Rise
23 Capítulo 23
Notas iniciais
KATE POV.
Paro meu carro em frente ao galpão onde aconteceria o encontro. Está de noite e tudo por aqui está escuro e deserto, não vejo carros ou qualquer movimento. Meu coração bate acelerado dentro do peito, um misto de nervosismo e medo toma conta de mim. Eu nunca fui assim, normalmente eu sou corajosa, mas eu já não me sinto assim desde que tudo isso começou.
Sinto meu celular vibrar dentro do meu bolso, penso por um momento que eles me viram chegar e querem dar mais instruções, um arrepio corre por meu corpo e, mesmo meio relutante, tiro o celular do meu bolso. Vejo o nome do Agente Taylor na tela e isso me acalma um pouco. Ele diz que está me vendo, que está observando cada passo meu. Mas eu não o vejo, sei como isso funciona, ele está perto o suficiente para se manter no controle da situação, e longe o suficiente para que não possam vê-lo.
E mesmo com o apoio deles eu não me sinto segura, me sinto só. Passo o dedo em meu pescoço, na intensão de puxar para fora da blusa o colar que costumava ficar ali, mas ele não está mais lá. Eu deixei com o Castle antes de sair, e mesmo dependendo dele para me dar forças, sei que fiz o certo. Me sinto mesmo sozinha, carregar aquele colar era como ter minha mão ao meu lado, e agora ela não está mais aqui, eu não sinto ela aqui. Sempre que me encontrava em situações como essa, com medo e sem saber como seguir em frente, eu segurava firme o anel pendurado naquele colar e pedia para ela me guiar, e ela sempre se fazia presente, me dando forças e, principalmente, me protegendo.
Lembro de quando ela me prometeu que sempre estaria comigo. Foi na manhã em que ela morreu, estava terminando de me vestir e ela veio me chamar para o café da manhã, penteou meus cabelos e, quando me olhava pelo espelho, ela me disse que estaria sempre comigo, quando e na hora que eu precisasse, não importa o que acontecesse, ela sempre estaria lá por mim e para mim.
Me sinto uma covarde agora por sentir tanto medo. Procuro aquela detetive durona que eu sempre fui, mas não acha. Estou tomada por um Kate fraca, que nem eu reconheço. Tudo o que eu mais queria agora era dar meia e correr para os braços do meu amor, e me sentir segura, me sentir amada, e acima de tudo, não me sentir só.
— Mãe... eu queria que você estivesse aqui comigo, que desse coragem... queria seus concelhos sobre tudo isso, queria... te abraçar. – engulo o nó que se forma em minha garganta. – queria forças para enfrentar tudo isso, mãe. – e então, mesmo com as janelas do carro todas fechadas, eu sinto um vento frio passar por mim e meu corpo se arrepiar. Era ela dizendo que ainda estava comigo.
E junto com uma respiração forte e profunda meu coração se enche de coragem, me dando forças para abrir a porta do carro e seguir em frente. Ela sempre me acompanhou durante toda a minha vida, mesmo depois de morta, não seria agora que ela me abandonaria.
O vento frio bate contra minha pele, e mesmo de casaco eu sinto frio, e encolho meus braços na tentativa de me aquecer. Dou alguns passos e sinto uma dor no meu lado esquerdo, é a cirurgia repuxando mais uma vez. Senti essa mesma dor algumas vezes essa manhã, mas não disse nada, ninguém me deixaria vir se soubessem que eu não estou bem. Eu acreditei que estava bem, eu coloquei em minha cabeça que eu estava bem e, por um momento, eu realmente me senti bem. Mas agora, sem ter pra quem fingir, eu sei que não estou bem.
Paro alguns instante e toco onde eu sinto a dor por cima da roupa. Peço mentalmente para que isso pare, eu preciso continuar. Alguns segundos depois eu sinto a dor diminuir, e a passos curtos e lentos, eu sigo para a grande porta aberta do galpão. Não tem luzes aqui, a única claridade é a da luz da lua, que entra pela porta que eu acabei de passar.
Tudo aqui está tão escuro e silencioso. Diminuo mais ainda meus passos, meio relutante pelo que me espera nas sombras desse galpão. Vejo então uma sombra se mexendo, e para a pouco mais de uns vinte metros de mim, ainda não posso ver seu rosto, mas é homem, um homem alto e forte.
— Fique onde está, detetive. – era a mesma voz do homem ao telefone mais cedo.
