Riptide

3 we could be anything If we tried to keep those secrets safe


Notas iniciais
Boa leitura!

All at once, the rest is history

Normalmente, o Chalé de Atena é sigiloso, mas fofocas são rapidamente espalhadas em qualquer lugar. Graças aos membros do Chalé de Afrodite, o Acampamento Meio-Sangue não foge à regra. Annabeth tivera sorte, uma sorte de tal tamanho que seu momento anterior com Percy fora presenciado pela líder do Chalé do Amor Silena Beauregard.

As garotas de Atena haviam lançado, por primeiro, olhares de incredulidade aos dois até que atingiram um misto entre malícia e raiva, este último que Annabeth desconfiava que fosse direcionado a Percy.

Já o olhar de Silena foi marcado por surpresa, confusão e carinho, na ordem cronológica perfeita; e ela só foi notada quando deu um gritinho.

Mais que nunca, as filhas da deusa da sabedoria queriam uma explicação sobre aquilo.

Não questionavam tanto a cena em si, e sim o real nível de intimidade entre Annabeth e Perseu.

Então, Silena andou em passos nem tão suaves até Annabeth. A fim de dar uma breve satisfação, ela falou baixo antes de conduzir Annabeth até sabe-deus-onde:

— Olá, filhas de Atena! Sei que estão impressionadas com a pequena cena de... de afeto! É, nem eu esperava isso. Mas, por favor, vão fazer, hm, cálculos — Silena recebeu olhares raivosos após seu pronunciamento inicial.

Assim, resolveu usar seu tom de voz mais amigável:

— Eu realmente preciso falar com Annabeth agora, com licença. Depois, vocês conversam com ela ou, não sei, debatem! Vamos manter esse fato em sigilo por enquanto, ok? Obrigada! — as meninas assentiram e Silena sorriu satisfeita.

Annabeth gemeu de frustração, afinal ficara quieta por um minuto, o tempo suficiente para que ela bolasse um pequeno plano para convencer suas irmãs de que tudo que avistaram foi insignificante, completamente insignificante.

Na interpretação da loira, parecia bem pior conversar com Silena do que ter com suas irmãs um debate que ela faria de tudo para ser amigável. Sim, ela é filha de Atena, é mais que boa nisso.

As duas afastavam-se dos campos de morango.

— Eu vi o jeito como você pulou em cima dele e beijou.

— Assim soa como se eu tivesse tomado a boca dele.

— Nah, só o pescoço... Área boa?

Elas chegaram... aos estábulos.

Mesmo que considerada a menina mais bonita do acampamento, a líder do Chalé de Afrodite podia ser assustadora quando queria. Ela esbanjava uma expressão confiante, os grandes olhos azuis e os lábios mergulhados em gloss pink chamavam ainda mais a atenção para si.

— Essa vida é mais doce que a ficção — Silena disse determinada e com um sorriso tímido brincando em seus lábios.

A filha de Atena engoliu em seco. Aquela frase a assustou mil vezes mais.

Sua amiga nunca citava frases tão vagas... Se são muito inspiradoras, são sempre relacionadas à sua mãe. Aliás, Annabeth teria a certeza de que Afrodite ficaria extremamente orgulhosa da filha se escutasse as frases seguintes.

— O que quer dizer?

— Nada... Você gosta de cavalos?

— São adoráveis. Por que me trouxeste aqui?

— Filhas de Afrodite não costumam vir aqui, preferem pôneis a cavalos. Nossa conversa será só nossa, sabe?

Annabeth arqueeou uma sombrancelha.

— Sou a exceção, Annabeth. Sou totalmente ligada ao amor, porém gosto de cavalos e consigo guardar segredos se eu quiser.

Alguns cavalos estavam agitados. Annabeth procurava por Blackjack.

— Está bem. Mas, continuo não gostando da escolha de vir aqui. Poderíamos ter ido para o meu chalé após meu 'debate'. Não só você vem aqui, há outros meio-sangues loucos por cavalos...

— Eu sei disso — Silena Beauregard tinha de ser convincente se quisesse ajudar a amiga— sei que você está se sentindo desconfortável aqui. Assim como, para mim, é fácil notar quando qualquer um tem problemas em assumir seus sentimentos.

— O que? — Annabeth estava emburrada. Não gostava daquele clima.

— Já montou no cavalo do Percy? — Silena estava intrigada.

Annabeth corou.

— Beauregard! Responda, depois pergunte de volta. Assim funcionam conversas educadas — a voz da loira demonstrava uma certa irritação.

Annabeth Chase não tinha respondido uma pergunta direta. Isso era novidade! A pergunta ou era difícil demais demais ou era muito óbvia. Silena optou pela segunda opção.

— Você montou!! Por que não me contou, Annabeth? Eu sou con-fiá-vel — a moça disse entre dentes.

