Rise of Jedi
25 Sussurros da escuridão
Notas iniciais
Kylo supervisionou pessoalmente o treinamento de seus Cavaleiros, naquele dia. Não apenas supervisionou, mas os testou de corpo, mente e vontade em combates nos quais se utilizaram de sabres e da Força, e para todos os oito ficou muito claro o quão mais poderoso seu mestre vinha se tornando a cada dia! Nas duas primeiras vezes, ele combateu três Cavaleiros por vez, e ainda assim sua mente sobrepujara as demais, seu corpo mal sofrera algumas pequenas lesões. O último teste foi realizado com Shalya e Niaka, as esgrimistas mais habilidosas, e ainda assim não correu um tempo longo demais para que o Imperador as finalizasse. Escusada porém era a falha de Niaka, recém saída do bacta após a “lição” recebida do metre ante o relatório de Shalya sobre uma discussão e confronto entre a Cavaleira e a Jedi.
— Bravo, meus Cavaleiros. Saíram-se muito bem... – Começou o Jedi Negro, com expressão dura. – Se sua intenção era me desapontar. – Alguns baixaram as cabeças em vergonha, enquanto outros se espantaram, aguardando as próximas palavras. – Quando testo vocês, espero ver melhoras e aumento de seu poder, mas claramente têm negligenciado seus deveres para com o treinamento e a Força. Não quero explicações para os motivos de suas mentes estarem dispersas e fracas: exijo melhora na próxima vez em que os puser à prova.
Por longos segundos, Kylo considerou utilizar a Força para infligir dor a seus seguidores, como punição, mas a ideia já não lhe dava a sensação de poder que outrora provocava. Assim, preferiu paralisar a todos, exercendo uma pressão intensa o bastante sobre o peito de cada um para que suas respirações fossem reduzidas ao mínimo necessário à vida, enquanto prosseguia:
— Vocês são a elite deste Império; meus Cavaleiros de Ren, treinados e ensinados no caminho do Lado Sombrio. Ainda assim, eu os tenho patéticos e vulneráveis como filhotes indefesos! Isso é deplorável e vergonhoso. – Em meio às palavras, sentiu uma resposta à imobilização, uma luta ferrenha, e percebeu o momento exato em que Shalya escapou de seu controle. – Talvez nem todos sejam um desastre total. Pois bem... – Ainda restringindo os demais, que tentavam se soltar, passou por cada um deles a fim de apontar suas falhas. – Nyob Ren, seus reflexos são deploráveis, para um Togruta. Agon, sua raça é privada apenas da visão, não dos demais sentidos. Use-os. Ania, seu uso da Força é exemplar, mas suas aptidões físicas não evoluíram em nada. – A Umbarana baixou a cabeça, aceitando a crítica. – Ankvar... – Os olhos de Kylo se estreitaram, e ele pousou o jovem humano no chão, aliviando a pressão para lhe permitir falar. – Está extremamente disperso. Não quero saber o motivo, mas, para seu bem, é melhor que se recomponha. Se não vejo melhoras em meus guerreiros, ao menos não me façam vê-los piorar.
O humano parecia esconder algo do Imperador, que se deteve sobre ele mais algum tempo, começando a entrar na mente do rapaz; não provocou dor intencional, mas tampouco se preocupou com o sofrimento no rosto do aprendiz quando buscou aquilo que ele tentava ocultar. Assim que o viu, a explosão de energia resultante de sua fúria empurrou com violência o rapaz, derrubando-o no chão e prendendo-o ali pela vontade do Sith, que sequer se movera antes de rosnar:
— Você ENLOUQUECEU?! Está se dispersando por uma MULHER, ainda mais a PADAWAN JEDI? – Kylo não estava gritando, mas sua voz parecia ecoar por toda a fortaleza – Fique longe da garota, Ankvar Ren. Isso não e um pedido.
Mas Arnut, ou Ankvar Ren, podia ser chamado de muitas coisas, menos covarde. Ergueu-se ante os olhos do mestre e, com postura firme e voz acusadora, declarou:
— Com que direito me censura por me dispersar devido a uma Jedi, quando apenas sigo seu exemplo, “mestre”? – Os demais deram um passo atrás, imaginando que Kylo decapitaria o insolente, mas o Imperador não o fez. Ao contrário, parecia que nada acontecia, pois o mestre sequer movera um único músculo, mas ao olhar para o humano ficou bem claro seu sofrimento: a pele se enegrecia enquanto as sombras no chão rastejavam até ele, adentrando seu corpo. Desenhos negros se destacavam sob a pele como uma árvore ramificada, e ele tentava gritar, mas de sua boca não saía mais do que um som gorgolejante enquanto os olhos se tornavam amarelos. O Imperador apenas o fitava friamente:
— Como dizia, garoto? Estou disperso? Bem, talvez não queira que eu use a Força em você quando estiver focado. – Dando um passo adiante, forçou o mais jovem a olhar para si. – Não admito questionamento de minhas ações sem ter dado permissão a isso, e menos ainda que ouse me dizer o que for sobre os caminhos da Força. Espero que tenha sido claro o suficiente; não gosto de me repetir. – Lorde Ren soltou o outro humano, que caiu pesadamente no chão, retorcendo-se de dor enquanto as sombras deixavam seu corpo, restando ali cicatrizes vermelhas, como se os desenhos houvessem sido túneis escavados por sob a pele. – Levem-no ao hospital. E que tenha servido de lição a todos. Não serei benevolente para com o próximo amotinado: a Imperatriz é problema meu, conveniente a meus planos e necessária de modos que não compreendem, e todos vocês se manterão longe das Padawans. No devido tempo, eu as trarei a mim. Isso não é um pedido, Cavaleiros.
