Rise
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Meredith dava seu depoimento para os oficiais e para mim no escritório do Rick. Ela só disse tudo o que eu já sabia. Alexis estava com raiva e queria passar uns dias com ela, disse que ligaria quando estivesse embarcando, mas não aconteceu, ela pensou que a Alexis tinha desistido e só no outro dia ligou para o Rick, perguntando pela filha, e só então ficou sabendo que ela tinha saído para encontrá-la. Mas diferente do Rick, ela não estava preocupada, não tinha desespero em sua voz e muito menos em sua atitude.
— Sinceramente Agente Taylor, acho que ela queria sair daqui, mas não teve coragem de ir para longe, e deve estar na casa de uma amiga, ou do namorado. Não tem porque se preocuparem, ou porque armarem esse circo todo...
— Já ligamos para todos, ninguém a viu desde a 18 horas de ontem – interrompo, e ela me lança um olhar — e as coisas dela foram encontradas numa cena de crime. Então eu acho que tem porque armarem esse circo todo. – digo meio indignada por ela não querer saber nem por um momento onde a filha está.
— Você está investigando? Porque pelo que eu sei a culpa da Alexis ter sumido é sua. – ela joga na minha cara.
O Agente para quem estou trabalhando agora me olha.
— Obrigada pelo depoimento, Senhora...
— Senhorita – ela corrige e eu reviro os olhos.
— Senhorita Meredith. – ele sorrir gentilmente para Meredith e a acompanha até a porta do escritório.
Eles tinham montado uma espécie de QG aqui, onde tinham um quadro improvisado e todo o suporte para realizarem a busca daqui, um pedido de Castle, para saber tudo o que está acontecendo. Lanço um olhar pela porta que se fecha e vejo ele sentado, apenas me olhando, mas era como se pedisse que eu fosse até lá.
— Parece que você não me contou tudo Detetive Beckett. – Taylor me desperta dos meus pensamentos.
— Não tem mais o que contar. Alexis não queria meu relacionamento com o pai, eles brigaram e ela decidiu ir ficar com a mãe uns dias.
— É só isso?
— Sim.
— Dispensada. Por enquanto... – ele aponta a porta e eu saio. Será que agora eu vou ser investigada para saber se tenho culpa nisso?
— Nós deveríamos investigar mais sobre quem matou o taxista. Assim teremos...
— Nós estamos fazendo isso! Os seus amigos da 12ª estão cuidando disso. O meu trabalho, o seu trabalho aqui, é esperar a ligação pelo resgate e, só assim, nós vamos poder traçar um plano para trazer a filha do Senhor Castle de volta.
— Mas se ajudássemos os meninos...
— Assim que eles tiverem um pista, a primeira pessoa para quem vão contar sou eu. Se precisarem de ajuda eles tem ordem de virem diretamente a mim. E, a menos que queira continuar me auxiliando, é melhor se controlar. – ele diz firme e forte apontando a porta.
Saio da sala com uma raiva visível em meus olhos. Rick vem em minha direção à procura de respostas, e eu não sei o que dizer. Seus olhos mostram o quanto ele confia em mim para encontrar sua menina, sua esperança sou eu e mais ninguém. Mas o que eu posso fazer quando não temos nenhuma pista?
— Você não tem nada, não é? – balanço a cabeça delicadamente dizendo que não. – Quando isso vai acabar, Kate? – sua voz e seu cansaço, mesmo depois de pouco tempo desde o desaparecimento, me fazem querer abraça-lo. E eu faço.
— Logo, meu amor. Logo. – digo enquanto o envolvo meus braços.
— Rick. – a voz de Meredith nos interrompe. – Será que podemos conversar?
— Agora? – ele pergunta e eu sei que ele não quer ter essa conversa nem agora e nem nunca.
— Agora.
— Ok. Vamos até o meu quarto. – ele diz e ela segue até o cômodo próximo ali. Rick segura minha mão e quando eu penso em protestar ele me olha – não vou sem você.
E o que eu poderia dizer? Ele está vendo em mim seu ponto de apoio, e eu não posso negar isso. Sem contar que eu iria com ele para onde ele quisesse. Então eu concordo e o sigo até o quarto.
Assim que Rick coloca o primeiro pé na porta Meredith abre a boca, mas deveria ter ficado calada.
— Já tivemos tantos momentos aqui nesse quarto... Tantas loucas nessa cama... – ela diz de costas sem saber que eu estou aqui. Ou talvez saiba, e queria dizer isso.
Um ciúme cresce dentro de mim, era isso que ela queria com ele? Reviver os momentos enquanto a filha está sabe-se lá Deus onde? Rick segurou minha mão firme e me fitou, como um pedido de desculpas. Ele não tinha culpa da ex mulher que tinha, mas mesmo assim fez questão de me pedir desculpas com seu olhar tristes. Seus olhos azuis já não eram tão azuis agora.
— Rick, eu queria conversar a sós com você. – ela a ruiva já com seu olhar vidrado em mim.
— Kate vai ficar.
