Rise
28 Capítulo 28
Notas iniciais
— Kate! – o grito dele quase me faz pular de susto.
— Castle! Quer me matar? – continuo meu caminho até o banheiro, eu estava apertada.
— O que você pensa que está fazendo? – ele diz deixando seu copo de café na mesa ao lado da porta e vindo até mim, como se eu fosse incapaz de andar até o banheiro, que não ficava nem a dez passos da minha cama.
— Bom, a não ser que você queira trocar as roupas da cama, eu estou indo no banheiro.
— Você não pode se levantar sozinha. – ele segura meu braço bom e me conduz até o banheiro, mas qualquer tartaruga ganharia da gente. O que antes seriam dez passos, agora eram pelo menos cinquenta, de tão lento que estávamos indo.
— Castle eu estou bem. A médica disse que eu poderia dar alguns passos, seria bom para minha recuperação.
— Aquela médica não sabe de nada. – ele diz e eu paro, olhando pra ele com minhas sobrancelhas quase juntas.
Ele me olha como se eu tivesse feito alguma coisa absurda por olha-lo daquela forma, e ele estivesse certo por duvidar da médica. Eu tenho vontade de rir, mas no fundo isso me preocupa.
— Não preciso dizer a você que eu não estou invalida, certo? – me viro para ele quando chegamos ao banheiro.
Castle continua me olhando, como se não soubesse porque eu parei.
— Você quer entrar e me ajudar a sentar também? – pergunto já um pouco irritada.
— Sim. – eu reviro os olhos e me seguro para não rir. Ele está levando essa história de cuidar de mim a sério demais.
— Castle, eu posso ir sozinha. – ele abre a boca pra falar alguma coisa mas eu não deixo. – você pode me esperar aqui se quiser, mas nesse banheiro, comigo, você não entra.
No mesmo instante ele faz sua melhor cara de emburra. A vontade de beijá-lo e desmanchar aquele bico é quase tão grande quanto minha vontade de ir ao banheiro. Mas eu me controlo e entro, fechando a porta atrás de mim e deixando ele lá fora, mas não sem antes escutar sua mais nova reclamação.
— Até parece que eu nunca vi nada seu. – assim que eu fecho a porta eu me permito rir, ele parecia um menino de dez anos, mas eu amava isso nele.
Assim que termino minha higiene eu me olho no espelho, e estou horrível, preciso pedir uma ajuda a Lanie para arrumar meu cabelo, colocar um pouco de cor no meu rosto, eu estou horrível de tão pálida, assim não vou conseguir segurar o Castle por muito tempo. Castle. Eu sorrio quando lembro da sua cara emburrada. Ele é um amor, vem cuidando de mim a dias, sem me deixar pensar, nem por um segundo, no que me aconteceu naquela casa enquanto estava com os bandidos, o que eu gostei, não queria me preocupar com isso agora, apesar de querer saber o que aconteceu quando os meninos encontraram a casa. Mas confesso que esse cuidado dele, de chegar ao ponto de querer entrar no banheiro comigo, é demais.
Eu não posso reclamar muito, gosto de ver o quanto ele se preocupa comigo, mas as vezes me dá nos nervos, e eu tenho que me controlar para não falar nada. Não quero que ele pense que eu não o quero comigo, ou que eu quero afasta-lo de mim. Eu o quero comigo, sempre.
Assim que abro a porta ele ainda está lá, encostado na parede, apenas me esperando. Reviro meus olhos, é a cena mais ridícula da minha vida, mas ainda assim ele é um fofo. O bico ainda está em seus lábios, e a vontade de beijá-lo só aumenta. Desde que nos vemos de novo ainda não nos beijamos como estávamos acostumados, e eu estava com saudade dele, mas pelo visto, até um simples beijo pode me machucar.
— Rick, desfaz esse bico. – digo me aproximando dele, que se desencosta da parede e fica em pé na minha frente. – você fica lindo assim, sabia?
Meus dedos rapidamente somem entre seus cabelos, ele olha pra mim e sorrir. Me ponho na ponta dos pés para alcançar a boca dele, mas ele me impede, tem sido assim nos últimos cinco dias. Eu o olho séria, mas ele parece relutante.
— Vamos voltar pra cama. – ele diz já se colocando ao meu lado e me guiando de volta para aquela cama. Eu já não aguentava mais ficar deitada naquela cama.
— Eu acho que mereço um beijo de bom dia, certo? – digo subindo a mini escada que estava ao pé da cama para finalmente sentar e o olhar, de frente a mim.
