Rise Up - Ressurgindo das cinzas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV. Esther Collins
Uma boa história é feita com ação, aventura, um pouco de tragédia e muito romance, porém acho que o autor da minha história não estava nos seus melhores dias.
Meus pais Bryan e Suzanna Collins escolheram me chamar de Esther, pois o nome tinha uma história bíblica e uma tradução dignas de uma rainha. Eu era a filha caçula, e por isso a mais mimada.
Meu irmão mais velho se chamava Willian, ele era um ano e meio mais velho que eu, porém parecia ter menos, com toda sua infantilidade que hoje faz falta.
Fazem alguns meses que meus pais e meu irmão sofreram um acidente de carro, eu estava na casa da minha madrinha por isso escapei. Mas um dos meus maiores arrependimentos era não estar com eles, pois hoje estaríamos todos juntos.
Devido ao acidente e a tudo que aconteceu, eu fiquei completamente sozinha no mundo. Eu iria para um abrigo se não fosse a alma caridosa da minha tia por parte de mãe. O que eu não esperava era que a ''alma caridosa'' não era tão caridosa assim.
Ela só me aceitou, pois era cristã e seria julgada por todos se não me acolhesse, pois era claro que ela se incomodava com a minha presença. E a filha dela era sempre a melhor, a mais bonita, a mais esforçada e tudo mais.
Eu praticamente trabalhava pra comer, tinha que manter minhas notas boas e ainda tinha que arrumar meu próprio dinheiro. Fora que aos domingos eu tinha que frequentar a igreja e participar do coral, aquela história de "dançar conforme a música" então era o que eu fazia.
Todos os meus sonhos, meus planos e meus desejos foram arrancados de mim quando aconteceu aquele acidente, ou a grande dor como eu prefiro chamar, mas minha mãe sempre me ensinou a ter esperanças e lutar por aquilo que queremos.
Levantei da cama com vontade de matar um, mas infelizmente não era uma realidade palpável. Olhei para o despertador que marcava 05:30 A.M, e a vontade de morrer foi maior do que a de matar alguém. Peguei minha roupa e fui em direção ao único banheiro da casa, que por sorte era do lado do meu pequeno quarto, e estava vazio.
Tomei um banho razoável, porém não tão longo, e vesti a minha calça jeans, minha camiseta dos Beatles e calcei um chinelo qualquer. Tentei dar um jeito no meu cabelo, mas ele era indomável, então desci para preparar o café. Encontrei minha tia encostada na pia da cozinha, lendo seu habitual jornal e ignorando a minha presença, como sempre.
— Bom dia, tia Lia! — disse sem muita animação — Hoje não dormirei em casa, pois vou tomar conta dos filhos do casal Stewart.
— Espero que seja verdade, afinal você não mentiria para sua tia. — disse bebericando seu café — Deus não gosta de mentiras, querida Esther.
— Eu preciso de dinheiro, e mentiras não pagam contas, tia! — constatei — Não tenho tempo de mentir, preciso da grana.
— Assim eu espero, querida.
Minha tia saiu da cozinha e eu pude respirar mais aliviada, todos os dias ela me lembrava do seguinte fato: ''Deus não gosta de mentiras''.
Tomei apenas uma xícara de café, não tinha fome. Subi para pegar minha mochila e colocar os meus tênis, dei uma olhada na foto dos meus pais com meu irmão e eu na festa de aniversário de casamento deles e me prometi mentalmente que nada iria me fazer desistir.
Como em todos os dias, o ônibus estava parado no ponto e agradeci mentalmente por ser conhecida do motorista. Entrei por trás e acenei para o Joe, o motorista que era um dos meus poucos amigos, e consegui achar um lugar para me sentar.
Cheguei bem antes do meu horário, e fui direto para a biblioteca da escola, que estava vazia devido ao horário. Peguei um livro do John Green, mas desisti, pois de trágica já bastava a história da minha vida. Fui até a outra parte da biblioteca e peguei um livro do Rick Riordan, parecia ser muito interessante e comecei a ler ali mesmo.
Me esqueci que tinha aula e me atrasei, o que nunca acontecia, por isso a professora Torres não se importou. Antes de escolher um lugar reparei em um garoto, que parecia estar arrumado demais para uma escola como aquela, e então decidi me sentar bem longe dele.
Afinal o que eu não precisava agora era me meter em encrenca.
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