Rise

38 Capítulo 38 - Meu pai apaixonado.


Notas iniciais
Bom, o título já diz tudo. Lembram do começo, quando Jim estava saindo em muitos jantares de negocios? Pois esse cap trás tudo isso de volta. Uma Kate totalmente mudada, eu gosto de pensar que ela evoluiu com tudo que aconteceu com ela nessa fic. Espero que gostem ♥ Boa leitura.

Papelada. Hoje o meu dia se resumiu a papelada. Meu grande dia de volta foi cercado de papeis e preencher relatórios sobre casos que eu nem tinha participado. Estou fora das ruas até me requalificar. Não tem nada mais chato do que fazer papelada sozinha. Eu sinto falta do Castle aqui, sentado na sua habitual cadeira, olhando para mim como se eu fosse uma das sete maravilhas do mundo. Hoje eu tive que encarar meu dia sozinha, mas amanhã, com sorte e uma boa ajudinha do prefeito, nós estaríamos trabalhando juntos.

Já são quase sete horas da noite e ele está para chegar. Meu coração dispara só de pensar nele. Eu nunca estive tão apaixonada como estou agora. Castle é o príncipe encantado que eu nunca sonhei em ter, mas que veio na hora exata para me salvar de um buraco que eu nem sabia que estava me afundando. E não tenho medo de dizer que eu sou completamente apaixonada por ele.

Hoje pela manhã ele me pediu para morar com ele pela segunda vez, e pela segunda vez eu tive que dizer não. Meu coração se partiu nas duas vezes, mas hoje ele estava mais triste. Eu estava indo embora da casa dele e eu sabia que isso mexeria com ele. Castle é o amor da minha vida. É com ele que eu quero passar o resto da minha vida, mas eu ainda não estou pronta para algo tão importante. Assim como eu já sabia que o amava a anos, mas não estava preparada para dizer ou viver esse amor.

Mas um dia, não muito distante, eu vou estar. Eu não sei quando, mas eu sei que nós vamos ser muito felizes. Não importa se vai ser amanhã ou ano que vem. Tudo tem um tempo, e nós encontraremos o nosso.

Saio de meus pensamentos quando escuto o elevador chegar. Olho para trás e o vejo sair de dentro dele. Mais charmoso que nunca. Com um sorriso no rosto enquanto cumprimenta as pessoas a sua volta. Castle carregava um casaco em um braço e na mão uma rosa vermelha. A minha rosa preferida. Eu disse, ele é um príncipe.

Castle se aproxima de mim e eu sinto cheiro forte de madeira me consumir. O perfume dele era simplesmente viciante. Era como uma droga para mim. Eu conseguiria diferenciar o seu cheiro em qualquer lugar.

Castle senta na sua cadeira e me estende a rosa em sua mão.

— Para você. – Seu sorriso é revigorante. Em um segundo já esqueci completamente o dia estressante que tive hoje.

Não importa quantos relatórios eu preenchi. Não importa a pilha de papeis em minha mesa. Só o que importa é que ele está aqui, sentado ao meu lado. Como deve ser. Sempre.

— Obrigada. – Pego a rosa e a cheiro.

Tem um perfume diferente. O cheiro dele se misturou ao cheiro da rosa e formou um cheiro completamente diferente. Mas com certeza excitante. Os jogos começaram cedo hoje! Sorrio só de pensar o que a noite pode nos reservar.

— Porquê da rosa? – Pergunto curiosa e completamente fascina por esse gesto dele.

— Porque você gosta. – Ele dá os ombros. – E porque ela estava linda no jardim do prédio, e eu quis que você visse. – Eu rio. Não consigo imaginar Castle roubando uma rosa.

— Você roubou?

— Bom, depende. Vai me prender? – Ele se inclina na mesa e faz sua voz mais provocante.

— Com certeza. – Digo baixinho e ele sorrir.

— Pronta? – Ele pergunta já se levantando.

— Quase. Vou só pegar minha bolsa.

Levanto e vou em direção ao vestiário pegar minhas coisas. Não são muitas, apenas minha bolsa, uma papelada e meu casaco. Quando volto encontro Castle no meio do caminho. Ele me dá o braço e nós vamos juntos para o elevador. É impossível dizer o quanto ele está lindo hoje. Sua roupa escura deixa seus olhos mais aparentes, e isso é capaz de deixar qualquer mulher maluca. Queria poder ir para casa e me trancar com ele no quarto. Mas temos um jantar pela frente.