Paro imediatamente, e sinto passos se aproximando atrás de mim, tento me virar, mas a voz do homem a minha frente diz para eu não me mexer. Obedeço, obviamente estou em desvantagem e não posso me dar ao luxo de ir contra eles, não até a Alexis estar segura.
Sinto os passos cada vez mais próximos, e em seguida, duas mãos segurando meus braços forte para trás, e alguém colocar algo em mina cabeça, talvez um saco preto, pois a visão do homem que estava a minha frente some de repente. Tento me soltar das mãos que me seguram com força, mas é em vão. Ele é mais forte que eu, e me segura com mais força me fazendo parar de lutar no mesmo instante.
Eles me guiam para algum lugar, não sei onde. Pelas minhas contas são três homens, um que ia andando na minha frente e mais dois, que ia segurando meus braços, cada de um lado. Andamos por mais cinco minutos e então paramos, entrando dentro de um carro. Outro cara já nos aguardava lá, pois assim que entro no carro, com um homem de cada lado meu, outro entra batendo forte a porta do passageiro e dá a ordem para seguir em frente.
Não falo nada, nem me movo. O saco preto ainda está em minha cabeça, o que me impossibilita de ver o caminho. Aos poucos o barulho da cidade vai desaparecendo, até que não consigo escutar mais nada. Todo tempo em que dirigimos nós fomos reto, sem dobrar ou parar em um sinal nenhuma vez. Tento pensar para onde estão me levando, mas não consigo, a única coisa que sei é que é longe da cidade.
De repente o carro para e eles me obrigam a descer, me empurrando forte para fora do carro. Sinto outra dor forte na minha cirurgia, mas forte do que as outras que eu senti mais cedo. Tento não fazer nenhum barulho ao sentir a dor, mas se eles pudessem ver meu rosto, saberiam o quanto está doendo. Entramos em outro carro, dessa vez um carro menor, pois estamos mais apertados no banco de trás. O silencio é total desde que colocaram o capuz em minha cabeça, são profissionais.
— O chefe mandou cuidar dele. – ouço um cara do meu lado dizer. – então tome cuidado ao tira-la do carro.
Certo, agora eu não entendo essa atitude. Eles me querem, de preferência morta, mas o ‘chefe’ pediu para cuidar bem de mim? A única coisa que eu penso é que ele mesmo quer fazer o serviço.
Me mantenho em silencio, não quero provoca-los. E também a dor da minha cirurgia repuxando ainda é grande demais, e posição dos meus braços para trás já começa a doer. Tenho que ser forte, isso é o mínimo que pode acontecer. Fico imaginando o que aconteceu com a Alexis, se eles a trataram assim como eu, ou se eles fizeram pior. Se ela estiver machucada eu nunca vou me perdoar, ela pode não gostar de mim agora, mas eu a conheço a bastante tempo para saber que ela é uma pessoa maravilhosa. Essa raiva dela iria passar em algum momento, só espero que ela não esteja me culpando por tudo isso.
O carro parar novamente e dessa vez eles não me empurram para fora do carro, eu consigo sair sozinha.
— Revistem ela. – ouço a única voz que conheço dizer e, quase que na mesma hora, sinto as mãos grandes de um dos caras passear pelo corpo a procura de algo. Não acham nada, eu não trouxe nem meu celular, não quero arriscar.
Meus pensamentos vão agora para a equipe do FBI, onde eles estão? Eles conseguiram me seguir? Eles sabem das trocas de carro? Eles podem me ver agora? Não sei nenhuma dessas respostas, e no fundo nem sei se quero saber. Apenas me apego na esperança que eles sabem onde eu estou e vão conseguir me tirar de lá viva, juntamente com a Alexis.
— Está limpa. – uma segunda voz diz ao acabar a revista.
— Certo, levem ele agora. – ele diz e me colocam em outro carro, penso.
Andamos mais alguns minutos, não muitos, mas dobramos várias vezes em ruas curtas. Ouço o som pesado de um grande portão se abrir quando o carro para, segundos depois ele volta a andar lentamente, parando logo em seguida e o som do portão toma conta do lugar, provavelmente fechando.
Eles me tiram de dentro do carro e tiram o saco preto da minha cabeça. Meus olhos piscam com o mínimo de claridade que tem aquela garagem. Eles soltam meus braços e eu sinto meus ombros finalmente relaxarem, apesar de estarem doendo.
