Riot
1 Persianas são um saco
Notas iniciais
— Ele já chegou?
— Ainda não, Icerbug-san.
Depois que sua secretária Kalifa saiu de sua sala, o diretor Icerbug pensava que recorrer àquela pessoa seria a última chance que a escola Gol D. Roger teria a lidar com o comportamento do aluno do segundo ano, Roronoa Zoro. Iceburg suspirou e sentia uma dor de cabeça terrível, massageava suas têmporas e acabou chamando Kalifa mais uma vez, mas dessa vez ela o acompanharia num passeio pela escola.
— O dia hoje está muito agradável. – Ele disse a sua secretária, quando já estavam no imenso pátio da escola.
— Sim, senhor. – Sua secretária sempre tão focada, nunca deixava as formalidades e sempre o respondia como se fosse um soldado fazendo continência. Iceburg riu.
— Pode ficar à vontade, Kalifa... Até porque tô precisando de uma conversa informal mais do que tudo. – Ele notou sua secretária relaxando a postura depois que ele disse isso e mirou seus olhos para um caminho diferente. – Por que não vamos até o jardim da escola?
— Parece ótimo! – Ela sorriu para seu diretor, coisa que fazia raramente.
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— Me pergunto se esse ex-aluno irá saber lidar com Roronoa. – Kalifa se queixava para Iceburg. Os dois estavam sentados num dos bancos do jardim.
— Ele irá. – Iceburg respondeu num tom bem firme, o que fez Kalifa pensar que essa pessoa era extraordinária.
— Ele é tão bom assim? – Ela perguntou se lembrando do comportamento flamejante de Roronoa Zoro. – Você sabe diretor... ele nem sequer é um psicólogo...
— Você está certa, Kalifa. – O diretor sorriu pra ela. – Mas ele já estudou aqui e digamos que ele era quase igual a Zoro, acho que os dois falam a mesma língua, sabe?
Kalifa assentiu com a cabeça, mas ainda se sentia insegura enquanto ajeitava seus óculos de grau.
— Bem, já me sinto melhor! Vamos ver se ele finalmente chegou!
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Iceburg se aproximava da sua sala, quando deu um belo sorriso por ver um rapaz loiro e de terno, fumando em uma das cadeiras de espera. – Sinto muito a demora! Está esperando há muito tempo?
O rapaz, imediatamente, se levantou e notou a bela mulher que o acompanhava. – Bom dia, senhorita! – Fez uma mesura muito elegante e Iceburg notou que ele ainda não havia abandonado aquele costume de dar em cima de todas as mulheres.
Pigarreou. – Sanji, é comigo que você tem que dirigir as palavras.
O rapaz abriu o olhar surpreendido, porque (pasmem!) só agora havia visto que Iceburg-san estava ali, o diretor suspirou pesadamente enquanto batia seus dedos no outro braço que estavam cruzados. Começou a duvidar de que aquilo iria dar certo e a pensar que sua secretária estava certa em se preocupar.
— Diretor, Iceburg! – Sanji fez uma mesura pra ele também. – Não tenho pressa, por favor, prossigamos.
— Okay, joga fora esse cigarro! Aqui é uma escola, se lembra? E vamos entrar na minha sala.
— Eu levarei um café pra vocês dois. – A bela mulher sorriu para Sanji, que quase teve um treco, mas foi puxado com força pelo Iceburg que o jogou dentro da sala para não se distrair mais com nada.
— Bem, você sabe por que te chamei aqui? Zeff explicou? – Iceburg que já estava na sua poltrona, falava num tom firme e sério para Sanji, enquanto pousava sua testa em suas mãos que formavam um triângulo.
Sanji notou o quanto ele estava tenso. – Ele é tão rebelde assim?
— Digamos que ele é quase do mesmo nível que você era quando estudava aqui. – Pigarreou e se recostou na poltrona, tentando se relaxar.
— Hum... Então ele deve dar muito trabalho. – O loiro ponderou depois de levar uma de suas mãos ao queixo. – Por que não chamou um profissional para lidar com ele? Sabe, tipo a Supernanny?
— Eu chamei, mas nenhum conseguiu lidar com ele. Mas a Supernanny não a chamei, caso você falhar, chamarei ela. Obrigado por ter me lembrado. – Ele sorriu e o loiro fez o mesmo.
— Bem, vou tentar colocar eles nos trilhos, já que devo muito a você, Iceburg-san! – Ele continuou a sorrir. – Até porque se eu recusar, Zeff vai me matar. – Coçou a nuca constrangido e o diretor soltou uma gargalhada.
— Preciso rever Zeff também. – Ele disse acendendo um cigarro. – Pode fumar aqui dentro.
Sanji pensou por que mandara apagar o seu então, mas resolveu deixar esse pensamento pra lá e acendeu outro cigarro para dar uma longa tragada. – A propósito, quando começo?
— Hoje mesmo.
— Hum...
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Zoro estava numa mesa dos fundos da sua classe, ignorava completamente seu professor e até mesmo os alunos, ele fitava a janela pensando quando ia sair daquela prisão. Coçou a orelha com seus três brincos, coisa que infligia as regras da escola, e suspirou. Pensou em dormir, mas ouviu seu professor o chamar. Ele dizia que o diretor estava o esperando.
