Rise of Jedi

3 O plano começa


Notas iniciais
Sim, eu sei que falei "até dia 10", mas sério, estou inspirada, e vocês tem me deixado mais feliz ainda com tantos comentários maravilhosos! Assim, aqui vai mais um capítulo! Tomara que gostem

Ben acordou primeiro: sonolento após a intensa e maravilhosa noite anterior, tomou aos poucos consciência de estar deitado de costas no colchão, do calor do corpo de Rey junto e sobre o seu, da cabeça da menina pousada em seu peito, as pernas de ambos entrelaçadas, o braço dela largado sobre sua cintura, o dele envolvendo-a pelos ombros... Abraçados como amantes, completamente entregues, tal qual fora na noite passada. Respirou fundo, e o perfume dos cabelos dela o inebriou – por algum motivo, lembrava-o do oceano. Correu os dedos pelas melenas castanhas da moça, imaginando se devia ou não se levantar e partir; ainda era cedo, e a verdade é que não queria sair do lado de Rey. Gostaria de estender ao máximo aquele tempo que ainda tinham, antes que precisasse voltar a ser Kylo Ren – pois agora não era senão um homem que desfrutara de uma esplêndida noite de núpcias, e segurava nos braços a esposa como se para reter as memórias do que vivenciaram juntos.

Fechou os olhos e relembrou da noite, de toda a entrega da jovem, do modo como ele próprio se esquecera de tudo o que não fosse ela, tão forte e doce, tímida e ousada, receosa e apaixonada, tudo ao mesmo tempo! Lembrava-se de como não se haviam unido apenas em corpo, mas fundido suas mentes durantes alguns breves segundos nos quais ele sentira em Rey... Amor? Não, talvez não amor... Pelo menos não do tipo romântico, mas ainda assim... Ela tinha afeto, carinho, paixão, sem medo ou asco, sem olhá-lo com a tão comum expressão de que ele era algo ruim, quebrado, errado... Simplesmente o aceitara como era e se entregara, e nada jamais fora tão perfeito quanto aquelas horas estendidas ao longo da madrugada, enquanto se amavam vezes seguidas, despidos não apenas de suas roupas, mas de qualquer rótulo e orgulho, rivalidade e ressentimento. Apenas eles. Um homem, uma mulher; nada mais.

Rey se moveu levemente no sono, abrindo um sorriso delicado que fascinou o homem; queria observá-la para sempre, mas não seria possível. O dever chamava. Ainda assim, contemplou uma última vez a absoluta paz do sono dela, o modo quase infantil como se largava completamente, parte sobre o colchão e travesseiros, parte sobre o corpo dele. Sem ninguém para ver, Kylo Ren sorriu: sua esposa. Sua. Uma palavra que o agradava muito mais do que deveria, ousava admitir a si mesmo.

— Rey. – sussurrou afinal, tocando o rosto da Jedi – Rey, preciso que saia de cima de mim. – ela resmungou algo ininteligível e jogou uma perna sobre as do esposo, abraçando-o com mais força e voltando a dormir. Ele quase riu, incapaz de se irritar com um ato tão espontâneo feito durante o sono. – Rey! Não está me deixando levantar! – ele suspirou e a moveu o mais devagar possível, tentando não acordá-la. Foi em vão, pois assim que se levantou da cama, ouviu a voz da moça:

— Ben? – virou-se e a fitou enquanto ela espreguiçava como um gato, antes de se sentar segurando as cobertas contra o peito – é... Bom dia.

— Bom dia – ele assentiu e foi para junto da esposa, dando-lhe um suave beijo nos lábios. Ela correspondeu e largou o lençol, passando os braços pelo pescoço dele e o puxando para perto de si. – Rey, é hora de levantar.

— A galáxia vai colapsar, se ficar aqui um pouco mais? – perguntou ela, sabendo que ele tornaria a ser Kylo Ren tão logo saísse daquele quarto; tornariam a ser um Sith e uma Jedi, e procurava retardar ao máximo esse momento.

— Sim, é provável. – respondeu ele, desvencilhando-se dos braços da esposa – acabei de tomar o poder; não tenho o luxo de me ausentar por muito tempo.

— Ah, Kylo Ren voltou – ela se jogou de costas na cama – estava tudo bem demais, para não retornar. – apoiou-se num braço e, esfregando os olhos com sono, perguntou – vai para a ponte despachar caças sobre qualquer amotinado ou desertor?

— Não – respondeu ele, vestindo-se – nós vamos.

— o quê? – ela pensou não ter ouvido corretamente a última frase.

— nós dois. Agora é minha esposa: é esperado que esteja comigo, principalmente até que a aceitem de fato em sua posição. – ele começou a fechar a camisa de botões – voltarei a meu quarto para me aprontar decentemente. Tome um banho, vista-se, e Eilenia virá buscá-la. Esperarei por você na ponte de comando.

