Rise of Jedi
12 Capítulo Bônus - Valentine's Day
Notas iniciais
Ela ainda não acreditava que, finalmente, Ben resolvera dar-lhe ouvidos e afastar-se por alguns dias daquela loucura que se chamava “governo”! Afinal, viviam meses de relativa estabilidade, e o novo Conselho nomeado era mais do que capaz de lidar com algum problema na capital enquanto o Imperador encontrava-se alguns dias em “assuntos confidenciais”. O problema é que ele aceitara bem até demais, e fizera e tudo para impedi-la de saber aonde iam. Quando a moça insistia no assunto, ele apenas lhe dizia que era uma surpresa, uma compensação pelo primeiro ano de casamento extremamente atribulado. E isso aumentava exponencialmente a curiosidade da garota que, afinal, resolveu se conformar simplesmente por um motivo: era a primeira vez que Ben fazia algo para ela, sem envolver política, filosofia sobre luz e trevas ou qualquer motivo que não... Eles. Queria agradá-la, simplesmente por terem acabado de completar um ano casados, e... A verdade é que ela podia entender os sentimentos de seu esposo, mas tinha sérias dúvidas acerca de se algum dia conseguiria entender seus pensamentos.
Para manter as aparências de “missão confidencial”, viajariam na nave de comando do Imperador, mas este recusara escoltas ou outros acompanhantes, dando a entender que era um assunto da Força. Não o dissera com tais palavras, mas fora habilidoso o bastante para que a ideia surgisse na mente de todos os que especulassem a respeito. Agora embarcavam juntos na nave-comando, em perfeita simulação de impassibilidade, enquanto o coração da Jedi pulava dentro do peito.
Acomodaram-se na cabine, ele na cadeira de piloto, ela como copiloto; procedimentos costumeiros realizados, checagens, o lento e silencioso estender das enormes asas e... Finalmente estavam no espaço, sozinhos, indo para longe de toda a confusão, tensão e problemas. Rey abriu um enorme sorriso, e percebeu que Ben também tinha um leve sorriso nos lábios; deslizou a mão para cima da dele que, em vez de retirá-la, entrelaçou os dedos aos seus, mas manteve o silêncio.
— Então... Não vai me dizer aonde vamos? – mais uma vez aquele meio-sorriso enigmático. Ben sabia o quão bonito ele ficava, sorrindo? Queria muito, um dia, ver um sorriso verdadeiro e completo em seu rosto quase sempre sério ou zangado...
— Nem pense em tentar ler meus pensamentos, Jedi. – alfinetou ele, fitando-a com certa diversão. – mas não é muito longe. Doze horas, depois das modificações que você fez nesta nave – ligou o piloto automático – e uma rota tranquila, de acordo com todos os mapas.
— Isso me deixa com doze horas em qualquer direção, já que não me deixou ver a rota traçada. – Ela tinha um sorriso maroto ao se abaixar ao lado dele e sussurrar ao seu ouvido:
— Vai me dizer aonde estamos indo. – sua entonação simulava a “voz de comando”, que lhe permitia manipular mentes fracas.
— Em primeiro lugar – ele se virou para ela, sério, mas com olhar divertido – isso é um mau uso da Força, para uma Jedi. Em segundo lugar, só funciona com mentes fracas, padawan inexperiente. Seus mestres ficariam desapontados.
Ela riu e o abraçou; num primeiro momento sentiu-o tensionar os ombros, mas logo em seguida relaxou e, empurrando a cadeira para trás, puxou-a subitamente para seu colo, provocando gargalhadas na moça, que se aninhou contra o peito do esposo, mais feliz do que estivera em todos aqueles últimos dias. É claro que se preocupava com Asala, Brenwen e Ithlo, seus padawans, mas sabia que Eilenia velaria por eles. Agora, não queria pensar em nada além de Ben e ela, sem nada que os impedisse de ser apenas eles mesmos.
*
Ben deixou os controles e ficou em pé atrás da cadeira de Rey, as mãos em seus ombros:
— Venha comigo. – pediu num sussurro suave e imperativo, fazendo-a se levantar; aquilo estava estranho!
— Ben, o que você está aprontando? – perguntou ela, seguindo-o; apesar de tudo, estava calma. Gostava do ar mais calmo e contemplativo que ele adotava, quando estavam juntos... O verdadeiro Ben Solo, um dia o garotinho que, como Leia lhe contara, gostava de passar horas e horas debruçado sobre livros, escrevendo ou ouvindo histórias, tão consciente e meditativo sobre o mundo e o que nele acontecia, solitário, mas doce e carinhoso. Algo daquele garotinho ainda vivia no homem à sua frente, que a conduzia para a cabine posterior da nave, por mais que o mundo o houvesse modificado.
— Estamos muito perto, agora, Rey – disse Ben – entraremos em órbita, e não quero que veja tudo de cima, como fazemos com os planetas. Quero que o veja quando pousarmos... Que esqueça existir um universo além do lugar em que estaremos. – ele deu a volta e ficou às costas da moça, abraçando-a; suas mãos subiram até o rosto dela, colocando uma venda sobre seus olhos.
— Ben... Não gosto disso. – não ter controle sobre os próprios sentidos era algo assustador... Não gostava de se sentir vulnerável, fosse como fosse! Entretanto, ele beijou sua mão e sussurrou ao seu ouvido:
— Confie em mim.
— Eu devo? – provocou a Jedi, enquanto ele a fazia se sentar num dos assentos na cabine posterior, afivelando-lhe o cinto. Sem que ela pudesse ver, o homem sorriu: gostava de tê-la daquele modo, de certa forma sob seu controle, vulnerável e passiva como jamais poderia esperar que agisse em outras circunstâncias. Não sabia sequer como ela aceitara até agora... Mas apreciava o momento, talvez por ser tão raro. – está adorando isso, não é? Amando ter o controle.
— Um controle que você me permite ter, ao menos uma vez na vida – ele entrelaçou os dedos aos cabelos dela, puxando-os levemente para fazê-la inclinar a cabeça a fim de receber seu beijo. Ambos se deliciaram naqueles momentos, mas quando se separaram ela provocou:
— o que havíamos falado sobre me segurar pelos cabelos, Ben Solo?
— Diga que não gostou – respondeu, os lábios rentes aos dela, antes de beijá-la outra vez e descer os lábios pela garganta exposta, finalizando com uma suave mordida e um beijo na linha da clavícula que arrancou um gemidinho da moça. Finalmente afastou-se e ficou em pé – uma vez na vida, Rey, obedeça: não estrague a surpresa.
— Não estragarei – ela sorriu, em paz, mas não poderia não provoca-lo um pouco mais – apenas pouse de um modo decente, por favor, e não com as acrobacias loucas que usa em seu fighter.
— Que EU uso? De quem estamos falando, mesmo? – ele mal conteve o riso, pensando em quantas vezes haviam discutido sobre as manobras arriscadas que ELA fazia. Rey conseguia a proeza de diverti-lo. – certo. Tentarei não nos matar na aterrissagem. Virei busca-la quando pousarmos.
Ela relaxou na cadeira e apenas aguardou, acalmando a própria mente numa meditação profunda que visava a afastá-la de toda a situação deixada para trás, situando-a no aqui e no agora, sem tensões, preocupações ou memórias desagradáveis.
Quase uma hora se passou até ela sentir a presença do amado à porta, com um sorrisinho, declarou:
— Achei que tinha se esquecido de mim.
