Rise
25 Capítulo 25
Notas iniciais
CASTLE POV.
— Foi isso que aconteceu pai. Eles me colocaram no carro com um saco preto na cabeça e me deixaram lá.
— E você tem certeza que a Kate estava bem quando você saiu de lá? – Jim pergunta meio tímido.
— Tenho. Ela... ela mandou dizer que te ama, pai. Muito. – eu assinto e abraço minha filha, que estava sentada ao meu lado enquanto os Agentes faziam perguntas pra ela.
A preocupação de Meredith se desfez assim que a filha entrou pela porta. Um abraço rápido e ela disse que tinha que ir se não ia perder o voo. Voo esse que ela marcou assim que soube que eu estava indo pegar a Alexis. Eu realmente não entendo como fui escolher ela pra ser mãe da minha filha, na verdade não foi uma escolha, mas mesmo assim... Então eu prefiro ignorar essas coisas, caso contrário, nós viveríamos em guerra. E isso não faria bem pra ninguém.
— Alexis, de quanto tempo mais ou menos foi o percurso? – o Agente Taylor pergunta.
— Não sei. Não sou boa nessas coisas, mas demorou bastante.
Alexis parece estar cansada. Já faz algumas horas desde que chegou e não teve tempo para descansar nem um segundo. Os Agentes exigiam algum tipo de esforço para ela se lembrar de algo que possa ser relevante para o caso, mas ela está apenas cansada demais para responder, então está na hora do meu lado pai gritar.
— É.. acho que já chega por enquanto né? Alexis está cansada, por mais que eu queria encontrar a Kate, não vai ajudar nada ela tentar se esforçar em vão.
— Não pai, eu estou bem.
— Não filha. Você vai dormir, descansar um pouco. Amanhã quando você acordar você vai poder responder todas as perguntas que quiserem. – ela não diz nada, apenas concorda.
Minha mãe ajuda ela a se levantar do sofá e a leva escada a cima. Depois eu iria até lá, deitar com a minha filha, e rezar para que Kate esteja realmente bem.
— Jim, me desculpe. Mas minha filha não está acostumada com esse tipo de coisa, ela é apenas uma criança. Não posso exigir mais do que ela consegue. – falo, com a tristeza em minha voz.
Eu lamento por não poder ajudar a Kate, e agora eu me sinto culpado. Mas minha filha já foi desgastada demais para continuar com isso, pelo menos por hoje. Amanhã ela ajudaria no que fosse preciso.
Sento no sofá, apoiando os cotovelos na minha perna e escondendo o rosto nas minhas mãos. Não sei como tudo isso foi acontecer. Onde eu errei nessa história toda por permitir que minha filha e minha namorada fossem levadas por Deus sabe lá quem. Eu estou farto de não conseguir fazer nada, de ser um inútil.
O desespero começa a bater em meu corpo, as coisas começam a ficar cada vez mais confusa. Os olhos ardendo, a respiração falhando e então os soluços saindo incontroláveis de dentro de mim. Não sei como consegui aguentar por tanto tempo. A dor e o medo que eu sinto em meu peito é maior que tudo. Não consigo imaginar o que a Kate possa estar passando nesse momento.
Eu pensei que essa dor fosse pelo menos diminuir quando a Alexis voltasse, mas não. A dor só aumentou. Tudo o que ela falou só me deixou com mais medo do que pode acontecer com a mulher que eu amo.
Um quarto escuro, sem comida, sem água, sem nada para lhe esquentar. Apenas uma pessoa forte pode aguentar passar por isso, e eu não tenho dúvidas que Kate é forte o suficiente para sobreviver a isso. Ela já sobreviveu a coisas piores, bem piores. E a Alexis é tão forte quanto ela, aguentou passar dias nas mesmas condições que ela, e eu me orgulho disso. Elas eram meus dois porto seguro. Eram a razão de eu viver e de eu tentar ser alguém melhor.
Sinto a mão de Jim em meu ombro. Levanto levemente a cabeça pra ele e encontro um meio sorriso, tentando me confortar.
— Ela está bem. Eu sei que está. – não falo nada, apenas concordo.
Ele é pai, ele sente as coisas que eu senti em quando Alexis estava lá. E se ele diz que minha Kate está bem, ela está. Ele é a única pessoa que eu acredito agora.
Ouço a campainha tocar. Já está tarde, e o portei não avisou. Deve ser alguém conhecido, mas não imagino quem possa ser. Talvez os meninos, ou até mesmo a Lanie. Então eu levanto devagar e vou em direção a porta. E nada poderia me preparar para o que eu vi quando abri a porta.
DESCONHECIDO POV.
— Os papeis... os papeis. – a moça sussurrava ao meu lado. Estava delirando.
Eu tirei ela desmaiada de dentro daquela casa velha e abandonada. Não era ela quem eu queria, mas apenas ela estava lá. Um tiro pegou nela, no braço, nada grave, mas ainda assim ela precisa ir para o hospital, e eu não posso leva-la.
