Rise
8 Capítulo 8
Notas iniciais
— Pai! O que está fazendo aqui? -digo já sentada ao lado de Castle tentando me recompor. Quero enfiar minha cabeça em algum lugar, em qualquer lugar. Acho que estou mais vermelha que um pimentão.
— Eu moro aqui, esqueceu? -Ele está sério. Sério demais.
Me lembro exatamente a primeira vez que meu pai me pegou aos beijos com um menino. Eu tinha 16 anos e eles tinham viajado, chamei alguns amigos para fazer uma sessão de cinema em casa e quando todos foram embora o Andrew ficou. Ele me ajudou a arrumar tudo e depois nós ficamos no sofá, papo vai papo vai papo vem e lá estava eu agarrada com ele no sofá de casa. Meu pai abriu a porta exatamente como hoje, quase atirou no garoto e quase me matou. Nunca tinha visto meu pai tão irritado. Naquela época eu não fiquei tão envergonhada, eu tive mais medo dele do que vergonha, foi minha mãe que conversou com ele e conseguiu acalmar a fera.
Mas hoje não tem dona Johanna. Sou apenas eu e meu pai, e Castle que está sentado do meu lado feito pedra, branco feito alma, dá até vontade de rir. Quando eu escutei aquele "Boa Noite" eu pulei imediatamente para o lado. Nós não estávamos fazendo nada demais, apenas nos beijamos. Mas isso não muda o fato de eu está sentada em cima dele e de que os beijos não eram dos mais 'comportados', se podemos dizer assim. E eu tenho quase certeza de que Castle estava com a mão na minha bunda, o que só piora a situação. Não aguento encarar meu pai agora, então olho pra qualquer outro lugar, menos para ele.
— O que está acontecendo aqui? -ele parece confuso
— Nada. -respondemos juntos.
— Nada? Isso não é nada -ele diz apontando para nós dois se referindo a cena que acabara de ver.
— Pai, não vamos ter essa conversa de novo né? -quero evitar a todo custo ter qualquer tipo de conversa.
— Acho que vamos sim
— Pai, não! Isso foi.. Um erro -pronto, era exatamente o que eu temia, falei demais.
Olha imediatamente para o Castle e ele me olha incrédulo, ele levou aquelas palavras, que pularam da minha boca sem motivos, muito a sério.
— É, foi um erro. -ouço Castle dizer e levantar do sofá.- Me desculpe Jim.
Ele sai e eu saio atrás dele. Não, não foi um erro. O que tem de errado comigo?
— Castle -ele para e se vira pra mim. Estamos na varanda, a porta se fecha atrás de mim e somos só nós de novo.
— O que você quer Kate? -ele está chateado
— Eu não queria dizer aquilo.. Eu só fiquei nervosa.
— Foi um erro — ele está imitando minha voz? Tenho vontade de rir da sua péssima imitação, o que me faz pensar que talvez ela não esteja tão chateado assim.
— Não, não foi.
— Não foi?
— Não.. Você sabe que não. -estou cansada de esconder o que sinto. Agora que tomei coragem quero falar
— Eu sei.. -ele se aproxima
— Me desculpa por falar aquilo, mas.. Saiu, e eu não estava prepara para dizer ao meu pai porque eu estava praticamente em cima de você.
— Praticamente não, você estava em cima de mim. -ele me olha engraçado e eu dou um tapa no braço dele- isso dói -ele diz passando a mão onde eu bati. Ele não está mais com raiva.
— É pra doer mesmo -ele me olha e rir, chegando perto e envolvendo seus braços em minha cintura.