— Não sei se merece. Você anda desobedecendo muito.
— Eu não ando desobedecendo! – protesto. – ir ao banheiro não é nada.
— Ir ao banheiro sem ajuda, levantar da cama sem ajuda...
— Respirar sem ajuda. – interrompo ele.
— Bom, isso eu acho que você é capaz. – o sorriso em seus lábios diz que ele está se divertindo comigo.
— Você está se saindo um chato de carteirinha. – digo me arrumando meu travesseiro para deitar.
— Eu não sou chato! – protesta com sua voz fina que quase me faz rir.
— Então me prova. – volto minhas atenções para ele, e com meu braço bom, o puxo para mais perto de mim.
Ele vem sem protestar. Minha mão sobe por seu braço por seu braço até seu rosto, indo em direção a seus cabelos e se perdendo ali. Rick fecha os olhos e suspira. Nós estamos próximos, e como a cama é alta, quase não existe diferença de tamanho entre nós. Me aproximo devagar e roço nossos narizes, era tão bom poder sentir a respiração dele próximo a mim novamente, era como estar em casa novamente.
Nossos lábios se tocam levemente e eu já sinto meu corpo inteiro vacilar. Era incrível o que ele fazia comigo, não importa quanto nos beijássemos, a sensação de ter seus lábios junto aos meus era sempre única. Acaricio de leve seu lábio inferior com minha linga, ouvindo ele gemer baixinho, e logo em seguida abrir mais sua boca para me receber.
A mão dele segurava de leve minha cintura, seus dedos cavavam aos poucos em minha roupa de hospital à medida que nosso beijo ia se tornando mais profundo. A outra mão dele estava delicadamente sobre meu braço preso a tipoia. Minha língua invadia a boca dele a procura da sua, e quando elas finalmente se tocaram e se acariciaram, eu tive que me controlar para não fazer uma loucura ali mesmo, naquele quarto de hospital.
Não existia mais nenhum espaço entre nós, nunca mais eu tinha sentido o corpo de Rick tão próximo ao meu. Eu quase tinha esquecido o quanto isso era bom. Quando nós estamos totalmente perdidos um no outro ele tenta parar o beijo, mas eu seguro firme os cabelos de sua nuca e prendo seu rosto contra o meu. Ele abro levemente seus olhos, que encontram os meus, e com um pequeno sorriso eu colo nossos lábios novamente, começando um beijo urgente e cheio de saudade.
Estávamos totalmente perdido em sensações que sequer ouvimos baterem na porta, e muito menos ela ser aberta pela doutora. Apenas quando ela pigarreou um pouco que notamos sua presença. Nos separamos imediatamente, com um sorriso bobo no nossos rosto. Nós sempre éramos pegos em flagra, quando não pelo meu pai, pela minha médica. Me sinto corar, não gosto que me vejam nesses momentos, principalmente com o Rick, que eu sou capaz de perder a cabeça em segundo.
— Desculpe atrapalhar. – ela diz com o sorriso de sempre.
— Não.. – eu não sei o que dizer. – nós...
— Não precisa se explicar, Kate. – ela diz se aproximando enquanto Rick já estava no outro lado do quarto. – como está se sentindo?
— Bem. – digo me acomodando na cama.
— Não duvido. – ela diz sorrindo e me sinto corar ainda mais.
— Só queria um novo enfermeiro. O que eu tenho não me deixa nem ir ao banheiro sozinha. – reclamo e ela rir.
— Ela pode se mover normalmente, Senhor Castle. – ela diz se voltando para Castle, que começava a se aproximar. – só não pode fazer esforços.
— Obrigada. – digo olhando pro Rick com um olhar que diz: eu venci.
— Ah, mas exige um pouco de esforço descer da cama, caminhar, ir ao banheiro... – Castle e suas lógicas.
— Correr, segurar peso, se estressar.. esse tipo de coisa Senhor Castle. – ela diz e se volta pra mim, começando a me examinar.
— Quando eu vou ter alta? Não aguento mais ficar aqui. – minha voz, um pouco desesperada, entrega o quanto eu quero sair logo desse hospital.
— Amanhã. – ela diz enquanto me examina e eu começo a me agitar. – mas as mesmas recomendações estão valendo, Kate.
— Vou me comportar, prometo. – ela termina de me examinar e sorrir.
— Com seu enfermeiro? Eu não duvido. – olho para Castle, que está sério na ponta da cama.
— O que foi?
— Nada. – ele me olha e sorrir. – só estava tendo umas ideias.
