Risky Proposal
3 Capitulo 3
No ar se podia sentir a delicada e fugaz fragrância de uma mulher que parecia o enganar daquilo que estava acostumado a viver.
***
Claudia tinha se casado novamente depois da morte de seu ex marido, de ataque cardíaco. Uma morte estranha para quem nunca teve indícios de doenças cardíacas. A lembrança deste homem estava cheia de carência e ausência, de frialdade e distância, de tudo que poderia estar presente em um militar fóbico a tudo relacionado a emoção e tratamentos íntimos.
Consequentemente, quando ela voltou a casar com Francisco Molinari, um colecionador aposentado que amava a poesia e a jardinagem, Thiago ficou contente. Claudia havia florescido nestes onze anos que haviam vivido juntos, e Thiago lamentou sinceramente quando o homem morreu — ironicamente — também por um ataque cardíaco.
Francisco e Claudia tinham três mil metros de terra em Bahia Blanca, e uma semana atrás, Claudia as havia alugado para um professor de universidade e sua família, comprando uma casa pequena na cidade.
Ao abrir a porta, seu filho entrou.
— Você parece cansado -lhe disse.
Thiago se olhou no espelho que estava na parede ao lado. Seu cabelo castanho, olhos verdes, e pintas que eram presentes em seu rosto e pescoço... Se olhava muitas vezes, e em nenhuma delas conseguia entender o porquê as mulheres, secretárias, empresárias e até mesmo garotas muito mais jovens que ele, o consideravam irresistível.
— Preciso fazer a barba — Disse ele.
— Você precisa de férias... Trabalha muito!
— Sim, mamãe — respondeu, dando um beijo em sua mãe. Era uma discussão que sempre tinham. — Você deveria vender esse espelho... Não combina com a casa.
— A casa combina comigo e o espelho fica. Francisco gostava muito dele.
Claudia serviu um copo com whisky e gelo sem perguntar nada.
— Poderia ter comprado uma casa maior que essa, mamãe. A senhora nem sequer tocou na conta que eu abri no banco para você.
Ela adicionou coca-cola ao rum em seu copo; segundo ela, o rum era uma desculpa para tomar o refrigerante.
— Você já sabe como eu sou. Não gosto de depender de ninguém, e também sou muito velha para ficar me mudando.
— Espero que não tenha tomado a decisão de se mudar apressadamente.
— Faz tempo que queria fazer isso. Aqui não tem escadas, já é uma vantagem. E também, por perto tem uma biblioteca, um supermercado e algumas lanchonetes. Ah... Outra coisa legal é que dá para pegar um taxi na porta para ir a um teatro ou concerto. — Levantou seu copo para fazer um brinde. — Sou realmente feliz neste lugar! E coma... Fiz batata-frita.
Claudia não obedecia o colesterol. Thiago pegou uma porção, sorrindo afetuosamente para sua mãe, reconhecendo-a, como sempre fez. Era muito agradecido por poder estar com sua mãe e lhe dar o amor que seu pai nunca tinha dado a ela.
— Você tem que fazer algo com o jardim. — Disse ele.
— Tenho que colocar césped.
— Que?
— Grama, Thiago. Grama.
— Mas na outra casa tinha um jardim tão lindo.
— As mudanças são a essência da vida. — Disse ela — Envelhecer não significa se acomodar e acovardar.
— Ninguém te chamaria de covarde ou acomodada, mamãe. — E Thiago lembrou dos olhos castanhos e profundos de Mariana Rinaldi.
Ela também não era covarde... Muito menos acomodada. Com certeza Claudia se daria bem com ela.
— Toda essa bobagem sobre anos dourados... Não sei o que há de dourado em artrite, e em que seus amigos comecem a morrer. — Olhou para seu filho com um ar de deboche. — Não deveria dizer isso, mas gostaria muito que não demorasse tanto tempo para ser avó novamente.
— Não, mamãe!
— Já faz dois anos!
— Sim... — Thiago negou com a cabeça, mas não discordando. — Só que parece que foi ontem.
—Você não pode continuar se refugiando em seu trabalho.
— Suponhamos que não — Forçou um sorriso — Se eu conhecer alguém, te juro que vai ser a primeira a saber.
— Não vai conhecer ninguém até abaixar a guarda. Isso é tão evidente quanto tua imagem no espelho da entrada. E agora quero que me ajude a mover um móvel do meu quarto, então encerramos esse assunto.
— Óbvio que vou te ajudar. — Thiago se apressou em terminar sua bebida.
Uma hora mais tarde e o móvel estava em outro lugar, as cortinas eram outras, os livros estavam fora das caixas, e ele estava a caminho do hotel que estava hospedado. Sua mãe nunca havia mencionado a perda de sua neta até hoje, e Thiago preferia que não tivesse feito isso. Era um assunto que poderia chamar outros que o deixavam angustiado.
Se sentia perdido, então decidiu ir ao clube de tênis, onde havia comprado umas entradas em outra oportunidade. Já era tarde, e provavelmente seria difícil encontrar outro companheiro para jogar.
Olhou para o horário de funcionamento das quadras, e viu que haviam dois homens ali: Bruno Arregui e Tomás Mendez. Já tinha tido a oportunidade de jogar com eles um dia. Olhou mais abaixo e descobriu outro nome escrito a lápis. Mar Rinaldi. Ela tinha reservado a quadra para as sete da manhã do dia seguinte, junto com alguém chamado José Rojas.
Ficou imóvel ao se lembrar de seu rosto. Por algum motivo não ficou surpreso ao saber que ela joga tênis, um esporte que precisava de total concentração, estar em forma e reflexos rápidos. E também, ela não morava muito longe dali... Soube disso ao pesquisar sobre ela e sua empresa.
Franzindo o senho, Thiago se dirigiu aos vestiários.
Continua...
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