Elas tinham estado juntas essa manhã e agora pareciam à beira de um ataque. Annabeth é cabeça-dura e Silena se magoa fácil, ainda mais em situações envolvendo confiança. A menina do Chalé 8 odiou ter que descobrir desse jeito, mesmo que o ocorrido soasse bem mais romântico ao estar secreto até então.

— Não tinha importância.

Silena a olhou friamente.

— Foi há dois dias. Eu apenas daria um passeio com Blackjack, mas o dono dele não permitiu. Peguei Pegasus, ele é tão veloz quanto o cavalo negro, se quer saber.

Na mesma hora, Blackjack relinchou alto.

''Espionadas por um cavalo! Calma, não é como se eu o estivesse devendo cubos de açúcar'' Annabeth pensou.

— Então você e o ''dono do cavalo'' não se davam bem?

— Muita coisa muda em 48 horas. Já tivemos desavenças, mas e daí?

— No tempo presente, vocês não têm? Isso é demais, loirinha! De-ma-is!

— Não faz diferença.

— Não seja indiferente a isso. Claro que faz. Sua mãe e o pai dele se odeiam, você sabe.

— Não complica, Lena. Eu e ele não nos metemos nisso, o que acho uma decisão muito madura.

— Ótimo! Então, vocês estão tipo amigos?

— Não é tão tão simples assim.

— Não. Eu me preocupo com você, Annabeth. Somos amigas, meu bem. Não te quero nunca sozinha, com dor nos ossos, a pele bem gélida e se sentindo velha e cansada... São os sintomas de quem não vive, não tem amor, sabia?

— Percy é só meu amigo.

— Já são amigos?

— E-eu falei rápido demais, eu quis expressar que [...] — Annabeth gaguejava.

— Você já admitiu, nem tente — Silena sorria abertamente.

— Mas é claro — Annabeth disse sarcasticamente ao revirar os olhos — claro que esqueci que você leva tudo a sério.

— Como filha de Atena, você mais que ninguém deve saber que é preciso aguçar os sentidos e manter a mente bem aberta. Assim, você pode desvendar até a mais inesperada estratégia de ataque e os pontos fracos de qualquer inimigo. Como filha de Afrodite, sei que todos precisam abrir a mente e abrir o coração também, Annie.

— Não me chame de Annie.

— Está bem, não fique tão chateada. Como eu estava dizendo... Você faz isso e sentimentos desconhecidos até então podem ser revelados. Talvez, garota, você até se apaixone, depois é só usar os olhos para reparar melhor em quem faz seu coração bater mais forte, quem te quer bem, quem te faz sorrir, quem não [...] — Silena fez uma pausa e fechou bem os olhos.

—[...] quem não te faz sofrer. Quer dizer, você precisa escolher por quem vale a pena entregar seu coração e aí, é claro que você fica suscetível ao choro, mas...

— Ok, Lena, tudo bem. Tudo isso foi animação gerada por um dia de profecia, mas preciso encerrar o assunto. Tenho que ir.

— Gatinha, lembre-se do que eu te falei e olha só para ele. Cheio de coragem e... ele tem lindos olhos verdes — Uh. Annabeth concordou mentalmente — Não se faça de boba, filha de Atena. Você notou, eu sei.

— Ele.. ele é, hm, legal.

— Pelos deuses, responda! Ele é lindo, não?



Your eyes are wider than distance

Uma conversa entre filhas de Atena não tinha que ser confusa, tinha?

As irmãs de Annabeth esperavam-na furiosas.

A loira admirou o mármore pálido e branco, ornado com grossas colunas torcidas em tranças e vários galhos da grandiosa oliveira que estava situada a oeste do lugar. Seu chalé.

Entrou e caminhou silenciosamente até sua cama, nem sinal de outra alma no local. Deitou-se e começou a conversar consigo mesma. Até que uma das paredes interiores atravancadas de livros moveu-se. Do quarto-esconderijo, saíram suas irmãs.

As jovens não mostrariam qualquer carinho, apreço ou compressão pelo descendente do deus dos mares e Annabeth sabia.

— Eu tenho uma missão, não tenho? Meu foco está inteiramente nisso.

— Suponhamos que sim. Mas averiguamos seu comportamento para com Perseu — Tina, a mais teimosa cuspiu o nome dele — e não apreciamos que nossa líder aja desta maneira. Está na História nenhum descendente de qualquer inimigo de Atena trouxe a nós algo que não fosse malefício, entenda que...

Aproveitando a pausa, Annabeth tratou de se defender:

— Os seus argumentos são embasados em História ou preconceitos? Qualquer um deve ser tratado de maneira igual neste acampamento e não admito que questionem o direito à isonomia. Certo que o filho de Poseidon — por que ela não conseguia pronunciar o nome dele em um julgamento? — não está inserido em uma lista de possíveis aliados-mor para o nosso chalé, se é que ela existe, mas exijo que o deem o devido respeito. Sem falsas impressões.

