Riot
2 Maços de cigarro e raposa esperta
Notas iniciais
Era noite quando Zoro retornava para casa, estava passando pela área onde havia o pequeno lago de carpas da escola. Ele parou o passo e jogou uma pedra no lago, depois se agachou bem na beirada e viu seu reflexo. Sentia tédio e logo apoiou a cabeça numa das mãos de um dos braços apoiado na perna. Ele pensava como fora a experiência com aquele sobrancelha enrolada, notou que ele não era velho como os outros psicólogos e também notou que era bem amador, devia ser um estagiário. O que deu no Iceburg para contratá-lo?
— Esse diretor de merda está me subestimando. – Refletiu e se levantou para ir embora, mas ele notou algo boiando no lago e entendeu rápido que era uma folha. – Não me diga... – Zoro não pensou duas vezes e entrou na água para buscar o papel, ele tinha uma ideia do que podia ser. Quando voltou pra terra, abriu o papel apreensivo por pensar se ainda dava pra ler alguma coisa. E mesmo tudo borrado, ele viu que se tratava mesmo de uma das páginas do seu relatório, como presumia.
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Sanji já havia largado a escola, depois do que acontecera, ele pensava muito que deveria evitar Iceburg-san o máximo possível. Suspirou quando estava numa cozinha de um restaurante preparando um prato. Era ali que Sanji fazia realmente um estágio, o que rolava na escola era só um favor. Um favor para um velho amigo do dono daquele restaurante.
— Berinjelinha. – O chef chamado Zeff e suposto amigo de anos de Iceburg, chamava a atenção de Sanji. – Como foi hoje com o Iceburg?
Sanji lembrou mais uma vez na merda que fez ao jogar papéis tão preciosos numa janela só pra chocar aquele marimo também de merda. – Bom. – Mentiu descaradamente.
— Sério? E como era o garoto?
— Sabe, velhote... Não nos falamos muito, mas percebi... – Ele parou de misturar a sopa que preparava e pensou em alguma palavra pra descrever Zoro. — ...Que ele era saudável! – Concluiu bem seguro com a resposta. Zeff encarou o loiro e pensou que tipo de resposta era aquela.
— Ei, saiu o pedido da mesa 23? – Dizia um garoto narigudo. – Eles estão impacientes com a demora!
Com esse aviso, Sanji voltou a mexer a sopa, pois era esse o tal prato que esperavam. – Usopp, me dê um minuto! Vou preparar o prato! – Ele dizia para o garoto narigudo que era um dos garçons daquele restaurante.
Zeff viu que o loiro estava muito ocupado, então resolveu largar a cozinha, mas antes bateu no outro garçom que comia escondido.
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Sanji chegou em casa cansado. Jogou as chaves em qualquer lugar e depois afrouxou sua gravata. Precisava tomar um banho e descansar.
— Zeff ainda vai me matar! – Ele se queixava na cama depois de ter tomado banho. Um turno noturno era muito pesado para o loiro, ele lembrava que os cozinheiros daquele restaurante eram todos grosseiros e também havia aquele garçom que atrapalhava tudo e comia escondido. Bocejou e pensou em quando iria finalmente se formar no seu curso de gastronomia. – Um dia vou deixar essa merda toda e ir pra França!! – Seu maior sonho era abrir um restaurante no país famoso pelos seus chefs. E com um sorriso bobo na face, Sanji caíra no sono.
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Era aula de educação física e naquele dia seria natação. Os colegas de classe de Zoro estavam empenhados, porém o marimo se encontrava boiando na piscina. Todos o encaravam e se perguntavam se ele era algum idiota, o professor ficou enfurecido com a atitude dele.
— Zoro! Se não for nadar, saia da piscina!
E com isso, o esverdeado sorriu, pois queria mesmo ficar atoa a ter que ficar em mais uma aula chata. Porém, pensou em mudar de roupa, estava com o calção de banho e seria estranho andar pela escola assim, por isso resolveu voltar pro vestuário e vestir seu uniforme normal. No entanto, Zoro acabou vendo algo que o fez desviar do caminho. Ele via aquele cara de novo, tinha certeza que era ele, pois estava com aquele terno que só de olhar sentia calor e aquele cabelo amarelo ovo também reforçava isso.
— Ei. – Zoro surgiu por de trás do loiro que estava escondido numa moita e com binóculo.
Sanji levou um susto e saiu rapidamente da moita, enquanto escondia o binóculo. – Você?! – Ele dizia surpreso por saber que era o marimo do outro dia.