E de repente nossos rostos estão tão próximos, consigo sentir a respiração dele, faço carinho em seu rosto com o meu rosto e ele sorri. Aquele perfume toma conta de mim e eu já me sinto totalmente embriagada pelo cheiro que só ele tem, não é o perfume, é apenas o cheiro dele. Fixo meu olhar nos lábios dele, tão finos, tão macios, acho que nunca vou me cansar deles. Passo meu dedo por seus lábios e ele morde devagar, eu poderia me perder nessa boca por horas que eu não reclamaria. Ele se aproxima devagar e me beija, um beijo calmo, nossos lábios se tocam apenas aproveitando a presença um do outro. Minhas mãos sobem pelos seus cabelos macios e se perdem ali, eu sei que ele gosta quando eu faço isso, ele solta o ar devagar, puxando-me para mais perto. Eu gosto, qualquer mínimo de espaço é muito para nós nesse momento. Sua boca pede passagem querendo mais e eu sou incapaz de negar, aprofundamos o beijo e eu sinto sua língua procurar pela minha. Numa batalha constante para saber quem comanda essa beijo ele ganha, não consigo competir com as mãos dele acariciando minhas costas. É um carinho tão bom, ele sobe e desce uma das mãos por minha coluna tão delicado, eu amo esse lado dele, e a outra segura minha cintura possessiva. Ele é possessivo quando se trata de mim, eu já notei isso, e não ligo a minima, na verdade até gosto, eu sou ciumenta, muito ciumenta. Isso pode até dar certo. Não sei a quanto tempo estamos assim, apenas nos curtindo, terminando um beijo e começando o outro, sem se importar com o ar. Não precisamos de ar, só precisamos um do outro.
— uhum -ouço meu pai pigarrear atrás de mim. Vou soltando os meus braços que estavam ao redor do pescoço de Castle e o encaro
— Pai.. -que me enfiar em um buraco agora. Castle ainda está com o braço em minha cintura, tento soltar, mas ele segura mais forte. O que ele está fazendo?
— Não queria atrapalhar, mas esta tarde.
— Já entendi -Castle diz rindo e eu o olho pedindo desculpa.
— Só uma coisa -nós o olhamos- vocês... -ele diz apontando para nós dois e eu sei que ele quer respostas que não tenho, que eu não sei.
— Não
— Sim -Castle e eu dizemos juntos
— Castle! -o repreendo- pai por favor.. eu não tenho mais 16 anos.
— Não, não tem. Naquela época era ele que estava em cima de você. E agora você estava em cima dele. -ele sério, mas não está brigando, com raiva ou algo do tipo.
— Quem? -Castle parece interessado
— Ninguém! Pai, vamos conversar depois? O Castle já está indo embora
— Dez minutos. -ele entra e eu não acredito nisso. Realmente tenho 16 anos.
— Isso foi assustador. Pensei que seu pai fosse me matar
— Acredite, ele vai.
— Quê?! -ele faz aquela cara assustado e eu adoro deixá-lo assim
— Castle, por favor vai embora. -digo rindo
— Tá. Será que amanhã eu posso vir, ou.. -olho para ele de cara feia- Okay, já entendi
— Eu vou conversar com ele
— Tá -ele abre o mais lindo sorriso- Então.. Quem era o garoto que estava em cima de você ?
— Ninguém, isso é passado. Meu pai fala demais.
— Conta -ele insiste. Porque ele tem que ser assim?
— Não, Castle. Esquece isso.
— Okay. Eu acho que já vou.. Mas lembre que temos um encontro
— Encontro? Você não ganhou. Ninguém ganhou.
— Mas eu estava ganhando.
— Castle, vai. -reviro os olhos. Ele não ganhou, mas eu quero ter um encontro com Richard Castle.
Ele sorri e rouba um beijo meu, saindo todo sorridente até carro. Não consigo deixar de rir, ele parece um garoto e eu me sinto uma adolescente agora. Tem coisa melhor? Eu tenho trinta e um anos e realmente me sinto com 16. Suspiro e entro. Preciso enfrentar a fera. Não que ele fosse brigar, mas ele é meu pai, não quero ter essa conversa com ele. Talvez com minha mãe, se ela estivesse aqui, mas com ele não.