Quase todos deixaram o lugar imediatamente, apoiando o colega ferido; Asajj Ren, ou Shalya, contudo, permaneceu no lugar até estar sozinha com o Imperador.
— Permissão para falar, Lorde Ren? – Pediu polidamente, mas sem medo. Ambos sabiam que Shalya não temia o homem, e com motivos: jamais demonstrava todo o seu potencial diante dos colegas, capacidades suficientes para suportar a maioria dos ataques de Kylo, conquanto este não quisesse de fato matá-la.
— Você irá falar de qualquer modo. – Constatou o Jedi Negro.
— Sim, mas a polidez cabe em qualquer lugar. – Ela deu um breve sorriso educado. – Se lhe apraz ouvir, não parece disperso; está mais forte do que jamais foi, Lorde Ren. Mas não posso deixar de notar que algo o preocupa, em relação a meus colegas.
— Fala como uma verdadeira diplomata. – Ironizou o soberano. – Preocupo-me com as palavras de Ankvar. Elas parecem fazer eco ao que todos os demais pensam: que estou disperso e enfraquecido pela Jedi.
— Rey. – Corrigiu Shalya – Não precisa fingir para mim, Kylo. Fomos amigos antes mesmo de sermos mestre e aprendiz, e eu o conheço. Sei que se preocupa com ela, e com o que podem pensar, mas também vejo que, de algum modo, ela parece fortalecê-lo. Perdão pela expressão, mas é a primeira vez desde que nos conhecemos em que o sinto inteiro, Lorde Ren. Senhor de si e de seu Império, no controle de si e de seu poder. E sei que Rey tem muito a ver com isso.
— Não que o assunto seja de sua conta. – Havia um alerta na voz de Kylo para que ela não se estendesse no assunto. – Ainda assim, não é com Rey que me preocupo, e sim com a possibilidade de motins.
— Bem, o que fez hoje certamente calou as dúvidas quanto a seu comando do Lado Sombrio. Não acho precipitado dizer que não o desafiarão novamente, tão cedo. – Ela respirou fundo e criou coragem para perguntar – O que foi aquilo?
— Sombras. Há muitas neste planeta. Não creio que precise explicar isso a uma outrora Irmã da Noite.
— Não... Não precisa... – A mulher suspirou, lembrando-se do passado. – Farei com que saibam o que foi que manipulou aqui, e o poder que isso significa. Eles se calarão, ao saber o domínio que tal habilidade requer do Lado Sombrio.
Kylo anuiu e a dispensou com um gesto de mão, mas quando a Cavaleira estava já na porta, chamou-a brevemente:
— Asajj... – Viu-a se virar, e então prosseguiu. – Obrigado.
— Você é meu superior, mas antes disso é meu amigo. – Respondeu a mulher. – É meu prazer servi-lo, Lorde Ren. – Ela descreveu uma breve reverência e deixou Kylo sozinho com seus pensamentos, meditativo a respeito de tudo o que vira na mente de Ankvar Ren; talvez houvesse sido complacente demais com os próprios discípulos, e era hora de remediar isso. Não importavam seus pensamentos íntimos, apenas a imagem que passava a seu império, e esta tinha de ser a de um homem forte, um soberano incontestável, justo, porém implacável. Pois bem, as últimas execuções realizadas por suas tropas especiais haviam deixado uma clara mensagem sobre o que ocorreria aos insubordinados e desordeiros, que pensassem poder usar a transição de governo para incitar o caos.
