Acordei zonza e com dor de cabeça (o que não significa que eu bebi). Desci e meu pai estava assistindo basquete na TV.

– Bom dia! — eu falei.

– Bom dia meu amor.

– Quanto tá o jogo?

– Tá de 56 a 41 pros Lakers.

– Ah. — essa era minha relação com jogos.

– Filha, como foi o baile?

– Foi legal. Eu dancei, andei, me diverti e comecei a namorar.

– Me explica essa última parte melhor por que a minha cabeça ainda tá processando essa informação. — então falei o que ocorreu noite passada. — Eu sabia que ele te ama.

– Espero que ele não me iluda.

– Ele não seria capaz. — a campainha tocou. — Filha, é a Charlie e o Liam. — o que eles estavam fazendo aqui?

– A gente precisa falar com você. A notícia não é nada boa. — Charlie falou. — Sobe e eu espero que você esteja zonza o suficiente pra aguentar o baque. — eu estou zonza o suficiente pra nem ler os pensamentos das pessoas. Deveria ser grave mesmo. Eu conseguia ver a preocupação nos olhos de Liam. Subimos e eu sentei na minha cama, esperando essa tal notícia.

– Qual a notícia? Não me deixem mais nervosa! — falei.

– Justin sofreu um acidente de carro.

– O QUE?

– Ele está em estado de coma, no hospital. Ele ainda não pode receber visitas a não ser de familiares sanguíneos.

– Como isso aconteceu? Eu preciso ir lá. E os pais dele?

– Calma Cat! — Liam falou.

– COMO ASSIM CALMA LIAM? MEU NAMORADO TÁ NO HOSPITAL EM COMA E VOCÊ ME PEDE CALMA? — eu estava nervosa.

– Cat. Toma um banho, troca de roupa e a gente vai lá no hospital.

– Tudo bem. Contem pro meu pai enquanto eu faço isso. — tomei um banho rápido, coloquei uma calça e uma blusa e nós fomos.

Aqui eu estava de novo. Num hospital, esperando notícias boas quando só poderiam ser ruins. Perdida no que poderia chamar de devaneio, eu começava a pensar como seria sem ele. Como meus dias seriam vazios sem o sorriso dele, como seria barulhento sem a voz dele ou como eu sobreviveria sem a nossa convivência. Eu não suportaria muito tempo longe dele. Ele em coma é bem pior do que morto. Nós mal tínhamos começado e já tínhamos que dar um tempo.

– Vocês podem visitar ele. — disse o doutor. — eu, Pattie e Jeremy nos levantamos. — Só os parentes sanguíneos. Você vai depois deles. — ele falou como se eu fosse uma carcerária. Aproveitei e liguei pro meu pai, que pediu.

– Oi pai.

– Filha… Notícias?

– Os pais dele tão no quarto… Eu tô esperando. Pai. — eu comecei a chorar. — A gente começou ontem pai. Será possível que Deus me odeia a esse ponto? A ponto de levar minha mãe, minha irmã, minhas amigas, minha vida e meu namorado?

– Calma filha. Não é assim também. Tudo tem um motivo. Deus não te odeia. Quer que eu vá pro hospital pra ficar contigo?

– Eu preciso.

– Tô indo então. Tchau.

– Chega rápido, Charlie e Liam já foram. — desliguei. Em uns 10 minutos meu pai chegou e quando ele me abraçou eu comecei a chorar. Os pais dele voltaram.

– Olá, eu sou o pai da Cat, Robert Füller.

– Olá senhor Füller.

– Vim dar apoio pra vocês nesse momento difícil, já que nossos filhos estão namorando…

– Estão? — sr. Bieber perguntou.

– Acho que não deu tempo Justin falar pra vocês… É. Ele até me deu um anel. Ele deve estar com o dele. — falei, limpando o nariz. — Eu vou vê-lo. Pai, o senhor me espera aqui?

– Vai tranquila filha. — então eu fui. Entrei no quarto e eu acho que depois que eu reconheci a mamãe morta, essa foi a pior cena que eu já vi na vida. Ele estava todo entubado e cheio de aparelhos. Sobrevivendo com a ajuda deles. Ele estava todo ferido, todo vermelho e ralado, sem contar os pontos por todo o corpo. Sentei na cadeira e minha irmã apareceu do meu lado.

