Rise of the Guardians 2 - Spirits of Halloween
12 Capítulo 12: You Should Be Afraid of Me
Notas iniciais
As gêmeas reaparecem num lugar completamente diferente da Oficina do Papai Noel. Ao olhar em volta, Jacky percebe que ambas estão num lugar muito conhecido e que nenhuma delas gostaria de ver novamente.
Era uma clareira rodeada de árvores destruídas e queimadas. A terra continuava negra e coberta de cinzas. Ao redor era possível ver quatro lampiões que estavam acesos desde a última vez em que as duas estiveram ali, há pouco mais de quatrocentos anos.
– Então é aqui que tudo acaba? – Jennete pergunta, olhando em volta, assustada.
– Parece que sim. – Jacky repete o gesto dela, trazendo em si as mesmas emoções que a gêmea sentia.
Depois de fitarem conhecido lugar por algum tempo, as duas começam a se encarar. Todo o medo esquecido e substituído por um ódio profundo ao olharem nos olhos uma da outra.
Em segundos as duas avançam uma para a outra e começam a se atacar incansavelmente. Jennete levava vantagem devido ao fato de que ela possuía a Abóbora de Halloween.
Jenn derruba Jacky no chão e esta última rapidamente se levanta, partindo novamente para cima da irmã. Jennete desvia do ataque de Jackeline, mas esta última consegue segurá-la pelo braço e derruba-a junto consigo.
Jennete se levanta e se afasta a passos rápidos e largos. Jacky também se levanta e olha para a irmã de maneira ameaçadora e um tanto quanto assustadora.
– Isso deveria me assustar? – Jenn pergunta sarcasticamente. – Você não me assusta!
Em segundos Jacky se transporta para frente de Jennete, olhando a gêmea nos olhos.
– Você vai se arrepender dessas palavras. – Jacky fala. Seus olhos escurecem levemente. – PORQUE EU SEI O QUE MAIS TE ASSUSTA! – Grita.
Jennete vê Jacky sumir diante de seus olhos e em segundos todo o cenário ao seu redor muda. Os quatro lampiões se apagam e um vento frio se espalha pelo lugar. Até mesmo a própria lua fica oculta pelas nuvens, deixando o lugar completamente escuro.
– Jacky? – Jennete chama nervosa.
A garota não obtém nenhuma resposta. Apenas um silêncio desconfortável e assustador paira pelo lugar, contribuindo para o nervosismo e temor do espírito do Halloween.
– Você parece nervosa. – Ela ouve uma conhecida e nem um pouco agradável voz.
Jennete se vira e encontra a última pessoa que gostaria de ver em sua eternidade. A figura que via a sua frente era alta e musculosa. Trajava uma roupa antiga de cavaleiro medieval completamente preta e montava num assustador cavalo também preto. Mas o detalhe mais importante era outro. Não havia cabeça.
– V-Você. – Jennete gagueja e recua alguns passos.
O Cavaleiro se aproxima em seu cavalo lentamente, rodeando um completamente aterrorizado Espírito de Halloween.
– Com medo, queridinha? – O Cavaleiro pergunta e o som saía do buraco entre os ombros onde deveria estar o pescoço e depois a cabeça. – Pensei que havia dito que eu estava morto e não havia motivos para ter medo de mim.
O cavalo rincha e levanta-se sobre duas patas, caindo em quatro novamente logo depois. Jennete se assusta com o movimento e cai no chão, largando a abóbora de Halloween no ato. Desse modo, O Cavaleiro pega a abóbora e a coloca no lugar onde sua cabeça deveria estar. As feições assustadoras esculpidas na superfície alaranjada parecem ficar mais nítidas e se mexiam como se realmente fossem vivas.
– Gosta mais de mim agora? – Questiona, descendo do enorme cavalo preto.
O cavaleiro anda a passos largos e lentos até a garota que ainda estava no chão, mas que se arrastava procurando ficar longe dele.
O cavaleiro fica de joelhos e com a mão livre segura o pescoço de Jennete, levantando-a em seguida, ficando de pé segurando a garota. Depois de alguns segundos daquele modo, algo estranho acontece. A imagem começa a oscilar e mudar entre o cavaleiro com cabeça de abóbora e o espírito do Halloween segurando a mesma.
Quando finalmente para, Jacky é quem fica no lugar onde o cavaleiro estivera e agora segurava sua abóbora.
– Você deveria ter medo de mim. – Diz. Os olhos novamente negros assumindo um brilho maníaco.
– Jacky, o que aconteceu com você? – Jennete pergunta sufocada pelo aperto firme de Jacky em seu pescoço.
