Ritual de Adeus: para os que não sabem
1 Ritual de Adeus: para os que não sabem
Notas iniciais
Estava chovendo. Fazia tempo que não chovia. Até um pássaro resolveu cantar hoje. Acho que a tristeza tem que ter final. Apesar de que hoje é o dia pós-ápice-da-crise-existencial-e-morte-de-amizade.
É verdade que eu vivo no passado, mas só nas lembranças dolorosas. Deveria aprender com o pássaro e cantar, porque choveu. Eu adoro chuva. Mas algo me segura, talvez seja a insegurança, a amargura.
Quando me permitirei ser feliz? Bom, não agora porque perder um amigo é triste demais. Daqui a um ano? Será tempo pouco? Estou me corroendo por dentro. Faço tudo errado.
O pior de mim é que, além de nada fazer certo, também fico a remoer minha falta de ânimo. E expressar meu egoísmo falando apenas de mim. Também morro todo dia: minha cara já é de morte ou doença grave.
Agora veio o soluço. Para que eu me despeça destas lágrimas, seria mais fácil se elas quisessem ir, mas permanecem e me encharcam de dor e arrependimento.
Ele, o meu amigo, saberia o que dizer nessas horas. Era o tipo que saberia. Amigo. Único. Raro. Que se vai... E foi. Acabou de ir. Pena que eu nunca sei o que falar.
Meu amigo, ou ex-amigo. Não. Amigo. Amigo, agora, adeus.
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