— Me acompanhe. – diz o homem do telefone, que agora eu posso ver que ele é negro, incrivelmente alto e forte. Os outros três homens que estavam no carro comigo eram mais baixos, e seguiam todas as ordens do grandão.
Um era careca e forte, tinha uma cicatriz no rosto e uma tatuagem na cabeça. O outro era branco, do cabelo escuro, mas perfeitamente arruma em gel. O terceiro era também moreno, mas era o menos forte e o menos assustador dos quatro.
Ele começam a andar pela garagem em direção a uma porta no fundo. Quando a porta se abre ele me deixam entrar primeiro e eu paro logo que dou três passos. Sacos de comida e latas de refrigerante e cerveja dominam o lugar, além do cheiro horroroso de cigarro barato. Vejo duas portas no fim do cômodo, mas nada de Alexis, me viro para eles, que estavam atrás de mim.
— Onde está a Alexis? – pergunto olhando para os homens em volta de mim.
Eles não falam nada, seus rostos não deixam transparecer nenhuma expressão, o careca apenas anda em direção as portas no fundo e eu o acompanho. Ele tira uma única chave do bolso e abre a porta grossa de ferro. Ele abre a porta me dando a visão de um quarto quase que totalmente escuro, se não fosse um única luz fraca no alto do teto. Ainda estava para dá atrás dele, então, sem paciência, ele me puxa pelo braço e me empurra para dentro do quarto trancando a porta em seguida. Sinto mais um incomodo na minha cirurgia, pressiono minha mão por cima dela na tentativa de diminuir a dor. Olho em volta e não vejo quase nada, apenas um colchão no chão do canto do quarto, e em cima dele alguém encolhida, virada para a parede.
— Alexis? – pergunto baixinho, mas vejo por meio das sombras ela se mexer e virar o rosto para me olhar.
Ela senta e me olha por alguns segundos. Não tenho dúvidas que é mesmo ela, reconheceria seus longos cabelos ruivos em qualquer lugar.
— Kate. – ela diz com a voz fraca, e num pulo se levanta e corre até mim, envolvendo seus braços em minha cintura e me abraçando forte enquanto seu rosto está acomodado em meu peito.
Me assusto com a atitude dela, mas logo percebo o quanto ela está frágil e com medo de toda essa situação. Envolvo meus braços em torno dela retribuindo seu abraço com força, sem ligar que ela esteja apertando justo o lugar da minha cirurgia. Tento passar confiança e, principalmente, coragem para ela.
— Está tudo bem, Alexis. Calma. – digo assim que ouço o primeiro soluço sair dela.
As lagrimas dela molham minha roupa, e eu não ligo, seu corpo treme a medida que ela chora cada vez mais em meus braços, minha mão acaricia ela nos cabelos, tentando conforta-la de alguma forma. Não sei pelo o que ela passou ainda, só sei que ela está com medo, muito medo. E mesmo que esteja com raiva de mim, ela se sentiu segura ao me ver aqui. Ficamos assim por alguns minutos até eu sentir ela se acalmar em meus braços. Ela não chora mais, mas ainda a sinto tremer, e só então percebo que ela está com uma blusa fina de mangas e uma calça jeans que não a esquentam muito. Essa noite estava muito fria, e por mais que não tivesse janelas nesse cômodo, as paredes de concreto faziam com que ele ficasse gelado.
— Alexis, você está bem? Você está tremendo! – pergunto assustada.
Ela não me solta, apenas ergue o rosto para me olhar e percebo o quanto ela está pálida.
— Só estou com frio. – ela diz com a voz tremula.
— Espera. – afasto ela um pouco de mim e tiro meu casado, colocando-o em volta dela. Minha camisa era mais grossa que a dela, eu poderia aguentar um pouco de frio. – está melhor? – ela faz que sim com a cabeça e volta a se encolher em meus braços.
Levo ela até o colchão e sento ao seu lado. E mais uma vez me surpreendo quando ela se deita e coloca a cabeça em minhas pernas, sem dizer nada. Ela fica deitada nessa posição por incontáveis minutos, eu acariciava seus cabelos. Seu corpo já não tremia mais de frio e ela parecia mais calma, podia apostar que estava dormindo.
— Obrigada. – ela diz num sussurro, e em seguida volta seu olhar para cima, encontrando o meu. – por vir até aqui. Sei que foi difícil.