— Essa é a parte de você que eu odeio. – respondeu a garota, digitando no painel a sequência que abria o armário; descobrira na tarde anterior como mover as prateleiras que rodavam em torno de um eixo central, e constatara com satisfação que havia alguns trajes Jedi brancos e cinza-claro embora também os houvesse negros, além de vestidos. Enquanto fingia escolher, ouviu a voz de Ben:

— Não parecia me odiar quando estava dormindo em cima de mim. Inclusive, tentei me levantar e você se agarrou a mim como um Porg a seu ninho.

— Está blefando – acusou a moça, pegando aleatoriamente um traje jedi.

— Pensei que tínhamos um acordo não-declarado de não mentir um para o outro. – ele sorriu de canto de boca ao ver o modo como a moça ruborizou – parece que não me odeia tanto quanto diz.

— Não odeio você. Odeio essa droga de farsa que encena. – ela o viu trincar o maxilar e cerrar os punhos, e disse com alguma impaciência – Ben! O homem que fez amor comigo, essa noite, não é o mesmo em quem você se torna, quando resolve ser Kylo Ren.

— Eu SOU Kylo Ren, Rey – declarou ele, em tom que não admitia contestação – é a única coisa que sou.

Ela o fitou com incredulidade, frustração e irritação antes de passar por ele para entrar no banheiro, segurando suas roupas e enrolada no lençol:

— Eu me recuso a ter essa conversa, de novo. Não vou brigar com você em nosso primeiro dia casados. – e antes de fechar a porta – encontramo-nos na ponte, senhor Líder Supremo.

Kylo a viu fechar a porta e controlou-se para não esmurrar a parede: ela tinha um talento excepcional para tocar nos assuntos que mais o irritavam e perturbavam, danação! Sem falar na absoluta falta de medo que nutria em relação a ele, e o total desrespeito por sua autoridade! Rey queria enlouquecê-lo?

Foi para o próprio quarto – manter-se num quarto separado do dela parecia uma medida inteligente, para evitar um assassinato mútuo – e enfiou-se sob uma ducha fria, tentando compreender como uma jovem que mal deixara a infância podia abalá-lo tanto. Pensou nas palavras dela, e percebeu que eram verdadeiras: realmente não era o mesmo, quando estavam juntos. Quando estavam sozinhos ele não queria ser Kylo Ren, ou Ben Solo, Líder Supremo... Queria ser apenas ele, sem nome, sem designação, apenas existir no momento e no lugar em que estava. Bem diferente do que acontecia agora, quando os assuntos da Primeira Ordem e de seu novo posto como Líder Supremo tomavam sua mente. Agora, Rey se tornava o inconveniente que o distraía de suas intenções principais, e a mente do Sith maquinava modos de fazê-la se curvar à conveniência de não o envergonhar e desautorizar diante dos subordinados. E já tinha uma ideia em mente: sinceridade, tal e qual dissera à esposa, porém com ênfase em pontos específicos da verdade, e omitindo outros detalhes.

Enquanto isso, Rey terminava seu banho – as duchas de alta pressão que jorravam água das laterais do box tornavam a higiene pessoal muito mais rápida e eficaz, com pouco gasto de água – e vestia as roupas brancas que pegara: calça, camisa longa sem mangas, o xale cruzado no peito e preso pelo cinto, capa cinza-claro por cima de tudo e sapatos fechados marrons. Prendeu os cabelos em um coque e saiu do banheiro no momento em que alguém batia à porta de seus aposentos; ao abrir, constatou que se tratava de Eilenia. Um sorriso de agrado surgiu nos lábios de ambas, que se haviam dado muito bem no dia anterior.

— Bom dia, Rey. Parece que as coisas correram melhor do esperava, afinal. – ela encarou os trajes da outra – não acha melhor vestir algo mais feminino?

— Temos preocupações maiores, no momento, Eilenia – disse a Jedi – Kylo Ren me quer consigo na ponte de comando, quando for lidar com eventuais amotinados e desertores. E eu não faço a menor ideia de como devo agir.

— Uh-oh... Não pensei que ele exigiria isso, tão cedo – a diplomata conduziu sua protegida consigo – não tente entrar em confronto com ninguém: você é uma recém-chegada, e extremamente mal-vista. Aqui, o apreço é algo raro e existir: precisa ganhar o respeito dos oficiais. Não os faça sentir que é uma ameaça a eles, ou tentarão se livrar de você o mais depressa possível.

— Na teoria é fácil – Rey cerrou os punhos enquanto andavam – mas o que significa, de verdade?

— Cabeça erguida, ombros para trás, não demonstre medo ou insegurança. – a Twi’lek suspirou – o melhor é não falar nada, a menos que falem com você, pelo menos por hora. O Líder Supremo a levará apenas para reafirmar a união de ambos, além de exibir a Jedi que adquiriu em sua coleção de guerreiros de elite.

