Notas iniciais
Hora de curtir umas férias!!

A porta do escritório ainda balança ligeiramente quando Sara desaparece no corredor. Ela aperta o passo, cruzando o corredor em silêncio, desviando dos olhares curiosos dos técnicos e CSI’s que, mesmo sem querer, sabiam que havia acontecido uma discussão no escritório do chefe.

Ao entrar no banheiro, verifica se está sozinha e se tranca na primeira cabine. Seus ombros tremem antes mesmo da primeira lágrima cair.

Ela se senta na tampa do vaso, abraçando a si mesma. Respiração acelerada. Tentando se conter. Mas o nó na garganta explode.

SS (chorando em silêncio):Por que eu ainda espero algo dele...? Por quê?

Ela olha para a mão enfaixada, como se agora fosse um símbolo do que está quebrado — por dentro e por fora. Respira fundo. Limpa o rosto com as costas da mão boa.

Na sala o clima continuou pesado.

CE: Eu posso não ser fã da Sidle, mas essa insensibilidade vindo de você me surpreendeu já que é o advogado de defesa dela.

GG: Do que você está falando Conrad ?

CW: Ele está falando que ocorreu um atentado na cena em que ela, Nick e Warrick trabalhavam. Warrick havia voltado para o laboratório e no momento em que Sara, Nick e os policiais estavam liberando a cena, uma bomba que estava escondida na caixa do correio explodiu. Por sorte não teve grandes proporções devido ter sido de pequeno potencial, mas causou ferimentos na equipe. Sara e o policial Johnson foram os únicos que precisaram de exames mais específicos devido terem tido perda de consciência e a recobrarem somente no hospital.

O supervisor sentou-se abismado com tudo o que ouviu.

GG: Por que eu não fui avisado disso??

CE: Por que você não foi avisado?? Grissom deixa de ser cara de pau porque não combina com você o cinismo. Você é o assunto do laboratório por ter passado a noite com a mais famosa Dominatrix de Vegas no meio de uma investigação de Catherine e Sara, um incidente ocorre com sua equipe e você com celular desligado querendo ser avisado não sei como. Segundo Brass, você estava com ela, então como poderíamos avisar o reizinho garanhão?? Ahhh desculpa, poderíamos ter batido na porta da mansão e interrompido seu momento liberação de espermatozoides para avisá-lo. Cath assumiu a supervisão devido seu sumiço e Eu deveria era lhe dar uma punição por isso, mas preciso de você num caso envolvendo o filho do prefeito. Se me derem licença, tenho mais o que fazer.

O silêncio que ficou após a saída de Ecklie era ensurdecedor. Grissom permanecia sentado, ainda processando as palavras. Catherine o olhava com uma mistura de decepção e pena.

CW: — Eu tentei te defender, Grissom. Mas está cada vez mais difícil. Você sumiu... e quando reapareceu, foi da pior forma possível.

GG (sussurrando): — Ela... perdeu a consciência?

CW: — Sim. Ela desmaiou com o impacto. Só voltou no hospital. E sabe o que foi mais triste? Quando ela finalmente resolve seguir recomendações médicas para tirar uma licença, você a trata como lixo.

GG: — Meu Deus...

Grissom fechou os olhos e levou as mãos ao rosto. Sentia o peso da culpa como uma avalanche. Catherine se aproximou, mas sua voz era firme.

CW: — Você errou, Grissom. Errou feio. E não estou falando só do lado pessoal. Como líder. Você abandonou sua equipe. A sua ausência quase custou a vida de dois membros do time.

GG (baixando a voz): — Eu não sabia... Heather precisava de ajuda, que estava em um ponto perigoso. Eu... só queria impedir que algo pior acontecesse.

CW: E quem impediu algo pior de acontecer com a sua própria equipe foi o Warrick que agiu rápido, protegeram a cena. Brass cuidou de Sara. Fizeram o que você devia ter feito.

Grissom se levantou lentamente. Parecia um homem mais velho do que realmente era. Envelhecido pela culpa e pela dor.

GG: — Eu preciso ver a Sara. Preciso me desculpar.

CW: — Ela não quer te ver, Grissom. E sinceramente, agora não é o momento. Ela precisa de espaço.

GG (determinado): Eu vou consertar isso, Cath. De algum jeito.

CW (cruzando os braços): — Se quiser mesmo consertar, comece retomando sua liderança. Mostre que ainda é digno da equipe que te respeitava. Quanto a Sara, esses dias de folga farão bem para ela, pois passou por momentos barra pesada. Te viu com Heather, quase morre numa explosão... fiquei com muita pena dela. Você fica tão tapado perto de Heather que não presta atenção as coisas ao seu redor. Espero que ela encontre um homem que a faça feliz porque quem ela sempre sonhou... prefere o uso de couro.

