Rizzoli And Isles - Life As We Know It
30 Capítulo 30 - It's not easy II
Notas iniciais
Difícil alguém não ter quem chamar de herói. Alguém que lhe de inspiração para seguir seus sonhos e só fazer o bem. Provavelmente esse deve ser o principio básico de se ter um herói. Alguém que você possa se espelhar para conseguir seguir em frente e ser alguém melhor. Obviamente que às vezes passamos a nos decepcionar porque as coisas não aconteceram como desejamos, mas se nem a vida do herói favorito foi fácil porque a nossa seria?
Com o passar dos anos não queremos ser mais inspirados por um herói e sim queremos ser um. Às vezes para os outros, o que necessariamente não é ser um herói, pois herói que é herói não espera reconhecimento. A maioria das vezes, passamos a ser heróis para nós mesmos e em consequência passamos a ser o herói inspiração de outra pessoa. Só que ser um herói traz consequências tanto boas quanto más e muito mais cobrança, ainda mais porque não nos consideramos heróis e não queremos ser heróis. Entretanto, no final das contas, a gente acaba abraçando o destino e passamos a ser o herói que estamos predestinados a ser.
É tão bom quando não somos gente e nem herói de ninguém...
– Você tem certeza disso, Beth? – Perguntou Jane.
Ainda estava extremamente receosa com a decisão da amiga. Estava com um pressentimento de que aquilo não acabaria bem.
– Não... – Beth fez uma careta olhando no espelho que tinha em sua frente. – Não vou deixar de ser ruiva por nada nesse mundo. Mesmo que eu tenha ficado bem gostosa morena também.
– Beth...
– Eu sei ao que você se referiu e eu tenho certeza, só não aguento esse clima de vocês achando que eu vou morrer. – Elisabeth terminou de ajeitar a peruca. — O plano é simples.
– E acho que devemos passá-lo novamente. – disse Jordan. A agente também não estava nenhum pouco confortável pelo que iam fazer.
Conhecia os riscos e ele ainda parecia ser maior por estarem lidando com uma pessoa completamente instável.
– Eu vou entrar na casa se passando pela esposa do doido, vou pegar o TJ e quando ele estiver seguro eu vou falar “flop”, vocês vão entrar e fim.
– Se alguma coisa, mínima que seja sair do controle nós vamos invadir.
– Não! – Elisabeth quase gritou, sem paciência. — Vocês só vão invadir quando eu falar a palavra de segurança. Se entraram na casa antes disso eu vou atirar em todos.
– Você não vai estar com sua arma. – Lembrou Jane. – Beth leve isso a sério, por favor.
– Você acha mesmo que eu não estou levando isso a sério? – Perguntou indignada. Desde a hora que estavam montando o plano eles estavam desacreditando do que ela seria capaz de fazer. – É o TJ! Eu estou levando isso muito a sério porque esse menino faz parte da minha vida também e eu vou trazê-lo de volta.
– Então nós vamos fazer isso. – disse Jordan. – Deixa eu colocar a escuta em você, caso contrário não iremos ouvir flop nenhum.
– Ah vão sim. NBC deve lançar vários esse ano. – Jordan a encarou com um olhar de repreensão. – Desculpa!
O problema de ser um herói é que as pessoas contam com você, sempre. Estão acostumadas que você irá fazer o certo, nunca vão decepcioná-las a deixando na mão.
– Nós vamos trazer ele de volta, eu juro. – disse Jane a Maura. O olhar de preocupação da loira estava acabando com ela. A raiva quase não existia. Na verdade ela só queria que tudo aquilo acabasse. – Nós vamos trazer nosso filho de volta.
– Nosso?
– TJ é nosso filho, não é? – Maura abaixou a cabeça, mas Jane fez questão de erguê-la novamente, fazendo com que assim a namorada a olhasse. – Independente do que aconteça com a gente depois disso, ele vai continuar sendo nosso filho. Já viu os pais perderem os filhos só porque acontece uma separação? – Jane puxou Maura para um abraço. – Vai ficar tudo bem.
– Espero que sim. TJ precisa das duas mães dele.
– Eu não vou para lugar nenhum. – deu um beijo na cabeça da namorada. – Eu prometo!