Castle abre a porta do carro para mim e logo dá a volta. Assim que ele entra e me encara eu não resisto. O puxo pela camisa e o beijo. Eu estava louca de saudade dele, e ele ainda vem todo lindo e cheiroso assim? Não é justo comigo. Eu tinha que beija-lo até perder o folego. Estava desejando esse beijo desde que ele entrou no distrito, mas lá é meu local de trabalho, então tenho que me comportar.

Castle corresponde ao meu beijo, ao meu toque, a minha necessidade de senti-lo mais próximo de mim. Ele também estava com saudade. Nós passamos esses últimos dias grudados vinte e quatro horas por dia. Não dá para se acostumar a essa distância repentina tão fácil. Agora eu sei o que ele sentiu hoje de manhã quando ficou emburrado para que eu continuasse em sua casa. Mas o fato é que nós temos que nos acostumar com isso. E amanhã ele estaria comigo no trabalho e isso era bom. Era maravilhoso.

— Como foi o seu dia? – Ele me pergunta após o beijo, com nossos rostos colados e os olhos ainda fechados.

— Cheio de papelada e o seu?

— Cheio de fãs malucas e peitos para assinar. – Eu o encaro feio. – Brincadeira meu amor. – Ele rir. – Mas é bom ver que você tem ciúmes de minhas fãs.

— Eu não tenho ciúmes! – Minto, enquanto limpo os lábios dele todo manchado de batom. – Eu só acho humilhante demais. Assinar peitos? Coisa de faculdade. – Me acomodo direito no banco.

— Você chama de humilhante e eu chamo de ciúmes. – Ele me olha e sorrir antes de dá partida no carro.

Não tem como não revirar os olhos diante dessa situação. Castle tem o ego do tamanho do mundo, e ele tinha motivos para ser assim. Todas as mulheres caiam aos seus pés, e isso realmente me deixa com ciúmes, mas ele não precisava saber disso.

Assim que chegamos ao restaurante avisto meu pai sentado na mesa. Não era um restaurante chique, mas a comida daqui era uma delícia e meu pai amava. Era perto da minha casa, o que me fazia amar o lugar mais ainda. Ele nos vê e acena. Nós nos aproximamos e meu pai abre o sorriso. Ele levanta e nos recebe com o melhor abraço do mundo. Eu estava com tanta saudade dele. Ele estava mais diferente desde a última vez que o vi. Até parece que nasceram mais cabelos brancos nele.

— Que bom que vieram. – Ele diz já sentando em seu lugar.

Castle senta ao meu lado e passa o braço por cima de meus ombros e fica fazendo carinho ali. Eu adorava quando ele fazia isso. Nenhuma mulher olhava para ele quando ele estava assim comigo. Essa era a melhor parte.

— Eu estava ansiosa. Já está na hora de você voltar da cabana, pai. Eu sinto sua falta.

— Eu sei. Minha licença do trabalho acaba essa semana, então vou ter que voltar mesmo. Mas, e vocês? Como estão?

— Bem. – Respondemos juntos.

— Eu estou voltando para minha casa hoje.

— Hoje? – Eu assinto. – E você acha que é uma boa ideia?

— Obrigada. – Castle fala um pouco alto apontando para meu pai. – Convence ela a ficar mais um pouco na minha casa.

— Castle, não começa. Eu já voltei a trabalhar, eu estou perfeitamente bem a semanas. O médico já me liberou, e nada mais normal do que eu querer voltar para minha casa. – Meu pai rir.

— É bom te ver voltando para sua vida. Apesar de eu achar que você deveria esperar mais um pouco.

Castle começa a falar algo que eu não presto muita atenção, mas está concordando com meu pai. Enquanto eles discutem minha vida eu fico observando ele. Meu pai parece diferente. Apesar de seus cabelos brancos a mais ele parece mais jovem. Feliz. Como se tivesse apaixonado.

Meu pai apaixonado! Sorrio só de pensar na possibilidade. A algum tempo atrás eu ficaria louca com essa possibilidade. Para mim, meu pai e minha mãe se amariam para sempre. Mas hoje, depois de tudo o que passei. Depois de tudo que fiz meu pai e meus amigos passarem. Eu sei que não se deve se prender a algo que nunca vai mudar.

Minha mãe morreu, mas meu pai está aqui. Ele não pode ficar sozinho para sempre. Eu estou começando a construir uma vida com o Castle, e quero que meu pai participe disso sem pensar em como seria se minha mãe estivesse aqui para ver isso.