Ao mesmo tempo, as ordens que dera para a reconstrução de sistemas abalados ou semidestruídos pelo caos trazido durante o descaso da Nova República e ascenção da Primeira Ordem, desarmavam algumas opiniões contrárias, e mais de algumas dezenas de sistemas ainda renitentes haviam deposto suas armas e aceitado o novo comando. Ele começara bem, mas precisava investir na aparência de um líder invencível... E ser questionado por seus Cavaleiros era o pior modo de fazer isso. Mais além, era hora de fazer com que os outros Jedi Negros se assumissem como tais em público, agora sem a necessidade anterior de segredo, seus nomes e posição já declarados como haviam sido. Buscar novos aprendizes era uma intenção imediata, certamente, mas ainda não estava plenamente certo do que buscava em novos seguidores, as características ideais... Não desejava crianças, decerto, instáveis, imprevisíveis e passíveis de serem quebradas pelo treinamento. Teriam de ser jovens sensitivos, poderosos, propensos à escuridão, mas o Sith repensava diversas vezes não apenas o que buscava, mas como trabalharia aqueles jovens. Pois sua concepção sobre a Força e o próprio Lado Sombrio vinham sofrendo várias modificações... Tudo o que Snoke lhe ensinara sobre o poder tirado do ódio, raiva e dor, sobre a frieza que matava qualquer bom sentimento e amargurava o ser até não restar mais a capacidade de alegria ou satisfação... De certo modo, não parecia tão diferente assim dos ensinamentos Jedi, com seu medo eterno das emoções. E estava tão farto de um código dizendo o que devia ou não sentir, do que era certo ou não fazer... Ele não era mais um aprendiz submisso a Jedi ou Lorde Sombrio! Mas tampouco possuía um termo para designar a si mesmo. Não era exatamente relevante, porém, havia algo assustador em perceber-se o mestre de si mesmo e de seu caminho, responsável único por suas ações. Seus erros e acertos, agora, eram apenas seus, assim como as consequências: uma noção libertadora e igualmente esmagadora.
Desde o igualmente maldito e abençoado dia em que conhecera Rey, as coisas vinham mudando não apenas para si, mas dentro de si. O impulso em direção à luz se fortalecera, a culpa por seus atos o mortificara, e Kylo lutou com todas as suas forças para não se deixar enfraquecer no Lado Sombrio, mas... Quanto mais se rendia a esses impulsos, quanto mais sereno conseguia permanecer, mais poderoso se via dentro da própria escuridão, e mais intensas eram suas paixões e emoções, quando as libertava; não causa de sorimento, mas ondas poderosas de sensações que transformavam fagulhas em um poderoso incêndio, este plenamente canalizado em seu propósitos. Ele comandava as trevas com cada vez maior certeza, mas não conseguia negar que havia algo mais em si...
Imerso em pensamentos, seguiu para os próprios aposentos a fim de se banhar e cobrir a queimadura rasa causada pelo sabre de Agon, e a preocupação a respeito da garota corelliana sobreveio quando repassou em sua mente o que vira na de Ankvar. Ele vinha arrastando a menina já suscetível em direção ao Lado Sombrio, porém de formas que submetiam, degradavam e enfraqueciam a garota. Lisin tinha potencial, apenas um idiota não o veria, e pela primeira vez ele considerou seriamente arrebanhar a moça para sua tutela. Contudo, não o faria antes de conversar com Rey, unicamente por ter sido o assunto das duas padawans algo acordado entre ambos. Entre o casal poderia haver as dissidências que fossem, mas jamais deslealdade, ou mentira.
A sós em seus aposentos, procurou afastar da mente as questões políticas, como a recriação do Senado Imperial – com modificações adequadas em sua estrutura original de funcionamento, é claro. Tudo o que não queria era um bando de burocratas mediando cada ação sua. – as lideranças dos Sistemas Independentes, a Resistência e as transmissões que tinha de realizar amanhã cedo para todo o Novo Império. Removendo a capa e as vestes externas, pesadas, manteve apenas a túnica inferior e calças enquanto se sentava no chão para meditar, serenar a própria mente, e sorriu brevemente ao pensar em como a meditação se tornara um hábito muito mais frequente desde a morte de Snoke. Geralmente, ferir a si mesmo gerava poder o suficiente, e praticava em sua maioria meditações ativas, em combate. Serenar a mente, bem... Causava perguntas que o atormentavam, e por isso evitava. Agora, começava a identificar que perguntas relmente eram essas, identificar ao menos superficialmente a si mesmo, e não ao fantoche que Snoke tentara moldar.
A princípio apenas refletiu sobre o quadro ante o qual se encontrava, não tentando raciocinar a respeito, mas sentir o curso adequado de ação; apesar do que lhe fora relatado por Shalya e Niaka, sabia exatamente o que acontecera durante as negociações com os Nutt, ou melhor, no acidente que precedera a chegada ao asteroide. Ele poderia matar a mirialan, assim como eliminar os demais Cavaleiros, mas isso seria não apenas assumir que seus servos mais próximos não eram plenamente obedientes, mas impediria que soubesse com quem travavam contato, o que faziam. Pelas mentes e emanações deles, estendia seus ohos e ouvidos sem que qualquer outro pudesse dizê-lo com certeza. Mesmo falhos, eram úteis, e sobre Niaka... Ele a esfolaria viva por ousar atacar Rey, mas a própria Jedi ensinara uma lição à outra, e um mal conhecido era melhor do que o inimigo que se esconde. Ainda teria uso para a Cavaleira.
