— Mar, por favor, me ligue qualquer hora antes da meia noite de hoje. Sou Thiago. — Disse, deixando finalmente a mensagem de voz e desligando o telefone.

Com quem estaria?

Onde estaria?

***

Essa tarde Mar tinha ido ver a sua amiga Estefania. A primavera finalmente tinha chego em Rosario. As lilas e as tulipas finalmente faziam suas aparições entre as rosas do jardim que Mar tinha desenhado para Tefy e seu esposo Augusto.

Augusto estava fora da cidade em uma viagem de negócios e as crianças já estavam dormindo. Claro que Mar já sabia.

Tefy abriu a porta e lhe deu um abraço.

— Que alegria me dá te ver depois de um dia inteiro com meus dois monstrinhos! Realmente eu estou muito feliz de poder ter uma conversa com algum adulto. Como você está?

— Você está muito linda! A maternidade realmente te fez muito bem.

— Vou te dar o dobro de torta de chocolate só porque disse isso. Consegue acreditar que hoje eu tive tempo pra fazer uma torta?? Quer chá?

Tefy tinha um cabelo comprido cheio de cachos castanhos, e mesmo com os olhos verdes demonstrando um cansaço absurdo, conseguia ser uma mulher linda. Uma mulher que exalava alegria e demonstrava ser feliz de verdade.

— Sim, eu adoraria uma xícara de chá.

Estefania e Augusto tinham uma casa moderna e que tinha um inconfundível ar familiar. Jogos e cores por todos os lados e algumas madeiras esculpidas por Tefy.

Mar precisava falar com sua amiga. Talvez porque ela mesma não conseguia acreditar no que estava passando.

— Estou grávida.

— Que? – Respondeu Tefy totalmente surpresa.

— Fui ao médico hoje e ele me confirmou. Estou de algumas semanas.

A face de Tefy demonstravam uma multidão de emoções.

— E você ficou feliz com essa notícia?

— Muito! – Exclamou Mar com um belo sorriso. Tefy simplesmente se levantou e deu outro abraço na amiga, mais apertado que antes.

— Então fico feliz por ti. Mas Mar... Quem é o pai? Não sabia que você estava saindo com alguém.

Essa era a parte difícil de explicar. Sem saber por que, Mar sentia que estava traindo Thiago.

— Você me conhece melhor que ninguém. — Começou — Sabe que não quero me casar outra vez e que toda a minha vida sonhei em ser mãe, mas nunca consegui com Ricardo. E eu até acho que foi melhor assim. Mas mês passado conheci um homem... Ele não mora aqui e esteve de acordo com me deixar ser mãe solteira se eu ficasse grávida. E isso é o que aconteceu. Estou grávida.

— Vai te manter, suponho... Me refiro à parte econômica.

— Não. Nem quero que ele faça isso.

—Mar... Você está querendo me dizer que não vai ver ele nunca mais?!

— Exato.

— Gosta dele?

— Sim. É uma boa pessoa, esse é um dos motivos que me fizeram escolher ele. Mas não quero casar com ele.

— Ele pediu você em casamento?

— Não! Foi algo de uma noite. — Mas ela sentiu que talvez não fosse justo descrever uma noite tão linda desse jeito.

— Está casado! É isso, não? – Suspeitou Tefy, mas Mar negou com a cabeça. — E ele sabe que você está grávida?

— Ainda não. Descobri hoje a tarde, Tefy. Não quero falar dele! Vou ter um filho. É isso que importa.

— Não conversamos nunca sobre isso, e não é assunto meu, mas sempre tive a impressão de que você não se interessava muito por sexo, Mar. Acho que por causa do Ricardo. — fez uma pausa, mas logo continuou com delicadeza. — Como foi? Como foi dormir com ele?

— Maravilhoso. Mas por que isso importa?

— Acho que deveria pensar na possibilidade de ter uma relação com ele. Ser mãe é um trabalho difícil. Muitas vezes você se sente esgotada, subindo pelas paredes. E se eu não tivesse o Augusto para me ajudar... Ele é um pai incrível. Sabia que seria desde o primeiro instante. Esse foi um dos motivos pelos quais eu me casei com ele. Esse e suas pernas. Devo admitir que as coxas do Augusto me deixam louca. — Continuou ela — Poderia criar a Natália e o Mateo sozinha se eu tivesse que fazer isso, mas seria difícil e eu me sentiria muito solitária. E Nati adora o pai dela. Quando ele chega em casa ela faz uma festa.

— Quer dizer que as mães solteiras não são boas só porque são solteiras?

— Não, não é isso que eu estou tentando dizer. Mas sim, tem a possibilidade disso acontecer, e ele é um homem bom. Você tem que pensar muito bem nas coisas.

— Não quero me casar outra vez!

— Nem todos os homens são como Ricardo. Augusto mesmo não é assim!

— Não, claro que não.

— O problema era o Ricardo, não o casamento.

— Ele me deixava presa, me assustava... Para ser sincera com você, quando pedi pra ele ir embora ele se negou. Todas essas coisas... Me aterroriza a ideia de que algum homem controle minha vida!

— Você nunca me disse o que aconteceu com o Ricardo até essa noite!

— E agora só estou dizendo porque isso explica o porquê de eu não querer me casar...

— Não quero te deixar angustiada. Você é minha melhor amiga e eu quero o melhor pra você. — Disse Tefy se sentindo afetada.

— Esse bebê é o melhor para mim. De verdade, Tefy.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.