— Aquele menino é problema.

— Sim, e dos grandes.

— Não passa confiança.

— Só usa azul.

— Nunca o vi lendo.

— Ele não é qualquer um — e com este comentário, todas as demais vozes sumiram — Eleanor, a determinada, tinha razão, quer por bônus ou ônus.

— Senhoritas, não voltemos a pensar nos outros como inferiores. Ele talvez não leia muito ou não use roupas coloridas ou sequer seja certinho, mas nele, eu vejo que há algo de promissor. Não se posicionem nesse debate como se estivéssemos em uma guerrra de todos contra todos.

— O homem é o lobo do homem. Quer dizer, não. Temos coisa mais séria para nos preocupar: os monstros. Devemos deixar Annie em paz. — murmurou uma das irmãs.

— Faço coro, Olívia. Rousseau, certo? Do filho de Poseidon, cuida o Mar. Não haverá mais demonstrações como aquela, agora estão suficientemente prontas para revisar Logaritmos?

Um aceno de cabeças geral deu a resposta positiva. Algumas filhas de Atena abraçaram-na como se fosse um tímido pedido de desculpas, mas a maioria não abandonaria o orgulho deste jeito.

Satisfeita, Annabeth declarou o início da aula, sem perceber os olhos brilhantes das semideusas mais novas, as que tinham uma queda por Percy. Será que elas entenderam que Annabeth estivera com ele em busca de uma nova aliança?

Your eyes are sweeter than fiction

Annabeth estava treinando arco-e-flecha sem parar depois de dialogar com Quíron sobre a tal missão. O centauro deixou claro que os deuses do Olimpo tinham decidido há pouco por realizar uma reunião daqui uma quinzena em que as palavras sombrias do Oráculo seriam analisadas e por fim, as divindades dariam à Annabeth Chase ordens coerentes. Quíron também falou que seria muito provável que os deuses optassem por escolher as boas almas que acompanhariam-na em sua Jornada. Até lá, o melhor seria deixar em segredo o conteúdo da profecia. Afinal, semideuses assustados não são bom instrumento em lugar algum.

Sentindo os ombros mais leves, Annabeth sorriu orgulhosa após notar que era a terceira vez seguida que acertava em cheio o alvo central.

Percy Jackson estava nas sombras.

Poseidon e Apolo tinham suas semelhanças, como o poder para a cura, mas Percy sempre odiaria arco-e-flecha, sempre. Esta habilidade não acompanhava Perseu. Desde seu primeiro dia no acampamento, o garoto assumia um péssimo desempenho na atividade, mesmo com inúmeros treinos.

Mas, e o poder da cura?

Bom, Percy nunca tinha curado ninguém além dele mesmo. A água ajudava-o a se curar, somente ele. Essa era a explicação. Não era muito nobre, entretanto era, de fato, vital para o garoto que sempre estava exposto a perigos mortais. Já os filhos de Apolo buscam aperfeiçoar seu dom, eles são os médicos do acampamento. Uma vez, Quíron tinha orientado o filho de Poseidon a ajudar os feridos controlando a água, alegava que não tinha que ser simplesmente tratada como uma benção para um único meio-sangue se poderia muito bem ajudar vários. Essa habilidade de Percy precisava ser testada para depois ser posta em prática. No entanto, após sua primeira tentativa, Percy desistira, não por ser egoísta demais, mas sim por medo, ele tinha cometido um erro, por isso, os filhos de Apolo o odiaram por anos.

Mas, ele não estava agora no campo de treinamento dos meio-sangues que integram Chalé N° 7 por motivos de ódio. O seu único motivo estava na sua frente. Ele nem o entendia.

O motivo era uma garota que tinha a sombra de um sorriso nos lábios rosados.

Chegou silencioso e colocou as mãos ágeis na cintura da garota. Ela estremeceu, mas o arco em sua mão estava firme. Ele posicionou a flecha e Annabeth olhou para o dono das mãos. Seu olhar era indecifrável, ela virou a cara friamente. Percy sentiu uma dor no peito e obrigou-se a pensar que era algum tipo de problema cardíaco que ele só sentiu, porque foi burro ao ponto de se colocar tão perigosamente perto de uma filha de Atena.

Eles soltaram a flecha no mesmo instante. O objeto caiu a uns cinco centímetros do alvo central. O filho de Poseidon praguejou baixinho. A menina o encarou.

— Sim?

— Se fosse um filho de Apolo te ajudando, você teria acertado talvez, você sabe — a voz dele era uma mistura de mágoa e desespero.

— Talvez? Não teria talvez acertado, teria acertado indubitavelmente.