— Eu não sou uma aquisição. Nem sou uma guerreira dele! – protestou a jovem, parando de andar.

— Não, mas é o que ele quer passar aos demais. E não seja tola em desfazer essa imagem: se algum oficial pensar que pode obter as graças de Kylo Ren entregando uma consorte traidora, não hesitará. Seu esposo precisa ter absoluta certeza de que está do seu lado.

— Se ele tiver certeza de que sou sua aliada, poderá me dar ouvidos. – a mente de Rey trabalhou rápido – no momento, a maior ameaça é uma guerra civil, certo?

— Aposte o que quiser nisso. E não vai gostar do que direi, mas a única forma de impedir isso é arrasando os revoltosos, destruindo-os completamente. – explicou a diplomata – se o Líder não se afirmar através do medo, não sobreviverá tempo o suficiente para que o respeitem.

— preciso ajudá-lo nisso, então. – havia um nó na garganta de Rey – apoiá-lo em sua caça aos insurgentes, na repressão aos questionadores, ou logo haverá três, quatro oficiais autodenominando-se Líderes Supremos.

— Percebo que tenho uma aluna inteligente. – Rey teria agradecido o elogio, mas estava ocupada demais pensando em como a hierarquia, ali, baseava-se em relações de poder similares ao que imperava no planeta onde crescera. Medo, força, poder, intimidação. Essas eram as bases também em Jakku; os fracos não tinham vez, e eram punidos com a eliminação, extorquidos, roubados até definharem de inanição. As associações e pequenos clãs lutavam pelos melhores territórios de coleta, onde havia as melhores peças e equipamentos, e os grupos mais fortes (ou ao menos mais inteligentes) conseguiam as melhores áreas. Se uma das associações se enfraquecia, era atacada pelas demais. Exatamente o que ocorria na Primeira Ordem, ainda que esta o fizesse em escala exponencialmente maior, e com tecnologia indizivelmente superior.

— Ele não pode ter piedade, agora, ou será morto por um tiro nas costas – a Jedi falava mais consigo mesma do que com a outra. Os rebeldes estavam seguros, na Orla Exterior, então não eram agora sua prioridade; precisava garantir que Ben continuaria sendo o senhor supremo daquela galáxia, e só quando a estabilidade fosse novamente alcançada ela poderia pensar no que fazer quanto ao despotismo cruel da Primeira Ordem. Pensando depressa, traçava seu plano de ação. É claro, precisaria elaborá-lo muito mais, mas já sabia ao menos em qual direção apontar sua arma, e tudo começava agora mesmo – pode me dizer se minha postura é adequada?

Eilenia parou diante da moça e a observou; em seguida ergueu-lhe um pouco mais o queixo e fê-la relaxar os ombros, explicando:

— Cabeça sempre erguida. Você é a imperatriz deles: melhor verem-na como arrogante e desdenhosa do que como fraca e assustada; e relaxe os músculos, ou mostrará que está tensa e desconfortável, insegura quanto a si mesma. Insegurança, fraqueza e medo são coisas que, se percebidas, irão mata-la. – a Twi’lex sorria internamente: uma pupila dedicada, inteligente e perspicaz. Parecia que a monotonia de seus dias nos cruzadores terminara. Uma discípula que aprenderia depressa, em posição privilegiada na Primeira Ordem, podia ser a chave para Eilenia realizar tantos objetivos continuamente frustrados. – Fale apenas se falarem consigo, e mantenha a voz firme. – estavam em frente aos aposentos de Kylo Ren, que as aguardava em seus trajes oficiais completos.

— Excelente, senhoras. Não esperava que fossem tão pontuais. – Eilenia arqueou as sobrancelhas, surpresa com algum elogio de seu conhecido, mesmo que de forma tão seca – Acompanhe-me. Você não, Eilenia. Apenas a Senhora consorte. – a Jedi se sentiu extremamente desconfortável em ser separada da outra, que lhe passava certa sensação de segurança com suas orientações, mas não protestou ao ver a Twi’lek executar uma mesura e se afastar.

Seguiram o sombrio homem pelos saguões, corredores e passarelas que conduziam à ponte do comando; ali ele parou e ofereceu o braço a Rey, que aceitou e compreendeu o significado: entrar de braços dados mostrava que estavam juntos, que ele conseguira trazer uma Jedi para o seu lado, e isso por si só intimidaria os presentes.

— Vejo que compreendeu depressa – disse Kylo, sem olhar para a esposa, mas ela sabia o que ele queria dizer. Assentiu num movimento breve, e juntos atravessaram o portão de metal maciço que se abriu em movimento espiralado, suas várias partes a se sobrepor fazendo a moça pensar nas mandíbulas de um grane animal prestes a engoli-la. Do momento em que entrasse ali, teria de repesentar um papel que a obrigaria a coisas das quais não gostaria, talvez até mesmo matar pelo novo Líder... Mas já não havia volta em seus planos; firme, deu o passo que a levou direto ao interior de um monstro mais terrível do que qualquer verme gigante ou buraco negro: a política.