De olhos cerrados e mente quieta, deixou-se sentir a Força sem nenhum outro objetivo, sincronizando a pópria respiração, pulsação e energia ao ciclo pulsante do planeta em que se encontravam, alimentando-se daquela energia escura. Escura, porém não totalmente hostil... Como Umbara, ali a vida se adaptara à Sombra, e no silêncio conseguia encontrar laivos luminosos e centros de equilíbrio. Como ele próprio, o planeta era violento, perigoso, obscuro... Mas havia mais. Era mais profndo na escuridão, e também na luz, mesmo que esta não fosse minimamente óbvia. Apenas conhecendo as trevas podia reconhecer seu oposto, e o delicado balanço, a oscilação. Como nunca percebera aquilo? Como nunca enxergara naquele mundo o que havia em si próprio, e vice-versa? Harmonizar-se com o fluxo das sombras o serenava, e encontrar as linhas de vida, energia e neutralidade permitiam aceitar em si mesmo o que tanto reprimira em si.
Sem perceber, aos poucos sua vontade eliminou as distâncias, e agora observava sua esposa, adormecida na cama de um alojamento, tendo Asala no outro leito, e... Um gigantesco Tuk’ata deitado no chão, entre ambas. Sua observação fez a criatura erguer a cabeça e o encarar fixamente com olhos vermelhos manchados de azul e violeta, cheios de conhecimento profundo e antigo, poder instintivo e selvagem, mas também uma compreensão sábia superior a tudo o que já vira... Uma fera magnífica, mas como Rey, com sua luz, pudera se ligar a um lobo-Sith?!
Como ela pôde, com sua luz, ligar-se a um aspirante a Sith?— A voz do lobo ecoou em sua mente com tom irônico, retumbando como um trovão, embora não fosse mais alta que um sussurro! Mas aquilo despertou Rey, que se virou no leito e sentou bruscamente, a expressão espantada tornada num sorriso quando o viu.
— Ben! – Sussurrou, para não acordar a companheira de quarto, sentindo o coração se aquecer com a ligação. Sempre sentia seu amado, sua contraparte na Força, mas quando seu vínculo eliminava as distâncias entre ambos, sentia-se preenchida por uma sensação de completude única, como se fossem ambos parte de um único ser, compleo apenas quando se uniam não se forma física, mas através da Força. – Você... Está diferente. Achei que fosse só comigo...
— Você me deu muito o que pensar com aquele pequeno caderno, Rey Solo. – Ele sorriu brevemente, seu rosto dando à Jedi a impressão de ver chamas projetando sombras. Luz e trevas, mas de um modo sereno, não intempestivo e violento. Percebia agora não ter sido um mudança abrupta, de uma só vez.. Já tinha visto aquilo, antes, mas talvez não houvesse prestado atenção o suficiente ao quanto ele vinha mudando, nos últimos meses. – Por que a Força nos uniu novamente, agora?
Rey silenciou por alguns minutos, olhando para Gea, para o próprio sabre de luz, para o anel da Resistência em sua cabeceira, para Ben.
— Foram muitas coisas, nos últimos dias, para nós dois, não foram? Eu acompanhei suas transmissões para a Galáxia, vi o que está tentando fazer. – Ela se levantou e caminhou até o esposo. Havia tanta coisa que queria lhe dizer, mostrar! – Queria que estivesse aqui. – Na verdade, queria que houvesse um modo de fazer as coisas de outro jeito. De fugir com Ben, apagar aquele passado horrível, fazer a coisa certa, mas... Juntos. Longe do Império. Apenas um momento fugaz de sonho.
— Queria que você estivesse aqui. – respondeu ele, segurando a mão da esposa e a trazendo para o próprio rosto. Não precisaram fazer qualquer esforço voluntário para que as sensações e memórias fluíssem de um para o outro: os momentos leves e serenos, felizes, as compreensões e insights, as reflexões dolorosas. E quando suas frontes se tocaram, tudo desapareceu. O quarto do alojamento sumiu, assim como o de Kylo, e eram apenas eles dois sobre um penhasco crepuscular, com um Sol se pondo e um se erguendo enquanto ainda persistia o suave manto da noite.
— Eu busquei você. – Confessou Ben, admirado de como a Força se tornara mais poderosa e marcante nas emanações de sua esposa, como se a cada dia ela se apropriasse mais e mais de quem realmente era. – Precisamos conversar, sobre muita coisa.
— Eu sei. – Ela franziu o cenho, indo ao assunto que mais a preocupava. – Brenwen. Proteja-a, por favor. Eu fiz tudo o que pensei poder ajudar, mas ela se fechou, e não consigo alcança-la de modo algum, dessa distância. Arnut a destruirá totalmente.
— Se eu a tutelar, Rey, ela estará no Lado Sombrio. Pensei que não desistiria dela.
