Notas iniciais
Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela demora, mas estive com alguns problemas com a Internet. Espero que gostem do capítulo.

Onze dias depois...

Depois de muito tempo inconsciente, Jackeline finalmente começava a dar sinais de que estava para acordar. Jack Frost, que estava no quarto desde que a trouxera até lá, olhou animado para a garota que parecia estar prestes a acordar.

– Norte! Coelho! Fada! Sandy! – Jack chamou todos que rapidamente chegaram ao local. – Ela está acordando.

– Que ótimo. – A Fada suspirou aliviada.

Jackeline abriu os olhos lentamente. Sua cabeça doía como nunca e ela se sentia levemente fraca. Levantou-se e ficou sentada na cama observando confusa os cinco guardiões que a observavam felizes.

– Jenn, que bom que você acordou. – Jack se aproximou e colocou a mão no ombro da garota.

Jackeline achou estranho ele tê-la chamado pelo apelido da irmã, mas depois de alguns segundos de reflexão, entendeu. Ela e Jennete eram exatamente iguais e a única coisa que podia diferenciá-las era o uso da abóbora. Sem ela, todos pensavam que Jackeline era Jennete.

– Não sou a Jennete. – Jackeline declarou depois de alguns minutos.

– O que...? – Jack começou a perguntar, mas foi interrompido.

– Sou a Jackeline. – Ela falou.

– Jacky? – Jack Frost parecia confuso.

O espírito do inverno se afastou um pouco do lugar onde a garota estava e Norte se aproximou também confuso.

– Jackeline, o que aconteceu? – Norte fez a primeira pergunta que lhe viera à mente.

Jackeline começou a explicar a história desde a parte em que fora dar uma caminhada na floresta até a parte em que desmaiara. Durante esse tempo todos os guardiões, até mesmo o Coelho, ficaram calados escutando atentamente.

– E a sua irmã? – Jack perguntou assim que ela terminou de falar.

– Eu não sei. – Jackeline abaixou a cabeça, tristonha.

– Você disse que ela está com a sua abóbora, não é? – A Fada perguntou.

– Sim. – Jackeline respondeu sem levantar a cabeça.

– E por que ela é tão importante? – O Coelho questionou.

– É fonte de todos os poderes do Halloween. – Jackeline explicou.

– Então temos que achar tanto ela quanto sua irmã. – Jack se pronunciou.

Sandman fez um sinal positivo e com a areia dourada, sugeriu que todos fossem até o trenó. Os guardiões concordaram, embora Jack Frost e o Coelho da Páscoa ainda estivessem desconfiados da história de Jackeline.

Pararam à porta, esperando que Jackeline se levantasse. A garota ficou de pé com dificuldade, mas quando começou a dar sinais de que ia cair, Jack a segurou.

– Obrigada. – Ela agradeceu à ajuda do espírito do inverno.

– Não há de quê. – Ele respondeu sem graça.

Assim, Jack e a Fada ajudaram Jackeline a ir até o trenó. Desta vez, o Coelho não discutiu e se sentou em seu lugar sem reclamar. Assim que ajudaram Jackeline a entrar no trenó e se sentar, Jack e a Fada também entraram seguidos por Sandman e Norte.

– Para onde? – Norte perguntou, já decolando com as renas.

– Acho melhor começarmos pela nossa “casa” – Jackeline sugeriu.

– Onde fica? – A Fada perguntou antes de Norte.

– Cemitério de Los Angeles. – Jackeline confessou.

– Vocês moram num cemitério? – Jack quis saber.

– É. – Jackeline admitiu.

Assim que disse isso, várias lembranças vieram à sua mente e ela abaixou a cabeça. Não queria se lembrar da aparente traição de Jennete.

– Você está bem? – Jack perguntou.

– Sim, claro. – Mentiu, ainda olhando para frente.

– Está mentindo. – Jack lança-lhe um sorriso divertido.