— Relatório completo das atividades nas últimas doze horas – exigiu Kylo Ren, assim que seus olhos pousaram sobre os oficiais; Rey podia não saber nada de política, mas sabia farejar o medo, o qual estava impregnado em todos no recinto. E se, como Eilenia dissera, o medo era o único modo de manter a lealdade dos homens, no presente momento, seu marido parecia em grande vantagem. Um dos quinze oficiais presentes, um homem de pele castanho-amarelada e recoberta de crostas couráceas, como se viesse de um planeta deserto, adiantou-se e manipulou a mesa de holo-projeção, explicando:

— Dois generais desertaram, senhor. Comandante Labulba e Capitã Sabara, levando suas naves de comando; rumam para o cinturão de asteroides de Karion, onde nossos droides perseguidores indicam haver uma pequena frota de caças e naves de transporte no aguardo. – membranas opacas se fecharam sobre os enormes olhos inteiramente negros, sem esclera, íris ou pupila, por não mais do que um segundo – creio que pensem poder escapar...

— Não. – disse o Líder Supremo – não querem escapar: sabem que os caça TIE fighter os alcançariam. – ele observou o holograma do campo de rochas com as naves em seu interior – é uma armadilha. Não são naves de transporte comum, são naves de carga pesada.

— Podem ser adaptadas para comportar armas e escudos defletores – disse Rey, após observar – pelo que a imagem fornece, não há aberturas para canhões laser, mas vê esses geradores de campo magnético? – ela indicou na mesa, aproximando a imagem de uma das naves de modo a conferir visibilidade maior às semiesferas convexas – geram um campo magnético que absorve a energia dos pulsos elétricos e agem como um imã, repelindo ou capturando naves. Qualquer caça que se aproxime será atraído para a superfície e esmagado por uma inversão polar abrupta. – ela encarou Ben, que tinha um discreto olhar de vitória ao vê-la colaborar.

— Se os escudos são eletromagnéticos – começou uma mulher togruta – pulsos de calor os desativarão.

— Apenas os destroieres possuem raios de calor. Os caça TIE têm laser de temperatura reduzida. – Constatou Kylo, encarando a nave – quero os raios concentrados nos geradores de campo. Se destruirmos um, abrimos uma brecha e enfraquecemos o poder da rede magnética.

— Caças TIE têm pouca manobrabilidade, caso se aproximem demais, não terão tempo de dar meia-volta para escapar do campo atrativo. – manifestou-se Rey – eu vi skyjets no hangar. Eles têm armamento para bombardeio leve, não têm?

— Exigem muita aproximação, e habilidades de pilotagem muito acima da média para as manobras que precisariam realizar a fim de disparar e escapar do campo. Além disso, não têm escudos.

— Mas bastaria um único tiro para destruir um gerador. Isso abriria caminho para os TIE concluírem o trabalho e se concentrarem nos caças dos desertores e caçarem as naves de comando antes que pousem nos transportes. Alguém que consiga pilotar um TIE fighter conseguiria executar as manobras com um jet, mais leve e rápido.

Ren se empertigou, ponderou as palavras de Rey e deu suas ordens:

— Mandem interceptores atrás dos desertores, e uma esquadra TIE fighters. – ele encarou dois oficiais humanos, capitães Fletcher e Higgs – a Primeira Dama guiará pessoalmente minha nave de comando A, e comandará a destruição dos escudos das naves de carga. Estão sob o comando dela. Uma vez destruídos os escudos, os jets devem retornar imediatamente e permitir que os interceptores e caças finalizem o combate. Sem prisioneiros. Sem clemência.

Três pares de olhos se fixaram no Líder Supremo, sendo um deles o de Rey; ela precisou morder a boca para seguir os conselhos de Eilenia e não desautorizar o esposo diante da elite, mas sua vontade era quebrar uma pedra na cabeça dele: ao acaso pensava que ela era um de seus vassalos?!

— Pensei ter dado minhas ordens – disse Ren, num tom frio o bastante para congelar uma fornalha – transmitam ao hangar. Quero tudo pronto em quinze minutos. – e caminhando até o assento que outrora pertencera a Snoke – estão todos dispensados, à exceção de minha mulher.

Sem cogitarem desobedecer ao novo líder, que matara meia dúzia de insurretos nos dia anterior, todos deixaram o lugar; ele era um herdeiro de Snoke em tudo, inclusive ao não admitir questionamentos. Rey, por sua vez, respirou fundo para não dar vazão à própria indignação, mas o homem de cabelos escuros antecipou-se a sua revolta:

— Pensei que havia compreendido precisarmos um do outro, para sobreviver.

— Você está me usando. – acusou a moça.