— Não quero, nem vou desistir dela, mas se não a proteger e guiar, pelo menos até eu voltar, ela será um epicentro de dor e morte; você também sabe disso. E você entende o ponto de equilíbrio, Ben. Está nele, agora mesmo, ambos podemos sentir. Proteja-a enquanto estou longe, por favor. Não será por muito mais tempo, mas há coisas que... Eu simplesmente preciso fazer, como você precisa.
— Estamos ambos em caminhos que jamais esperamos, e agora não há volta. – Um leve sorriso de canto, carregado com tons de preocupação e dissabor. – Eu protegerei a menina. Ensinarei o que precisa para que não seja destruída por si mesma, ou por meu cavaleiro. Nada além. Não antes que sua verdadeira natureza se revele, e ela faça a opção dotada de consciência da própria escolha.
Rey sorriu e assentiu, enxergando no homem à sua frente aquele que vira na cabana, quando estavam sozinhos no templo de Ach-To. O verdadeiro Ben Solo... O homem a quem amava. Sua mão direita foi para a nuca de Ben, seus lábios se tocaram brevemente. As palavras de Luke, Ahsoka e Obi-Wan ecoavam em sua mente, sobre o momento inevitável em que teria de fazer uma escolha, mas não era agora, e não queria pensar nisso.
— Não está sozinha, Rey. Ainda não é tarde demais. – Sussurrou Kylo, consciente do que a esposa pensava, como ela tinha consciência do que se passava na mente do marido.
— Sabe o que esse caminho vai exigir de nós, mas sobretudo de você. Eu fiz minha escolha, e aceitei...
— E agora, eu também. – A maior parte de seu diálogo se dava sem quaisquer palavras, e as emoções de Ben ao mesmo tempo enchiam de alegria e de dor o coração de Rey. Então, não havia tanto tempo assim. O que fariam lhes dava apenas mais alguns meses, no máximo um ano, antes que fossem forçados a seguir caminhos diferentes. – Tome o tempo que precisar: cuidarei da Padawan. E esperarei por você. – a mão quente acariciou o rosto da Jedi, que segurou aqueles dedos contra a bochecha e beijou a palma do esposo com amor, enquanto sentia o vínculo se dissipar.
— Logo estaremos juntos, Ben. Eu prometo.
O Imperador manteve suas mãos nos ombros da Jedi até o último segundo, vendo-se então a sós em seus aposentos, com nada além de um forte sentimento, e uma decisão. Uma da qual se arrependeria muito, se fracassasse, mas que faria tudo valer a pena, se tivesse sucesso. Um jogo perigoso, no qual Rey era sua única aliada.
*
Brenwen se sentou na banheira cheia de água quente, sentindo-se mal como não se lembrava de já ter estado; sentia-se suja pelo que estava fazendo, mas não via alternativa. Era isso, ou enlouquecer... Rey não podia ajudá-la, Eilenia não podia ajudá-la... Arnut era sua única esperança, mas mesmo em tão poucos dias, ela chorava amargamente e se perguntava se o preço não era alto demais. Pegou a esponja mais áspera que possuía e esfregou a própria pele com vontade, como se desejasse arrancar cada célula que ele tocara para remover a sensação de imundície, não importando o quão limpa estivesse. Os hematomas em seus pulsos a mortificaram, quando reparou melhor neles, assim como o fino fio de sangue na água, escapando dos arranhões profundos deixados pelos dedos do Cavaleiro em seus flancos... O que estava fazendo? Não podia continuar com isso!
Enojada e furiosa, começou a remover o colar dado a ela pelo Cavaleiro, mas isso trouxe de volta as memórias daquela tarde terrível no terraço, quando estivera a um fio de tirar a própria vida... Aquilo era ainda pior. E a bem dizer, sentia-se imunda agora, mas quando estava com Arnut... Quando estavam juntos não parecia errado. Ele lhe ensinava, ouvia suas dúvidas e dores, a confortava... E depois buscava a própria satisfação. Ela não se opunha realmente, mesmo sentindo o quão errado era tudo isso, e na hora não sentia toda a culpa que a acossava depois. Era parte de um acordo. Ele lhe dava o que ela queria, e ela fazia o mesmo. Na hora, ele era um manto suave de proteção, ocultando-a
Fez uma careta de desgosto ao sentir dor, quando se moveu, mas isso era parte do aprendizado. Suportar a dor era parte do treinamento para suportar o Lado Sombrio, até memo dominá-lo, isso todos sabiam, e por isso nada dizia quando o “amante” a machucava com sua brutalidade, fosse no leito – Ankvar Ren podia ser tanto um amante gentil, quanto brutal, e tudo dependia de seu humor – ou ao ensiná-la. Se ela queria sair disso? É claro que sim! Só não desejava mais do que manter a própria sanidade, o que não conseguiria pelo caminho da luz. Arnut, com toda a arrogância e violência, também era o único que lhe sussurrava palaras de conforto quando sua percepção se expandia, que a encorajava a sentir a sombra sem medo, que a amparava e ajudava a manter a mente lúcida em meio ao horror, guiando-a por entre as trevas, tentando mostrar como não havia nada a temer. Brenwen sabia que precisava dele, então não havia outra escolha.