Ele não falou nada; Rey sentiu as mãos grandes desatarem os cintos de proteção e puxarem-na para cima; ao contrário do que lhe era costume, apenas relaxou àquele toque e deixou que a conduzisse. Finalmente pararam diante da porta – entendia agora o que os Miralukas diziam, sobre a visão ser algo hipervalorizado e até mesmo desnecessário para os que eram sensíveis à Força – e ela ouviu o som da suave descompressão quando a porta foi aberta. Ben estava atrás de si, e desatou delicadamente a venda enquanto o cheiro do oceano preenchia os pulmões de Rey.
— Veja, Rey – sussurrou enfim, e ao abrir os olhos a moça se viu diante de um dos lugares mais belos... Não, certamente O mais belo que já vira! Praias de areias finas e claras com afloramentos de rochas multicoloridas, rajadas nos mais variados tons que iam do azul ao vermelho, do amarelo ao verde! Falésias se erguiam atrás de ambos, as mesmas rochas coloridas pontilhadas aqui e ali por verde e vermelho onde tufos de plantas nasciam... E no topo do penhasco, vegetação que ia do verde ao ciano! Voltou seus olhos outra vez para o mar, e percebeu que estavam em uma grande baía, de águas não muito profundas e do mais puro tom de azul! Na borda de areia umedecida, pequenos seres de várias patas corriam por entre plantas de aspecto esponjoso com belas florações amarelas em formato de estrelas... E mais além, onde a água se tornava mais profunda, porém ainda no abrigo da baía, dorsos brancos saíam momentaneamente da água, antes de emergirem novamente... Era mais beleza do que já sonhara ver, com todos os planetas já visitados e rotas tomadas!
— Ben... – não conseguia encontrar palavras – é... Eu nunca vi algo tão bonito!
— Eu, já – ela o fitou com surpresa, e viu aquele meio-sorriso que derretia seu coração, acompanhado do mais puro olhar apaixonado. Abraçou-o com enorme carinho, rindo baixinho quando o abraço dele tirou-a do chão, e sussurrou:
— Obrigada, meu amor!
— Você sonha com o oceano, desde pequena. Achei que merecia ver a mais bela praia da galáxia. – ele segurou a mão dela na sua, e desceram juntos a rampa até a areia fina. Encantada, Rey se baixou e pegou um punhado dos grãos finíssimos:
— É tão... Diferente de tudo que conheci! A areia parece macia! – Nunca esperara algo assim, da parte de seu amado e estranho esposo; ergueu-se e mergulhou seu olhar nos lagos negros dos olhos de Ben – acho que poderíamos conviver por cem anos, e eu nunca conseguiria descobrir tudo a seu respeito. Você é um mistério, meu amor.
— E você me amaria, se eu não fosse? – perguntou ele, a voz levemente rouca e baixa, a entonação que fazia o coração da moça parecer prestes a saltar do peito. Mas não apenas ele a afetava: por mais que negasse, Kylo sabia muito bem que, desde o primeiro olhar pousado sobre a moça, quando sequer sabia quem ela era, estivera irremediavelmente perdido. Ou, talvez, houvesse enfim se encontrado: encontrado a si mesmo naqueles olhos que variavam do castanho ao verde, cheios de um fogo determinado e intenso, cheio de luz... Um fogo que o consumia e fazia renascer, que despertava nele seus instintos mais terríveis e sentimentos mais nobres. Rey era seu veneno. Rey era sua cura. E mesmo lutando contra esse sentimento, sabia que ela lhe devolvera sua vida. Naquele mesmo instante, seus olhos capturados pelos dela, precisava menos de ar do que da mulher diante de si!
Movidos pelo mesmo sentimento, trocaram um beijo apaixonado e intenso, enlaçando-se mutuamente, plenos de felicidade por aquele recanto isolado de um paraíso que, no momento, era apenas deles. Abaixaram-se juntos e Rey empurrou Ben até estar sobre ele, ainda o beijando; continuaram naquele beijo, disputando pelo controle, rolando na praia até o fôlego lhes faltar, quando afastaram os rostos apenas o bastante para se fitarem mutuamente. E pela primeira vez, os olhos de Ben Solo sorriam verdadeiramente.
— Rey... – ele ia dizer algo, mas seu rosto se contorceu numa careta de desagrado. A moça se afastou um pouco, e ele praguejou enquanto se sentava – francamente, eu odeio areia! Entra em todos os lugares! – aquilo pinicava horrivelmente! Estava em seus braços, em sua gola, irritando a pele, e ele não fazia ideia de como fora para dentro de suas roupas, o que fazia Rey se sentar no chão às gargalhadas; vê-lo arrancar a capa, o sobretudo e a camisa foi uma diversão à parte, e quando percebeu que ela o fitava, as orelhas de Ben ficaram levemente vermelhas, especialmente ao notar o modo como ela apoiava o rosto na mão fechada, como se observasse algo muito interessante.
— O que foi? – perguntou, estranhando a atitude da esposa.
— Observando a “paisagem”. – ela riu e levantou – amador: um pouquinho de areia dentro das roupas e faz um escândalo desses. – ela o olhou de alto a baixo – sorte a minha, no final. – aproximou-se dele, ainda rindo – assim, Ben – pegou a capa das mãos dele e, com uma sacudida vigorosa, livrou-a de uma vez de toda a areia. – viva em Jakku por alguns meses, e aprenderá depressa.
— Muito engraçado – respondeu ele, irônico – temos duas alternativas: dormir na nave, ou acampar na praia.
— Ficar ao ar livre me parece ótimo! – sorriu a jovem, o que fez Ben entrar na nave e voltar com... Uma maleta metálica?!
— O que é isso? – indagou ela, confusa.
— Cortesia da equipe de engenharia militar – respondeu ele, posicionando o objeto no chão, apertando uma trava e puxando Rey consigo alguns passos para longe. A maleta se abriu e começou a se desdobrar: hastes metálicas se desdobravam e encaixavam umas às outras em padrões hexagonais, enquanto uma fina folha metálica era estendida por sobre a estrutura, até haver no meio da praia uma estrutura em forma de domo, de um tom fosco que se misturava ao da areia, com janelas de aço vítreo e grande como uma das cabanas de Ach-To. Ela sabia o que era: um abrigo militar camuflado! A folha de aço era impenetrável, e a estrutura semiesférica conferia resistência muito superior à de qualquer abrigo. Basicamente, a única coisa capaz de perfurar aquele revestimento era um sabre de luz!
— Até mesmo nisso você pensou? – perguntou ela, surpresa. Kylo arqueou de leve as sobrancelhas:
— Tenho meus bons momentos. – fitou a esposa com carinho e provocou-a – ficaremos aqui, acumulando areia pelo resto do dia, ou pegaremos nossas coisas na nave?
A Jedi sorriu e, de repente, seus pertences passaram flutuando por Kylo, que meneou a cabeça:
— Eu tenho quase certeza de que um Jedi consideraria isso um mau uso da força...
— Que bom que não há nenhum Mestre nos espionando, então – riu a jovem, pousando a bagagem no chão – não seja tão sisudo, Ben! Venha, vamos ver o interior de nossa “barraca”!