Zoro notou o quanto Sanji suava e o quanto ele estava nervoso, estava na cara que queria esconder algo muito do errado. – Por acaso você estava espiando as meninas? – Ele concluiu e Sanji virou pedra, provando que estava certo. – Você é algum pedófilo?
Nessa hora, Sanji se aborreceu. – Ei! Eu não sou tão velho assim! – Ele dizia franzindo aquela sobrancelha estranha. – Eu devo ser só dois anos mais velho que vocês! – Deu a língua.
Zoro observava aquela atitude e pensou se ele na verdade não era dois anos mais novo, porque dar a língua era deveras infantil. No entanto, ele notou algumas garotas de sua sala entrando no vestuário feminino. – Bem, eu acho que tenho uma surpresa pra você.
Sanji enrugou o cenho e se deu conta que ele só usava um calção de banho. – Desculpa, não me interesso por garotos. – Pensou que o marimo estava o seduzindo.
— Não é disso que eu tô falando!! – Zoro pela primeira vez se encontrava constrangido em Gol D. Roger. – Só estou te dizendo que conheço um lugar que você poderá vê-las nuas. – Ele lançou um sorriso esperto.
— Sério?! – Sanji se interessou totalmente.
— Bem, mas é claro que não é de graça. – O esverdeado disse seriamente, e Sanji teve certeza que ele era como uma raposa esperta. – Você me deve um cigarro, lembra?
Sanji se lembrou depois de ouvir isso, mas continuou mudo.
— Só que dessa vez você terá que me dá um maço como pagamento.
— Ótimo, vamos pra esse lugar, então!! – O loiro estava muito exaltado e seu olho exposto virou até um coração.
— Espera! – Zoro ficou em seu caminho. – Me dê antes o maço!
Sanji viu que Zoro era mesmo esperto, pagamento adiantado? Talvez era pior que ele nos seus anos de ensino médio. – Okay! – Enterrou uma mão no bolso de sua calça e estendeu o maço para o marimo.
Zoro pegou satisfeito aqueles cigarros, eram os seus favoritos... mas não tinha dinheiro para comprá-los de tão caro que eram. – Me siga.
— Meu Deus! No meu tempo não havia esse buraco. – O loiro disse perplexo, enquanto Zoro não entendeu aquele “não havia no meu tempo”, mas deixou isso pra lá.
— Bem... as garotas estão mudando de roupa, tu só precisa olhar ai e tudo vai ficar bem. – Apontou para o buraco. – Ficarei de vigia caso alguém aparecer.
Sanji assentiu com a cabeça positivamente e não perdeu tempo de colocar o seu olho exposto no buraco. Ele imediatamente viu aquelas garotas... e tão lindas por sinal. Ah! A juventude, a flor da idade, e que seios fartos para suas idades. Pensou que os jovens daquele tempo deviam comer fermento para crescerem tanto.
— Me diga qual é a sua favorita. – Zoro perguntou enquanto ainda vigiava o lugar.
— Definitivamente é a ruiva.
O marimo sorriu ao ouvir isso. – O nome dela é Nami. – Ele voltou a olhar para Sanji e se aproximou dele. – Você quer falar com ela?
Com essa pergunta, Sanji teve que parar de bisbilhotar as meninas e encarou Zoro, bem confuso. – Como?
— Posso fazer até mesmo vocês dois saírem num encontro, o que acha?
— Sério?! – Ele disse alegre. – É sua amiga? – Perguntou, mas Zoro não respondeu. – Okay!
Zoro, então, sorriu com aqueles seus sorrisos de segundas intenções e estendeu a mão. Sanji fitou a mão e entendeu que ele queria outro maço de cigarro, era mesmo muito esperto. Por sorte o loiro tinha outro maço no outro bolso da calça e o pegou.
— Pronto! – Disse colocando o maço na palma da mão de Zoro que ainda estava estendida.
— Muito bom fazer negócios com você. – Zoro sorriu e fechou sua mão.
— Você vai mesmo pedir pra ela, né? – Sanji lançou um olhar desconfiado.
— Mas é claro! Ainda hoje vocês se encontrarão no portão da escola.
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A suposta garota chamada Nami estava mesmo no portão da escola esperando Sanji. Porém, a menina que também não era flor que se cheira, concordou em ser cúmplice de um plano maquiavélico de Zoro. Em troca de um maço de cigarro que ela gostava muito também, fingiria que estava a fim de Sanji. Porém na hora que isso acontecesse, gritaria para todos ouvirem e diria para os superiores que fora assediada.