Percy franziu os lábios.

O príncipe dos mares ficava cada vez mais triste.

Ela puxou o arco de novo e se preparou, Percy continuava com uma mão na sua cintura. Com a outra, Percy agarrou o arco com firmeza.

— Solte — ele sussurrou no seu ouvido em um fio de voz.

Um. Dois. Três. Ela contou até três mentalmente para controlar seu corpo.

Pelo jeito, ele queria segurar sozinho. Annabeth arqueou as sobrancelhas e como não segurava peso nenhum, posicionou a flecha em outro ângulo. O queixo de Percy estava no seu ombro.

Ela respirou fundo.

Percy sentia o aroma de sabonete de limão dos cabelos loiros, enrolados e sedosos.

— Um — Percy subiu a mão esquerda da cintura para o ombro de Annabeth.

Ela quase suspirou quando suas costas sentiram o leve toque.

— Dois... — ele fez movimentos circulares, como em uma massagem, para que a tensão nos ombros da semideusa fosse dissipada.

— Três! — a voz dele nunca esteve mais rouca e seus lábios vermelhos estavam no pescoço da garota.

A flecha foi lançada! PLOT! Alvo atingido com sucesso.

Ela sorriu meigamente, sentindo os lábios dele sorrindo junto ao seu pescoço. Estavam perto demais. O arco estava caído no chão, todas as flechas já haviam sido disparadas. Ela não se mexeu.

Percy espalhou selinhos no pescoço dela até ela se virar com a respiração acelerada.

— Conseguimos!

Percy sorriu confiante.

— Tá vendo o que acontece quando aceita a minha ajuda? — ele disse baixo.

— Sim, sim. Dom de Poseidon?

— Impossível. Isso é com Apolo e seus filhos, só compartilhamos o dom da cura — Percy explicou meio doce, meio amargo.

— Não. Eu estava falando do dom de me desconcentrar, peixinho. Não é todo mundo que consegue — ela escondeu o rosto no pescoço dele.

— Talvez — ele falou animado.

— Ah, seu poder de cura é incrível.

Percy estava muito feliz, não conseguia parar de olhar para ela. Annabeth parecia um princesa, não precisava de maquiagem, nem de jóias que o fizessem lembrar da realeza. Ela tinha uma alma por si só nobre, mas usava brincos de coruja. Coruja.

— Obrigado. Mas creio que você não quer ser vista comigo, sou o filho de Poseidon, o deus dos mares, esqueceu? — Percy disse, cabisbaixo.

Aquela animação parecia ter se esvairado por completo dele.

— Nossos pais disputavam, tá legal? Nunca apoiaram qualquer tipo de relação entre nós dois.

— Eu não ligo, pensei que você não ligasse também quando aceitou ser minha amiga — disse raivoso.

—Eu.. eu [...] — o discurso de Annabeth foi bruscamente interrompido.

— Nunca chamei um filho de Atena para o combate corpo-a-corpo. Nunca. Não há por que eu ser maltratado — Percy estava alterado.

— Não me interrompa desse jeito, seu estúpido! Seu pai visita-o tanto e nem sequer te dá educação? — Annabeth disse desdenhosa.

— Não meta meu pai nisso, pelos deuses. Ainda bem que você não mencionou o nome dele, sabichona. Você e seus irmãos se irritam à toa, quer saber? Opinam sobre tudo sem saber a droga da verdade! Seus espertinhos — Foi a hora de Annabeth interromper.

— Ora, você sabe mais que ninguém que existem um bilhão de razões para meus irmãos sentirem nojo de você, então não os ofenda, não melhora a sua situação com eles e nem comigo! O seu pai te visita, vocês se comunicam, eles acham que você já tem vantagens de mais...

— Você não sabe, suas chances de errar aumentam quando isso ocorre. Por isso, você deve odiar tanto assim não saber das coisas.

— Todos odeiam, não é? E você é competitivo do mesmo jeito para estar falando assim, Percy. Eu não te odeio, mas você sempre quer piorar as coisas!

— E você é aquela que sempre complica as coisas! Espere... Você não me odeia? —Percy parou de gritar — Annabeth, você é a sabidinha mais linda que eu conheço, mas também a mais irritante e a mais inteligente, mas, por favor, use isso a seu favor. Pode analisar meu caráter, se quiser. Não te julgo por sua genética divina. Você não é como seus irmãos, mas parece que não consegue ver isso. — O volume de sua voz foi diminuindo até que as últimas palavras saíram como um sussurro.

Annabeth parecia analisar cada palavra e o cinza de seus olhos estava tão claro. Resignado, Percy a tomou em seus braços.

— Eu acredito que podemos, podemos ser qualquer coisa que quisermos, Annabeth. Você me olha agora de um jeito que me faz pensar que as coisas podem ser diferentes.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.