– Vai sim. – disse Elisabeth. – Vai entrar naquela van do FBI que parece mais casa de avó no almoço de domingo de tão limpa. Odeio aquele cheiro.
Para surpresa de Elisabeth, Maura se soltou dos braços de Jane e apertou a ruiva em um abraço.
– Por favor, vê se não morre.
– Maura Isles pela primeira vez não desejando a minha morte? – disse Beth em tom de brincadeira. – Pode deixar que você não vai se livrar de mim tão fácil.
– Assim espero. – se separou do abraço. – Obrigada.
– Obrigada nada... Que não tenha um engradado de cerveja quando eu voltar não. – as duas soltaram um riso. – Sempre soube que você me amava.
– Está na hora! – gritou Jordan. – Chega das despedidas porque ninguém aqui vai morrer hoje. Nós vamos trazer o TJ de volta.
– Eu só vou perguntar mais uma vez... Você tem certeza? – Elisabeth revirou os olhos. Esse era o “sim” mais sem paciência que ela poderia dar para Jane e ela sabia. – Então vamos.
Antes que Jane pudesse virar de costas e partir para o resgate de seu filho, Maura a puxou para um rápido beijo. Também não estava com um bom pressentimento sobre tudo aquilo e se alguma coisa acontecesse com Jane e ela não tivesse feito aquilo, não se perdoaria. Amava aquela mulher. Com toda certeza o beijo foi correspondido, Jane também a amava e mesmo sabendo que aquilo não as separariam, pois já tinham passado por coisa pior, seria ótimo para dar sorte.
– Eu te amo. – murmurou Maura.
– Eu também te amo. – devolveu Jane e dessa vez virando de costas e seguindo a equipe.
O problema de ser um herói é que nem todos acreditam nele. Por mais que queiram acreditar porque todo o resto da cidade acredita, não é tão fácil assim quanto aparenta.
– Tome cuidado. – foi o que Julie disse antes que Elisabeth seguisse com a equipe também. – Não faça nada idiota.
– Isso eu não posso prometer, meu nome do meio é idiota, esqueceu?
– Eu estou falando sério.
– Eu sei. – Mandou um meio sorriso, triste.
Beth pensou em um milhão de coisas para falar a Julie naquele momento, mas o tempo não era o suficiente. Odiava aquele clima e não queria fingir que era esposa de um assassino totalmente desequilibrado daquele jeito, mas ainda tinha esperanças de que o clima não fosse completamente horroroso como ela imaginava que estava. Estava noivas até algumas horas atrás, deveria ter restado algo. Ficou olhando para Julie esperando para ver se tinha restado algo, mas ela na disse e Beth não tinha mais tempo a perder.
Se virou com o propósito de ir ao encontro da equipe...
– Beth... — Seu coração se encheu de esperança. Encarou Julie por alguns centésimos, mas infelizmente o que veria a seguir não era algo que ela estava esperando ouvir. – Você está esquecendo a sacola.
A ruiva olhou para a mesa que estava a sacola que tinham feito exatamente com as compras da esposa naquele dia e soltou um suspiro, derrotada. Pegou a sacola em suas mãos e se virou rumo a salvação de TJ.
Maura não entendeu muito bem o que havia acontecido ali e pelo olhar que Julie carregava ela sabia que tinha acontecido completamente o oposto de seja lá o que deveria acontecer, mas nada disse. Só se encaminhou até a gigante tela, onde já se encontrava Warren, Ian, Korsak, Frost e Frank (que foram dispensados da operação já que falaram que a equipe do FBI já estava bem preenchida para o resgate), lá eles poderiam ouvir tudo que aconteceria durante o resgate.
O problema de ser um herói é que tudo é mais complicado, em especial o amor.
– Se me perguntar de novo se eu estou certa do que eu estou fazendo, eu vou dar um soco na sua cara. – Beth disse com rispidez. Mais um pouco era capaz de uma ferradura voar na cabeça de Jane. – Pela primeira vez na vida eu estou certa do que eu estou fazendo.
– Ta... – Jane fez uma pausa, tentando processar o que estava acontecendo, mesmo sem sucesso. – O que aconteceu?