Eu sei que ele sempre vai pensar assim, mas eu não quero, nunca mais, ver o tom de tristeza em sua voz quando ele fala dela. Eu quero ver alegria. Alegria por ter sido casado com uma mulher extraordinária como foi minha mãe, e por ter me tido. É isso que eu quero. E para isso, ele tem que superar a morte da minha mãe. E uma paixão pode ajudar nisso. Por que é isso que o meu pai vai sentir. Paixão. Porque amor, ele só sentiu por uma pessoa na vida. Minha mãe.

— Porque você marcou esse jantar? – Digo atrapalhando o papo sobre entre meu pai e Castle.

— Porque estava com saudade da minha filha, não posso? – Ele pergunta como se fosse obvio, mas eu sei que tem mais coisa por trás. Eu sou uma boa detetive.

— Kate hoje está desconfiada de tudo. Até da rosa que eu levei para ela. – Castle se manifesta.

— Não é isso. É porque ele está diferente. E se fosse mesmo para matar a saudade, nós não teríamos nos sentado numa mesa reservada para quatro. – Meu pai olha para o lugar vazio e sorrir. Eu conheço aquele sorriso. Ele tem algo a dizer.

— Você não perdeu a prática, Katie. – Meu pai fala se referindo ao meu trabalho.

— Eu sou boa no que faço, mas sou melhor ainda quando se trata das pessoas que eu conheço.

Castle não fala nada. Ele é pai, e entende que agora vai começar um assunto particular entre pai e filha. Seu braço continua me rodeando, mostrando que ele está bem ao meu lado caso eu precise.

— Lembra quando você estava na cabana? – Eu assinto. – Eu estava prestes a fechar um grande negócio. Isso me faria viajar mais e passar menos tempo com você.

— Conseguiu o negócio?

— Sim. – Ele sorrir desconfiado.

— Pode falar pai. – Eu sei que tem mais. Eu conheço aquele olhar. Era o mesmo de quando ele veio me explicar que minha mãe não iria mais voltar. Ele não sabia como falar. Então eu tenho que encorajar ele.

— Minha parceira nesse negócio... a Olivia. Nós sempre ficávamos um pouco a mais depois dos jantares de negociação. Ela é uma mulher encantadora. Dona da própria empresa, sem filhos. Da minha idade, inteligente e linda. – Ele fala rápido, visivelmente nervoso. – Ela me ajudou tanto quando você estava desaparecida. Ela é realmente uma mulher incrível. Você precisa conhecer ela.

— Nossa... tantos elogios assim. – Confesso que agora eu fiquei com ciúmes.

— Katie nós não...

— Não precisa mentir pai. Vocês estão juntos, certo?

— Não! – Ele fala rápido e todo errado. – Não, isso não.

— Porque não?

— Porque.... Eu ainda não tive coragem de dar esse passo a diante. Quer dizer, nós já nos beijamos antes, mas nada além disso.

— E porque não estão juntos? – Pergunto sorrindo, para ele perceber que eu não vejo problemas nisso.

— Porque eu queria falar com você. – Ele me encara. Não falo nada, apenas espero que ele complete. – Você sabe o quanto eu amei sua mãe e ela vai sempre ser única para mim. Mas eu realmente estou interessado na Olívia. Ela mexeu comigo de uma forma diferente. Eu gosto da companhia dela, gosto de conversar com ela. Eu gosto de tudo nela. E eu estou sozinho a tanto tempo... não pensei que isso fosse acontecer de novo, mas aconteceu. Nossa, é tão bom sentir isso de novo.

Eu posso ver o brilho nos seus olhos quando fala nessa mulher, todo mundo nesse restaurante pode. Como eu não ficaria feliz vendo meu pai assim? Quando minha mãe morreu ele quase se afundou na bebida. Pensei que nunca mais fosse ter meu pai de volta, mas ele voltou. E desde então não vejo esse brilho em seus olhos.

— Então eu vou perguntar de novo. – Me inclino um pouco sobre a mesa e encaro meu pai. – Porque vocês não estão juntos?

— Por você.

— Por mim? – Franzo a testa.

— É. Você é minha filha, eu nunca seguiria em frente se você não concordasse com isso. – Eu sorrio. Acho linda a consideração que meu pai tem por mim.

— Pai, eu só quero que você seja feliz. Só isso. E se essa mulher, a Olivia, te faz feliz. Eu ficaria muito honrada em conhece-la.

Meu pai sorrir e levanta o seu olhar por cima de mim.

— Que bom. Porque ela acabou de chegar. – Ele diz já levantando.