“De novo vou ter que falar com aqueles idiotas?”— Se referia aos incontáveis psicólogos que falharam em sua missão. Andava com as mãos enterradas no bolso até aquela bendita sala que Iceburg-san reservou somente pra isso e pensou como seria o infeliz daquele dia.
— Olá, Zoro! – Cumprimentava seu diretor e o outro lhe lançou um olhar indiferente. – Vejo que se meteu numa briga de novo. – Ele se referia ao curativo sobre o nariz do rapaz.
— Só foi um arranhão.
Iceburg sorriu por ele ter respondido uma pergunta, mesmo sendo tão monossilábica. Fitou para Zoro de novo e viu que ele voltara a usar seus coturnos que não eram permitidos na escola, suspirou. – Bem, prossigamos, hoje você vai conhecer uma nova pessoa.
Zoro sorriu com escárnio, pois aquilo já virara rotina. Iceburg logo pensou que ele estava doido para acabar com a raça de Sanji também, mas o jogou para dentro da sala e resolveu deixar aquilo tudo por conta do loiro, iria correr para o mais longe possível, talvez iria para uma igreja rezar que tudo desse certo. Zoro, como havia sido lançado por Iceburg, caiu no peito de Sanji que estava saindo da sala.
— Opa, me perdoa! – Sanji dizia rindo. – Ei Iceburg, preciso fumar!!
Iceburg que estava um pouco distante disse. – Esse é o tal aluno, seu idiota!
Sanji então voltou a olhar para aquele aluno que havia esbarrado nele. – Você tinge os cabelos?
Zoro não disse nada.
— Você demorou, pensei que ia demorar mais e ia fumar em algum lugar. – Sanji entrou na sala, seguido por Zoro. – Fecha a porta.
Zoro piscou os olhos. “Ele está dando ordem para mim?”— Fecha você, seu panaca!
— Ah, é, você é revoltadinho. – Sanji que já estava sentado em sua mesa, voltou a se levantar e fechou a porta. – Agora podemos ficar à vontade.
Zoro não disse nada, mas fitava para aquela pessoa de terno num dia super quente e que tinha uma sobrancelha enrolada? O mesmo tentava abrir a cortina de persiana nas janelas daquele cômodo, mas não conseguia. “Que atrapalhado...”
— Acho que vamos ficar no escuro mesmo. – Sanji dizia se lamentando. – Queria mostrar como o dia está lindo lá fora!
Uma gota desceu da têmpora de Zoro, ele pensava que ele era um completo idiota com aquela cafonisse.
Sanji voltou a se sentar e pediu pro esverdeado também se sentar na cadeira dele. – Vamos, é melhor do que ficar em pé!
Ainda receoso, Zoro se sentou e passou a observar aquele cara que olhava para um papel enquanto sorria. “Ele é bem positivo, não?”
— Aqui diz que seu nome é Roronoa Zoro e que está no segundo ano do ensino médio. – Sanji constatou, depois folheou pra próxima página e abriu o olhar com todas aquelas anotações. Resolveu reclinar um pouco a poltrona e botou seus pés em cima da mesa. E quando deu por si, estava acendendo um cigarro. – Opa, estou muito à vontade.
— Eu não falo nada, se você me der um também.
Sanji encarou o rapaz e pensou que a proposta era bem tentadora. – Pode falar. – Ele disse dando de ombros e acendeu o cigarro. – Não é como se eu fosse ser expulso ou obrigado a falar com estranhos sobre meus pensamentos ou algo assim...
Zoro ficou puto.
— É... parece que eu mexi nesse seu rosto impassível, né? – Sanji dizia rindo e inclinava seu corpo mais perto de Zoro.
Dessa vez, Zoro não caiu na provocação e ficou mudo. Prometeu a si mesmo que não diria mais nada. Sanji ficou ainda lendo todo o relatório de Zoro, leu cada uma das observações que os psicólogos e psicanalistas anotaram, mas ele achava aquilo tudo besteira. Se levantou da poltrona e tentou mais uma vez abrir aquelas cortinas que ele jurava que estavam com defeito. Zoro suspirou e se levantou, abriu com extrema facilidade aquelas cortinas de persianas e Sanji sorriu pra ele muito surpreso.
— Ótimo! Agora posso abrir a janela! – E depois de ter aberto a janela, ele jogou o relatório de Zoro dela.
Zoro fitou Sanji e pensou se ele era doido. – Iceburg não vai gostar disso. – Encarou o loiro ainda impassível.
Foi quando Zoro disse isso, que Sanji percebera que fizera uma merda bem grande. Ele coçou a nuca e entrou em desespero. – Okay, eu te dou um cigarro e você não conta nada para ele!
— O quê?!
— Vou ter que sair agora, marimo. – E lá se foi um Sanji desesperado atrás das folhas que havia jogado da janela, ele achava que ainda conseguiria juntar todas. Já Zoro ficou sozinho na sala, abandonado e se perguntando se ouvira certo.
“Marimo?"
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