– Eu não sirvo nem pra ter uma cena típica de filme que nem você e a Maura. – Jane a encarou com uma cara de ponto de interrogação. Não estava entendendo absolutamente nada do que a amiga dizia. – Julie me odeia.
– Ah... – Jane fez uma expressão de que tinha entendido. – Ela não te odeia. Vocês estão brigadas e vão se resolver quando tudo isso acabar.
– Você e Maura também estavam brigadas.
– Nós ainda estamos brigadas. – Beth fez uma careta. – Nós não saímos gritando verdades no meio da rua, nossa briga é totalmente diferente.
– Calma ai que eu to perdida. – disse Jordan. – Você está tendo um caso com aquela loira amiga da Maura?
– Um caso não... Eu estava noiva dela até estragar tudo.
– Primeiro você me diz que era casada, agora que estava noiva... O que você fez com a Miller?
– Provavelmente nada. – soltou um suspiro, vencida. – Mas vamos mudar de assunto para algo mais interessante, pois depois que comecei a ter uma vida amorosa, eu sou tudo, menos interessante.
Algo sobre os heróis é que eles nunca se acham bons o suficiente, além de quererem ter uma vida normal como qualquer outra pessoa de bem existente no planeta.
– Estamos te ouvindo, Miller. – disse Jordan da van, enquanto Elisabeth já estava parada em frente a porta da casa de Christopher.
– Torçam para que essa chave entre nessa fechadura, senão o plano vai dar errado daqui.
– Eu sempre quis invadir mesmo. – silencio da parte de todos e um olhar de repreensão de Jane. – Desculpa, muito cedo.
– Toma cuidado, Beth. – pediu Jane.
– Pode deixar. – Beth respirou fundo e colocou a chave na fechadura, de olhos fechados, torcendo para que esse primeiro passo desse certo, ela girou a chave. A porta abriu. – Que ele não seja muito louco. – murmurou. Respirou mais uma vez e adentrou a casa, com um sorriso no rosto. – Amor, cheguei.
Christopher, que estava na cozinha, se virou, com uma expressão completamente surpresa quando deu de cara com Elisabeth carregando uma sacola de compras. Nesse mesmo segundo ela sentiu como se já tivesse sido desmascarada e que as coisas a partir daquele momento só iam pior, entretanto, para sua surpresa, o homem abriu um sorriso.
– Alex, meu amor, você demorou. – Não só Beth, mas como todos que escutavam tudo que se passava naquela casa, respiraram aliviados. O homem pegou as compras da mão da suposta esposa. – Já estava ficando preocupado.
– Me desculpa, mas é que teve uma confusão no supermercado. A caixa errou o troco da cliente e ela armou o maior escarcéu. Pensei que ia baixar até polícia, horrível.
– Incrível como vive acontece essas coisas, não é? – Elisabeth só concordou com um pequeno sorriso. – As pessoas não sabem resolver as coisas na conversa.
– Todo mundo ficou abismado com a cena. Não tinha mesmo necessidade de dar todo aquele show.
– O que importa é que você já está em casa. – deu um beijo em Elisabeth. – E que eu vou poder preparar o nosso jantar enquanto você passa um tempo com nosso filho que deve estar morrendo de saudade.
– É isso mesmo que eu vou fazer. Por que também estou morrendo de saudade do meu príncipe.
O homem só mandou um sorriso para Elisabeth. Dava para ver na expressão dele o quanto ele era apaixonado pela esposa e em como ele havia se sentido aliviado quando a viu passando por aquela porta. Castle tinha razão, ele estava mesmo recriando o dia em que a esposa foi morta com a esperança de que ela voltasse, e como supostamente ela voltou, Christopher parecia estar de bem com a vida novamente. Na verdade ele nunca pareceu estar de mal com a vida, quem olhava para aquele homem em sua frente não conseguia imaginar que tirando seu filho, cinco crianças já tinham morrido pela sua mão.
Sem nem pensar duas vezes, Beth se encaminhou para a sala, onde pode respirar completamente aliviada quando viu o menino sentado no centro dela brincando com alguns carrinhos e bonecos.