– E por que se importa? – Ela se virou para ele.

– Por nada. – Ele tenta desviar da pergunta. – Mas estive pensando em algo que a Jenn nos disse outro dia.

– O que? – Jackeline agora estava visivelmente curiosa.

– Disse que você não gosta do Halloween. – Jack respondeu honestamente. – Que te traz lembranças ruins. É isso que está te incomodando?

– Antes fosse. – Ela levanta a cabeça e fita o céu. – Mas ela tem razão, eu não gosto do Halloween.

– Por quê? – Jack estava confuso com isso desde que Jennete lhe contara.

– Não gosto de assustar. – Ela respondeu sem olhar para ele.

Jack se viu confuso com aquela afirmação, assim como todos no trenó que escutavam a conversa silenciosamente. Tanto Coelhão quanto Jack ainda duvidavam bastante de Jackeline, mas ela não parecia estar mentindo. Sandman, Norte e Fada, por outro lado, já acreditavam plenamente nela.

– Se não gosta, por que faz? – Jack desafia.

– Por que eu preciso. – Jackeline responde. Quando Jack ia falar, ela continua. – Para que você acha que serve o Halloween?

– Não sei. – Ele responde francamente. – Nunca entendi bem o porquê de as crianças gostarem dessa data.

– Para mim, o Halloween significa esperança. – Ela fala e ao ver tanto Jack quanto os demais Guardiões confusos, explica. – Ensina que se você for corajoso e enfrentar seus medos, terá uma recompensa.

– Por isso o susto e os doces? – Fada pergunta.

– Exato. – Jackeline concorda. – Em outras palavras, aquelas que me enfrentam, ganham da Jennete algo de bom. É isso que significa os doces. Encoraja a acreditar que não importa quão escuro seja o caminho, sempre tem uma luz no fim do túnel.

Os Guardiões se viram confusos e completamente surpresos com as palavras de Jackeline. Esta, por sua vez, apenas ficou calada e ignorou os olhares que os outros mantinham nela.

Eles voaram em silêncio até onde Jackeline dissera. Norte deixou o trenó numa parte mais afastada e seguiram a pé pelo sombrio e assustador lugar.

– Que lugar esquisito. – O Coelho observou, encolhendo-se com os barulhos que vinham das árvores ao redor.

– Você se acostuma. – Jackeline sorriu fracamente.

– Eu acho meio difícil. – Jack falou.

Andaram mais um pouco por entre as árvores e logo se viram em um local mais aberto, porém escuro e com várias lápides. Jackeline sorriu verdadeiramente ao ver o conhecido lugar, mas este sorriso morreu ao ver a irmã gêmea sentada numa lápide, olhando para o chão e segurando a abóbora com um sorriso no rosto.

– Pensei que estava morta, Jackeline. – Ela virou-se para encarar os guardiões e a irmã. – Mas estava me perguntando o porquê da demora de vocês.

– Jenn, o que está fazendo? – Jack Frost perguntou, dando um passo à frente.

– Não parece óbvio? – Ela respondeu com outra pergunta.

– Por quê? – Jackeline se pronunciou, ainda com a voz fraca.

Jennete sorriu e em um segundo estava a centímetros da irmã, encarando-a. Os outros guardiões deram espaço, mas pegaram suas armas.

– Porque eu cansei. – Jenn falou, lançando à irmã um olhar carregado de ódio.

– Como assim? – Jackeline perguntou confusa.

– É claro que você não sabe, nunca soube como é ser esquecida e invisível para todos! – Jennete exclamou, rodeando Jackeline que permanecia parada em seu lugar. – Todos sempre lhe viram, sempre acreditaram em você, mesmo que você só os trouxesse medo e desespero.

– Jenn... – Jackeline tentou argumentar, mas Jennete a interrompeu.

– Eu sempre tentei ser uma boa garota e agradar a todos aqueles pirralhos, mas quando se falava em Halloween, todos só pensavam em você!