– Queria tanto ler a mente dele. Ou ver se a alma dele está por aí.

– Você consegue, Cat. Feche os olhos, se concentra. — fiz o que ela mandou. Consegui. Ele estava sonhando com uma praia, especificamente Oregon Dunes, na caverna onde fomos. Voltei para mim e sorri. — Espero que volte logo. Sinto sua falta. — dei um beijo em sua testa. — Cuida dele pra mim. — olhei pra minha irmã. Logo depois o médico chegou e falou que meu tempo tinha acabado. Voltei pra sala de espera e meu pai estava conversando com os pais do meu namorado. — Oi. Não se preocupem com o Justin, ele logo vai acordar e voltar. Ele está sendo muito bem cuidado.

– O corpo de médicos…

– Não estou falando sobre os médicos. A gente tem que ir, né pai? Qualquer coisa, melhora ou algo do tipo, liguem lá pra casa, tudo bem?

– Claro que sim.

– Mais tarde eu volto. Tchau. — então nós fomos. Entramos no carro e fomos pra casa.

– Filha, se não era do corpo de médicos que você tava falando, do que era?

– Da minha irmã e da mamãe. Eu sei que elas vão cuidar dele.

– Vão sim filha. Tenho certeza. — ele sorriu. Eu subi e fui pra minha cama, esperando meu pai fazer o almoço. Quando eu senti o cheiro, eu desci. Ele fez lasanha, meu prato preferido. Fora que ele também fez pudim, minha sobremesa preferida. Ele queria me contar alguma coisa.

– Hum, todas essas coisas gostosas e que eu gosto muito? O que houve? Tem quatro pratos na mesa. Você contou errado.

– Hoje a gente tem visita. — então a campainha tocou e a Hailee (suposta melhor amiga de Elizabeth) estava junto com sua mãe.

– O que ela tá fazendo aqui?

– Eu estou namorando com a sra. Thompson. — eles se beijaram. Não vi problema neles namorarem, mas ele poderia ter contado outro dia, já que esse foi tão conturbado. — Filha? Tudo bem?

– Não, claro, tudo ótimo. — os pombinhos foram pra cozinha e eu e Hailee fomos para o sofá.

– Obrigada pela coroa que você me deu ontem no baile, Catherine. Mas Elizabeth ficou com raiva e quebrou.

– Não tem problema. Como eu te disse, é só plástico, não vale nada.

– Nossa, você não liga mesmo pra popularidade.

– Não.

– É o que a Elizabeth mais venera.

– Por favor, não vamos falar dela na minha casa.

– Desculpa.

– Eu não imaginava que você era tão doce e legal. Afinal você anda com aquela coisa.

– Eu não me sinto amiga dela. Eu sou mais como uma seguidora. Josh também.

– Vocês deveriam sentar na mesa que eu fico. Lá é legal.

– Pode ser. E onde Justin está? Soube que vocês estão namorando.

– É, a gente tá namorando. Mas ele sofreu um acidente de carro voltando pra casa e está no hospital, em coma.

– Ah. Nossa. Dá pra ver que você tá mal. Mas eu tenho certeza que ele vai acordar logo.

– Eu sei.

– O almoço tá pronto. — falou meu pai.

– Lasanha? Eu amo lasanha! — Hailee falou. — sentamos na mesa e começamos a comer. Passamos a tarde conversando e até esqueci do meu namorado. Já era tarde da noite e eu fui tomar banho pra dormir. Me ajoelhei no pé da cama e comecei a rezar.

– Oi Deus. Sei que não tenho falado muito com o Senhor, mas hoje eu vim por um motivo forte. Eu vim, primeiro, pra agradecer pela felicidade do meu pai, que está namorando uma pessoa boa. Eu gostaria de agradecer por todos os dias que eu vivi, desde o último dia que conversei com o Senhor. Queria pedir pro Senhor guardar a vida do meu namorado. Sei que a minha irmã tá lá, mas o Senhor é mais forte do que tudo. Obrigada por me escutar. Até mais. — terminei, deitei na cama e dormi.

Notas finais
Desculpem não ter postado por um tempo. Eu estava estudando muito pra algumas provas e acabei "abandonando" aqui. Acho que vai acontecer algumas vezes, mas eu não vou parar de postar aqui antes de terminar a história.