Rise Of The Gods
2 Acordei de Um Pesadelo Eterno
Minha cabeça doía e estava tudo escuro, mais do que o normal.
A transição de um pesadelo para outro pesadelo era uma mistura de luzes e flashs, por fim estava em outro sonho ruim. Mas dessa vez era diferente, tudo estava escuro, preto e logo vi a silhueta de luzes.
E foi assim que eu acordei. Achei que fosse um truque, talvez mais um pesadelo que começava com a sensação de acordar. Como? E por quê? Essas eram as perguntas que eu me fazia enquanto contemplava o teto branco e limpo.
Tentei me levantar, mas sentia como se tivesse sido atropelada por um trem, minha cabeça doía e tudo rodava. Por um momento cogitei a possibilidade de ser um sonho, até que bati a cabeça na superfície de ferro. Foi aí que percebi que eu estava flutuando antes disso, com toda certeza isso é mais um pesadelo.
Sentei na maca dura e olhei para os lados tentando absorver o máximo que conseguia sobre o ambiente. Ao lado de minha maca haviam mais duas em que estavam deitados dois garotos. Os dois ainda dormindo.
Levantei da maca e senti um choque quando meus pés tocaram no chão frio e também branco como tudo naquela sala. Não havia nenhuma janela ou porta, era tudo fechado. Me sentia mais presa do que nunca, e minha idéia de que aquilo era um pesadelo já me parecia certa.
Eu usava apenas uma blusa branca de seda e calças igualmente de seda. Meus cabelos eram negros e estavam presos em um coque, como eu sabia? E sentia com minhas mãos ou via com meus olhos.
De repente uma porta se abriu do nada e uma garota, um pouco mais velha que eu, usando uma roupa branca entrou segurando uma bandeja com biscoitos e chá. Ela deixou a bandeja cair de surpresa ao me ver de pé me apoiando na maca e correu para me ajudar.
– Você acordou? Mas...Como? Como conseguiu acordar? – sua voz tremia de nervosismo.
Pois é, não é um pesadelo.
Não sabia como responder, o que eu poderia dizer? Que acordei? Bem, não é uma má idéia...
– Acordando.
Ela revirou os olhos.
– Sério? – perguntou com um evidente sarcasmo na voz.
Eu ri, como sou idiota! Com tanta coisa para fazer eu fui rir.
– Eu sou Mariana, mas pode me chamar só de Mari. – ela sorriu.
– Eu sou... – comecei. – Quem eu sou?
Me virei para ela, Mari baixou os olhou infeliz.
– Não sou eu quem pode lhe responder isso, mas conheço quem pode.
Mari me ajudou a ir até a sala da tal que podia, foi difícil andar, eu sabia como fazê-lo, mas minhas pernas tremiam e eu não conseguia me equilibrar.
Chegamos no tal lugar que ela queria me mostrar. Um lugar com um lago e árvores, quase uma estufa. Sentada no meio do lago, acima das águas, estava uma velha segurando um cajado e murmurando palavras sem sentido.
Quando percebeu a nossa proximidade abriu os olhos dourados. Senti um vertigem e recuei, um flash.
A mulher pegou a bebê no colo e pegou o pulso de Carollyn seguindo para o ponto de chegada. Carol começou a chorar e tentar se soltar da estranha que lhe segurava.
– PAPAI! – berrava tentando se livrar daquela mulher.
A tal levantou os olhos por cima do capuz, os olhos dourados e brilhantes, os mesmos da velha que estava de frente para mim.
– Está acordada, minha jovem? – sua voz era profunda e retumbante de modo que fazia um eco.
– O que parece? – perguntei cruzando os braços.
Ela olhou para Mari, que logo baixou o olhar.
– Mariana a sacerdotisa, dispensada.
Mari fez uma breve reverência e saiu rapidamente do local. Quando a garota sumiu, a velha virou-se para mim e flutuou até o lugar onde eu estava.
– Então criança... — começou.
– Eu não sou criança. – interrompi.
– Você é jovem e para mim é uma criança, quer acrescentar alguma coisa madame petulância?
Fiz uma cara emburrada, o que me deixou com um ar infantil.
– Deve estar se perguntando quem é você, bem, isso acho que você deverá saber, mas uma coisa posso dizer: seu nome, é Haidee que significa honrada.
– Nossa! Explicou tudo. – digo seca.
– Meus deuses, você é mesmo insolente! – exclamou nervosa.
– Deuses?
– Sim, deuses. Eu mesma hospedo uma deusa há anos. Os deuses gregos, romanos, egípcios e nórdicos existem, todos eles e para que possam viver entre humanos eles hospedam o corpo de humanos que julgam serem fortes, e a medida que foram tendo filhos com outros humanos eles fizeram uma espécie de nova raça. Semideuses, poderosos, alguns tiveram seus poderes outros não, mas mesmo assim tem habilidades extraordinárias.
"Um semideus que consegue usar o poder dos deuses para a cura é chamado de sacerdote ou, no caso das meninas, sacerdotisa. Eles são especializados em abençoar seus aliados e amaldiçoar seus inimigos, além de curar os outros, claro. Mariana é uma sacerdotisa, filha de Atena e de um velho cientista."
"Um semideus que tira a força do pai/mãe divino é chamado de invocador, ou invocadora, às vezes conjuradores. Eles são capazes de invocar o poder da divindade e utilizá-los, embora gaste bastante energia são muito poderosos. Nossa única invocadora é Silvia, uma filha de Hades que está de guarda no Portão Desalmado."