— Você não tem nada o que me agradecer. Eu que deveria me desculpar. Isso tudo é minha culpa, você não tem nada a ver com isso, então... em desculpa, por favor.
Ela me olha, posso ver seus olhos azuis claros, mais claros do que os do pai dela me encararem mesmo no quarto quase escuro.
— Porque você veio, Kate?
— Porque não é você que eles querem. Eles querem a mim. Assim que quem está por trás de tudo isso souber que eu estou aqui, eles vão te soltar, e você vai voltar pra casa.
— Não, Kate. Porque você veio atrás de mim? – ela continua me encarando, e como eu não falo nada ela trata de continuar. – Porque você veio mesmo sabendo que eu fui contra você namorar meu pai?
— Isso não tem nada a ver com meu namoro com seu pai, Alexis. Eu viria mesmo sem estar com ele. Eu nunca deixaria o Castle sofrer sabendo que eu posso ajudar. Principalmente sabendo que é minha culpa. – vejo lagrimas caírem pelo seu rosto ainda tão pálido.
— Eles não me deram comido ou água esse tempo todo. – meu coração se aperta. – eu fiquei com tanto medo, Kate. – sua voz é triste e fraca.
Ela se joga em meus braços mais uma vez, e eu a recebo de bom grado. Com seu rosto enterrado no meu pescoço, eu a deixo chorar a vontade. Eu me sentia mal por vê-la assim, ela estava fraca e frágil, ela não merecia passar por isso. Pelo menos isso tudo iria acabar para ela daqui a pouco, pelo menos esse era o combinado.
Sua respiração começa a ficar mais calma, mas seus braços ainda me abraçam com força, continua mexendo em seus cabelos até perceber que seu braço escorregava pelo meu corpo, ela havia dormido. Arrumo ela numa posição mais confortável e fico vendo ela dormir por incontáveis horas. Em alguns momentos ela dava leve tremores e murmurava algumas palavras sem sentido, eu a apertava em meus braços e dizia que estava tudo bem em seu ouvido, até sentir o corpo dela relaxar novamente num sono profundo. Eu não preguei o olho um segundo, meu estado de alerta era total, não sentia mais dor na minha cirurgia, que eu rezava para não ser nada demais. Observo o quarto e vejo o quanto as paredes eram grossas, deveria ser a prova de som, pois não escuto nenhum movimento do lado de fora.
Algumas horas mais tarde ouço o som da fechadura da porta de ferro que nos trancava ali, uma grande sombra se faz entre a porta e a luz do dia. Em uma mão ele carregava uma bandeja com comida e na outra uma garrafa de água. Ele nos olha um segundo e então deixa tudo no chão, e sai novamente trancando a porta logo em seguida. Lembro que a Alexis me disseque não comia nada nas ultimas vinte e quatro horas, então eu a acordo com calma para não assusta-la.
— Alexis. – falo baixinho enquanto mecho em seu cabelos. – Alexis, acorda. – falo mais uma vez passando a mão por seu braço e ela abre os olhos. – Eles trouxeram comida.
Ela senta na mesma hora despertando do sono e eu me levanto, indo até a porta para pegar a bandeja com comida e água.
— Aqui, querida, beba logo essa água, você precisa se hidratar. – ela pega a garrafa das minhas mãos e bebe quase toda de uma vez. – Agora come isso.
Entrego a ela um prato de comida fria e ela come de bom grado. Ela realmente estava com fome, pois come com urgência tudo que está no prato em menos de dez minutos. Penso que talvez ela esteja sem comer mesmo antes de ser levada por esses caras.
Meu prato ainda está na bandeja, eu estou sem fome. Ela coloca o prato vazio dela ao lado do meu e me olha, sua cara está um pouco satisfeita, mas ainda é de fome, então ofereço meu prato a ela.
— Você não vai comer?
— Não, estou sem fome. – digo forçando um sorriso.
— Quem sabe é melhor deixarmos para mais tarde. Não sabemos quando ele vai trazer comida de novo.
— Coma, Alexis. Você vai embora logo, e está aqui a mais tempo que eu, pode comer. – ela não diz nada, apenas pega o garfo e começa a comer conta a mesma vontade que devorou o primeiro prato.
— Você vai ficar aqui sozinha com eles? – ela pergunta colocando o segundo prato vazio na bandeja.