O interior era grande e confortável o bastante para acomodá-los por dias! Trabalharam juntos removendo os pertences de dentro das malas, e Rey não pôde deixar de sorrir enquanto via Ben, pela primeira vez, fazer algo tão “simplório” – nas próprias palavras dele – com as próprias mãos, ajudando-a a organizar o espaço que chamariam de lar, pelos próximos dias. Ouvia-o praguejar quando deixava algo cair, ou simplesmente sentia suas costumeiras variações de humor, que iam da satisfação por terminar de organizar suas coisas à irritação pelo suor que lhe escorria no torso, uma vez que naves eram frias, e o planeta onde estavam, bastante quente. A verdade é que ele lhe fazia sorrir, e a Jedi se deleitava com a ideia do tempo a sós com o homem a quem tanto amava.
*
A noite passada fora extremamente repousante: sem pesadelos nem medos, haviam apenas adormecido profundamente no colchão flutuante, tomados por um invencível sono causado pela paz. Agora, a empolgação de Rey era visível enquanto corria pela água à altura das coxas, banhada pela luz da manhã no corpo seminu, mergulhava brevemente e tornava a emergir, jogando água longe e, principalmente, em seu esposo, rindo como uma criança. A princípio ele se incomodou e pensou em lhe ordenar que parasse, mas quando aquela jovem travessa emergiu ao seu lado, com um sorriso mais caloroso do que mil sóis, ele sentiu seu gelo ser subitamente derretido; com gestos discretos demais para que ela percebesse, começou a manipular a água, e subitamente um jato forte a acertou em cheio no peito, derrubando-a. Quando se ergueu, a Jedi tinha um sorriso divertido e desafiador:
— Então é guerra, senhor Solo? – Ben deu um passo atrás, levemente assustado ao ver que ela manipulava a água com ambas as mãos, como se controlasse apenas uma pedrinha! Água, por sua fluidez e instabilidade, era o segundo elemento mais difícil de ser movido pela Força e, entretanto, ali estava ela, como se não passasse de uma brincadeira!
— Rey, não! – Ele deu mais um passo para trás, sério – não se atreva a... – Uma chuva salgada caiu sobre sua cabeça, obrigando-o a limpar o rosto e jogar o cabelo para trás com as mãos, o olhar subitamente zangado, ainda que fosse apenas sua mais perfeita farsa – agora você merece ser punida.
— Ben? – ela não entendia a zanga do esposo, e tentou recuar, mas ele era mais rápido ao se mover pela água e a alcançou rapidamente, segurando-a pelo pulso – Ben, o que vai fazer?!
Sua resposta foi uma onda quebrando sobre a garota, que se levantou engasgando e rindo:
— idiota! Achei que estava zangado mesmo! – seu esposo se aproximou e levantou pela cintura, selando seus lábios num beijo antes de dizer:
— como eu poderia? – fitou o horizonte e um ponto em que o afloramento rochoso avançava baía adentro – venha, quero lhe mostrar uma coisa. – e ao sentir o receio dela, em relação a adentrar o mar alto — Use a Força. Eu a ajudarei. – puxou-a pela mão e, mesmo hesitante, Rey o seguiu. É verdade que precisou usar a Força para se manter à tona, como ele orientara, mas conseguiu acompanha-lo até a ponta rochosa; ele próprio se certificava de estar ao lado dela o tempo inteiro e estabilizá-la em seu nado precário, fosse apoiando-a com o braço ou usando a Força.
Levou-a a um ponto de podiam ver os recifes que contornavam toda a baía, cerca de trinta quilômetros à direita de onde estavam, estendendo-se para a esquerda até onde os olhos podiam ver – este lugar é um berçário – explicou, ajudando-a a subir nas rochas molhadas, parecendo extremamente à vontade com o lugar – os recifes impedem a presença de correntes, e quase nunca há ondas deste lado... Predadores não conseguem passar, então serve de berçário para várias espécies. – ele a sentou ao seu lado – aqui, a vida floresce em segurança. Sinta.
Rey fechou os olhos e abriu-se à Força, sua mente invadida por sensações magníficas, imagens, sons... Via enormes mamíferos marinhos brancos, de focinhos arredondados e corpos em forma de torpedos, com longas caudas de barbatanas semicirculares, dois pares de nadadeiras peitorais e uma longa fileira membranosa ao longo de todo o dorso. Tinham entre três e quatro metros de comprimento, e nadavam em grupos de mães com seus filhotes.
— Nargruts – explicou o homem, vendo os pensamentos e sensações da companheira como se fossem seus, admirando a beleza do rosto sereno e maravilhado da jovem... – Como eu disse, é um berçário. Um refúgio.
Rey abriu um sorriso maravilhado e estendeu-se para a água, deslizando para o mar; queria sentir na totalidade aquele meio que lhe era tão estranho, e o mar... O abraço da água morna parecia o aconchego de uma mãe, envolvendo-a tão receptivamente! Estava encantada, fascinada, sentindo não apenas os grandes mamíferos, mas peixes, plantas, um sem-fim de formas de vida bem abaixo, nas paredes de rocha, nas areias no fundo... Um paraíso com o qual apenas sonhara.
— Rey, cuidado. É o mar, não uma lagoa – alertou Ben, descendo para a beira d’água, preocupado. Porém, quando a viu soltar a pedra e tentar nadar sem ajuda, não conseguiu reprimir uma gargalhada, e se o visse sorrindo naquele instante, a moça o teria achado a mais bela de todas as visões – o que está fazendo? – ela espadanava água para todos os lados, por algum mistério mantendo-se acima da superfície, embora ele pudesse apostar que apenas o uso da Força o permitia.
— Tentando nadar sem usar a Força, nem me apoiar em você!
— Parece um pato morrendo afogado! Isso é ridículo! – ele a “pescou” por um braço, puxando-a para as pedras – não duraria três minutos, desse jeito.
— Eu cresci num deserto! – protestou ela, segurando-se ao esposo.
— Certo, podemos usar esses dias para remediar isso. – ele sorriu e mergulhou, segurando-a pela cintura calmamente – relaxe. A água é como a Força: não pode dobrá-la totalmente, não pode controlá-la, pois é muito maior do que você: pode apenas senti-la e usá-la a seu favor. Fluir com ela.
— Eu não lhe disse isso apenas alguns dias atrás? – perguntou ela, num risinho nervoso de receio – sobre sentimentos?
— Eu não vou entrar em discussão com você, senhorita Jedi – respondeu Ben, sério – não enquanto estivermos aqui, portanto, esqueça esse assunto. – Ele batia as pernas lentamente, mantendo ambos à tona – assim: devagar, com calma e firmeza. Dobre um pouco as pernas e as estenda, como pequenos chutes... Mas devagar. Fluido.
Ela o imitou, com pouco sucesso... Tão logo as mãos do esposo a soltaram, afundou até mal conseguir manter o rosto fora da água, precisando usar as mãos; o Sith riu e lhe mostrou como mover também as mãos, lateralmente, para ajudar na flutuação.
— Não é tão difícil, assim... – ofegou a garota, após dois ou três mergulhos involuntários que a fizeram engasgar. Finalmente conseguia ao menos manter a cabeça à tona.
— Você se aperfeiçoa, com a prática. Pelo menos já sabe não morrer afogada – ele a abraçou, envolvendo as pernas da garota em sua cintura. Assim como ela, podia sentir tudo o que ocorria ao seu redor, toda a vida e... Pela primeira vez em muito tempo, aquilo lhe trazia felicidade, calma... Via o sorriso dela, e queria fazê-la ainda mais feliz. Soube então perfeitamente o que a deixaria em verdadeiro êxtase – Rey, você confia em mim?
— É claro que confio! Acha que eu estaria aqui, no meio do mar, se não confiasse?