"Aquelas semideusas que combinam a magia com a técnica infalível da doce e trágica paixão ou o frágil amor (mas para nós é a sedução)são as Circes, nunca conhecemos uma, mas elas são bem poderosas e muito comparadas com as sereias."
"Alguns semideuses tem uma forte ligação com a natureza e são capazes de usá-la para fazer o bem ou mal, estes são chamados de Místicos. "
"Há semideuses que usam a própria alma como fonte de poder e assim são capazes de confiar mais em sua própria mágica. Eles usam como arma orbes que absorvem as almas daqueles que são derrotados pelo portador de tal e assim o semideus é capaz de fazer cada vez mais feitiços, esses são os Espiritualistas"
"Com as trevas há a luz, esses são os magos, aqueles que usam suas técnicas para auto-defesa e nunca para o ataque."
"Os guerreiros, arqueiros e caçadores não utilizam a magia, mas são igualmente fortes com suas armas, eles tem os cinco sentidos aguçados, uma coisa que ninguém mais tem."
"E tem aqueles que foram denominados como Elementares, semideuses únicos que controlam os elementos da natureza, apenas um. Só existe um para cada elemento de modo que nunca há exércitos de iguais."
"E há aqueles, que como você, passam uma vida toda esperando sua hora chegar. Há séculos eles não retornam, mas obviamente os deuses nunca precisaram deles tanto quanto agora. São os guardiões. O primeiro guardião é a combinação de uma Circe, por isso é sempre mulher, com um Elementar, com um caçador; o segundo é a combinação de um mago, com um invocador, com um elementar e um guerreiro; o terceiro é a combinação de um Místico, com um Sacerdote, um Espiritualista e um arqueiro. Eles juntos dão uma poderosa força de destruição."
– Eu sou uma guardiã? – perguntei depois dela terminar.
– Me diga você, é uma guardiã?
Eu não sabia o que responder, acordara a pouco tempo sem nem saber meu nome.
– Como eu vim parar aqui? – foi minha pergunta.
– Você ficou em coma por dezesseis anos presa no véu do destino, aquele que decidiria a hora de acordar, mas ele se rasgou. O que significa que chegou a hora. – disse ela colocando o dedo gelado na minha testa.
Esperei acontecer alguma coisa, mas ela ficou ali durante dez minutos, finalmente eu desisti, essa velha é pirada mesmo.
– Bem eu vou indo, sabe como é, ver se descubro alguma coisa, meditar um pouquinho. Sabe como é...Valeu tia. – agradeci desajeitadamente e saí dali.
Estava no meio do corredor da grande base das aberrações, como apelidara, até que senti uma tontura, tremi e logo tropecei, com minha sorte eu bateria com a minha fuça horrorosa no chão, mas antes que isso acontecesse duas mãos fortes me seguraram.
– Ei, você tá bem? – perguntou uma voz masculina.
Não consegui responder, só conseguia ouvir aquela voz profunda e familiar.
"Filha do gelo, filho do fogo e filho da sabedoria, guardiões dos quatro cantos do mundo...", não ouvi o resto, pois a voz masculina novamente interrompeu meus pensamentos.
– Você morreu? – perguntou.
– Não, eu só... – disse me livrando das mãos dele – De qualquer maneira, obrigada. – agradeci indo embora.
Quando me afastei bati várias vezes com a mão na testa me xingando das piores maneiras possíveis. Outro garoto esbarrou em mim.
– Ah! Mil desculpas. – pedi.
– Tudo bem, eu sou muito desastrado. – ele sorriu.
Senti meu rosto corar levemente como da última vez, eu pedi desculpas mais uma vez e fui embora, mas como se não fosse o bastante esbarrei de novo em alguém.
– Ah! Deuses, que merda, será que eu tenho que escrever em uma placa que eu existo? – exclamei já nervosa.
– Calma, sou eu, a Mari. – riu a morena. – Então, a Velha lhe disse quem era?
– Na verdade não, apenas disse meu nome.
– Uma hora você vai entender. – Mariana tentou consolar-me. – Até lá, eu tenho que te apresentar à uma pessoa.
Fomos para uma ala da base que eu ainda não conhecia, um lugar mais normal. Havia adolescentes conversando para todos os lados, na piscina, na lanchonete, na sorveteria e até em algumas lojas, parecia uma cópia exata de um shopping.
– Até semideuses precisam se divertir. – ela deu de ombros.
Mari e eu fomos até uma sorveteria, lá havia uma garota sentada. Os cabelos eram castanhos e os olhos também, a pele bronzeada e usava uma camada básica de maquiagem.
– Ally! – acenou Mariana.
– Mari! – a garota sorriu. – Quem é?
Mariana olhou para mim e depois para Ally.
– Ally, essa é...Qual é o seu nome mesmo?
– Haidee.
– Haidee, e Haidee, essa é Allícia ou só Ally mesmo.
Nos sentamos na mesa para conversar, eu realmente me baseava em meus sonhos, aprendi tudo que sabia por eles e me parecia cada vez mais estranho o fato de eu conhecer a vida de uma adolescente sem sequer ter vivido ela antes.
– Haidee, então, você é a tão esperada guardiã? – perguntou Ally.
– Acho que sim...Eu não sei, não me lembro de nada.
– Relaxa. – Mari riu colocando a mão em meu ombro – Você é poderosa, parceira de dois garotos lindos e não tem do que reclamar.
Eu e Ally rimos da sentença de Mari.
O resto do dia não foi exatamente como eu esperava, não conheci nenhum dos outros guardiões, mas mesmo assim passei o dia com Mari e Ally que me ensinaram boa parte do que eu precisava saber.
Notas finais
Quero agradecer pelas personagens!
Kisses Sammy
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