Exausta de se sentir sempre mal, ela abraçou os próprios joelhos e chorou lágrimas silenciosas e amargas, antes de erguer o rosto e gritar para o vazio:
— POR QUE EU?! EU NUNCA PEDI POR NADA DISSO! – não havia ninguém para responder, mas a falta de uma resposta, de uma sensação que fosse, a desanimou. Talvez o colar bloqueasse sua capacidade de sentir qualquer resposta da Força, mas não valia a pena tirá-lo apenas para correr o risco de não receber nada além da enxurrada de sensações, emoções e pensamentos alheios, e a sombra que, afinal, parecia sussurrar com cada vez mais clareza em seus ouvidos. Mais clara, porém não menos assustadora.
Quanto mais fundo seguia naquilo, mais intensa sua mágoa e raiva... Ela crescera em Corellia, para ser uma diplomata, uma dama... Sua sensibilidade sempre a havia tornado alguém que conseguia convencer os outros, mesmo que ser a caçula a tornasse o elemento menos visível da família, e o mais descartável; conseguia persuadir os irmãos mais velhos, primos e pais através de... Uma sensação. Sempre sabia o que falar, e os levava a concordar consigo, na maioria das vezes. Numa época em que queria fazer o melhor para seu mundo e pela galáxia em que viviam... Até a Primeira Ordem, e Snoke...
O culpado fora Snoke. Mas não apenas ele! Sua família a vendera e descartara nas mãos de um facínora, que percebera a sensibilidade cuja origem ela mesma não sabia, e usara isso para se deleitar em sua necessidade sádica. Ele a testara até o limite, e ela quebrara. Quebrada, não tinha uso, e fora posta de lado como apenas mais uma civil. Quebrada, já não sentia mais nada e, por tudo o que era sagrado, quantas saudades sentia disso! Agora, ainda estava quebrada, mas sentia tudo. Tudo o que não aprendera a lidar em sete anos, de repente arrastando-a como a enxurrada violenta de uma tempestade. Uma na qual Arnut era sua única bóia salvadora, pois Rey, Asala, Eilenia... Ninguém entendia. E como poderiam, com a Força fluindo livremente através das duas Jedi, e apenas uma leve sensibilidade na Twi’lek? Pensar em como era fácil para elas, em como simplesmente fluíam, enquanto ela era errastada pela tormenta, alimentava uma raiva acima do que podia lidar. Sentia também raiva de Arnut, pois não era estúpida de pensar que ele fazia aquilo por ser bom: o Cavaleiro a estava usando, e entendia isso, mas que escolha tinha?
Esgotada como se cada gota de sua enregia houvesse sido drenada, aproveitou a privacidade do banho para se recostar e tentar dormir. E infelizmente para si, o sono veio.
Flashback on
Ser cedida à Primeira Ordem, servir em seu comando e representar a própria família era uma honra, ou assim sua família lhe havia dito... Brenwen Lisin, de Corellia, apresentou-se ao Líder Supremo com toda a sua dignidade, tentando não demonstrar o tremor que a tomava ante a criatura enorme, esguia e deformada, cercada pelos soldados vermelhos e sem rosto, e pelos cavaleiros de negro, liderados pelo que vestia a máscara que lembrava a do histórico braço direito do Impeador Palpatine, Darth Vader. Estava apavorada, mas era uma princesa... Trocou todas as palavras e saudações polidas que fora orientada a dizer, dirgiu-se a cada um dos presentes na ordem correta, e manteve os olhos no chão, porém a cabeça erguida. Era o que devia fazer, e logo tudo acabaria. Fora o que lhe disseram...
Mas não foi como ocorreu. Ao fim de tudo, todos, exceto ela e os guardas vermelhos, foram dispensados, e ali uma criança descobriu o que significava a dor e o medo. A princípio, sozinha no lugar, percebeu vagamente que o desconforto que sentia era oriundo dos soldados vermelhos – Guarda Praetoriana, se não estava enganada – e que as vestes serviam não como proteção, mas para lhes causar dor constante... Tudo em si já implrava que saísse correndo dali, mas então aquela... Coisa... Sentada no trono estendeu um indicador e lhe ordenou que se aproximasse. Brenwen nunca soube se chegou a caminhar em obediência, ou se fora forçada a ir por um poder externo.
— Você é especial, criança. Tem alguma noção disso? – e ante seu mutismo, insistiu em falsa docilidade. – Tem? Eu espero respostas quando pergunto.
— N-não sei, Líder Supremo. Eu tenho... Algumas habilidades...
— Sim. Tem. Eu vejo através de sua alma, dentro dela... Vamos olhar mais perto. Se for realmente forte, então pode ser útil para mim.