– Oi meu amor. – Elisabeth sentou-se no chão ao lado de TJ que lhe ofereceu um brinquedo e ainda fez uns sons como se iniciasse alguma conversa que só bebês conseguiam entender. Na central Maura abriu um sorriso emocionada. Seu filho estava bem. – Mamãe sentiu muita saudade de você. O papai cuidou de você direito? – A ruiva levou o garoto até o seu colo e lhe deu um beijo na cabeça. Estava mais do que feliz por encontrar o garoto bem. – O que foi? Quer brincar de carrinho?
– Beth agora que você está com o TJ, siga com o plano. Hora de deixar a casa.
Para não ser descoberta, pois sabia que Christopher podia estar ouvindo tudo da cozinha, Elisabeth só assentiu para ela mesma e se levantou do chão carregando TJ em seu colo.
– Alex porque você comprou pasta de amendoim? – perguntou Christopher com o pote na mão.
– Achei que estávamos ficando sem. Você sabe como eu não vivo sem minha pasta de amendoim.
– Não... Eu sei que o motivo de você estar viva é por nunca mais ter chegado perto de pasta de amendoim em sua vida. – Parecia que agora o plano tinha ido por água a baixo. – Você esqueceu que quase morreu quando te serviram um lanche com pasta de amendoim sem querer? Você é alérgica! Não só você, nós três somos alérgicos!
Jordan estava prestes a se preparar para invadirem quando ouviu um começo de gargalhada vindo de Elisabeth.
– Chris você deveria ter visto a sua cara! Claro que eu não comprei pasta de amendoim. Com a confusão no supermercado devem ter colocado na minha sacola sem querer.
Elisabeth estava apreensiva, esperava que a qualquer momento o homem surtasse, mas para sua surpresa ela começou a rir.
– Que susto, Alex! Não faz mais isso não, amor.
– Desculpa, vida.
Mais respiros aliviados. Parecia que tudo estava saindo como o planejado.
– Coloca o Henry no chão agora. – Talvez não, já que Christopher estava com uma arma apontada para Beth. – Coloca ele no chão. AGORA!
Com o grito, TJ se assustou e começou a chorar e como Elisabeth não queria irritar mais o homem armado que definitivamente tinha despirocado, ela colocou o menino no chão.
– Quem é você? Cadê a Alex?
– Querido, calma... Sou eu.
– Não! Você não é a minha Alex! Ela odeia esse apelido “vida”. O ex-namorado chamava ela assim e ele era um babaca. CADA A MINHA ESPOSA?
Christopher estava pior do que Beth pensou que ele ficaria. Ele estava vermelho de raiva, ficava batendo a arma na cabeça e quando a ruiva tentava se aproximar ele voltava a apontar a arma para ela. Não tinha mais o que fazer, pelo menos não pelo plano que já tinha ido totalmente por água abaixo.
– Christopher me escuta. Sua esposa ela morreu, há 7 anos. Alex está morta.
– VOCÊ ESTÁ MENTINDO! ELA NÃO MORREU!
– Miller o que você pensa que está fazendo? – perguntou Jordan.
– Alex não morreu! Ela está no supermercado e daqui a pouco ela vai entrar por aquela porta e chamar a polícia para te prender, pois isso que você está fazendo é invasão de domicílio. – Christopher voltou a bater com a arma na cabeça. – FAZ ELE PARAR DE CHORAR. FAZ ELE PARAR DE CHORAR!
TJ sentado no chão se esgoelava de chorar. Maura da central estava completamente agoniada. Queria pegar o filho no colo, cuidar dele.
– Tudo bem... Christopher me escuta, eu vou pegar o TJ...
Elisabeth tentou se abaixar para pegar o garoto, mas ganhou novamente a arma apontada para si.
– O nome dele não é TJ, é Henry e você não vai chegar perto do meu filho. EU JÁ ESTOU CANSADO DE TER VOCÊS TIRANDO MEU FILHO DE MIM! CANSADO!
TJ começou a chorar mais ainda.
– Pelo amor de Deus, para de chorar. – Christopher disse com a voz chorosa parecendo que ia começar a chorar junto com o garoto. – Eu não aguento mais ouvir você chorando. Já são 3 noites com você chorando, eu sei que você sente falta da sua mãe, MAS CHORANDO NÃO VAI FAZER COM QUE ELA VOLTE PRA GENTE!