— Vou. O trato foi eu vir e eles libertarem você. – ela abaixa o olhar e começa mexer nos dedos, estava nervosa. – eles fizeram algum mal para você, Alexis?
— Não. Apenas me jogaram aqui. Não disseram nada, não me deram nada. A primeira vez que abriram a porta foi ontem, quando você chegou. – lágrimas começam a descer pelo seu rosto.
— Seu pai mandou um recado. – ela levanta o olhar curioso pra mim. – ele disse que está morrendo de saudade e que te ama muito. E quer você de volta o mais rápido possível.
— Ele disse isso? – ela pergunta com um sorriso nos lábios.
— Disse, porque a surpresa? Você sabe que seu pai te ama.
— Mas ele escolheu você. – sua voz sai baixa.
— Ele nunca me escolheu, Alexis. – ela fixa seus olhos nos meus. – se for para isso ser uma escolha seu pai sempre vai escolher você. Mas isso não precisa ser uma escolha, certo?
— Eu sei que eu fui egoísta, Kate. Mas eu estava com medo, entende? Você levou um tiro e se escondeu na cabana do seu pai, ninguém quem tentou fazer isso com você. – provavelmente um dos caras lá fora, eu penso.
— Eu sei disso, e não te culpo. Eu tenho medo também, medo de perde o seu pai... medo de perder o meu pai. Já perdi minha mãe e isso é a pior coisa do mundo. Mas eu nunca, escute bem, nunca deixaria seu pai, você ou qualquer outra pessoa que eu amo em perigo por minha causa. – ela funga e enxuga algumas lágrimas com a manga do meu casaco que ainda está com ela. – E eu não me escondi na cabana do meu pai com medo que viessem atrás de mim novamente. Eu me escondi com medo de amar o seu pai.
Ela me olha novamente. — Kate, me desculpa. Se eu não tivesse começado com tudo isso nós estaríamos bem agora.
— Não. Isso não é culpa sua. Isso nunca foi sobre você, isso foi só uma oportunidade para me fazer vir até aqui.
— Meu pai deve estar chateado comigo. – ela lamenta.
— Não... seu pai está preocupado, ele quer você de volta o mais rápido possível.
Ela me abraça e me aperta em seus braços, nós ficamos assim por alguns minutos, até a porta se abrir novamente. Mas agora, ao invés de um sobra, aparecem quatro.
— Detetive Beckett, tem alguém que quer ver você.
CASTLE POV.
— Vamos fazer uma busca nas proximidades para ver se achamos algo. – vejo o Agente Taylor entrar na minha casa dando ordens para seus homens.
Já passam das duas da manhã e eu ainda não consegui dormir. Minha mãe precisou tomar um calmante para dormir, e Meredith, dormiu logo após eles saírem. Confesso que não esperava por eles aqui tão cedo, quer dizer, eles deveriam estar com a Kate, certo? Eles deveriam seguir ela e tentar descobrir para onde levaram a minha namorada e minha filha.
Entro no escritório e ele está falando com alguém ao telefone, espero que ele desligue e começo a questiona-lo. — O que aconteceu?
— Nós os perdemos. Eles entraram uma rota duvidosa, mais quatro carros iguais saíram juntos daquele galpão, nos despistaram, não sabemos em qual carro Kate estava, não sabemos para onde ela foi, mas não deve ter sido longe dali, já que encontramos os carros na divisa de cidade.
Claro que eles despistaram, era de se imaginar que eles teriam um plano, de que eles iriam tomar cuidado para não serem seguidos. Meu coração se aperta mais um pouco, minha vida estava nas mãos daquelas pessoas, literalmente. As duas pessoas que mais amo na vida em perigo e eu aqui, sem poder fazer nada.
— Vamos esperar que eles entrem em contato de novo, Mr Castle. – não falo nada, apenas deixo o escritório e vou em direção ao meu quarto.
Deito na minha cama e tiro do bolso um colar com um anel. O anel da mãe dela, o anel que ela carregou por toda a vida, o anel que ela segurava forte todas as vezes que estava com medo e insegura, exatamente como eu estou agora. Fecho ele em minhas mãos e o aperto com força, rezando para que Deus me abençoe e cuide bem delas. Quando termino de rezar eu sinto um alivio em meu coração, como se minhas preces fossem atendidas. Kate tinha razão, esse anel era especial, e pela primeira vez eu tenho a certeza de que ela vai voltar.
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