura olhava, mais elas se beijavam e não faziam nem menção de que iam parar aquele beijo tão cedo.
Quando finalmente recobrou os movimentos da perna, Maura passou praticamente voando pela pista de dança e indo em direção a saída da festa, sem nem ao menos dar atenção para Elisabeth que a chamava feito louca.
– O que aconteceu Maura? – A loira era branca, mas mesmo assim Elisabeth não deixou de perceber que ela estava pálida. – Alguém mexeu com você? Você está bem?
– Eu estou... Eu só... – Maura se encostou no carro de Jane. Mesmo com as pernas lhe obedecendo novamente tinha medo delas falharem a qualquer momento, porque o que tinha acabado de ver tinha muito o que ser processado e ela não estava conseguindo processar muito bem. – Eu só vou ficar um pouco aqui fora, tudo bem? Preciso de um pouco de ar, eu... Pode voltar para a festa...
Claro que Elisabeth tinha entendido tudo que tinha acabado de acontecer ali e não deixou de ficar um pouco surpresa, não por Maura demonstrar ter sentimentos por Jane, isso ela teve certeza no momento em que viu a loira, o olhar que jogou para cima dela quando a viu abraçada com Jane, mas sim estava surpresa com a “pequena” omissão que tinha certeza que Jane tinha feito. A ruiva foi até onde Jane ainda estava se agarrando com a garota e não deixou de atrapalhar as duas com um pigarrear. Tinha que admitir, ela adorava esse tipo de coisa, ainda mais depois dos olhares que recebia tanto de Jane quanto da garota que ela estava ficando, melhorava em 100% seu dia.
– Pois não? – Jane respondeu com um tom de irritação. Odiava quando Elisabeth fazia isso, mesmo ela sempre fazendo isso com a amiga também.
– Eu preciso dela por dois minutinhos. – Elisabeth disse a garota que Jane estava beijando e a puxou pelo braço a afastando um pouco da garota. – É impressão minha ou você não contou para a Maura que você gosta de beijar garotas?
– O que? Por quê?
– Por que ela viu você beijando a Deb e saiu voando e ela estava mais branca que um fantasma.
– Oh droga!
– Meu Deus! – Elisabeth estava realmente surpresa, pensou que poderia estar errada sobre Jane ter omitido de Maura que era lésbica, mas pelo jeito estava certa. – Você não contou mesmo para ela.
– Eu não achei que precisasse! Pensei que ela soubesse, porque todo mundo sabe, até minha mãe sabia antes mesmo que eu contasse para ela. Onde ela está?
– Está lá fora... Espero que não tenha desmaiado. Quer que eu a leve para casa?
– O que? Não! Eu vou lá falar com ela...
– Tem certeza? E a Deb?
Jane soltou um suspiro. Estava começando a se estranhar. Se fosse qualquer outra pessoa no mundo que tivesse dado “showzinho” e ela tivesse que escolher entre levar a pessoa embora e continuar com a garota que fazia tempo que Elisabeth estava tentando fazer com que as duas ficassem ela não pensaria duas vezes e escolheria a garota, mas agora...
– Deb, me desculpa, mas eu preciso levar uma amiga para casa, ela não está se sentindo muito bem, mas eu já volto, tudo bem?
Elisabeth estava perplexa. Nunca em toda sua vida tinha visto Jane desistir de uma garota por causa de alguém, nem por causa dela mesma. Lembrou do dia em que passou mal e Jane a deixou deitada no gramado da casa da pessoa que estava dando a festa e só a levou embora depois de ter certeza que tinha aproveitado muito bem a “garota da festa”. Por que era assim que elas chamavam a garota que elas escolhiam para ficar nas festas que iam.
– Eu já volto. – Jane disse para a Beth. – Faça com que ela não me odeie e queira continuar a noite.
– Você não vai voltar Jane.
– É claro que eu vou voltar. Me ajuda nessa Beth que prometo que fico te devendo duas ao invés de uma.
A ruiva revirou os olhos fazendo uma careta e assentiu com a cabeça dizendo que ia lhe ajudar nessa, mesmo tendo certeza absoluta que Jane não iria voltar.
– Maura, está tudo bem? – A morena perguntou assim que encontrou com a loira do mesmo modo em que Elisabeth tinha a deixado. Parada e encostada no carro. A única diferença era que Maura estava com mais cor. – Beth disse que você não estava se sentindo bem. Quer que eu te leve para casa?
– Não precisa Jane, pode aproveitar a festa, eu posso ir andando, eu posso...