— Então, há algo que eu desejo lhe mostrar. Segure-se às minhas costas. – ela hesitou, mas ante o olhar de confiança que lhe deu, aceitou; passou os braços pelos ombros de Ben e as pernas por sua cintura – pronta? Prenda a respiração.
Mesmo apreensiva em relação a submergir, ela abraçou o esposo com força e segurou o fôlego; sentiu a pressão aumentar ao seu redor à medida que iam mais e mais fundo, e teria entrado em pânico se Ben não estivesse ali. Confiava nele. Sabia que não os colocaria em risco – que não A colocaria em risco – então obrigava-se a manter a calma. Ele desceu mais e mais, com movimentos vigorosos dos braços longos e fortes, e enfim a proximidade foi grande o bastante para a mancha difusa de cores se tornar uma das coisas mais belas que já vira!
Abaixo deles estendia-se um tapete vivo de vegetais multicoloridos: folhas longas que variavam do azul ao verde, filetes avermelhados, folhinhas arredondadas organizadas em arbustos rígidos e cobertos por uma fina camada mineral... Cilindros esponjosos com espinhos multicoloridos, flores com formas variadas de estrelas, triângulos, espirais, cujas pétalas oscilavam ao sabor das correntes... E em meio aos vegetais, peixes no mais variados tamanhos, formatos... Ela observou, curiosa, que a grande maioria tendia a ter um única cauda, mas quatro a seis pares de nadadeiras peitorais, além da membrana rija e manobrável ao longo da coluna que vira também nos Nargruts! Criaturas bentônicas rastejavam, camuflando-se com pedaços de vegetais e pedras, ostentando pinças, dedos... Outras pareciam mais plantas do que animais, e a jovem não conseguia definir precisamente onde se encaixariam, mas era magnífico! E a vida... Tanta vida, tanta harmonia! Sentia, é claro, muita morte: plantas e animais devoravam-se mutuamente, mas não eram mortes cruéis, despropositadas... Era um fluxo de vida a alimentar a própria vida, energia fluindo de um ser para outro, coisas se transformando como... Como a supernova a gerar uma nebulosa, e esta os planetas. A vida caminhava para a morte, e esta fazia renascer a vida. Tudo parecia perfeito... Em paz... Formas de vida que nunca imaginara passavam por ela sem medo algum: nunca haviam visto um humano, e não sentiam na Jedi ou em seu estranho par qualquer hostilidade... Se estendesse a mão, ela bem poderia tocar aqueles seres tão beos e coloridos, ostentando barbatanas translúcidas, ora dobradas como lenços, ora retas e rijas, ora espinhentas a ponto de sequer parecerem úteis ao nado. No fundo, alguns utilizavam o que deveriam ser nadadeiras para caminhar pela areia... Um mundo fantástico e cheio de descobertas por fazer! Em seu êxtase, ela quase podia esquecer que precisava respirar, não fossem seus pulmões estarem prestes a colapsar, de tanta dor!
Tentou prolongar o tempo submersa liberando o ar lentamente, mas logo já não haveria fôlego algum! Virou-se para Ben, que estava agora ao seu lado, deixando que ela apenas flutuasse naquele oceano calmo e repleto de vida, e apontou para cima com urgência. Começou a bater as pernas para subir, mas sentiu o puxão dele em seu pulso, impedindo-a... O quê?! O que ele pretendia?! Seu fôlego não era tão longo assim! Puxou de novo, e quando ele resistiu o medo começou a tomar conta dela, o pouco oxigênio restante sendo rapidamente queimado pelo coração disparado, seu peito prestes a se expandir involuntariamente e encher de água!
Quando pensou que não suportaria um segundo a mais que fosse, o homem a puxou para si e cobriu os lábios da moça com os seus; a princípio ela imaginou que se tratasse de um beijo, o que a confundiu, mas ele a fez abrir a boca e, calmamente, soprou ar para dentro dos pulmões dolorosamente vazios. Devia ter sido cerca de metade do ar de que ele próprio dispunha, mas encheu o peito da Jedi; afastando-se por um breve momento, fitou-o com ternura ao ver aquele meio-sorriso que tanto amava tornar-se um sorriso ainda mais belo! Fora algo tão... Tão profundo! Ele não apenas partilhara ar com ela: tinha um significado maior... Uma promessa de não falhar, não desampara-la... Ser seu fôlego quando ela não suportasse mais... Manter sua vida quando ela caminhasse perto da morte... Fora íntimo, e único de um modo que jamais imaginara!
Ele acariciou seu rosto, sabendo o que a jovem sentia e partilhando de suas emoções, e apontou para cima, ajudando-a a chegar à superfície sem carregá-la: apenas a mantinha equilibrada e firme no caminho, mas Rey era uma boa aluna. Quando suas cabeças romperam a flor d’água e agarraram-se ambos às rochas, a Jedi estava eufórica, maravilhada e encantada:
— Ben! Isso foi inesquecível! Foi.. Foi tão maravilhoso! Tantos seres diferentes, todos eles vivendo dentro da água e... – ela corou de leve, não de timidez, mas de prazer – e o que você fez... Não tenho palavras para explicar... Para dizer o quanto... – ele a silenciou com um dedo sobre seus lábios:
— Eu sei. – ergueu-se para fora do mar, sobre as rochas, bastante frustrado ao ver como a moça simplesmente saltou para terra firme sem o menor esforço, num único movimento fluido. É verdade que haviam superado muito da rivalidade, mas jamais deixara de haver alguma competição entre ambos, mesmo que agora fosse a nível lúdico e bastante sutil, e o modo como a moça se livrou com tanta desenvoltura do abraço do mar lhe causou algum despeito. – exibida.
— Você sabe nadar, eu sei saltar e escapar de lugares que me seguram – riu Rey, sentada nas pedras lisas, polidas à exaustão pela água até desaparecer toda e qualquer irregularidade.
— Por falar em nadar – ele se sentou de pernas cruzadas, de frente para ela, sério, mas não sisudo – você se apavorou, lá embaixo. Perdeu o controle.
— Sou de um planeta deserto, Ben. – desculpou-se a jovem — É claro que me apavorei: água por todos os lados, incapaz de respirar...
— Um Jedi não se apavora. – explicou ele. Havia seriedade e firmeza, mas não chegava a ser uma censura, apenas uma orientação – Independentemente de nossa filosofia sobre a Força, Rey, do lado pelo qual a enxergamos, ela é uma só. E ou você confia, ou não confia. Você tem fé e domínio: eu já a vi cair em pé de alturas que matariam alguém sem dificuldades, equilibrar-se em cabos pênseis, escalar paredes com saltos, como uma verdadeira Jedi dos tempos das Guerras Separatistas... Mas só o faz porque confia. Não hesita, não teme. Nesses momentos o medo é seu inimigo: se temer, perderá a confiança, e perder a confiança é perder o controle.
— Mas como posso...