— Sim. Usando-a para demonstrar meu poder, mas também fazendo com que vejam o seu. – ele a observou – é provável que tentem alvejar sua nave e destruí-la, Rey. Mantenha-se na retaguarda e esteja preparada para traição, se ocorrer.

— Você me lança no fogo sem sequer imaginar se eu concordo com isso em qualquer grau. – mais uma inspiração profunda – não sou um brinquedo.

— Eu já vi você pilotar: se fazia aquilo com a sucata que chamam Milenium Falcon, um jet A será como brincadeira de criança – disse ele, autoritário, mas sem raiva — evitar emboscadas e concluir tudo com perfeição inspirará respeito e medo a todos, salvaguardando as próprias costas e evitando futuras insurreições. Ficarei na ponte, observando o campo e guiando-a à distância.

— Eu não pedi para participar disso!

— Ofereceu-se no momento em que tomou parte na discussão, e com tanta certeza acerca do que dizia. – ele se levantou – mostrarei a eles que confio em você, que somos aliados em todos os níveis. Que juntos somos fortes, e estamos protegidos de ataques vindos de qualquer lado. Você será para mim o que eu fui para Snoke, e mais ainda, pois não será uma mera Padawan, e sim minha consorte, aliada, igual.

— Não vou perder tempo com essa discussão agora, Ben – disse Rey, encarando-o com firmeza e autoridade – vou ajuda-lo com todo o meu empenho, porque uma guerra civil destruiria absolutamente todo e qualquer resquício de paz que se possa alcançar. Mas uma vez que se tenha firmado como o Líder Supremo, terei algumas coisas a lhe dizer.

— Devo presumir que isso é uma trégua. – arrogante e intratável! Ah, como queria bater a cabeça dele na beirada da mesa de holoprojeção!

— Uma trégua, apenas até garantir que a galáxia não se dilacere em dúzias de facções lutando pela supremacia. Mas depois... – os olhos dela tinham aquela chama inextinguível, mantida mesmo quando era impiedosamente torturada pelo Líder Supremo anterior e depois, quando imaginara que Ben a mataria. Ela nunca desistia. Nunca aceitava o destino. Uma Jedi até o fundo de sua alma, e por um breve momento Kylo Ren duvidou do poder do Lado Sombrio. Não mais do que um lampejo quase imperceptível, mas o fez: nunca conseguira ter a fé que sua esposa demonstrava, e isso o perturbava.

— Posso aceitar isso. Agora vá, e faça o que eu disse – ela ia deixando o lugar quando a mão dele se fechou em seu punho – ouça minhas orientações e não cometa loucuras. Tenha cuidado.

— Vigie minha retaguarda e avise-me do que estiver fora de meu alcance, que voltarei viva.

— Isso é sério, Rey Solo: não tente ser heroína. Destrua os escudos e bata em retirada.

— Farei o que puder. – respondeu ela, teimosa, descendo para o hangar. Em sua cadeira, o Líder Supremo imaginava como poderia lidar com sua teimosa e irreverente esposa. Uma trégua, ela dissera: percebera por conta própria o que ele pretendera lhe falar, mas ainda havia muito a ser dito. Entretanto, era difícil ter certeza de como Rey reagiria, pois ela sempre fazia o que considerava certo. E o certo, para aquela moça que deveria ser tão simplória, podia passar por planos complexos. Percebia agora que não prendera a si uma aliada submissa, mas alguém que poderia ser sua própria destruição! Era imperativo controla-la, e logo.

Abrindo o mapa 3 D fornecido pelos droides de apoio que acompanhavam as naves batedoras, acompanhou a decolagem e formação da esquadra, olhos fixos principalmente em seu próprio jet de ataque, um modelo inspirado nos antigos caças da Rebelião, à época do Primeiro Império, mais manobráveis e com maior poder de fogo, porém desprovidos de escudos – exatamente o que os tornava tão leves e aerodinâmicos. Testou a comunicação com os veículos de cada comandante, operando perfeitamente. Era hora de saber quem realmente estava ao seu lado, e que lugar seria melhor do que um pequeno campo de batalha? Em último caso, enviaria os destroieres e ordenaria que Rey se retirasse, estruindo todos os demais. Também isso seria uma demonstração clara do que ocorria quando o contestavam.

O tempo transcorrido desde a decolagem até alcançarem o campo de asteroides foi de apenas uma hora; chegou a ele a pergunta da Capitã Phasma, que comandava os caças fighter e interceptores:

— Alvos avistados, Líder Supremo: as naves de comando se ocultaram nos cargueiros. Permissão para iniciar o ataque?

— Atacar. Quero todos os caça deles ocupados para que os cargueiros sejam destruídos. – ordenou Kylo, sintonizando então com Rey:

— Jet A, na escuta? – apenas um leve chiado indicou a conexão feita — Rey, qual sua posição? Não a localizo no mapa.

— Jet A na escuta. Encontramos abrigo dentro de uma rocha porosa. – respondeu a moça, voz abafada num sinal entrecortado – tenho visibilidade de três cargueiros, mas são cinco, ao todo.