E bem, ocorreu exatamente isso.
Iceburg estava com seus cotovelos apoiados na sua mesa, enquanto fazia aquele triângulo com suas mãos. Seus olhos estavam fechados e uma gota de suor se encontrava numa das têmporas.
— Como pôde confiar no Zoro? – Ele abriu os olhos e encarou Sanji, que estava sentado na cadeira à sua frente.
Sanji ficou constrangido com aquele olhar. – Sabe... Ele me parece saudável. – Ele disse pensando que não tinha nada melhor para dizer aquela hora.
Iceburg não entendeu aquela resposta, mas deixou pra lá. – Agora você está vendo com quem está lidando, certo?
— Sim. – Sanji afirmou meio cabisbaixo. – Por favor, não conte isso pro Zeff...
Iceburg suspirou. – Não vou contar, Sanji... E meu deus, você estava espiando as alunas de Gol D. Roger? Por acaso é pedófilo?
Sanji se irritou com isso mais uma vez. – JÁ FALEI QUE NÃO SOU TÃO VELHO ASSIM!!
— Falou pra quem?
— Ah, deixa. – O loiro cruzou os braços e olhou pro lado. – Pode deixar, vai haver vingança! – Ele dizia se encolhendo na cadeira.
— Vingança?! – Iceburg estava espantado em como Sanji ainda era muito infantil. – Você vai agir como homem e vai me trazer um Zoro da paz até o final do ano, senão contarei para Zeff a grande merda que fez hoje! Assediar garotinhas?
Sanji pensou que não eram nenhumas garotinhas com aqueles melões, mas também lembrou que fizera merda no outro dia e que aquele momento não era ideal para contar. Iceburg continuaria não sabendo que a ficha de Zoro voou por aí. Foi quando andava no pátio para seguir seu caminho para o trabalho, que ele teve uma surpresa.
— Marimo?! – Ele disse surpreendido em ver o esverdeado no portão da escola ainda aquela hora.
— Tenho algo a te entregar. – Ele disse e depois estendeu uma folha meio suja para o loiro.
Sanji pegou a folha e conseguiu ler algumas palavras. Logo reconheceu que era uma das páginas do relatório de Zoro. E bem, era uma escrita por um psicanalista muito influente e que dissera que Zoro tinha quadro de sociopatia.
— Bem... – Ele voltou a encarar os olhos de Zoro. – Você chegou a ler isso? — Estava preocupado do marimo estar triste por alguém ter dito que ele era um sociopata.
— Sim.
— E está tudo bem?
— Por que não estaria? – O esverdeado perguntou e se aproximou mais de Sanji. – Você jogou da janela, não é mesmo? Então, está tudo bem.
E pela primeira vez Zoro deu um sorriso sincero para Sanji, que até mesmo se emocionou um pouco.
— Verdade! Eu fiz isso! – Ele se lembrou que aquela fora uma tentativa de impressionar o esverdeado, nada mais heroico que jogar pela janela comentários que não diziam nada a seu respeito. – São cagações de regra.
— Oi? –Zoro perguntou confuso.
— O relatório, as observações, os estudos, a procura do por que da sua personalidade ser assim, e até mesmo o motivo de eu estar aqui... é tudo cagação de regra. – Sanji suspirou e fez uma bolinha de papel daquela página, lançou pra qualquer lugar. – Quer ir num lugar maneiro?
Zoro piscou os olhos e voltou a sorrir. – Sim.
— Vou te levar pra um lugar que tu nunca vai se sentir entediado. – Ele sorria para o marimo, que pensou que nunca havia dito a Sanji que sentia muito tédio naquela escola. Mas Sanji sabia, porque os dois falavam a mesma língua como Iceburg disse. Sanji sabia que o menino só precisava se divertir e não tinha lugar melhor que o restaurante que trabalhava. Ele veria como os cozinheiros eram grosseiros e que de alguma forma também eram gentis. Veria Zeff batendo naquele garçom que comia escondido. Também iria gostar da pessoa simpática e legal que era Usopp. E claro, também iria gostar de ver as mãos de Sanji tão habilidosas na hora de preparar um prato.
E bem, foi exatamente isso que aconteceu. Zoro adorou estar naquele lugar e percebeu que a companhia do sobrancelha enrolada era até instigante.
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