— Confie na Força. – respondeu o Sith – lá embaixo, quando mergulhávamos, seu ar terminou muito mais rápido por causa do pânico. Se houvesse mantido a calma, continuado a conexão e se deixado fluir, poderia ficar um longo tempo sob as águas: pelo menos três vezes o que conseguiu, a princípio. – ele estendeu a mão para o mar, e uma esfera de água veio para sua mão, girando sobre e ao redor dela – não pode se harmonizar com aquilo que teme, pois é pela harmonia que seu poder age. Não pode lidar ou fluir com aquilo com o qual não se harmoniza. Não é este o seu caminho. – Ele cerrou a mão, e a água escorreu por entre seus dedos – eu posso dobrar a natureza pela vontade, forçando-a, praticamente corrompendo-a, pois este é o treinamento de um Sith. Mas você... Precisa confiar. Ter fé, e deixar que a Força a guie, como deixou quando me venceu, mesmo sem jamais ter tocado um sabre de luz – ele tocou seu peito – é o que você é. Não tenha medo. A Força está em você, é sua aliada e, se permitir, há de lhe possibilitar fazer coisas com que outros não poderiam sonhar. Se confiar, simplesmente saberá o que fazer.
A jovem estava emocionada, não apenas pelas palavras do esposo, mas pelo ensinamento que ele lhe dedicava: não tentava convertê-la, não tentava manipulá-la ou aliciá-la! Ensinava-lhe a lidar com a Força mesmo em circunstâncias adversas, e de acordo com o caminho Jedi. Era uma prova de amor impossível de se ignorar, e ela o abraçou com força, sentindo-o abraça-la de volta.
— Quer voltar para a água? – perguntou ele, enfim, tentando mascarar o quão vulnerável se tornava diante da moça. Sabia que ela conhecia seus sentimentos, mas não estava pronto para demonstrá-los tão nitidamente... Assim, por um bom tempo continuaram a exploração daquele admirável mundo novo e desconhecido; após algumas horas, Rey já era capaz de nadar razoavelmente bem sozinha, ao menos naquela baía sem ondas ou correntezas, de modo que o imperador não se preocupou ao vê-la se afastar. Ela compreendera a lição e, embora ainda não houvesse alcançado todo o potencial que poderia ter, já passava um bom tempo submersa antes de se render à falta de ar; sabendo que ela não o poderia ver, observou com orgulho e afeto a forma difusa que se afastava... Pela Força, como a amava! Um sentimento que ainda seria sua ruína, o assustava terrivelmente pelo modo como escapara ao seu controle, mas pelo qual ele estava disposto mesmo a morrer. Um dia daquele sentimento recíproco teria feito valer uma vida inteira de sofrimento, e agora tinha pela frente dez dias sozinho com a mulher que roubara um coração pensado inexistente... Dez dias para ser apenas Ben, para ouvi-la ser irreverente e doce, divertida e zangada, inquieta e silenciosa, dependendo do momento. Para amá-la, possuí-la e lhe pertencer. A confusão que revirara sua vida, e o fazia ora querer estrangulá-la, ora desejar amá-la até o fim dos tempos. Como e quando, exatamente, isso fora acontecer?
*
Rey conseguiu fazer suas próprias amizades, mesmo naquele lugar longínquo: o berçário não guardava apenas fêmeas com filhotes recém-nascidos, mas também os jovens demais para viverem sozinhos, porém grandes o bastante para não recearem a aproximação de outro ser e nadarem longe de suas mães. Quando um Nargrut de dois metros se aproximou, balançando a cabeça para cima e para baixo a fim de inspecioná-la, a Jedi emanou sua curiosidade e encantamento. Deu certo, pois o animal encostou a cabeça arredondada em sua mão, abrindo a boca num som que parecia a mistura de um guincho com um assobio. Era claramente um chamado alegre, e o filhote começou a empurrá-la para a superfície com a cabeça; a moça passou os braços através do corpo roliço e hidrodinâmico, rindo quando a criatura saltou para fora da água por breves instantes; soltou-se dele e deu um tapa na água, ao que o jovem respondeu nadando em círculos ao seu redor. Não demorou muito para mais dois se juntarem à brincadeira, curiosamente empurrando-a para cima quando as pernas da moça falhavam e ela afundava.
Foi difícil se esquivar enfim dos animados filhotes que saltavam e faziam pequenas acrobacias ao seu redor, mas afinal a humana conseguiu voltar para as rochas, onde Ben a observava com fascínio e alegria; seu semblante, contudo, tornou-se sério e falsamente zangado quando ela subiu nas pedras, acenando para os Nargruts:
— Pretendia me deixar aqui o dia todo, enquanto brincava com seus novos amigos? – ela o encarou com dúvidas acerca de se falava sério ou não, mas conhecia-o bem demais para saber apenas por um olhar que, mesmo estando de fato com ciúmes, o moreno se divertira muito vendo-a com os jovens mamíferos.
— Você não se atreva a ser mal-humorado enquanto estamos aqui, senhor Solo! – censurou ela em tom divertido, sentando-se no colo dele – sim, eu fiz novos amigos, e você teria feito também, se não fosse tão chato!
— Estava aborrecido ao ser completamente abandonado por minha esposa. – ele continuou o jogo, querendo saber até onde seguiriam.
— E se sua esposa o compensar por isso? – ela sussurrou ao ouvido dele, afastando-se levemente com um toque de malícia no olhar.
— Posso pensar em perdoá-la – aquele sorrisinho cafajeste, de novo, que deixava Rey trêmula da cabeça aos pés! Ele só podia fazer de propósito, não era possível que não percebesse o efeito que lhe causava!
— Temos um bom percurso a nado, de volta – declarou a moça. Ia voltar para o mar quando ele a segurou e a deitou nas pedras, seu corpo sobre o dela de um modo que disparou descargas elétricas para cada terminação nervosa da garota! – Ben!
— Disse que ia me compensar – sussurrou ele, começando a beijá-la de modo apaixonado e luxurioso, incitando-a a segui-lo naquele ato tão sublime, ao qual ela não se opôs por um segundo sequer!
Quando enfim decidiram voltar, já era noite. A presença de Nargruts era indicada apenas por lugares em que a água se iluminava com brilhos tão violeta quanto o sabre de luz de Rey; formas de vida bioluminescentes – plantas cianófitas e pequenos animais — explicara Ben, que emitiam luz ao serem agitadas por movimentos quaisquer.
Assim, o retorno foi algo esplendorosamente mágico: cada braçada e movimento tingia o oceano de luz, e a Jedi observava maravilhada quando algumas daquelas minúsculas plantas e animais grudavam-se a sua pele, brilhando ao contato com seu calor. Ben não resistiu a provocar:
— Precisará mudar a cor dos cabelos para violeta, a menos que consiga tirar todas essas coisas daí.
Ela riu e sacudiu os fios, livrando-se do plâncton preso em sua cabeça, ainda encantada com o modo como ambos estavam rodeados por um halo brilhante... Cada segundo naquele planeta parecia mais belo do que o anterior, e ela só conseguia se sentir eternamente grata a Ben por aqueles dias dos quais jamais se esqueceria.
*
No dia seguinte, explorando a baía o casal acabou por encontrar um curso de água doce que ali fazia sua foz, logo adiante das pedras em que haviam ficado, no dia anterior; cruzava rochedos lisos em pequenas quedas, descendo da floresta tropical que cobria a terra mais à frente. Munidos de seus sabres de luz, apenas para uma emergência imprevista, escalaram o leito fluvial escavado na rocha de estrias multicores até alcançarem a floresta, continuando então a subida. Um ribombar característico anunciou a presença de uma razoável queda d’água mais adiante, onde o riacho se precipitava de um paredão de doze metros direto para dentro de uma piscina rasa, a partir da qual continuava a correr; Rey não resistiu a beber da água tão cristalina, refrescando-se com o sabor adocicado que os minerais locais conferiam ao líquido. Estranhou o laconismo de Ben, e finalmente decidiu importuná-lo:
— por que tão calado, hoje?