— Bom, amanhã de manhã você está de alta, Kate. Você terá um tempo a mais de recuperação, mas sua cirurgia está ótima. – o sorriso da médica me anima. Ela parece confiante, e eu me sinto bem. Deve estar tudo bem comigo.
Assim que ela saí do meu quarto eu vejo Castle inquieto, sem sentar, sem saber o que conversar, como se quisesse dizer algo, mas ele não diz, fica apenas andado de um lado pro outro, as vezes senta abre o livro e finge que ler, mas não vira a página.
— Pode falar. – digo, depois de um tempo em silencio.
— O que? – ele levanta do sofá ao lado da minha cama e vem até onde estou.
— Você quer falar alguma coisa, que eu sei. Então... só fale, ok?
Ele respira fundo e senta na beirada da minha cama. Eu sei que o assunto é sério porque ele está nervoso. Toco em sua mão e ela está geladíssima. Começo a ficar nervosa, e pensar mil e uma coisas. Porque ele ficou tão nervoso em falar desse assunto?
— Fala, Castle! – digo sem mais aguentar esse silencio entre nós.
— Eh... – ele respira fundo mais uma vez e continua. — você vai sair amanhã, então não tem mais como adiar esse assunto.
— Que assunto? – meu olhos já estão arregalados, querendo notar qualquer mudança nele que me diga o que se passa nessa cabeça maluca para ele está tão nervoso.
— É que você não gostou muito de ficar na casa de seu pai. E fica longe da cidade, e não tem nada o que fazer lá. Você vai precisar de cuidados, pelo menos nas primeiras semanas, então como você já estava pensando em voltar pra casa, eu pensei que...
— Não. – digo interrompendo ele. – não me peça isso, Rick.
— Kate... – ele me suplica com o olhar.
— Eu não vou ficar na sua casa! – me mecho na cama procurando uma posição confortável, mas não acho.
— Seria mais acessível. Eu poderia ficar com você o tempo todo, e quando eu precisasse sair sempre teria alguém com você.
— Não, Castle. Eu não vou ficar em sua casa.
— Porque? – porque eu não vou aguentar ficar com você me controlando vinte e quatro horas por dia, deveria ser a resposta.
— Porque você ouviu a doutora. Eu posso andar sozinha, eu posso me cuidar. Além do mais meu pai já disse que vai passar uns dias em minha casa. – minto. Mas entre meu pai brigão e um Castle controlador, eu prefiro meu pai.
— Você sabe que ficando na sua ou na minha casa eu não vou deixar você sozinha, certo?
— Sim, eu sei. – olhos para seus olhos quase sem brilho. – mas eu prefiro ficar em minha casa.
— Eu prometo que vou me comportar. Não vou brigar cada vez que você insistir em fazer coisa que não pode.
— Como andar sozinha?
— Como andar sozinha. – ele concorda e eu rio.
— Tá vendo. Você sabe que não tem problema em eu andar sozinha, mas ainda assim quer me controlar com isso. Não Rick, eu não vou.
Ele parece entender o meu real motivo para não aceitar o seu convite. Rick baixa o olhar, fixando-o em nossas mãos ainda juntas. Eu não queria deixar ele triste, mas vai ser melhor para nós dois assim.
— Kate, me deixa cuidar de você. – ele diz com a voz baixa enquanto levanta seu olhar pra mim.
— Eu estou deixando, babe. – aperto sua mão na minha. – você está aqui porque está cuidando de mim, certo? – ele balança levemente a cabeça.
— Mas eu quero fazer mais.
— Mais? – eu sorriso com o fato dele ser tão super protetor assim, quase esqueço que ele chega até a ser chato com isso.
Ele ainda suplica que eu aceite com seu olhar, mas eu não posso fazer isso. Se eu aceitar eu tenho certeza que em algum momento eu vou perder a cabeça e nós vamos discutir, e eu não quero discutir por ele cuidar de mim. Em minha casa eu teria algumas horas pra mim, longe de toda essa super proteção dele.
— Eu vou pra minha casa, Rick. – ele abre a boca para falar e eu interrompo antes que saia a primeira palavra. – está decidido.
Meu mundo quase cai quando ele me olha. Seu olhar triste, quase decepcionado comigo. Ele diz um “okay”, que eu quase não consigo ouvir, e se levanta da cama, sentando novamente no sofá. Rick abre um livro que ele trouxe e começa a ler. Meu coração se aperta ao vê-lo agir assim, mas apesar de eu saber que ele não está realmente lendo, eu não falo nada.
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