— Aguarde os interceptores iniciarem o ataque, e aproveite o elemento surpresa. Bombardeie os geradores e SAIA DAÍ. Fletcher e Higgs lhe darão cobertura contra as naves inimigas.

— Entendido – ela tinha o coração quase saindo do peito, não por estar prestes a entrar em combate, mas por fazê-lo em nome da Primeira Ordem – As rochas interferem no sinal. Vou desligar, câmbio.

Confiante, Kylo Ren se acomodou diante do mapa, atenção voltada a cada veículo. Começava hoje seu império.

*

— Nave A-1, na escuta?! – chamou Rey, executando um parafuso que a levou por entre dois fighters inimigos que a perseguiam, causando o choque das asas hexagonais de ambos. Droga, onde estavam os oficiais?

— Na escuta, nave Líder – chegou a voz de Higgs – estou preso por uma barreira de destroços do cargueiro alvejado.

— Mantenha posição, vamos concluir a desativação dos campos magnéticos e resgatá-lo. Desative os sinais da nave, mantenha apenas seu transmissor pessoal, para que não o detectem.

— Copiado, nave Líder. – Rey viu os sinais da nave de apoio 1 desaparecerem e, com a nave 2 ocupada em redor do próximo cargueiro, compreendeu que teria de se livrar sozinha dos interceptores em sua perseguição. Um tiro passou perigosamente perto da asa da nave, e ela se desviou com uma guinada brusca em direção a um acúmulo de rochas. Os perseguidores seguiram atrás.

— Vocês querem brincar de pegar? – perguntou ela, baixinho – então peguem essa – com outa guinada violenta, que fez ranger o leme da nave, entrou numa nuvem de poeira. Poeira cósmica, contudo, era formada por fragmentos que chegavam ao tamanho de um punho, e o barulho de pedra batendo contra metal era quase ensurdecedor. Isso não deteve os adversários, que a seguiram, mas a visibilidade era nula! A própria Rey se guiava unicamente pelos radares e pelos próprios instintos quando, subitamente, executou um loop e se colocou atrás dos TIE, alvejando-os. As explosões alaranjadas tingiram a poeira acumulada em redor e criaram um solavanco que desestabilizou momentaneamente o veículo da jovem.

— Rey, onde está você?! – a voz de Ben se fez ouvir de novo.

— Acabei de me livrar de dois parasitas na minha esteira. Dois cruzadores abatidos, um danificado. Faltam dois.

— Termine isso e saia daí antes que acabe se matando.

— quer pilotar num labirinto e eu fico dando ordens da ponte de comando? – perguntou ela, zangada – desligo.

Ela xingou quando viu vários fighters usarem uma estratégia de voo que ainda não conhecera: voavam com as asas encaixadas num escudo impenetrável, e vinham acelerados em sua direção.

— Vocês realmente querem acabar com meu dia. – ela checou todos os propulsores e acelerou em direção ao escudo. Estava a poucos metros quando acionou o hiperpropulsor inferior, num salto perfeito por cima da barreira; o movimento a levou direto sobre um dos geradores magnéticos da nave elipsoide na qual se protegia um dos desertores. O campo capturou o pequeno jet da Jedi, que se deixou arrastar pela força atrativa a fim de ganhar velocidade; o impulso extra lhe permitiu um rasante, durante o qual disparou várias rajadas que destroçaram o escudo, libertando o veículo leve da armadilha. – Sinto muito, rapazes, mas não me deram escolha. – puxou o microfone para a boca – Nave A2, qual sua posição?

— Olhe para cima, nave Líder. – Rey ergueu os olhos e viu o outro jet A sobrevoando-a. Estava avariado, com o leme fraturado e canhões de asas inutilizados, mas ainda voava bem.

— Está com avarias. Retorne, nave A2 – ordenou ela.

— senhora, o Líder Supremo...

— Eu estou no comando, nesse campo. Retorne agora, e retire Higgs dos destroços. Eu finalizo com o último.

— Entendido, senhora. – o jet avariado perdeu velocidade e retornou, enquanto Rey se preparava para abater as defesas da última defesa insurreta: era a maior de todas, e esta possuía armamento próprio; tratava-se de minúsculos sistemas de disparo laser, inúteis contra naves maiores, mas capazes de partir ao meio um jet ou caça pequeno.

— Essa não – ela guinou para a esquerda e depois para a direita, executando giros sobre o eixo do jet para fugir aos disparos. Disparou contra os mini-canhões, mas estes possuíam escudos próprios. Não seria tão fácil assim... E àquela velocidade não conseguia nem mesmo identificar o tipo de escudo que havia.

— Nave A Líder para ponte de comando. – chamou por Kylo Ren – a última nave tem um sistema diferente. Parece um escudo defletor compacto de repulsão.