— Pai.. -digo baixo, ele está sentado na mesa olhando para o sofá
— Não sabia que você e o Castle estavam assim.. -ele diz apontando pro sofá- vou ter que trocar -eu reviro os olhos e sento ao seu lado
— Não exagera pai. Não foi porque nós quisemos, estávamos próximos, pintou um clima e...
— Não preciso saber dos detalhes, Kate. -ele me interrompe
— Okay -sorrio e nós ficamos em silêncio- pensei que você gostasse dele
— E eu gosto. Só que nenhum pai sonha em chegar em casa e ver... O que eu vi. -ele tá parecendo o Castle, emburrado quando tinha suas crises com a Alexis e vinha me pedir concelhos. Vou tratá-lo como se fosse o Castle, assim a conversa pode ser mais fácil.
— Desculpa. Mas eu não sou nenhuma santa. -ele arregala os olhos e me olha.
— O que você quer dizer com isso?
— Pai, eu sou adulta. Tenho mais de trinta anos e já vivi bastante. -ele continua me olhando sem entender o que eu quero dizer- Eu não sou mais inocente. Já beijei antes, já namorei antes
Enfatizo a palavra namorei pra ver se ele se toca. E deu certo. Ele arregala mais os olhos.
— Katie...
— O que? O senhor pensava que eu ainda era virgem?
— Bom, eu gostava de pensar que sim. -ele levanta nervoso e não consigo controlar a risada- Isso.. Isso é demais pra mim. Vou dormir
— Não, pai. Fica aqui, vamos conversar direito.
— Não, já tive surpresas demais por hoje.
— Pai -o chamo antes dele subir- A mamãe sabia..
— O que? Então.. Porque você nunca me contou? -ele parece indignado, é divertido vê-lo assim.
— Porque isso era coisa pra mãe e filha, posteriormente esposa e marido. Eu não deveria te contar. -dou os ombros.
— Bom, isso é novidade pra mim. Se sua mãe estivesse aqui..
— Ela provavelmente estaria dizendo o quanto você está exagerando. -ele sabe que eu estou falando a verdade
— É. Estaria. Mas isso não muda nada do que você fez- não consigo parar de rir do meu pai.
— O que eu fiz? -essa conversa realmente está me divertindo
— Transou! -ele diz simplesmente e sai. Não consigo controlar a gargalhada. Meu pai é uma figura.
Fico sozinha na cozinha e meus pensamentos vão diretamente para o Castle. De onde eu tirei coragem para beija-lo daquela forma? Eu sorrio só de lembrar e o sorriso não sai de mim pelo resto da noite. As mãos dele em minha cintura me apertando com força como se eu fosse fugir, e mal sabia ele que onde mais eu queria estar era ali, a briga quase brutal de nossas línguas, o toque dos seus lábios com os meus, as mordidas fortes nos meus lábios e a sua língua passando por ele em seguida como se fosse um pedido de desculpas. Ele não precisava pedir desculpa, eu gostei, não, eu amei. Aquele beijo fez despertar em mim coisas que eu nem sabia que era possível. Castle me deixou querendo mais, muito mais. E essa é a segunda noite que não durmo por causa dele.
— Fasta -escuto uma voz próximo a mim, só pode ser um sonho, nem me movo.- Kate, fasta -e então, junto com a voz, vem um empurrão. Ok não é um sonho.
Levanto a cabeça para ver quem me acorda e vejo Lanie deitar na cama junto comigo.
— Lanie o que faz aqui? Ainda é de madrugada.
— Só se for no seu relógio biológico, porque aqui já são quase 10 horas da manhã.
— Foi o que eu disse, pra mim ainda é de madrugada. -me enrolo novamente ignorando sua presença mas ela não está nem aí, continua falando.
— O que houve com você? Um mês de licença e já ficou preguiçosa.
— Aproveitando em quanto posso. Depois vem noites e noites acordada tentando resolver um crime.