— S-senhor? – Ela recuara um passo quando o velho se erguera, aterrorizada. O mal emanava dele, e até cega poderia perceber que aquele ser pretendia machucá-la. Tentou recuar mais um passo, e algo queimou suas costas: a espada de um dos homens de vermelho. Estava cercada, e lágrimas começaram a cair dos seus olhos enquanto uma horrível pressão se instalava em suas têmporas, evoluindo para dor cegante e incapacitante. A sensibilidade da qual sempre se orgulhara era como uma enorme porta aberta, captando tudo, sentindo tudo... E tudo se resumia a frio e escuridão como nunca sentira, como se perder no vazio do universo, jogada no vácuo, convertida em um buraco negro que sugava tudo! Tantas mentes, tantas vozes, e sobrepujando tudo isso a mente do Líder Supremo, um peso terrível esmagando-a, empurrando como uma faca através de cada camada de sua mente, arrancando as memórias mais longínquas que sequer sabia possuir... As mais vergonhosas, e as melhores, e tudo isso com uma voz zombeteira, enumerando o quão fraca, inútil, tola e descartável era.
A pressão aumentava e sua cabeça parecia estourar, tornando-a incapaz de ouvir ou próprios berros de dor enquanto rolava e se contorcia no chão, cega, surda, rasgada em múltiplas camadas... Ela era um nervo exposto, que Snoke desfiava através de cada canal, das menores aberturas, e sequer sabia o motivo. Brenwen pediu, implorou, perguntou o que ele desejava, jurou que lhe daria o que quisesse... E quando urrou essas últimas palavras, a dor parou.
— Você é fraca, corelliana. Não há nada em você que eu queira. Não há nada em você que qualquer um possa desejar. É uma esponja patética, absorvendo energias, e é só o que será. Fortaleça-se, e talvez eu tenha uso para você. Do modo como está, é apenas mais uma peça decorativa, um peão que sacrificarei no momento certo. – Ela não conseguia abrir os olhos, pois seu cérebro explodia em agonia a cada som ou imagem, após ser dissecado em vida. Cada neurônio ameaçava falhar, e seu corpo... Ela se debatera e rolara no chão de metal até rasgar suas vestes e carne com as próprias unhas, o próprio sangue empoçando o chão onde jazia, e não conseguia mais sequer chorar. Cada memória trazida à tona do modo mais doloroso possível; infinitas informações e sensações de dor, escuridão e sofrimento empurradas à força para dentro de si até seu coração estar prestes a parar. Quando enfim ele a deixou em paz, Lisin já sequer tinha consciência de si mesma. Fora levada para o bacta, onde permanecera por uma semana; ao sair, acreditara que Snoke destruíra suas habilidades, e quase agradecera por isso, vivendo sempre à sombra, escondida e longe do Líder Supremo, jamais esquecida da tortura excruciante.
Então Snoke morrera, e adviera a descoberta: todo o seu poder estivera ali, todo aquele tempo, crescendo por sob a superfície, reprimido, incapaz de aflorar pelos bloqueios que seu trauma criara. Mas as raízes eram fortes e profundas, e tudo creceu como uma árvore de espinhos, dilacerando-a quando tudo se libertou de uma só vez, junto com toda a escuridão que o amaldiçoado ser um dia trancara dentro de si.
Flashback off
Brenwen acordou em meio a um ataque de pânico, ofegando e se debatendo, por um triz não se afogando na própria banheira enquanto lágrimas escoriam abundantemente de seu rosto. Revivera aquilo em seus sonhos mais vezes do que podia contar nos últimos dias, mas saber onde toda a sua dor começara não lhe mostrava, de modo algum, como fugir. Estava em uma bolha de trevas e dor, e qualquer caminho era um círculo que a levava de volta ao começo, alimentando mais e mais os putrefatos sentimentos de terror, raiva e sofrimento.
Antes que entrasse em pânico descontrolado, agarrou seu colar e, debruçada na borda, chorou copiosamente. Isso a aliviava, mesmo que não fosse um gesto nobre ou forte. A verdade era que ela não desejava mais ser nobre, forte, Jedi ou Cavaleira Sombria... Queria apenas que a dor e o medo fossem embora, independente do como isso aconteceria.
Exausta, saiu enfim do banho e se secou, tentando apenas não pensar. Uma grossa camada de maquiagem no pescoço e nos pulsos escondeu as marcas roxas e arranhões, e o vestido complementou o trabalho. Destruída ou não, ainda era uma das diplomatas, e Lorde Ren garantia que sempre tivessem muito trabalho a realizar, ultimamente.
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O dia de Kylo fora absurdamente cheio, mas ainda havia uma coisa a fazer; seus passos o levaram para os alojamentos das equipes de diplomacia, onde sentia emanar aquela energia específica que procurava. Fizera uma promessa, e a manteria.