— Saia daí, Rey. Você não tem como vencer uma coisa dessas.

— Não! Não vou desistir agora. Cheque o mapa e me oriente a uma posição favorável: os escudos estão concentrados na traseira, deve haver uma brecha na frente.

— A proa concentra armamento leve. Não vai conseguir pilotar entre os disparos!

— A cabine de comando é o que estou vendo? Bem acima?

— Rey, recue! – a voz dele era séria – estou ordenando!

— Ordenou que destruíssemos os insurretos. É o que estou fazendo.

— Não faça... – ele gritou uma praga quando a jovem desconectou o comunicador. Furioso, sussurrou para si mesmo – se você sobreviver, Rey Solo, vai preferir ter morrido.

Alheia a isso, Rey saiu do alcance dos laser defensivos; ao seu redor o espaço era uma confusão de disparos, poeira cósmica, explosões breves, rochas despedaçadas. Ver qualquer coisa era virtualmente impossível, e subitamente sua nave sofreu uma pane: todos os radares deixaram e funcionar, assim como o sonar, efeito de ter se exposto involuntariamente aos agonizantes pulsos magnéticos do cargueiro que acabara de atacar. E como se orientar num ambiente perigoso e de baixíssima visibilidade, sem comunicação ou localizadores?

Sem entrar em pânico, ela respirou fundo e expandiu seus sentidos; nada havia que pudesse lhe dar certeza de estar certa, mas de algum modo a Jedi apenas sabia, e confiou cegamente em seus instintos. Acelerou, desviando por um triz de naves em colisão, disparos de aliados e inimigos, destroços... A expansão dos sentidos, porém, abria-a também à sensação de cada um dos que morriam: podia ouvir seus gritos mentais, sentir suas centelhas se apagando, e era como experimentar a morte junto a eles! Não! Concentre-se, Rey! Concentre-se em seu objetivo!

Entretanto, era impossível ignorar completamente; sentiu quando uma nave e carga explodiu, e foi impossível contar o número de mortes! A sensação a atordoou a ponto de fazê-la perder a consciência; não por mais do que um instante, mas fez. Sua nave, descontrolada, rodopiou em direção à sala de comando do último cargueiro; ela recuperou o controle a tempo de ver as armas defensivas apontadas para si e, trincando os dentes, acelerar. Ninguém compreendeu o que fazia, mas ia mais rápido do que era possível reajustar a mira dos canhões, de modo que os disparos estavam sempre um milissegundo atrasados; penetrou com um solavanco o escudo enfraquecido, e acreditaram que ia se chocar contra a nave, mas, numa manobra impressionante, ela girou e executou um salto ao mesmo tempo, disparando com todas as armas do jet na cabine de comando. Seu veículo raspou contra a superfície metálica e se desgovernou por alguns momentos, chocou-se contra fragmentos e asteroide e, com a potência dos impactos, Rey sentiu sua coluna estalar como se estivesse prestes a ser partida. Achou que perderia a consciência devido à aceleração, mas finalmente sua mente desanuviou, e percebeu que os radares da nave haviam retornado. Puxou depressa o microfone e chamou pelas naves de suporte:

— Higgs, Fletcher, estão aí?!

— Positivo, nave Líder. Higgs já está a bordo de minha nave – respondeu a voz masculina de Fletcher, o que a fez suspirar – salto impressionante.

— Não é o que eu chamaria, já que quase me partiu ao meio – riu a moça, tentando aliviar seu próprio coração mutilado pela dor – fizemos o que devíamos. Retornar ao cruzador.

Enquanto abandonavam o campo de combate, ela desligou a comunicação e chorou silenciosamente todas aquelas mortes. Necessárias? Sim. Mas nunca conseguiria ser imune à dor e sofrimento dos outros... Era uma Jedi, e Jedis protegiam a vida... Mesmo que, para isso, precisassem sacrificar um número menor de seres, a fim de evitar grandes calamidades.

*

— Eu. Mandei. Recuar. – disse Kylo Ren, usando a Força para tentar sufocar sua esposa. Esta, porém, não era uma jovenzinha indefesa, e um cilindro de combustível voou até acertar em cheio as costas do Líder Supremo, em meio ao hangar vazio. Ele dispensara todos para “lidar com sua esposa”, e agora confrontavam-se com faíscas a saltar dos olhos de ambos. Solta de seu instantâneo aprisionamento, ela puxou o sobre de luz da cintura e o acionou:

— Você se ATREVE a usar a Força para me ferir, Ben Solo? – ela estava prestes a explodir já quando chegara, torturada pela sensação da perda de milhares de vidas, e seu marido ainda a atacava?! Fora o estopim para acertá-lo como pretendera – Eu fiz o que precisava fazer! O preferia que eu deixasse o cargueiro escapar, com oficiais que conheciam muito bem a Primeira Ordem e seu funcionamento, e que sabotariam SUA força de comando?