O tempo que ficou ali fora, Maura começou a processar o que tinha visto. Depois do ciúmes que tinha sentido, teve acesso a outros sentimentos também, como a confusão que sentiu ao ver Jane beijando a garota e logo depois raiva, ainda não sabia muito bem se era raiva dela ou raiva de Jane. Raiva dela por esconder esse tempo todos seus sentimentos por Jane por pensar que ela ia ficar muito irritada por saber que sua amiga estava apaixonada por ela, sendo que ela gostava de homens. Raiva de Jane pela morena ter escondido esse tempo todo dela que não gostava de homens e fazendo com que ela descobrisse da pior maneira possível: A vendo beijando uma garota.
– Não... Eu te trouxe, então eu vou te levar para casa.
Maura não quis contestar. Era melhor ser levada para casa mesmo porque ainda não tinha se recuperado do que tinha visto, mesmo que a pessoa que fosse levá-la para casa era Jane, alguém que ela estava com muita raiva no momento. Pois é, ao ver Jane ela soube que estava com mais raiva da morena do que dela mesma.
Foram o caminho todo em silêncio, algo que Jane estranhou, pois Maura era sempre tão falante e o que ela tinha visto poderia ser assunto por muitos dias, mas a loira não falava e muito menos a olhava, algo que estava começando a incomodá-la. Sabia que tinha sido errado não ter sido sincera com Maura desde o começo, mas como Jane havia dito para Elisabeth pensou que ela já sabia ou pelo menos desconfiava, mas nunca tinha perguntado talvez por medo de ter uma resposta ignorante. A verdade era que Jane não tinha contado por medo. Maura era uma Isles, uma das famílias mais importantes de Boston e provavelmente uma das mais conservadoras. Mesmo que Maura nunca tivesse lido um Conto de Fadas, era com o Príncipe Encantado no cavalo branco que ela esperava e provavelmente era o que seus pais esperavam também, não que ela quisesse ser esse Príncipe em algum momento, mas pensou que ao dizer para Maura sua orientação sexual isso afastaria a loira, por causa de sua família, por causa da criação que ela pensava que Maura poderia ter tido, algo que era estranho, nunca foi de se importar com isso, sempre teve na cabeça que as pessoas deveriam gostar dela pelo que ela era, não pelo fato de gostar de garotos ou garotas, mas com Maura era diferente, tinha medo de perder a amiga caso ela soubesse e pelo jeito, pelo silêncio e por Maura nem a olhando começou a ter a impressão que estava certa e que naquela noite perderia Maura. Mal sabia ela...
– Maura... – Jane finalmente quebrou o silêncio assim que estacionou na frente da casa da loira. – Olha...
– Por que você não me contou? – A voz era calma, mas não deixava de demonstrar a chateação que Maura estava sentindo.
– Por que eu pensei que você soubesse ou pelo menos desconfiasse.
– Se eu desconfiasse eu teria perguntando, você não acha? – Jane nada respondeu, ainda não sabia muito bem o que dizer, aliás, na realidade sabia, mas não sabia era como dizer. – Boa noite Jane.
Maura desceu do carro e bateu a porta do mesmo com toda a força, aproveitando que tinha a recuperado depois do susto que tinha levado.
Jane podia simplesmente deixar as coisas como estavam e voltar para a festa e continuar se divertindo com Deb, mas algo a impedia, Maura a impedia, ela não podia voltar para a festa sem esclarecer as coisas. Desceu do carro também e chamou pelo nome da loira que já estava no meio do caminho, mas assim que a ouviu parou de andar e se virou.
– Ninguém acredita que eu possa ter uma amiga. – Jane começou. Deu alguns passos para frente para que pudesse ficar mais perto de Maura. – Sempre que eu digo que tenho uma amiga ou digo para uma que eu sou lésbica pensam que eu tenho algum interesse, que eu quero ficar com elas. Mas isso não é verdade! – Fez uma pausa e pensou melhor na frase final. – Tudo bem, ás vezes eu quero sim ficar com as minhas amigas, — soltou um riso — mas com você é diferente, eu não ficaria com você. – Sem duvidas ouvir aquilo incomodou a Maura, mas ela não deixou transparecer e continuou ouvindo o que Jane tinha a dizer. – Eu realmente gosto da sua amizade e não quero perder isso, pensei que talvez se eu contasse você pensasse como todos os outros e se afastasse de mim.
– Pensei que fossemos amigas o suficiente para você saber que eu não iria me importar com isso e muito menos me afastar de você.
– Eu sei Maura, me desculpa.
– Está tudo bem Jane. – Mandou um sorriso. – Eu só fiquei surpresa, mas nada demais.
– Então estamos bem? – Maura fez um afirmativo com a cabeça. – Ótimo! Agora que você já está em casa eu vou voltar para a festa. – Outro assente com a cabeça por parte de Maura. – Boa noite.
Jane se encaminhou até seu carro, já estava pronta para entrar nele e voltar para a festa, mas Maura não podia deixar com que ela fizesse isso, não sem antes ter algumas perguntas respondidas.