– Christopher, olha... Eu vou levar o Henry para o quarto, assim você não vai ouvir o choro dele. Assim podemos conversar, tudo bem?
O homem ficou balançando a cabeça, totalmente desnorteado. Lágrimas caiam de seus olhos. Estava desesperado, o choro de TJ estava o deixando louco, mas isso foi o suficiente para que Elisabeth conseguisse pegar o menino e deixá-lo no berço, dentro do quarto.
– Jane tem uma janela aqui no quarto, venham pegar ele. Pela janela, sem invasão.
Dito isso, Elisabeth voltou para a sala. Iria tentar distraí-lo até que a avisassem que TJ estava a salvo.
– O que você pensa que está fazendo? – Perguntou Jordan ao ver Jane abrindo a porta da van.
– Eu vou pegar o meu filho.
– Você não vai sozinha...
– Agente Shaw, com todo respeito...
– Você vai precisar de alguém para segurar a escada e outro alguém para te ajudar a passar o TJ pela janela. – Jordan fez sinal para que dois agentes que desceram da van junto com Jane e logo em seguida ela desceu também. Ainda estava no comando daquela operação e não ia deixar nada sair do controle.
– Oi, meninão! – disse Jane já dentro do quarto. Aliviada, com o coração cheio de alegria por finalmente rever o filho. – Está tudo bem. – tirou ele do berço. – Está tudo bem. Mamãe está aqui. – deu um beijo na cabeça dele e começou a balançá-lo de um lado para o outro com o intuito de acalmar a criança. – Está tudo bem.
Na central, Maura era abraçada por Julie. A amiga havia ficado tão emocionada ao ouvir a cena que tinha se destrambelhado a chorar. A loira não via a hora de novamente ter o filho em seus braços. Já estava agoniada com toda aquela situação.
– Ele parou de chorar. – Elisabeth ia falar alguma coisa, mas teve a arma apontada para si e Christopher pedindo silêncio. – Ele parou de chorar. Ele nunca para de chorar. Eu tenho que colocar um travesseiro nele pra ele parar de chorar.
– Pode ser que...
– Pode ser que nada! ANDA! – Fez sinal balançado a arma para que Elisabeth fosse até o quarto. – Quem está lá no quarto? Quem pegou meu filho? VOCÊS NÃO VÃO TIRAR ELE DE MIM NOVAMENTE, NÃO VÃO!
Ao entrarem no quarto, Jane estava terminando de passar TJ para o agente do FBI que a esperava na janela. Ao ver aquela cena, ao ver que seu suposto filho estava sendo tirado dele, Christopher não pensou duas vezes em aproveitar que Jane estava de costas terminando de entregar o garoto para atirar.
O susto ao ouvir o tiro foi coletivo. Todos ficaram imóveis por milésimos tentando entender o que tinha acabado de acontecer, se o tiro acertou alguém. A única pessoa que pensou rápido, pois ao ouvir que Christopher estava indo para o quarto foi Jordan, que já estava dentro da casa quando o tiro foi disparado, mas infelizmente, ele não havia saído de sua arma.
– Que flop!
Foi a única coisa que Beth conseguiu murmurar enquanto levava a mão direita ao lado esquerdo do peito, antes de cair no chão.
– POLICIAL CAÍDO! – disse Jane sentada no chão, com a cabeça de Beth em seu coloco e com a mão em seu peito estancando a ferida. — ALGUÉM CHAMA UMA AMBULÂNCIA!
Jane gritava desesperada ao ver Elisabeth caída no chão, sangrando. Não acreditava que a amiga tinha levado um tiro por ela.
– TJ está bem? – Foi o que Beth perguntou a amiga. Parecia que ela não estava preocupada com sua vida, nem com os litros de sangue perdidos. Só queria saber mesmo se o que eles foram fazer tinha sido realizado com sucesso. – Jane... O TJ está bem?
– Sim... Ele está... – Jane estava desnorteada. Depois de entregar o filho para o agente do FBI, a única coisa que ela viu foi Beth sangrando no chão. Não tinha visto Jordan rendendo o Christopher, nada. – Ele está... Ele está bem e você vai ficar também, a ambulância já está vindo.
– Tinha esquecido como doía tanta levar um tiro. – Beth tentou soltar um riso, mas começou a tossir de dor. Tudo em si doía.