— apenas... memórias. – ela não precisou de mais do que aquilo para saber que um dia ele viera ali com alguém que lhe fora importante, no passado.
— Se quiser falar, sabe que estou aqui para ouvir. – disse a Jedi, pondo para trás uma mecha de cabelos negros do esposo.
— Eu preferiria esquecer – respondeu ele, e seu semblante deixou de ser taciturno para se tornar levemente maldoso – o que acha de um banho, menina da areia?
— Ben, o que está fazendo!? – ela se sentiu arrancada do chão, e lutou em meio a risos enquanto ele entrava consigo sob a cachoeira. Ao contrário do mar, a água era gelada, e arrancou um grito da garota, que o xingou em mais idiomas do que pensava conhecer – está gelado, seu carrasco!
— Não seja dramática, Rey. – ele a deixou em pé no chão de areia, ainda sob a cachoeira, segurando seu braço para que ela não fugisse – relaxe um pouco!
— Olhe só QUEM está me dizendo para relaxar! – ela batia queixo, abraçada a si mesma sob o fluxo gelado. Sabia que podia fazer o frio passar com meditação, mas sentia-se mais tentada a passar uma rasteira em Ben e fazer suas roupas se encherem de areia molhada! Solo não resistiu à visão da esposa e puxou-a para si:
— Deixe-me aquecê-la, então, Jedi – envolveu os braços nela e a beijou, com uma certeza: Rey estava se tornando um vício. Quanto mais a tinha, mais desejava seus beijos, seu toque, seus risos e até mesmo broncas. Em seus braços ela relaxou, retribuindo o ato enquanto o frio era completamente esquecido.
Exploraram ainda um pouco mais a floresta, mas encontrar marcas de garras relativamente grandes numa árvore fez Rey alertar Ben: já lera que muitas espécies predadoras usavam aqueles sinais para demarcar seu território, e não queria acabar confrontando um pobre animal que nada queria além de seguir sua vida predatória. Assim, voltaram pelo caminho de onde vinham, saltando pelo caminho, vencendo vãos de dois, quatro e até seis metros em um único salto, competindo um com o outro numa corrida até a praia.
— Nada mal, para uma novata – alfinetou Ben, sorrindo. Ela pegou seu sabre de luz e devolveu o sorriso maroto:
— Quer um pouco mais de diversão?
— Você vai perder – ele revirou os olhos, mas acionou o próprio sabre. Curiosa, Rey percebeu que o vermelho não estava tão intenso, mais esmaecido, mas nada comentou ao acionar ela mesma seu sabre violeta.
A luta foi breve e intensa, mais uma habilidosa dança de sabres e exibição mútua de habilidades do que os pesados treinamentos que executavam geralmente. Ainda assim, transpiravam quando enfim se mediram de alto a baixo, outra vez nenhum deles vencedor. A areia ao seu redor se tornara vitrificada: riscos de vidro colorido traçando desenhos na praia num lindo padrão de movimentos circulares! Rey sorriu e tocou a ponta de seu sabre na areia, que chiou e derreteu; prosseguiu o movimento, traçando uma espiral, e o vidro derretido escorria pela linha traçada, esfriando e eternizando o desenho. Quando ergueu os olhos, viu seu esposo indeciso entre ternura e censura:
— Não tenho certeza se isso é um uso digno para um sabre de luz...
— Criar beleza, em vez de tirar vidas ou ferir alguém? Acho que é um dos propósitos mais nobres. – usando a Força para não acertar acidentalmente algum animal enterrado na areia, ela continuou traçando formas sinuosas, girando sobre si mesma, praticamente dançando com a arma que gravava no chão os mais belos floreios e curvas. Fechou os olhos e respirou fundo, deixando-se levar como se uma onda suave a embalasse, seus movimentos reproduzindo ondulações e formas do vento e da água... Ela era uma brisa suave, um mar quebrando com força na praia, uma onda poderosa e lenta, um vento incessante a fluir. Quando finalmente abriu os olhos e contemplou o resultado de sua pequena expressão artística, deu-se por satisfeita, foi para junto de Bem, abraçando-o – o que acha?
Ele fitou longamente os padrões espiralados e circulares, as flores curvas... Sabia que já vira aquilo em algum lugar... Um padrão de alguma cultura que, talvez, tivesse a ver com o misterioso passado de Rey... Lembrou-se dos momentos em que ela bailara tão suavemente como se ensaiasse os mais delicados movimentos de esgrima, porém de modo ainda mais gracioso e sinuoso, equilibrada e serena, e a imagem o serenou e intrigou. Procurou gravar cada detalhe na mente para indagar a Eilenia, posteriormente, e envolveu um braço nos ombros da esposa:
— Bonito, e intrigante. Onde viu desenhos assim?
— Em meus sonhos com o oceano... – respondeu ela, sem perceber que falara mais do que teria dito em outra ocasião – a água se revolve e forma estes desenhos enquanto avança e recua pela praia. Rodopia nas pedras e cria essas espirais, estoura sobre pequenos pináculos, e as gotas se assemelham a flores. Parecia algo bonito de se materializar.
Ela estranhou o olhar que ele lhe lançou, misto de admiração e carinho; raramente vira o olhar dele tão límpido e claro no que sentia, mesmo que aquela tão conhecida ponta de melancolia ainda estivesse presente. Sorriu para ele e tocou suas frontes uma na outra, ouvindo-o dizer:
— Você é surpreendente, padawan. Nunca deixe de ser como é.
— Não vai se livrar de quem eu sou tão facilmente. Irei importunar o tédio de seus dias durante muito tempo. – prometeu ela, antes de lhe dar um selinho nos lábios e passar o braço em sua cintura – vamos, senhor Solo?
Voltaram para seu abrigo, almoçaram e se esconderam um pouco do Sol inclemente do meio-dia – tanto tempo longe do deserto deixara a pele de Rey mais clara e sensível, e ela não tinha a menor vontade de voltar a crestar o corpo no calor inclemente. Ao contrário, desejava muito esquecer-se das sensações desagradáveis experimentadas em Jakku, pelo menos naqueles dias com seu amado. Assim, conversaram sobre assuntos diversos, consultaram informações sobre o planeta em que estavam, descansaram um pouco, abraçados um ao outro antes de enfim se livrarem das roupas de cima e voltarem ao oceano. Uma ideia brotava na mente de Ben, e algo muito similar ocorria na de Rey, que se lembrou de algo visto no dia anterior. Mesmo não sabendo nadar como Ben, que facilmente vencia três ou quatro metros a cada braçada, sabia que conseguiria ir um pouco mais longe e fundo do que fora, ontem, e mesmo mergulhar nas cavernas sob os rochedos. Além disso, podia contar com a ajuda dos filhotes de Nargrut pra ir aonde desejava... Talvez ali encontrasse o que procurava.
*
Após terem tomado um banho revigorante, que removeu os resquícios de sal e areia de seus corpos, o casal se sentou sobre um largo cobertor estendido na praia, do lado de fora da barraca. Ela trocara as peças íntimas que usara para nadar por uma camisa longa e larga, enquanto Ben se vestia com uma informalidade que ela nunca imaginara antes, mas à qual se acostumara, após cinco dias naquele paraíso: calças rústicas, marrom-escuras e camisa branca larga, hoje aberta displicentemente na frente de modo a expor o torso musculoso. Reclinados no leito improvisado, tinham como luminosidade apenas as estrelas acima, ou a fraca lâmpada que simulava uma vela, causando um bruxulear que dava certa sensualidade ao momento.
