Mar Rinaldi não era tão diferente dele, assim como ele não era diferente dela.

Mas isso não importava mais.

Porque ele ia tirá-la de sua cabeça.

***

Passaram-se dois dias. Thiago tinha se reunido com seu intendente e o secretário. Continuava trabalhando no projeto da fachada, tinha vistado vários lugares e deixado suas bases para assinar um contrato em Mendoza. Mas cada minuto que tinha livre pensava em Mar Rinaldi, e em sua proposta de que ele fosse o pai de seu filho.

Por que ela não queria se casar? Seria divorciada ou viúva? Por que tinha ficado tão rígida em seus braços enquanto dançavam naquela pista e ficou tão desconfortável pelo beijo que lhe havia dado quando estavam indo para casa? E a maior de suas dúvidas... Por ele foi o escolhido?

Foi uma ideia terrível. Então, por que pensar nela?

Sabia perfeitamente o porquê. Porque se ele aceitasse seu plano, teria a possibilidade de fazer amor com ela. Satisfazer a fome que tinha desde o momento em que a viu pela primeira vez. Talvez desse jeito fosse capaz de esquecê-la, e de deixar de sonhar com ela cada vez que apoiava a cabeça em seu travesseiro.

Mas também tinha outra razão. Se Mar ficasse grávida, sobre a terra haveria um filho seu. Do mesmo sangue. Vivendo, crescendo e aprendendo.

Mar seria uma boa mãe. Disso ele tinha certeza. Mas ele seria um pai ausente, presente apenas no ato de sua concepção. Ele não amaria essa criança. Nem mesmo a conheceria.

Ela não ia se meter em uma relação com ele. Estava apenas se safando.

E ele não conseguia deixar de pensar nisso.

Passou o fim de semana com sua mãe, ajudando-a a pendurar quadros, mudar caixas de lugares e pintar o quarto de sua casa. No domingo foram na feiram, onde ela comprou decorações em um antiquário para enfeitar o quarto recém pintado.

Ele tinha pensado em voltar para Buenos Aires antes do próximo fim de semana, e na terça-feira, voltou ao clube de tênis de mau humor e alugou a quadra por uma hora porque seu amigo Tomás tinha prometido que iria jogar com ele. Pelo menos não tinha tempo de pensar em Mar quando estava jogando. E não pensava que poderia encontrá-la porque ela e José costumavam praticar de manhã.

Jogou com agressividade, brigando pelos pontos como nunca havia feito antes. Estava tão concentrado no jogo que não se deu conta de que duas pessoas estavam observando-o, sendo Mar uma delas.

Ela estava atrás, com a raquete colada em seu peito. Thiago se movia com graça e delicadeza, apesar de ser um homem grande. Sua raquete acertava a bola com força e maestria, salvando-o de situações que podiam ser consideradas impossíveis. Estava quase sempre no ataque, quase nunca em posição de defesa. Dava pra conhecer muito alguém pela sua forma de jogar, e ela viu que ele jogava com prazer, mas também como se a bola fosse o próprio diabo.

Mar estava jogando dez minutos antes, sem nenhum telespectador, e logo depois tinha ido ao vestiário.

Thiago jogava energeticamente, mas Tomás não ficava atrás, também tinha tido um mau dia e agora estava descontando tudo naquele jogo. Depois de cinquenta e cinco minutos, Thiago ganhou por poucos pontos.

Fizeram o cumprimento rindo, e Tomás se focou em falar com outro homem enquanto Thiago ia para o vestiário, secando o suor de seu cabelo com uma toalha.

Não a viu até, literalmente, trombar com ela. Seu cotovelo bateu no peito dela, e a raquete foi ao chão. Só se reconheceram ao se separarem. Mar estava com um short e uma camiseta decotada. O cabelo estava com uma fita que impedia que suas mechas atrapalhassem sua visão.

— Você só vem aqui de manhã... — Disse ele rapidamente.

— José não está aqui, então estou jogando com uma amiga por uns dias.

Thiago estava banhado em suor. Sua camiseta mostrava um rastro úmido na parte das costas e ele estava com a respiração descompassada. A dela não ficava muito atrás. As mãos estavam suando, e relaxou apenas ao ouvir uma risada quente anunciando certa descontração.

— Não chegue muito perto... Preciso mesmo de um bom banho.

E ela tinha pensado nele como pai de seu filho...

Que Deus a livre!

— Eu vi você jogar... Sempre joga assim?

— Mar, você já jogou? Por que não conversamos depois de você jogar? Podemos tomar algo em algum barzinho por aqui. Estive pensando na sua proposta.

— Esse é um assunto do qual não quero voltar a falar.

— Talvez eu aceite.

Ela ficou pálida.

— Você está falando sério?

— Com certas condições. Acho que deveríamos conversar um pouco mais.

— Acho que está ficando tarde. — Disse ela, esquivando-se do assunto. — Tenho que ir. Te vejo no bar da esquina em uma hora.

Thiago voltou a secar seu suor e foi em direção aos chuveiros. Ele tinha apenas recomeçado as conversas. Ou era nisso que ele queria acreditar.

Não havia tomado uma decisão... Ainda.

Continua...