– Vai com calma piadista.
– Você é a melhor amiga que alguém poderia ter, sabia?
– Você leva um tiro por mim e eu sou a melhor amiga? Estamos precisando rever esse conceito de melhor amiga. – em resposta ganhou um pequeno sorriso da amiga.
Cada segundo que passava, mesmo com Jane tapando seu ferimento, ela perdia muito sangue. Elisabeth estava ficando muito fraca.
Na central era a vez de Julie ficar agoniada. Não tinham deixado ela sair correndo para salvar a amada, mesmo porque sabiam que ela não ia chegar a tempo, mas ficar ouvindo tudo aquilo, sem nem ao menos saber o que acontecia, estava a matando.
– 10 de julho. – Jane a encarou sem entender. Será que ela já estava delirando? – No dia do jantar com o Warren eu ia contar tudo para a Julie e ainda ia propor que cassássemos dia 10 de julho. – A ruiva fez uma pausa. Estava ficando difícil para falar, mas precisava dizer tudo aquilo, não tinha certeza se iam conseguir chegar a tempo de salvá-la. — Ela sempre disse que o sonho dela era casar no verão, então... – abriu um pequeno sorriso, lembrando de tudo que tinha planeja e que infelizmente não cumpriria. — Tinha até separado um panfleto com uma casa que sabia que ela ia adorar. Ótima para criar nossos filhos.
– Sei que ela ainda vai adorar quando vocês conversarem. Vocês vão casar, Beth.
– Não, não vamos... – uma lágrima caiu dos olhos da raiva. A bala provavelmente estava próxima ao seu coração, mas não era por isso que ele doía tanto. — Acho que a vida nunca quis que eu fosse gente. Julie fez com que eu chegasse o mais perto disso, mas eu estraguei tudo e eu não vou conseguir consertar. – Com a mínima força que ainda lhe restava, Beth colocou sua mão em cima da mão da Jane que estava em seu peito. — Diz pra ela que eu a amo, Jane? Que sempre amei, mesmo quando estava sendo a mais imbecil possível, que ela sempre foi e será a mulher da minha vida.
– Eu não vou falar nada. – Jane já estava brava por ter que ouvir tudo aquilo. Recusava-se em imaginar que aquilo poderia ser uma despedida. — Depois que você tirar essa bala do seu peito, você mesma vai dizer.
– Lembra quando minha avó disse pra gente adiantar a lasanha de aniversário dela porque não ia chegar até lá e ela queria comer essa lasanha? – Jane fez um afirmativo com a cabeça. — Mesmo a gente sendo do contra fizemos a lasanha e comemos com ela. Foi o melhor jantar que tivemos na vida com a minha avó e o último também porque no outro dia eu acordei com a ligação que ela tinha morrido. Ela sabia.
– Por que sua avó era inteligente, você nem tanto, então você não sabe. Você não sabe de nada!
– Promete pra mim que você vai dizer pra Julie que eu a amo, por favor.
Da central, Julie torcia para que Jane não prometesse aquilo. Tinha sido estúpida, tinha deixado com que sua raiva a impedisse de dizer tanta coisa para Elisabeth e se alguma coisa acontecesse com sua noiva e ela passasse os últimos segundos de sua vida achando que tudo que ela tinha acabado de dizer achando que não tinha sido ouvida por ela e que não era correspondida ou que tinha estragado tudo, seria algo que ela jamais se perdoaria. Além do fato de não imaginar um mundo onde não existiria Elisabeth Miller em sua vida.
– Tudo bem. – Jane soltou um suspiro, vencida. Para o desespero de Julie que ao ouvir aquilo começou a chorar mais do que já estava chorando. – Prometo.
– Obrigada por ter sido a melhor amiga que alguém poderia ter.
Parecia que Elisabeth também sabia, pois após dizer isso, seus olhos foram fechados e a mão que segurava a de Jane foi largada, ficando estirada em cima da poça de sangue.
– Beth! – Jane deu uma pequena sacudida na amiga. Jurando que aquilo era somente um pequeno desmaio devido a quantidade de sangue que ela perdeu. – Beth! Acorda, Beth!
O problema de ser um herói é que às vezes você acaba morrendo.
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