Eu cuidei dos caras que sequestraram ela e minha neta, mas não sei quando a Alexis saiu aquela casa. Devo ter me descuidado em algum momento, e não vi eles levarem ela. Sabia que tinha alguém na casa, e sabe bem quem era. A amiga policial de Richard. Eu tinha que tira-la de lá, e depois eu iria atrás da Alexis novamente.
Estamos longe de tudo. Longe de NY. Nem eu sei onde isso fica, apenas decorei o caminho de volta pra casa. A mulher ainda está delirando, mas começa a abrir os olhos no banco do meu lado. E como se fosse esforço demais para se fazer, ela acaba fechando os olhos novamente.
— Os papeis... você.. pegou os papeis... – ela continua repetindo isso, e agora eu já não sei se é um delírio ou não.
— Que papeis? – eu pergunto. Mas ela não responde. Apenas fecha os olhos novamente e encosta a cabeça no vidro do carro.
Tem alguma coisa errada com ela. Um tiro no braço não ia deixar ela fraca desse jeito. Tem alguma coisa por trás disso tudo. Paro o carro um instante e vejo que ela está sangrando na cabeça. Talvez ela tenha batido forte quando caiu no chão, tenho que me apressar, deixar ela onde eu sei que irão cuidar bem dela.
E só há um lugar, e uma pessoa, que faria tudo por ela. Richard, meu filho.
CASTLE POV.
— Kate! – grito quando vejo ela sentada o chão de frente a minha porta.
Ela está desacordada, com um ferimento no braço e na cabeça. Todos que estavam na sala vem ao meu encontro, mas não deixo ninguém toca-la, nem Jim. Apenas trago ela para meus braços e abraço, tomando cuidado para que ela não se machuque mais.
— Kate. Kate por favor fala comigo. – tiro os cabelos de seu rosto para olha-la. Ela está pálida. – ela precisa ir para um hospital. URGENTE!
O Agente Taylor passa por mim e manda eu seguir ele. Seguro Kate em meus braços, juntando todas as forças que eu nem sabia que estavam escondidas em mim, e a levo para o elevador, juntamente com Jim e o Agente Taylor.
Assim que entramos do no carro, o Agente corre pelas ruas, que graças a Deus, não tem nenhum sinal fechado. E mesmo que tivesse, sabia que ele faria questão de ignorar todos. A vida de Kate estava em risco.
Jim ia ao meu lado no banco de trás, cuidando para que Kate ficasse numa posição confortável. Ela estava sangrando muito, mas se mexia em alguns momentos. Durante todo o caminho eu falava baixinho no ouvido dela.
— Por favor, meu amor, seja forte. Nós estamos chegando, você precisa sair dessa. Você já lutou por coisas piores na vida, luta para viver, luta para ficar comigo de novo. Eu te amo, Kate, eu te amo muito. Fica comigo. Por favor. Fica comigo.
Só ela podia escutar o que eu falava, ou pelo menos eu gostava de pensar que ela estava escutando. Não percebi, mas eu apertava ela em meus braços, como se meu amor pudesse trazer ela de volta pra mim.
Paramos bruscamente quando chegamos ao hospital. E tudo acontece tão rápido a partir daí. As portas do carro se abrem e uma maca já estava a espera. Dois médicos já tiram ela com cuidado do carro e a colocam sobre a maca. Eu acompanho tudo, dizendo que ela apareceu em casa assim, eu não sei explicar como. Ele levam ela por entre os corredores dos hospital e eu acompanho, até sentir uma mão sobre meu peito que me faz parar, e aos poucos Kate se distancia de mim.
— O senhor não pode passar daqui. – ouço a voz da médica a minha frente.
Mas meus olhos não despregam de Kate, até ela passar por mais duas portas automáticas e desaparecer quando as portam se fecham.
— Cuida dela. – falo olhando pra médica. – ela sofreu uma cirurgia recentemente no coração. Ela sobreviveu a isso, vai sobreviver dessa também, não é.
— Eu vou cuidar dela. Pode ter certeza que eu vou fazer o meu melhor.
Eu concordo e ela se vai, me deixando sozinho e sem saber o que fazer no meio daquele hospital. Pessoas passam por mim. Médicos, enfermeiros, pacientes, familiares de paciente. Todo mundo passa por mim. Mas eu não consigo fazer nada, apenas encarar as portas por onde Kate atravessou.
Ela não merecia passar por tudo isso de novo. Ela ainda não se recuperou de um trauma, como vai se recuperar de dois agora? A única coisa que eu sei é que, seja lá o que ela for enfrentar, eu vou estar ao seu lado. Eu vou apoiar ela, e eu vou amar ela como ela nunca foi amada nessa vida. Ela trouxe minha filha de volta pra mim. Ela fez o que estava ao seu alcance para minha filha ficar bem, e eu sempre serei grato a ela por isso.
Me movo um pouco e pego o objeto que estava em meu bolso. Nem por um segundo eu me separei dele, e eu queria ter o prazer de devolve-lo quando ela acordasse. Porque sim, ela iria acordar, ela não me mandaria embora novamente, ela não pediria um tempo. Ela apenas iria aceitar o meu amor por ela, e eu iria cuidar do meu amor agora.
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