– Eu não...

– Você não sabe com foi passar os últimos quinhentos anos na sua sombra! – Jennete apertou a alça de ferro da abóbora e dela saiu um poder que jogou todos para trás, exceto Jackeline.

Jennete parou de andar e segurou o pescoço da irmã. Esta por sua vez, apenas ficou parada olhando-a de maneira inexpressiva.

– Mas isso acaba hoje. – Jenn fala em um tom que só a irmã pode ouvir.

– O que você vai fazer? – Jackeline pergunta.

Jennete joga Jackeline para trás e ela cai no chão. Jacky levanta-se, ficando de joelhos fitando Jennete de maneira ameaçadora, enquanto ela ri.

– Surpreendente. Mesmo sem isso ainda consegue ser assustadora Jackeline. Tanto talento desperdiçado. – Jennete voltou a andar em círculos ao redor de Jackeline.

– Como assim? – Jack Frost se manifestou, ficando de pé e encarando as irmãs.

– Lembra quando eu disse que ela ficava triste quando o Halloween se aproximava por causa de algo que aconteceu no passado? – Jennete se dirigiu a ele e Jack concordou com a cabeça. – Era mentira. Era apenas para ganhar a confiança de vocês.

– Então, por que...? – Jack ia perguntar, mas foi interrompido.

– Eu não podia dizer que ela era a boazinha entre nós duas. – Jennete lançou-lhe um sorriso sarcástico. – A verdade é que a Jacky nunca gostou de assustar.

Jack e todos os outros guardiões, que já estavam de pé, se viram sem fala diante desta afirmação.

– Quando você foi procurá-la... – Norte falou, deixando a frase inacabada para que ela terminasse.

– Era só uma desculpa para ir me encontrar. – Breu completou, aparecendo de súbito ao lado de Jennete. – E vocês caíram tão facilmente.

– Sabem, — Jennete começou. – Não fiquei muito surpresa que vocês tenham gostado e confiado em mim. Quando você não conhece a Jacky, você a vê como uma pessoa assustadora e sarcástica, mas se passar bastante tempo com ela, você vê que ela é exatamente como eu fingi ser para vocês.

– Você nos enganou! – Coelhão acusou.

– É claro que sim. – Jennete confirmou, gargalhando alto. – Isso sempre fez parte do plano. Meu plano de vingança!

– E o que nós fizemos para você? – Fada questionou.

– Não para mim. Para ele. – Jennete apontou para Breu. – Eu não conseguiria sozinha, então me aliei a Breu para nós dois termos o que queremos. Eu consigo minha vingança contra a minha odiada irmãzinha e Breu consegue a vingança dele contra vocês.

– Lamento que tenha ido tão baixo. – Jackeline se intrometeu, lançando um sorriso sarcástico a Jennete.

Jennete lançou um olhar de desprezo a Jackeline e deu-lhe um forte chute na barriga, fazendo-a cair nu chão e se encolher. Jack foi até ela, colocou o braço da garota ao redor de seus ombros e a levantou.

– Você não vai se safar dessa Jennete. – Ele fala.

– E quem vai me impedir? – Ela pergunta, começando a concentrar a energia da abóbora.

– Jack, sai daqui. – Jackeline pediu ao ver o que ela estava fazendo, afastando-se dele. – Todos vocês.

– Mas, Jacky... – Jack tentou argumentar.

– Eu não estou pedindo. – Jackeline o interrompeu. – Saiam. Agora!

Todos, menos Breu, foram atingidos pela onda de energia que se originara da abóbora de Halloween e Jennete começou a gargalhar loucamente ao ver todos no chão.

– Que linda visão. – Breu elogiou, gargalhando junto com Jennete.

– Vá em frente e resolva-se com os guardiões. – Jennete ordenou. – Tenho assuntos a tratar com a Jacky.