Me viro e vejo uma mulher morena na porta do restaurante. O garçom aponta a nossa mesa e imediatamente ela abre um sorriso enorme quando nos ver, e vem em nossa direção. Encaro meu pai novamente e vejo o brilho em seus olhos que a tempos não via. Essa mulher deve ser muito boa para meu pai estar tão feliz com ela.

Olívia tem mais ou menos a idade do meu pai. O cabelo preto curto. Se veste de uma forma elegante, combina bem com o estilo do meu pai. Os olhos são azuis, mais azuis que os de Castle. Ela chega a nossa mesa e nós nos levantamos. Meu pai com um sorriso bobo no rosto. Ele nos apresenta e ela estende a mão para mim.

— É bom finalmente conhecer a tão falada Kate. – Ela sorrir gentilmente para mim, e eu me pergunto até que ponto meu pai falou de mim para ela.

Toda a minha história daria um bom livro, mais que os da Nikki Heat. Sei que pelo tempo que ela e meu pai se conhecem, ela provavelmente sabe do que me aconteceu nas últimas semanas. Não que eu não goste de falar sobre esse assunto, mas espero que ela não fale nada sobre isso.

— É bom te conhecer também. E devo dizer, só ouvi coisas boas sobre você. – Ela sorrir e olha para o meu pai, que não parou de olha-la u segundo. Ele parece estar encantando pela mulher.

Nós nos sentamos e Castle segura minha mão por baixo da mesa, a apertando firme. Ele ainda não tinha falado nada sobre o assunto, com certeza estava esperando a gente chegar em casa para comentar algo.

— E você deve ser Richard, o namorado da Kate. – Ela olha para Castle, que sorrir simpático.

— Richard Castle. Prazer. – Ele estende a mão e ela fica boquiaberta.

— Você é o escritor? – Ela aperta a mão dele.

— Em carne e osso. – Fico esperando ele completar com “e beleza”, mas isso não acontece. Castle estava sendo apenas meu namorado hoje. Ele não precisava usar seu charme, sua carreira ou suas piadas, ele seria apenas o Rick que eu tanto amo.

— Sou fã de seus livros.

— Ficarei feliz em autografa-los. – Ela sorrir.

— Então Olívia, meu pai estava me contando que vocês trabalham juntos no novo negócio dele.

— Sim. Na verdade, ele vai representar minha empresa pelo pais. – Ela o olha e eu vejo brilho em seus olhos também. Ela parece gostar do meu pai tanto quanto ele gosta dela.

— Me contem mais sobre esse negócio. Estou curioso. – Castle diz já bebendo seu vinho que acabara de chegar.

Nós engatamos numa conversa sobre a empresa dela e como ela está buscando investidores para seu novo negócios com vinhos. Castle se animou no assunto e quis saber de cada detalhe. Era um assunto de interesse de todos, e conversamos sem perceber o tempo passar. Olivia era tudo o que meu pai tinha falado e mais um pouco. Ela era madura, vivida, já tinha sido casada, não tinha filhos e agora se dedicava a nova empresa, que ia crescendo casa vez mais.

Eu já consigo imaginar ela nas reuniões de família. Todos iriam adora-la, assim como eu. Era bom ter os dois interagindo na mesa. Era como uma visão do meu futuro com Castle. Um completava a frase do outro, um sabia o pensamento do outro. Acho que foi por isso que meu pai foi o escolhido para representar sua empresa. Eu fico feliz com isso. Com o negócio e com o relacionamento deles.

Assim que nos despedimos e eu Castle seguimos para o carro, que não estava longe dali. Fomos andando. Castle com seu braço por cima do meu ombro me mantendo junto ao seu corpo. Não estava uma noite fria, mas eu queria dormir coladinha com ele hoje. Já senti saudade o suficiente durante o dia.

— Posso te pedir um favor? – Ergo a cabeça para olha-lo.

— Claro. – Ele diz olhando para frente.

— Dorme comigo hoje. – Vejo um sorriso se formar em seu rosto.

— Está com medo de dormir sozinha, detetive? – Ele fala debochando.

— Talvez. – Entro no jogo. – Preciso de você para me proteger.

— Acho que posso fazer o esforço. – Soco sua barriga e ele rir. – Tudo bem, tudo bem. Eu vou com maior prazer.

— Mas só se for para passar a noite inteira no meu apartamento.

— Como você desejar. – Ele para e abre a porta do carro para mim.

Hoje eu posso tudo. Posso encarar a papelada. Posso encarar ver meu pai apaixonado. Eu só não posso encarar a minha cama enorme sozinha. Eu preciso dele comigo. Eu preciso senti-lo.

Notas finais