Rivais
7 Cap.6- Decisão. Jogooo!
Notas iniciais
– Vamos jogar um amistoso no sábado.
– E?
– Não está contente com a notícia?
– E por que estaria?
– Jogo. Futebol. Você. Time. -revirou os olhos.
– Ah. Não sei se vou não. -estralei a língua.
– Tem que ir.
– Por que mesmo?
– Torcer por mim...? -Cruzei os braços e arqueei uma sobrancelha.
– Ver o jogo. Não é suficiente? -fez o mesmo que eu.
– Lucas você é um saco.
– Catarine! -me gritaram.
– O que? -olhei para o borrão rosa correndo em minha direção.
– Você já sabe -olhou para o Lucas- Ah. Já deve estar sabendo sim.
– Do amistoso? -ela assentiu com a cabeça.
– Vai vir?
– Claro. Não perderia por nada. -sorri para ela.
O Lucas me olhou torto e com uma expressão meio que confusa no rosto. Era até engraçado vê-lo assim, confuso.
– Que foi? -dei de ombros.
– Não olha muito pra ela, seu babaca! -ameaçou a garota.
– Calma Valentina, deixa o garoto. Afinal, não tem muitos como ele por aqui. -certo loiro apareceu do nada e apoiou o braço em minha cabeça.
– Ei! -reclamei e ele olhou para baixo, divertido.
– Oh. Nem tinha te visto aí, baixinha. -sorriu torto.
– Hunf. -virei o rosto.
– Que fofa. -apertou minhas bochechas.
– Voltando ao assunto... Já está de olho hein? -Vale piscou para o loiro.
– Sempre. -piscou de volta.
– Vocês dois definitivamente nasceram um para o outro. Só eu que não nasci para ninguém pelo jeito... -eles trocaram rápidos olhares.
– Sinceramente? -falaram juntos, segurando o riso.
– Não. Sinceridade agora não, por favor. -fiz minha melhor cara de brava e eles riram.
Antes que a rosada pudesse falar algo a campa tocou e ela começou a xingar tudo e todos exigindo mais vinte minutos de intervalo.
– Acalma a fera aí. -falei para o loiro.
– Ihh. Essa daí? Nem adianta mais. -rimos e arrastados a revoltada para a sala de aula.
– Acho que vou pintar meu cabelo de verde -soltou a pérola- Que foi?
– Pra que? -perguntei baixo para não chamar a atenção do professor.
– Para mudar, obviamente. O mundo vive de mudanças, não é? -elevou um pouco o tom da voz.
– Fala baixo peste! -o loiro jogou um estojo nela.
– Filho da mãe. Só não te arrebento porque tu é meu amigo, beleza? -ameaçou nós dois.
– Meu deus. Eu sou mesmo amigo dessa delinquente juvenil? -falou e recebeu um tapa.
– Sinto lhe informar. Mas... Somos sim. -rimos.
– E nem me olhe com essa cara assassina, OK?
– Beto você é uma bixa. -resmungou.
– Te amo. -deu um beijo estalado na bochecha da pantera cor de rosa.
Depois de mais besteira, voltei a copiar os resumos. Estava tão concentrada que quase tive um infarte quando uma bola de papel caiu em meu colo. Olhei desconfiada para aquela nova arma e abri o papel. Pra que? Só pra perder tempo lendo: "você faz tanto barulho que eu não escuto meus pensamentos".
Peguei uma caneta e escrevi com raiva, quase rasgando o pobre papel: " está me atrapalhando, idiota! Deixe-me em paz!" e joguei de volta. Depois de localizar meu alvo, claro.
Ele abriu o papel com um sorrisinho discreto no rosto. Quando ele leu o que tinha escrito seu sorriso alargou. Ele escreveu algo e ia jogar novamente. Ia, se...
– Com licença professor. -o coordenador pediu licença.
– Toda. -deu espaço para que o mesmo pudesse entrar.
– Bom pessoal, só estou passando para avisar que no sábado terá um jogo, amistoso, -começou a barulheira- e após o jogo -silencio- será a reunião de pais e mestres. Irei entregar os comunicados mais tarde, mas não se preocupem, iremos ligar para os pais de vocês também. Bom, era só isso. Valeu.
– Certo, certo... Agora façam silêncio. -pediu o professor.
– Estou ferrada. -joguei minha cabeça contra a mesa, e lá fiquei.
– Você pelo menos tem notas boas, né querida. -ironizou a rosada.