— Uma ordem é uma ORDEM, Rey! – devolveu ele, desembainhando também seu sabre de luz – podia ter sido destruída!

— Não parece preocupado com a possibilidade de eu morrer. – sibilou ela, furiosa – tenta me estrangular, puxa o sabre de luz... Ou só o que o revolta é a ideia de eu ser porta por alguém que não você?!

Os sabres se cruzaram com seu zumbido característico, o rosto de Bem tornado a expressão avermelhada de uma fera furiosa:

— Quando eu lhe der uma ordem, não se atreva a desobedece-la! Nunca! EU sou o Líder Supremo deste Império, e desacatar minhas ordens é o mesmo que uma traição!

— Não havia nenhuma cláusula que falasse em obediência naquele maldito contrato que assinei! – rebateu a moça – aliados, lembra-se! ALIADOS! Eu fiz o que tinha de fazer, mesmo que isso me dilacerasse! Mesmo que a dor me tenha feito desmaiar, sentindo todas aquelas pessoas morrendo! E é ASSIM que me agradece, seu ingrato, inútil, egoísta – cada xingamento era pontuado por um golpe de sabre de luz, que ela aparava com maestria. Ela não o queria acertar, de fato, queria apenas aliviar a frustração, raiva, medo, mágoa... Seus sabres se cruzaram, nenhum dos dois aceitando recuar, e a moça continuava – eu os senti, lá... Cada morte... Era como estar morrendo eu mesma... – lágrimas escorreram de seu rosto – mas era preciso. E quando veio a ordem de recuar... Todas aquelas vidas, para nada? Não... Eu tinha de garantir a união. Eu tinha de fazer o que era preciso...

Kylo Ren obrigou Rey a erguer a lâmina, girando os sabres por sobre a cabeça da menina e prendendo-a de costas junto a seu corpo. Ao contrário do que ela esperava, largou o próprio sabre e a abraçou com força; assim que a Jedi soltou sua arma, virou-a para si e escondeu o rosto da esposa em seu peito, abraçando-a de modo protetor. Sabia como ela se sentira... Sabia, pois sentira o mesmo quando matara pela primeira vez. O tremor dela era mistura de choque, raiva contra si mesma e contra Kylo, tristeza e dor.

— Vá para seu quarto, Rey – sussurrou ele, sério – lave-se, tente dormir. Eu irei até você, depois.

Ela não sabia como reagir: seu corpo parecia pesar dez vezes mais do que o normal, e não soube dizer exatamente como conseguiu andar até seus aposentos, tomar um banho e caminhar até a cama, onde desabou sem sequer se desenrolar da toalha, tamanha sua exaustão. Ainda havia lágrimas em seu rosto quando adormeceu.

*

Em seu sonho, a Jedi reviu tudo o que fizera naquele dia. Mas não tomava parte na batalha, e sim a contemplava de algum ponto acima, tendo ao seu lado Skywalker e um pequeno ser de pele esverdeada e longas orelhas pontiagudas.

— O que eu fiz? – perguntou, em pranto.

— Um papel a cumprir você tem. – disse o menor, com segurança – o necessário fez você, mas deixar que isso a defina você não pode. Uma Jedi você é, Rey: ser um Jedi fazer coisas que não queremos significa, coisas que terríveis parecer podem, em nome da paz.

— Não é de me tornar como Kylo Ren que tenho medo. No fundo de meu coração, sinto que minha escolha pela luz foi feita, e nada a irá mudar... Mas essa dor... Como poderei suportar outras vezes?

— Com sua fé na Força – respondeu Skywalker, segurando o outro ombro da moça – Não se esqueça, Rey. Não se esqueça do que realmente importa. Fez uma escolha terrível, e terá de arcar com suas consequências... Mas sabemos que é capaz. Tantas profecias interpretadas erroneamente, e ninguém percebeu que era para você que elas apontavam. Será você a trazer o Equilíbrio, tal como era antes de a vaidade e arrogância cegarem os olhos dos que se conectavam à Força.

— Como farei isso, Mestre? – perguntou a jovem, sentindo que carregava um peso grande demais em seus ombros.

— Com tempo, sabedoria, paciência. Não está sozinha: aqui, fora do tempo e do espaço, poderá receber não apenas os meus ensinamentos, mas os de outros mestres, à medida que for capaz de se conectar aos níveis mais sutis da Força. Até lá, não desista, Rey, pois nós não desistiremos de você. – e com essas palavras, as duas figuras desapareceram, deixando a moça sozinha num mundo de neblina prateada.

Notas finais
É isso, gente! Eu fiz bastante pesquisa sobre as naves de Star Wars, e espero que me perdoem algumas alterações ocasionais que tenham sido feitas, ok? Foram intencionais. Torço para ter agradado com esse capítulo. O prazo para o próximo é até dia 13, quando vou viajar e passar uma semana longe de qualquer coisa eletrônica. Que a Força esteja com vocês!