— Eu posso esperar lá fora, Rick, é melhor. – eu insisto, mas não tem muito efeito nele.
— Diga logo Meredith. O que você quer? Eu quero voltar para o lado daquele telefone e não sair até alguém ligar dizendo que minha filha está bem! – o tom de voz dele aumenta significativamente e eu acaricio seu ombro com minha mão livre, um pedido para ele se acalmar.
Rick respira fundo assim que a ruiva começa a falar.
— Você acha que eu não estou preocupada também? Richard ela é minha filha! Como você pode pensar assim?
— Você não ligou nem para sabe se ela estava comigo ontem. Você não se preocupou em saber se sua filha tinha viajado realmente, se ela estava bem, se... – sua voz fala e eu vejo uma lagrima descer quando ele fecha os olhos com força. – se ela estava viva.
— Eu te liguei hoje... eu vim no primeiro avião assim que soube o que estava acontecendo. Você fala como se a culpa fosse minha.
— A culpa não é sua. Mas você poderia ter evitado muita coisa, Meredith.
— Você também, mas preferiu ficar com ela – a ruiva aponta pra mim.
— Não mete a Kate nessa história!
— Como não? Ela é a razão pela sua briga com a Alexis, foi por causa dela que isso tudo começou. – Rick segura forte minha mão, e não é para me acalmar ou nada do tipo, é para tentar se controlar e não fazer nada com a Meredith.
— Na verdade o único culpado sou eu. Eu que tive a infelicidade e ter você como mãe da minha filha. Uma mãe que nunca se preocupou em saber se ela estava bem, e do nada – ele solta uma risada irônica. – do nada você quer ser a melhor mãe do mundo na frente desse monte de policial. Mas você está longe disso, Meredith. Muito longe.
— Rick... – tento, mas ele continua.
— Você só sabia vir aqui e estragar tudo, tirar ela da escola sem explicação, viajar, fazer compras. Essa era sua ideia de ser mãe?! Você não tem o direito de querer se mãe agora, e muito menos de atacar a Kate. Ela esteve aqui muito mais que você. Ela esteve pele Alexis aqui muito mais que você durante toda a vida dela!
— Rick... – tento de novo, mas não adiante.
— Se for para você ficar e atacar a mulher que eu amo, é melhor você ir embora!
A porta se abre e Martha entra no quarto. Ela nos olha e seus olhos se fixam em Meredith, que agora chora.
— O que está acontecendo aqui? Dá para escutar os gritos lá da sala!
— Nada. – Rick diz e sai do quarto me puxando, passando pelos olhares curiosos das pessoas na sala e subindo a escada para o único refúgio dele nesse momento. O quarto da Alexis.
— Você viu o que ela fez?! – pergunta ele andando de um lado pro outro. – ele tentou te culpar! Você sabe que não tem culpa, não sabe?! – ele para e me olha.
O desespero em seu olhar faz meu corpo se arrepiar.
— Eu sei, Rick. Fica calmo.
— Como ficar calmo, Kate? Minha filha está sumida, a louca da mãe dela está te acusando, e eu quero fazer alguma coisa sobre isso tudo mas não consigo. – ele leva suas mãos a cabeça e segura firme os cabelos.
— Não. – falo um pouco alto segurando seus pulsos e baixando suas mãos. – Você não pode e nem vai fazer nada, isso é com a polícia, isso é comigo. Então não se desespera agora. Eles vão ligar, e quem sabe tenham deixado a Alexis em algum lugar e ela ainda não conseguiu te ligar. Castle, tem várias hipóteses que a gente só pode ter certeza quando alguma pista surgir. Então eu preciso que você se controle, ok? Eu preciso que você fique bem. Porque eu não conseguir ir atrás da Alexis sabendo que você está nesse estado. Ok?
Ele me olha e respira fundo.
— Olha, eu sei que não é momento para pedir pra você ser forte. Mas eu tenho que te pedir isso! – balança a cabeça positivamente.
— Vou tentar.
— Isso. Por mim e pela Alexis. Ok? – ele assente mais uma vez e me abraça.
— Obrigada. – retribuo seu abraço o mais forte que posso.
Meu celular toca no meu bolso. Mas eu não quero me afastar dele agora. Pode ser meu pai preocupado, pode ser a Lanie querendo notícias. Ou pode ser os meninos com uma pista.
— Rick, eu tenho que atender. – lamento em voz baixa desfazendo nosso abraço. Ele limpa algumas lagrimas enquanto eu pego meu celular.
— Estranho... número desconhecido. – mesmo contrariada eu atendo. – Beckett!
— Detetive Kate Beckett? – uma voz masculina e absolutamente grossa soa no outro lado da linha.
— Sim, quem fala?
— Não importa. Eu estou com uma coisa que interessaria a você!
Meu coração para e meu corpo inteiro gela. Não. Isso é impossível. Eu não tenho nada a ver com ela, ou melhor, ela não tem nada a ver com isso. Eles não seriam capazes de tal ato!!! Meus olhos entram os de Rick, e só de me olhar ele sabe. É sobre a filha dele.
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