– E vocês tem pais compreensíveis. Tenho inveja de vocês, sabiam? -suspirei.
– Calma. Qualquer coisa estaremos aqui com você. -o loiro beijou o topo da minha cabeça.
– Ainda bem. -ri pelo nariz, sem ânimo algum.
Até que meu dia estava indo bem, se não fosse por aquela reunião... Será que o papai vai...?
Estava andando de volta para casa, perdida em pensamentos, quando alguém me chama a atenção.
– Eae, nerdzinha. Animada para o jogo de sábado? -falou Lucas.
– ... -pensei um pouco. Eu não estava lá muito animada com sábado, mas a culpa não era do jogo, e sim o que viria depois.- Sim. -tentei esboçar meu melhor sorriso.
– Vê se não marca muitos gols contra. — riu e me acompanhou até chegarmos em casa.
(...)
Sábado. O grande dia. Estávamos na arquibancada enquanto os times se preparavam para entrar. O time adversário, Lost Death, do colégio Sky High versus o nosso time, Light Titans.
– Uhul! Vai Titans!! — Valentina gritava, animada.
Beto sacudia um sabre de luz e sorria animado.
Os dois times entraram no campo, Light Titans no lado direito e Lost Death no lado esquerdo. Os caras do time adversário não pareciam ser muito fortes, e estavam quase todos na defensiva, já o nosso time posicionava-se ofensivamente, com o Lucas e o Leo como atacantes principais. O juiz apitou dando início ao primeiro tempo. A bola começou na posse dos Death, mas rapidamente foi roubada pelo camisa 20(Loan) dos Titans.
O camisa 10(Leo) acompanhou o 20 e fez um sinal para que ele passasse a bola. E assim fez. Os dois adentraram no campo inimigo, mas logo se separaram quando Loan foi marcado pelo camisa 5 dos Death. Lucas tentou alcançar o Leo mas foi rapidamente marcado por dois camisas adversárias. Leo parou frente ao gol e chutou. O goleiro nem precisou se mecher, já que o camisa 7 chutou a bola para o canto direito do campo e o atacante adversário tomou posse da bola. O camisa 11 dos Death era surpreendentemente ágil e driblou facilmente os Titans. Chegando no gol, ele ia chutar mas foi marcado por Matheus, que tentou roubar a bola. Matheus foi driblado e o atacante conseguiu fugir da marcação regredindo. O defensor ficou com cara de abobalhado mas logo se recuperou e tentou marca-lo novamente, dessa vez com a ajuda do camisa 6, Davi. Cooperando, conseguir tomar novamente posse da bola e quando Davi iria passar a bola, notou que todos os seus companheiros estavam marcados. Lucas que estava na divisória dos campos, sendo marcado pelo camisa 8, conseguiu fugir e Davi correu com todas as forças para passar a bola. Seu chute fora interceptado pelo atacante do time adversário, que já havia conseguido alcançá-los. E foi assim até terminar o primeiro tempo. Os Death estavam liderando. Nosso time estava dançando nas mãos deles. O máximo que conseguiamos era chegar na boca do gol, mas marcar que é bom, nada.
Isso foi frustrante! Qualquer um podia ver que havia uma brecha na troca de passes, já que eles preferiam passes longos, e isso demorava alguns segundos antes do outro receber a bola. Se alguem conseguisse desvendar isso... Ganhar seria tão fácil quanto respirar.
Desviei meu olhar um instante e quando voltei a olhar o jogo, o juiz apitou. Lost Death marcou o primeiro gol e o primeiro tempo acabou. Com nosso time caindo aos pedaços de cansaço e os adversário sorrindo imaginando a vitória.
– Droga, droga! Como isso pôde acontecer?! — gritei frustrada.- Se eles visse o tanto de aberturas... Os Lost Death só correram de um lado para o outro o tempo todo! Ninguém vê que o nosso time está caindo no joguinho deles?!
– Então por que você não ajudar? — Beto e Valentina viraram para mim com sorrisos cumplices.
– Mas ninguém viu...
– Você é " ninguém"?
– ...
– Vou falar com o Lucas então -suspirei- Quem vem?
– Eu vou. -a rosada se levantou- Vai que aquele treinadorzinho de merda tenta fazer alguma coisa com você. -sorriu diabolicamente.
– Claro que nós vamos. -o loiro riu.
– Vamos lá. Vamos ganhar esse jogo. -sorri vitoriosa.
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