Grissom preferiu ignorar as últimas palavras de Catherine, mas claro que odiou.

GG: Eu tratei Sara muito mal sem nem prestar atenção ao sofrimento dela. Vamos trabalhar antes que eu o irrite Ecklei ainda mais.

Catherine saiu, deixando o supervisor sozinho na sala. Grissom olhou para o quadro com fotos da equipe no canto — todos sorrindo em um evento antigo do laboratório. Seus olhos pararam na imagem de Sara.

Ele sussurra para si mesmo:

GG: — Eu te amo, Sara... e não vou desistir de você.

Ele distribuiu os casos e aproveitando que estaria na rua, resolveu passar no apartamento de Sara. O que ele não sabia era que após a discussão no escritório dele, a morena passou em casa, pegou suas coisas e partiu para suas merecidas férias. Vendo o carro na frente do prédio, o supervisor correu até a portaria com esperanças de poder conversar, mas encontrou a vizinha de Sara no caminho.

— Eiii Grissom!! Tudo bem?? Pensei que tinha viajado com Sara.

GG: Ela já foi??

— Sim, tem umas meia hora. Você não sabia?

GG: Não, na verdade nós brigamos e ela esta sem falar comigo. Vim aqui na esperança de poder me acertar com ela. Por acaso ela disse pra onde iria??

— Só disse que iria conhecer um lugar novo. Boa sorte!! Vocês fazem um bonito casal!!

Grissom agradeceu e voltou desolado para o carro , indo então para a cena indicada por Ecklei.

JB: Gente Gilbert Grissom trabalhando?? Interessante!!

GG: Eu trabalho Brass!!

JB: Não quando tem uma Dominatrix envolvida.

GG: Ok, o que você quer falar??

JB: Depois do trabalho!!

Eles trabalharam bastante e com o caso concluído, turno terminado, piadinhas dos funcionários pela sua noite com a amiga, Brass e Grissom foram para o apartamento do entomologista.

Em Marina Del Rey

Sara caminha por uma trilha de cascalho fino, cercada por árvores e um céu azul limpo. O celular está desligado. Ela carrega apenas uma mala pequena e um caderno de anotações.

Wil: Sara Sidle finalmente por aqui?! Não acredito!!

Day: Nem eu acredito! Quando você disse que vinha, até duvidei.

SS: Pois bem engraçadinhos, cheguei!! Poderiam me dar um abraço duplo??

O trio se abraçou feliz por estarem juntos de novo. Saíram rindo bastante e relembrando momentos do passado. O local é bem aberto e o quarto onde a perita está hospedada é de frente para o mar.

SS: Vim porque preciso descansar.

Day: Você vai ter tempo, paz e chá de camomila até dizer chega.

Quando questionada pelos amigos onde estava Grissom, ela contou sobre tudo o que ocorreu e que eles haviam terminado.

Day: Se quiser conversar, nós estaremos por aqui.

Will recomendou que conversasse sobre o relacionamento com a Terapeuta Fabiana.

Will: Lhe fará muito bem ter essa relação vista por outra ótica e aí avaliar os prós e contras, mas acho que sua felicidade está ao lado dele.

SS: Pena que pra ele não é isso.

Will: Será?? Sara, eu e Day estávamos juntos com você quando se conheceram e quando fomos visitar você em Vegas, vi o jeito que ele olha pra você e é o mesmo olhar apaixonado de quando lhe conheceu. Vi admiração, vi um forte sentimento.

Day: Eu vi um forte desejo de ambos!! Vocês precisam amarrar as pontas soltas deste relacionamento e falarem abertamente um com o outro.

Will: Você está entre amigos. Nada de julgamentos, só acolhimento.

Sara sorri pela primeira vez em horas. Um sorriso frágil, mas verdadeiro.

Ela respira fundo e pensa:

“É aqui que eu começo a lembrar quem eu sou. Com ou sem ele.”

Os amigos resolveram mudar de assunto e foram apresentar o local para a perita que estava se sentindo feliz na companhia de pessoas que ela considera como irmãos.

Day: Vamos amiga!! Partiu aproveitar as atividades presentes aqui. Você vai adorar e com certeza ao final de suas férias estará relaxadíssima.

Em Vegas os amigos chegaram no apartamento do entomologista e Brass se acomodou no sofá já pegando a garrafa de Whisky. O supervisor pegou o copo servido pelo amigo e esperou pelo sermão.

JB: Quando ouvi sua declaração para o Dr° Lury eu saquei logo que você falava de Sara. Tomei um susto quando a vi na sala de observação...