— É perfeito, não é? – perguntou Rey, encantada e deliciada, sem saber se fitava antes o mar colorido pelas luzes, a praia de areias claras, o céu estrelado ou, mais belo do que tudo isso, o homem ao seu lado. Ela se aninhou no peito dele e apontou o céu – é como se só existíssemos nós, em todo o universo... Tão longe... Tudo o que conhecemos, a galáxia em que viajamos... Tudo se resume a pontos luminosos. – ela se curvou e o beijou docemente, ao que ele retribuiu, virando-os de modo a ficar parcialmente sobre ela. Haviam levado quase cinco dias para se livrar de todas as cargas emocionais e tensões trazidas de suas vidas cotidianas, mas enfim pareciam livres de tamanho peso, livres para serem eles mesmos um com o outro e consigo mesmos.
— Rey, há uma coisa que quero lhe dar – ele se ergueu e pegou algo no bolso: uma esfera perfeita e brilhante, prateada, polida à perfeição... Tão perfeita que parecia quase irreal!
— Ben... É magnífica! – exclamou a moça, aceitando a pérola, que ele prendera a uma fina corrente de metal com um engaste – onde...
— Um pouco mais fundo do que eu deveria ter ido – ele deu um breve sorriso culpado ao pensar no quão mal se sentira com a descompressão, enquanto voltava à superfície a partir de cavernas a mais de trinta metros de profundidade – mas valeu à pena. – ele segurou os dedos da jovem, contemplando a pérola com ela – sabe como uma pérola toma forma?
— Não faço ideia.
— Um minúsculo grão de areia, que se prende no interior de uma concha. Lá, ele é envolvido em camadas e mais camadas de puro nácar. É a perfeição surgida do lugar mais inesperado... A beleza que nasce do que antes não era notado – ele acariciou o rosto dela – como você. – ele fechou o colar em seu pescoço, beijando a nuca que a moça expusera – nunca esqueça seu valor.
— Meu amor – ela suspirou, voltando-se para ele – eu também tenho algo para você. Espere aqui – ela foi até a barraca e voltou de lá com algo nas mãos fechadas em concha, sentando-se ao seu lado; quando as abriu, revelou uma concha fechada, com várias ranhuras curvilíneas e paralelas, de um negro brilhante e vítreo como obsidiana. Parecia mesmo metálica, de tão firme e resistente. Ela sorriu – por fora é escura, rígida e parece impossível de abrir – ela passou a mão sobre a concha, usando a Força, e esta se abriu, revelando um interior vítreo furta-cor, cujo tom oscilava de modo cintilante de acordo com a posição, indo do branco iridescente ao negro, prata, azul... Uma textura e padrão similares ao que a Jedi provocara na areia, com seu sabre de luz... Uma beleza única – Pode parecer algo bobo e sem importância, mas eu queria mostrar que... Mesmo quando o exterior parece impenetrável e obscuro... Se você for gentil, e souber como chegar ao seu cerne... Existe uma beleza oculta e maravilhosa, preciosa. – ela sorriu e tocou seu rosto – algo capaz de criar uma pérola. Como você.
Ben segurou a linda concha em sua mão, fitando-a com fascínio. Era isso o que Rey via em si? Aquela beleza oculta, aquele potencial... Ela via esperança em sua alma? Algo além da escuridão e dos erros que todos sempre haviam feito questão de apontar... Para ela, ele era muito mais. E isso o emocionou além das palavras; não sabia o que dizer, como reagir... Mas se Rey via aquilo dentro de si, talvez ainda houvesse realmente algo que valesse à pena, em seu interior. Encarou-a, e soube citar ao menos uma coisa que o tornava mais do que uma “concha negra”: Rey. O que sentia por ela.
Incapaz de traduzir em palavras o que sentia – queria muito agradecer, mas “obrigado” parecia algo infinitamente pobre para o significado que aquilo tinha, especialmente por saber que ela tivera de mergulhar até os paredões de rocha que delimitavam a baía para encontrar uma dessas, e procurar muito até achar uma vazia — o Sith se curvou sobre sua esposa e a beijou profundamente, sentindo-a retribuir com a mesma paixão. Deitou-a lentamente no cobertor, sem interromper o beijo, completamente imerso nas sensações que ela lhe provocava. Únicas, como a pérola ou a concha vítrea.
AVISO DE CENSURA
Deitados no cobertor estendido sob as estrelas, trocavam beijos e carícias gentis, apaixonados e suaves, seus olhos presos um no outro, falando tudo aquilo que palavra alguma poderia expressar; não estavam ali apenas em corpo, mas em mente e alma, sentindo o fluxo da Força que os puxava mais e mais em irresistível atração. Seus lábios se buscavam enquanto as mãos percorriam o corpo um do outro, mas as roupas consistiam num empecilho para sentirem como realmente desejavam. Tomando a iniciativa, Rey se sentou e tirou a camisa longa, revelando-se totalmente nua por sob a roupa; ia se abaixar para beijar seu esposo novamente, mas ele a segurou pelos ombros e pediu:
— Deixe-me vê-la, Rey. Quero olhar para você por inteiro. – ela entendeu o que ele queria dizer: desejava vê-la não apenas com os olhos, mas com a Força, senti-la e compreendê-la, captar até mesmo os menores detalhes. O mesmo desejo que a movia, e que haviam levado cinco dias a sós para terem coragem de expressar. Sorriu para ele e ficou sobre os joelhos, levemente ofegante e trêmula com a intensidade do olhar negro sobre si; ele se aproximou lentamente da mulher, como um caçador de sua presa, porém com algo a mais no olhar, até sua visão captar apenas o rosto da jovem. As mãos grandes pairavam a centímetros da pele bronzeada da moça, sentindo-a... Sentindo seu calor, sua energia... Tocou-a primeiro com a ponta dos dedos, traçando o contorno do rosto, percebendo-a como nunca o fizera, vendo as emoções que se espelhavam nos olhos castanhos; empalmou um lado do rosto tão belo e adorado, a outra mão descendo devagar pelo pescoço, ombros, cintura... Beijou-a, e seus beijos traçaram um percurso similar ao das mãos, arrancando gemidos de prazer da moça, que não pôde privar a si mesma de estender as mãos e tocá-lo, sentindo o corpo dele tão próximo ao seu, a força física dos músculos delineados por seus dedos, a textura da pele que ela expunha ao tirar-lhe a camisa, o calor intenso como uma fornalha. Beijou os lábios cheios, o pescoço, o peito forte... Sentia-o estremecer a seu toque, gemer com seus beijos... Não havia pressa. Era como se fizessem tudo aquilo pela primeira vez, pois não havia horários, outras pessoas aguardando com pilhas de tarefas a serem cumpridas... Não havia amanhã. Apenas o aqui, o agora, e não desejavam apressar um segundo que fosse. Saboreavam cada instante, cada som, olhar, toque... Podiam sentir um ao outro mesmo quando não se tocavam, suas mentes caminhando para uma perigosa fusão enquanto os olhares se mostravam incapazes de se desvencilhar.