Medo, confusão e entorpecida satisfação emanavam a partir da garota, e ela não estava sozinha. Ótimo. Com um gesto da mão, a porta foi aberta, e Kylo Ren entrou nos aposentos da jovem corelliana como uma sombra, encarando com raiva o Cavaleiro que beijava a jovem humana contra a parede. Um estender da mão, e Arnut foi arremessado do outro lado, enquanto Brenwen gritava em susto, medo e vergonha, fechando o vestido aberto até a cintura. Seu amante, por sua vez, era erguido no ar em agonia.
— Não tolerarei essa profanação dos caminhos da Força. – virou-se para Arnut – você, profanador... A única coisa que me impede de mata-lo agora é a expectativa de fazê-lo na frente dos outros, como uma lição para os que desrespeitarem de tal modo o caminho do Lado Sombrio. – seus olhos se voltaram para a menina, que chorava copiosamente de vergonha, e soltou a ambos – Cubra-se decentemente, criança. E quanto a você, Ankvar Ren... Recolha-se a seus aposentos, e não os deixe. Isso é uma ordem. – ele cerrou o punho, e uma careta acompanhada de um grito abafado mostrou o sofrimento do Cavaleiro, o qual praticamente rastejou para fora do quarto. Enquanto isso, Brenwen se virara de costas e fechava aflita a blusa aberta, tentando esconder com a gola as marcas de chupões em seu pescoço. Chorava de medo e de constrangimento: sabia que o que fazia era censurável, mas NUNCA imaginara que algo assim lhe aconteceria! Era humilhação demais para suportar! Queria morrer. Queria sumir. Queria se desfazer, apenas para não ter de suportar o olhar do Imperador! E céus, o que ele pretendia fazer consigo?! Podia sentir a fúria que dardejava do olhar negro, e isso a deixava trêmula da cabeça aos pés. Finalmente vestida, voltou-se para ele, cabeça baixa.
— Vossa Majestade Imperial, eu...
— Poupe-se as palavras. – A Força nela era um turbilhão desenfreado, um buraco negro e, ao mesmo tempo, uma explosão solar, mais calamitosa do que qualquer explosão nuclear que já tivesse visto! – Eu sei o que você fez, e porquê. Não peça perdão, pois não estou interessado em suas desculpas.
As palavras dele eram zangadas e frias, mas não a ameaçavam. Brenwen o temia, como todos os demais, mas de tudo o que sentia ao mesmo tempo – por que o colar de Arnut não estava ajudando?! – o Imperador parecia a única coisa remotamente serena...
— O que está fazendo? Por que está aqui? – Perguntou, recuando com lágrimas nas bochechas quando ele se aproximou. Sequer sabia o que a apavorava tanto, dado o semblante impassível de seu superior – Por favor, eu só queria...
— Queria fugir de quem é. – Ele segurou a peça de metal no pescoço da garota. – Lição número um, garota: ninguém pode fugir de si mesmo. – Com um puxão, o colar se rompeu. – Você se deixou enredar por mentiras, sabendo que era enganada. Não posso julgá-la por isso, mas é algo extremamente estúpido. Isso é apenas uma lasca de monólitos de antigos templos Sith. Não tem poder ou valor algum, e sabe disso. Esperava mais de uma Padawan Jedi.
As palavras dele, talvez por soarem sem raiva, fizeram a moça irromper em um pranto desconsolado. Tudo era verdade.
— Eu não consigo. Não consigo mais... – Droga, Brenwen, para com isso! Ele não tinha qualquer piedade em relação a ela! – Por que está fazendo isso?
— Fiz uma promessa a alguém. – O colar se desfez em pó entre os dedos de Kylo Ren. – Amanhã, você se juntará a mim no Salão Negro, uma hora após o alvorecer. Não é um pedido.
Afastando-se da moça assustada, o Imperador lhe deu as costas, mas lembrou-se de algo: estendendo a mão, o sabre de luz da menina voou para si.
— Não vai usar isto enquanto não controlar o que realmente canaliza a Força: você. – Ele a deixaria pensar em tudo o que aconteceu, mas todo aquele colapso... Já tinha coisas demais a lidar. – Amanhã, ao alvorecer, senhorita Lisin. Se quer se livrar da dor, será sua única chance. – Ele a viu se desgrudar da parede, menos trêmula, e com mais um aceno, a problemática Padawan caiu inconsciente no próprio leito. Promessa cumprida, ao menos por hoje.
Em seu caminho para as ruínas do que um dia fora um templo Sith, Kylo deixou fluir sua raiva, sentindo-a sem nenhum propósito além de evitar a ebulição que explodia em ondas de poder. Nesse estado, em vez de um violenta tempestade, fazia terra, vegetação e pó se agitarem em redemoinhos a cada passo dado, os pensamentos focados na decisão inevitável: Arnut seria executado, mas não em vão. Faria daquela morte um exemplo, e um recurso. Era surpreendente o modo como a Força sincronizava os eventos de modo tão auspicioso, pela primeira vez em sua vida.
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