GG: Sara viu o depoimento?? Ela nunca me falou.

JB: Foi o motivo do abatimento dela na época. Conversamos bastante e nos aproximamos mais. Ela foi mais minha filha que a Ellen. De repente a vi sair da sombra para a luz, estampando um sorriso lindo no rosto e logo descobri o motivo ao vê-los juntos naquele restaurante italiano. Sara finalmente estava com o grande amor de sua vida. Ao longo deste relacionamento a vi feliz, mas também triste, irritada, mas nunca a tinha visto derrotada. A vi no momento em que encontramos você dormindo abraçado a sua grande amiga, como você diz. Foi uma grande decepção para todos.

Grissom levantou para respirar e voltou já falando.

GG: Heather estava em depressão pelo ex marido não estar a deixando ter contato com a neta. Aceitou ser morta para receber uma bolada, deixando este valor para a neta. Eu descobri isso durante a noite que passei na casa dela. Apesar do início desastroso da nossa relação, criamos uma confiança grande um no outro, uma grande amizade surgiu. Eu não tive nada com ela, dormimos no sofá exaustos após horas de conversa.

JB: Mas você e ela já tiveram relações?

GG: Sim, uma vez e foi antes de estar com Sara, mas mesmo assim senti como se a tivesse traindo. Amo Sara desde o momento em que bati meus olhos nela.

JB: Porém Heather é a mulher que rouba sua atenção e faz você esquecer do mundo. Sinceramente acho que para Heather você é mais que um amigo, vejo sentimentos dela por você.

GG: Me fascina como ela consegue me entender sem que eu abra a boca, mas por ela só tenho admiração. Heather não é mulher de se apaixonar e mesmo assim não me interessa. Sara faz a mesma coisa comigo, porém é com ela que meu corpo ferve, viro um menino em seus braços.

JB: Só que nunca deixou Sara perceber isso não é? Você se abre mais com Heather do que com sua mulher. Eu vi a Sara sangrando, Grissom. Sangrando de dentro. E olha... não foi por causa da bomba. Foi por você. Ela passou anos sendo a mulher que esperava, que compreendia, que dividia o silêncio contigo... Mas dessa vez, você calou tanto que ela se perdeu.

GG (em tom baixo): — Eu não queria isso... Eu não soube equilibrar as coisas.

JB: Pois agora é hora de escolher em quem você vai colocar esforço. Porque, honestamente, você pode admirar Heather o quanto quiser, mas foi com a Sara que você construiu algo. E o que construiu está desabando. Ou você reergue, ou assiste ruir de vez.

Grissom olha para o copo de uísque nas mãos, como se procurasse ali respostas para a dor que sente. Então fala quase num sussurro:

GG: Eu não queria que ela me visse como mais um Hank. Isso me destrói. Porque eu jamais a trairia, não com outra mulher... mas traí a confiança dela, né?

JB: Confiança é mais frágil que vidro, amigo. Uma rachadura e já não é mais a mesma coisa. O que você precisa decidir é se vai colar os cacos ou jogar tudo fora.

GG (erguendo o olhar): Eu quero colar... mas não sei se ela me dará essa chance.

JB: Então prove que merece. Mas aviso: não vai bastar pedir desculpa, nem aparecer com flores. A Sara não é esse tipo de mulher. Você vai ter que mostrar com ações. Estar lá quando ela menos esperar... e não com palavras, mas com presença.

GG: — Ela pediu afastamento. E estava ferida... a mão dela estava enfaixada.

JB: — É. E mesmo machucada, foi trabalhar no dia seguinte, no meio da dor, porque essa é a Sidle. Orgulhosa, forte... mas com um coração que só você conseguiu atravessar. Não o machuque mais, Grissom. Porque, da próxima vez... pode não ter volta.

Brass se levanta, encara o amigo de pé, olhos fixos.

JB: Você já viu muita gente morrer. Mas nada vai doer mais do que ver o amor da sua vida ir embora... vivo, por sua causa.

Grissom fecha os olhos. A frase ecoa em sua mente como uma sentença.

A noite caiu em Marina Del Rey e os amigos se despediram com a perita tendo a intenção de não pensar em Grissom, mas agora no silêncio do apartamento, olhando para a luz da lua refletindo no mar, pensava na conversa que teve mais cedo com os amigos. Sara está no sofá, enfaixando novamente a mão com cuidado. Ao fundo, toca suavemente "It's Not Goodbye" de Laura Pausini. De repente ela escuta batidas na porta e ao abrir Sara teve uma grande surpresa.

SS: Isso que digo ser uma baita, mas encantadora surpresa!!

Notas finais
Quem será que está na porta?