Rise of Lorien
13 Capítulo Treze
Notas iniciais
Eu sinto como se fosse minha culpa. Eu estava lá quando aconteceu e durante a noite consigo ver as cenas em minha cabeça, consigo ouvir ela se debater e me lembro de ter pensado que era um sonho. Esqueci a cena como alguém se esquece de um sonho, eram apenas imagens sem sentido, pelo menos até que Malcolm me disse o que acontecera.
Saímos da casa uma hora depois, Malcolm confirmou que se precisássemos a casa continuaria lá e continuaria a ser nossa.
Entramos no carro dele, nos sentando lado a lado no banco da frente. Uso o momento de silêncio para observar Malcolm. Ele está péssimo, quero dizer, Harley já havia me contado sobre uma ou duas situações em que eles quase foram capturados por mogs e Malcolm ficou de certo modo deprimido, ela me dissera que ele parou de comer por dias e só tomava café para ficar acordado enquanto procurava outro lugar seguro, ele parou de dormir também e de falar com a Garde. Temo que tudo isso acontecerá novamente, por isso preciso cuidar dele.
– Para onde vamos, Malcolm?
– Eu não sei. — murmura pisando no acelerador.
– O que quer dizer?
– QUE EU NÃO SEI, OK? — grita ele.
Me encolho no banco, voltando a olhar para frente.
Nós estamos em uma estrada, uma hora de silêncio desconfortável, não consegui falar com Malcolm após ele gritar comigo e o Cepan não tomou uma iniciativa, até aquele momento.
– Scott? — chama.
Levanto a cabeça me virando para ele.
– Me desculpe, mal posso imaginar como está sendo para você. — ele balança a cabeça.
– Tudo bem. — sorrio — Você está estressado, eu sei.
Ele me olha de modo surpreso, diante daquele olhar fico confuso, afinal por que não o perdoaria?
– O que?
– Não é nada... — ele sorri fracamente.
– Malcolm.
– É só que eu não esperava ser perdoado. — o loiro dá de ombros, voltando sua concentração para a estrada.
Mergulhamos novamente me um silêncio, pareço extremamente interessado por meus sapatos, mas a verdade é que não consigo tirar um a pergunta da minha mente.
– Por quê?
Malcolm se vira novamente.
– Nenhum motivo específico.
Não ouso fazer nenhuma pergunta, sabendo que não deveria forçar a zona de conforto do homem.
O tempo se passa lentamente, durante essas horas não recomeçarmos a conversa e muito menos procuramos começar uma nova. Malcolm continua a dirigir incansavelmente enquanto começo a me sentir cada vez mais cansado, até que durmo.
Sou acordado pelo toque insistente do celular do Cepan, ele parece um pouco indeciso se deveria ou não atender. Permanecemos ambos parados, esperando que parasse.
O apito anunciando que a pessoa do outro lado da linha deveria deixar sua mensagem.
A voz do outro lado da linha os surpreendeu.
– Malcolm, Scott? Onde quer que estejam parem de procurar, vocês estão no lugar errado, por favor, tomem cuidado, os dois. Gostaria de dizer que estamos bem, mas não posso mentir para vocês.
– Lucy, espera. — a voz de Harley a interrompe, seguro minha respiração, surpreso ao ouvi-la — Me dê o telefone.
Ouço alguns sons cortados.
– Não procurem nos Estados Unidos, nós não estamos aí. Procurem uma base dos mogs, achem um jato e o pilote até o Reino Unido, passem pela Muralha e nós procurem. — ela parece de certo modo assustada e a beira das lágrimas. — Não percam tempo.
A mensagem acaba e voltamos a ficar em silêncio.
De verdade? Ambos estamos tanto aliviados quanto apavorados, nos perguntando o quão mal poderiam estar naquele momento. Por tudo que sei, Harley não chora por qualquer coisa, ela costuma passar a imagem de durona, mas naquele momento a loriena não parecia querer escondê-lo.
Malcolm respira fundo e, olhando para ele agora, posso ver uma esperança em seus olhos que antes não estava lá.
– Vamos achá-las. — sorri.
– Claro que vamos. — retribuo seu sorriso.
E o Cepan acelera o carro, nos guiando pela estrada deserta.
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