Ben enlaçou a cintura da esposa com um dos braços, puxando-a para mais perto, e ela cruzou os braços em redor de seu pescoço, arranhando suavemente os músculos do topo das costas, ambos incapazes de conter os suaves sons de prazer; suas frontes se tocaram, e as barreiras que erguiam ao seu redor, ao menos os muros sobre as emoções e sensações mais “externas”, ruíram fragorosamente, expondo-os um ao outro. E nem mesmo Ben Solo, tão reservado e renitente, ousou lutar contra um momento tão magnífico. Ela o veria? Sim, mas Rey já o vira, antes: sabia exatamente como era, e o amava daquele modo, então... Por que não?
Rey sentiu o corpo e a mente do esposo, sentada sobre suas coxas, os seios comprimidos contra seu peito, beijando-o e sendo beijada cada vez mais apaixonada e profundamente, os abraços se intensificando. E se antes seus sentidos expandidos captavam todo um mundo ao seu redor, agora focavam-se nele: o bater rítmico e forte do coração, a respiração pesada de desejo, o som do corpo musculoso a cada menor movimento... O calor que ele irradiava. A escuridão profunda dentro dele, assim como a luz que tanto fazia por esconder, mas que ora surgia incontrolável, inextinguível. Ela o sentia completamente: seu desejo, as tristezas do passado sendo substituídas pela alegria e sentimento apaixonado que o presente dela lhe trouxera. A sensação de, enfim, acreditar que era amado, que havia em si mais do que as trevas e a raiva... A sensação de amá-la. E isso trouxe à moça a maior das alegrias enquanto prolongavam aquele beijo ora suave, ora intenso, cheios de amor, sedentos um pelo outro.
O contato aprofundou o desejo, a ânsia por se unirem, por eliminarem as barreiras restantes – mesmo aquelas que, sabiam, ainda não podiam ser derrubadas. As carícias se tornaram mais sensuais: palavras de desejo sussurradas ao ouvido, suas mãos buscando e encontrando, procurando as formas do outro corpo. Rey gemeu algo quando os dedos de Ben percorreram seus seios, apertando-os levemente, estimulando-os até estarem doloridos de tanto desejo; um grito teve de ser abafado quando os lábios substituíram as mãos, antes de subirem outra vez por todo o colo dela, os dedos longos e firmes segurando-a pelas coxas enquanto ela castigava a garganta e os lóbulos das orelhas de seu homem com beijos, mordidas suaves, um sopro cálido sobre a pele úmida que o fazia arrepiar-se em excitação e doce agonia.
O homem a deitou sobre o cobertor, deliciado em sentir as mãos dela entrelaçadas a seus cabelos, puxando-o para si num beijo profundo. Ela os rolou que modo a ficar por cima, e foi sua vez de descer beijos pelo corpo dele... Sabia exatamente onde tocar, pois seus sentidos estavam unidos, sincronizados... Eram dois corpos, duas mentes, dois seres, mas interligados de uma forma além da compreensão. Ele a ajudou a remover sua última peça de roupa, esforçando-se ao máximo para ser tão... Tão controlado... Para deixa-la ter o controle por aqueles momentos. Rey sentia o esforço feito por Solo, e sorria ao depositar pequenos beijos e suaves mordidas em seu ventre, baixando mais... Suas mãos foram até as coxas musculosas, deslizando as unhas muito levemente na pele, pelo lado externo e depois interno, subindo para áreas mais sensíveis, às quais ela dedicou carícias firmes e delicadas, amando cada gota de prazer que lhe proporcionava, as expressões do rosto amado em absoluto deleite... Ergueu o rosto para fita-lo pro um momento, sorrindo provocadora enquanto percebia as sensações dele entrarem em combustão! Pretendia ir além, mas o autocontrole de seu esposo alcançou seu máximo, e ele ainda suportara muito mais do que a Jedi esperara.
Ben segurou Rey pelos braços e, menos delicado do que pretendia ser, puxou-a até tê-la deitada sobre si, tomando então seus lábios num beijo sôfrego que a fez perder qualquer noção acerca de acima e abaixo, uma vertigem intensa que só lhe permitia agarrar-se a seu amado com todas as suas forças, sentindo a força do desejo masculino contra sua coxa, ela própria desejando-o mais e mais enquanto, sob o controle dele, os gestos se tornavam mais ríspidos e intensos, um prazer igual em intensidade, mas diferente no modo como fazia seus corpos reagirem. Alguma vez já fora assim, tão imersos um no outro, tão despreocupados com qualquer outra coisa? Não. Era como se fizessem amor pela primeira vez, e agora do modo certo: sem medo, raiva, embriaguez ou ressentimentos... Apenas entrega e amor, finalmente revelado pelos corações cujas pulsações se haviam sincronizado.
O homem a deitou sob si para dedicar a sua bela esposa o mesmo tratamento que ela lhe dera, deliciado com cada som que ela emitia, incapaz de se conter ante as abrasadoras ondas de prazer e calor que a acometiam! Ela se contorceu ao senti-lo devorar seus seios com volúpia, percorrer com as mãos e a boca o contorno da cintura, saboreando-a como o mais delicioso néctar que já provara! Correu a mão por seus quadris até um dos joelhos, dobrando-o de modo que seus beijos pudessem subir por toda a extensão da sensível parte interna da bem torneada coxa feminina. Torturava-a de prazer, deleitando-se na ânsia e luxúria que já não sabia de qual dos dois provinha, e já não importava. Quando a beijou em seu ponto mais íntimo, ela lançou a cabeça para trás e arqueou o corpo, chamando seu nome, implorando por ele enquanto as mãos fortes a mantinham firmemente imobilizada, exposta a ele, apenas sentindo e choramingando de prazer... Nenhum dos dois poderia esperar um segundo que fosse a mais, pois o desejo e prazer de um apenas faziam alimentar e crescer o do outro.
De joelhos, ele a puxou para si de modo a tê-la sentada em suas coxas, os rostos de ambos praticamente à mesma altura; ambos os olhares expressavam amor, carinho, uma súplica muda pela consumação final! Seus corpos se fundiram com perfeição num movimento intenso, arrancando sons guturais do mais puro deleite enquanto lhes acometia a sensação de serem um só. Moviam-se numa cadência rítmica e sincronizada, lendo as intenções e necessidades mútuas, partilhando-as como se a carne do parceiro fosse a sua própria. Nada parecia o bastante, guiando-os numa cavalgada intensa de corpos entrelaçados, respirações pesadas e arfantes, corações acelerados em puro deleite e necessidade... Ela o acolhia dentro de si e apertava seus quadris com as pernas, querendo-o mais e mais próximo. Ele investia com força e profundamente, abraçava-a como se sua vida dependesse disso, e durante tudo isso seus olhos continuaram fixos um no outro... O esverdeado dela contra o negro dele, como o mar e o céu noturno! Liam as emoções do parceiro, seus anseios e medos, sentindo o quão profunda sua conexão se fazia por ultrapassar indizivelmente o nível físico. Faziam amor com seus corpos, com seus olhos, almas... E quando o êxtase veio-lhes simultaneamente, nada poderia ter sido mais perfeito, exclamando o nome um do outro antes de, exaustos e plenamente satisfeitos, deitarem-se entrelaçados sobre o cobertor, acariciando o rosto do ser amado. A brisa morna que soprava tornava desnecessário que se cobrissem, e tampouco qualquer deles pretendia se mover de onde estava. Abraçados, plenos de confiança e amor, adormeceram sem sequer perceber, enlevados naquela perfeita união; a paz e alegria apenas aumentavam com a noção de que fora apenas o quinto dia, e ali desfrutariam de seu paraíso secreto, sendo um para o outro tudo o que não podiam demonstrar na fria e distante Rakata Prime.
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