– VOCÊ ACONTECEU COMIGO! – Jacky grita, largando a irmã no chão e andando em círculos em torno da mesma.
Jennete permanece no chão, encolhida, mas sem tirar os olhos da gêmea.
– Está feliz agora?! – Era visível o quanto Jacky estava alterada. – Você queria um monstro. Conseguiu um! Mas parece que não saiu do jeito que você esperava. – Jacky para em frente à irmã. – PORQUE VOCÊ NÃO ME CONTROLA MAIS!
Jacky começa novamente a oscilar entre sua própria imagem e a do cavaleiro com cabeça de abóbora, mas desta vez não para.
– Você me destruiu. – Fala baixinho. Sua voz também alternava sem parar entre a voz do Espírito do Halloween e a voz do Cavaleiro. – ESTÁ SATISFEITA?!
Da abóbora que, hora estava na mão de Jacky, hora estava servindo com cabeça para o Cavaleiro, sai uma luz laranja escura que arremessa Jennete para uma das árvores destruídas que cercavam o local e a prende ali.
Jacky se aproxima, ainda mudando de forma sem parar, e segura o queixo da irmã gêmea.
– Você está fora de si! – Jennete grita, apesar do aperto forte que Jacky mantinha em seu rosto. – Você sabe as consequências de se transformar nele!
Jacky solta uma gargalhada sinistra e ruidosa que ecoa pela clareira onde estavam. De repente, a imagem da garota para de mudar, deixando a imagem do cavaleiro ali.
– Você realmente acha que depois de tudo que você me fez, eu ainda tenho alguma coisa a perder? – Ele pergunta sarcasticamente. – Você acabou com tudo o que eu era. Com a pessoa que eu sempre fui e gostei de ser. – Continua.
– O que está dizendo? – Jennete pergunta absolutamente aterrorizada.
– Depois da traição da minha própria irmã, — Ele começa. – Não há muito mais coisa que possa ser feita para eu volte ser aquela pessoa ingênua e idiota. – Dá leves batidas com a mão livre na superfície alaranjada da abóbora que lhe servia como cabeça. – Mas acho que essa parte minha sempre esteve aqui. E que foi você quem a mostrou. VOCÊ ME TRANSFORMOU NISSO!
– Não. – Jennete o interrompe.
– Sim. – Ele contradiz.
– Não.
– SIM! – Ele grita.
Jennete permanece calada fitando as feições de abóbora a sua frente.
– Sabe, — Ele começa. – Você me fez coisas bem ruins. Tudo por causa da inveja que tinha de mim. Mas realmente acha que eu merecia isso? – Aponta para si mesmo. – Você causou isso. Criou duas personalidades na minha cabeça. Isso agora faz parte de mim. A parte maligna e impiedosa que você criou. Sempre você me olhar nos olhos, você verá o ponto escuro que para sempre ficará presente aqui. – Continua. – Você realmente acha que aquilo foi sofrimento para mim? Ficar a sua mercê e fazendo as coisas que mais odeio? – Pergunta sarcasticamente. – Agora essa dor na minha cabeça não para. Eu sinto duas partes minhas lutando para saber quem comanda.
– Como isso pode acontecer? – Jennete pergunta mesmo ainda estando assustada e um pouco culpada com aquelas palavras.
– Você fez isso. Diga-me você. – Responde. – Mas essa marca irá permanecer pela eternidade. Você verá o que toda sua inveja e rancor causaram.
Ao dizer isso, a imagem à frente de Jennete volta a ser a de Jacky. Assim que volta ao normal, Jennete pode ver as mudanças na aparência da irmã. Um dos olhos estava laranja-vibrante como sempre estivera e o outro estava preto como havia sido nos últimos dias. As roupas também não eram mais totalmente pretas, traziam também alguns detalhes laranja-escuro. Os cabelos mais longos e as pontas pareciam ainda mais rebeldes e apontavam para todos os lados.
Jennete se aproxima de Jacky e como se para confirmar que a pessoa com a face amargurada a sua frente era real e sem nenhum impedimento por parte dela, toca o rosto da outra.
– Agora já não somos tão parecidas. – Jennete diz e vira de costas. – Mesmo que eu te odiasse e sempre desejasse me vingar de você e vê-la sofrer... Não era isso que eu queria.
– Se você diz... – Jacky responde também se virando de costas para a outra.
– Pensei que você iria me matar. – Jennete fala.
– Vá embora. – Jacky pede.
Jennete continua parada em seu lugar, ainda de costas para a irmã.
– VÁ! – Jacky grita.
Assim, Jenn desaparece, deixando a irmã que agora olhava para o nada, completamente inexpressiva.
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