– Por que você não ficaria comigo Jane?
Ao ouvir aquilo a mão de Jane que estava prestes a abrir a porta do carro se soltou e instantaneamente ela virou para encarar a Maura. Aquela pergunta era séria?
– Por que você gosta de homens? Regra número um: Nunca querer ficar com as amigas heteros.
– E se eu não fosse hetero? – Jane a olhou curiosa, estava estranhando demais o rumo daquela conversa, mas não iria cortá-la. – Quero dizer e se eu também gostasse de beijar garotas?
– Maura isso é uma forma de você me dizer que gosta de beijar garotas também?
– Bom... Eu nunca beijei uma garota, mas...
– Tudo bem... – Jane estava confusa. Deu uma leve coçada na cabeça como se aquilo fosse lhe dar alguma luz sobre o que dizer sobre aquilo, não ajudou muito, mas ela tinha que dizer algo. – Mesmo se você gostasse de beijar garotas eu não ficaria com você.
– Por que não?
– Por que você tem jeito de alguém que se apaixona fácil e eu definitivamente não ia querer você apaixonada por mim.
– Por quê? – Outra resposta que tinha lhe incomodado, mas precisava ter suas respostas até o final para saber se podia seguir em frente ou se deixava as coisas como estavam. – Qual o problema se eu me apaixonasse por você?
– Eu não sou alguém por quem as garotas merecem se apaixonar, não garotas como você que merece o Príncipe ou a Princesa, tanto faz. Você merece alguém que se apaixone por você de volta e eu não sou essa pessoa, porque eu não me apaixono e caso eu me apaixonasse por você seria errado, porque em algum momento eu te faria sofrer e você não merece sofrer.
– Como você sabe Jane? Você não tem como prever o futuro.
– Por que essa é quem eu sou. Mas por que todas essas perguntas, Maura?
– Isso não importa mais já que você não quer ficar comigo. Mas caso quisesse eu não seria contra em ficar com você, mesmo eu correndo o risco de me apaixonar pela irresistível Jane Rizzoli. – Dito isso, Maura virou de costas para Jane e começou a andar em direção e entrada de sua casa e ainda de costas ela completou. – Boa noite, Jane.
A morena estava boquiaberta. Essa era a forma sutil de Maura dizer que queria beijá-la? Queria acreditar que sim, mas se policiava tentando pensar que isso era algo da sua cabeça devido às inúmeras vezes que fantasiou um beijo entre ela e Maura. Sim, podia ser verdade o que todos diziam sobre ela não conseguir ter nenhuma amiga mulher já que ela queria ficar com todas, mas com Maura era diferente, tinha sido sincera em tudo que falou, a loira não merecia alguém como ela, se fosse só para elas darem um beijo e Maura ver como era tudo bem, mas se fosse para passar disso, era melhor não arriscar.
– Eu não disse que eu não queria ficar com você, — Maura parou no meio do caminho, mas continuou de costas. — eu disse que não ficaria com você. Não ficaria com você por todas as razões que eu já disse, mas...
Sem nem pensar duas vezes Jane correu na direção de Maura, pegou em seu braço a virando para que ficasse de frente para ela e a beijou. Nunca teve bom senso nenhum na vida, nunca teve limites nenhum na vida, iria começar ter agora por quê? Sabia que depois daquele beijo as coisas poderiam mudar, sabia que possivelmente poderia afastar Maura como também poderia a aproximar mais, porque era capaz dela quer beijar a loira mais e mais, era capaz não, ela iria querer beijar Maura mais e mais, por que o beijo que trocavam era diferente do beijo que tinha dado em qualquer outra garota.
De começo Maura não correspondeu, tinha ficado sem reação, tinha sido pega completamente de surpresa, mas depois que entendeu o que estava aconteceu não deixou de corresponder o beijo e assim aprofundarem.
Jane sempre achou que era besteira de filme quando falavam que você escuta sinos de igreja quando se beija alguém que você realmente gosta, alguém que você realmente é apaixonado, mas ela poderia jurar que ao beijar Maura ela tinha escutado. A morena nunca foi de procurar explicações na ciência assim como Maura, mas depois daquele beijo ela teve certeza absoluta de algo que vinha sentido por tempos: Estava apaixonada por Maura e isso em sua visão poderia ser a pior coisa do mundo, por isso se contentava em ser só amiga da loira para não criar problemas, mas agora? Nem iria se incomodar em pensar nisso, porque estava realmente adorando o beijo e se ele pudesse durar a noite inteira duraria sem nenhum problema.
Notas finais
Ah e a reação da Jane sobre o que Maura disse... Próximo capítulo, talvez?
Até o próximo =)
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