— Queria ficar assim também.
— Você não deveria estar no trabalho.
— Hoje é minha folga.
— Hmm -quero dormir
— O que houve? Mais uma noite pensando no bonitão?
— O que você acha?
— Acho que você tem que me contar tudo o que rolou ontem. Você estão namorando? -ela parece já saber de tudo, como pode?
— O QUE? Quem te contou?
— Tive uma conversa interessante com seu pai.
— Eu não quero vocês dois juntos.
— Tá. Agora me conta
— Ele me beijou -eu ainda estou enrolada do pé a cabeça e quando digo isso ela puxa o lençol tão rápido que eu não aguento a risada. Talvez seja bom contar isso para alguém.
Sento na cama com ela e conto tudo o que aconteceu, desde o pôr do sol até o flagra do meu pai. Nós parecemos duas adolescentes contando como foi o primeiro beijo, isso é ridículo. Mas estou amando cada segundo. Lanie sempre foi a amiga perfeita, ela sempre quer saber os mínimos detalhes, mas não conto tudo, algumas coisas é preciso deixar só entre duas pessoas. No caso, eu e o Castle.
— Garota se eu fosse você também perderia o sono
— Pois é.. -suspiro com um sorriso que se recusa a sair do meu rosto
— Você está mesmo apaixonada. -Ela afirma com tanta certeza uma coisa que eu não sei rotular
— Apaixonada? Não acho que chegue a tanto.
— Você pode negar o quanto quiser. Mas esta apaixonada, mas o que eu quero saber é, vocês estão ou não namorando?
— Não. Não sei se é o certo, não agora. Quero deixar exatamente como está, quero ver se vale a pena ficar com ele
— Kate, você já está complicando
— Não, não estou. Eu só quero que a gente comece devagar. Não dá pra ignorar o que aconteceu, mas também não dá para apressar nada.
— Certo.. Então vocês estão.. Se conhecendo?
— Isso. Nós vamos nos conhecer antes de tomar uma decisão que estrague tudo o que temos
— E o que vocês têm mesmo?
— Uma amizade. -sim, nós construímos uma amizade nesses últimos anos.
— Não. O que eu e você temos é uma amizade. O que vocês dois têm é uma paixão.
— Lanie..
— Não. Agora me escuta. Em qual desses seus relacionamentos você realmente gostou do cara? Em qual desses relacionamentos você pensou em ter um futuro? Em qual esses relacionamentos você não procurou o Castle neles? Qual deles te conhece tão bem quanto o Castle? -ela me olha e eu sei que ela está falando muito sério- Kate eu te conheço a séculos e acho que não conheço a metade que o Castle te conhece. Ele sabe quem você é, sabe os segredos que você guarda, sabe da aula luta, sabe das suas vitórias e até as derrotas. Ele sabe mais de você do que você mesma. Então deixa de ser cabeça dura e aproveite. Viva um amor, uma paixão. Viva e só assim você poderá decidir se realmente vale a pena. Você não vai descobrir isso aqui deitada. Lute por esse sentimento. Você já lutou por coisas maiores..
— O que eu sinto é maior que tudo -digo num sussurro. Dizer isso em voz alta não é fácil para mim.
— Então lute pelo o que você quer antes que seja tarde demais para isso
— Como assim tarde demais?
— Ele está aqui para você. Aproveite. Se você o deixar ir, ele pode não voltar.
E então eu começo a sentir medo. Medo de não ter o Castle próximo a mim, medo de não poder abraçá-lo mais, de não beija-lo mais. E eu não quero isso, quero ficar com ele por incontáveis horas que vão parecer minutos, porque é assim que me sinto como ele, nunca é o suficiente. Quero poder conhecer cada pedaço dele, deus medos e inseguranças, quero participar das suas alegrias e conforta-lo nas suas tristezas. Quero amá-lo como ele me ama. Eu o amo.
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