– Nem precisa falar duas vezes. – Breu concorda, afastando-se, indo primeiramente até Norte, que ainda estava no chão.

Jennete se vira para Jackeline e caminha vagarosamente até onde ela estava com Jack. O espírito do inverno já havia se levantado e tentava a todo custo acordar a garota. Ao ver Jennete se aproximando, Jack ficou de pé entre ela e Jackeline.

– Protegendo a garota que até pouco tempo julgava ser uma ameaça? – Jennete perguntou, lançando-lhe o um sorriso irônico.

– Eu estava errado. – Jack levanta o cajado e o aponta para Jennete. – O monstro aqui é você!

– Não poderia estar mais certo. – Jennete fala, erguendo a abóbora e dela sai uma forte luz que joga Jack para trás.

Assim que o espírito do inverno bate na arvore atrás de si, os galhos dela começam a envolvê-lo, prendendo-o e tomando-lhe o cajado.

– Fica melhor assim. – Jennete para por um segundo e o observa, mas logo se abaixa ao lado de Jackeline que continuava desacordada. Ela fita a irmã com desprezo. – Dessa vez vou garantir que você realmente morra.

Mais luz sai da abóbora e do sorriso entalhado na superfície alaranjada, Jennete tira uma adaga de prata com cabo preto. Ela levanta o braço com a adaga em punho e rapidamente o baixa.

– Não! – Fada do Dente grita e se atira na frente de Jackeline, tirando-a dali.

Antes que a Fada pudesse sair dali com Jackeline, Jennete acerta uma de suas asas com a adaga e ela cai no chão ainda segurando o espírito de Halloween.

– Não, não, não. – Jennete lança à Fada um olhar reprovador. – Não é certo interromper os assuntos dos outros. Que falta de educação, fadinha.

Jennete sorri com a visão da Fada se contorcendo de dor no chão, mesmo esta ainda se mantendo protetoramente acima de Jackeline. Ela se aproxima e chuta a Fada para longe. Nesse momento, Jackeline abre os olhos, mas antes que se levante Jennete coloca o pé sobre ela, impedindo-a.

– Não vai escapar de mim, Jacky. – Jennete alerta.

– Se você vai me matar, mate-me! – Jackeline grita.

– Não Jacky! – Jack se desespera, ainda se debatendo para se livrar dos galhos que o prendiam.

Jennete fitou a irmã com curiosidade e depois de alguns segundos, franziu o cenho. Jackeline não parecia estar brincando e tampouco parecia temê-la. Jennete começou a pensar em várias maneiras de puni-la, mas nenhuma parecia cruel o suficiente.

De repente, ela sorriu com uma nova ideia.

– Não. – Jennete aumenta ainda mais o sorriso. – Matá-la seria bom demais para você. Em vez disso, vou fazer uma coisa bem pior.

– O que está pretendendo? – Jackeline perguntou apreensiva.

– Você vai me ajudar. – Jennete se abaixa, aproximando-se de Jackeline. – Vai fazer tudo aquilo que mais odeia fazer. Querendo ou não.

Jennete segura à cabeça de Jackeline e a força a fitar a abóbora. O objeto começar a brilhar em cor preta, sua luz se dirige diretamente os olhos de Jackeline. Ela tenta desviar o olhar, mas Jennete a mantém olhando para a luz negra. Aos poucos os olhos laranja de Jacky começam a perder o foco e escurecerem lentamente.

– Jacky, não! – Jack grita. – O que está fazendo com ela?! O que está fazendo com ela?!

– Você vai descobrir. – Jennete diz, sorrindo para Jack.

O brilho negro da abóbora aos poucos foi se apagando e à medida que isso acontecia, os olhos de Jackeline, agora completamente pretos, iam ganhando foco. Ela parecia mais assustadora do que já era.

Notas finais
Poderiam por favor comentar? Estou até ficando desanimada para escrever.