Riot
1 - Capítulo 1
Notas iniciais
If you feel so empty
So used up, so let down
If you feel so angry
...
– Está brincando, né? — A adolescente de cabelos róseos falou inconformada com a nova regra formada em sua vida. — Eu não posso passar a noite fora com a minha amiga?
– Conhecemos Ino, ela não é uma boa companhia. — A sua mãe respondeu sorriu, tentando parecer convicta de sua resposta, apesar de não ter gostado da ousadia de sua filha.
– Então por que não me proíbem logo de vê-la? — Ela gritou indo em direção ao seu quarto. — Quero que alguém me dê um motivo para eu ter que cumprir essa regra estúpida!
– Sakura, entenda filha... — O seu pai respondeu pacientemente, ao lado de sua mãe, que a mandava olhares nervosos e de repreensão, diferente de seu pai.
Sakura não aguentava mais, desde pequena ela seguia as regras que eles a colocavam a risca, sabendo que era o certo, afinal, os pais sempre estão certos, mas agora ela não aguentava mais, ela não podia se envolver com meninos e se ela deixasse, a sua única amiga iria desaparecer de sua vida.
As lágrimas escapavam dos olhos de Sakura, fazendo o seu pai suspirar mais uma vez, sua mãe, por outro lado, agarrou o braço de Sakura e direcionou o seu olhar os orbes esmeraldas de sua filha.
– Escute aqui, Sakura. — Sua mãe começou. — Ela não é uma pessoa confiável, acredite em nós, fizemos isso por precaução, nós te amamos muito filha, mas essa sua amiga é muito... — Ela apertava cada vez mais o braço de Sakura. — Atrevida.
– Me solte! — Ela puxou o seu braço para trás, a sua pele alva agora mostrava o vermelho forte da mão de sua mãe a apertando. — Eu estou desapontada com vocês, acredito que vão me tirar de tudo o que tenho direito agora, não é?
Ela entrou o seu quarto e se trancou, ouviu a sua mãe a mandando mais e mais ordens, lembrando-a que ela sempre devia a obedecer, outra regra estúpida, os pais dela quase nunca estão certos, ela concluiu sozinha, chorando perto de sua cama.
O seu celular vibrou em cima de sua cabeceira.
– Alô? — A voz dela ainda estava embargada por causa do choro.
– Sakura, o que aconteceu?
– Eu acho que vou fugir, Ino... — Algumas lágrimas ainda teimavam em cair. — Eles me colocaram regras demais, eu simplesmente falei tudo o que sentia, eu não sei mais o que fazer... — Ela soluçou uma vez.
– Fugir? – Ela riu. - Aliás, o que você fez se chama 'explodir'. – A loira informou no outro lado da linha. – Se quiser vir para a minha casa, acho que a minha mãe não vai ficar chateada, comigo também já aconteceu...
– Já? — Ela abriu um sorrisinho, ela sempre a compreendia.
– Sim, há uns dois anos, fui morar com a Hina por algum tempo.
– Então eu posso? — Ela se levantava rapidamente, olhando o seu estado no espelho, os cabelos um pouco despenteados, os olhos vermelhos e o seu rosto vermelho ainda por causa do recente choro.
– Claro! Quando vai vir? Agora?
– Vou arrumar a minha mochila com algumas roupas e já vou.
– Tudo bem, beijos!
– Tchau.
Ela deixou o celular em cima da cama, penteou rapidamente o longo cabelo rosa natural e olhou para os seus olhos esmeraldas, secando o rosto molhado. No seu reflexo ela conseguia ver a foto dela mesma, sorrindo delicadamente para o seu pai, que tirava a foto do momento, era mesmo a coisa certa a se fazer? Deixar a sua família por causa de uma simples... Regra? Não, não eram mais regras, eram leis, que quando não eram cumpridas era algo horrível de se presenciar.
Pegou a sua mochila escolar, que por sorte era grande o suficiente para colocar várias roupas, uma última vez olhou para si mesma no reflexo, pegou e celular e atravessou a porta, a sua mãe fazia algo na cozinha e seu pai lia o jornal, como sempre, na parte esportiva.
– Aonde pensa que vai, Sakura?
– Vou ficar na casa de Ino, por certo tempo.
O seu pai ouviu e se levantou, os olhos castanhos dele se voltaram contra os seus, via-se de tudo lá dentro, orgulho e tristeza, talvez orgulho de ela ter coragem de fazer algo do gênero e tristeza de a ver tomar essa decisão.
– Não, não vai. — A sua mãe a puxou violentamente com o braço.
– Solte-a. — Seu pai tocou o ombro de sua mãe delicadamente. — Ela tem esse direito, ela vai voltar quando ela estiver decidida do que fazer, não podemos obrigá-la a ficar conosco quando a situação nessa casa está um tanto quanto peculiar. — Seu pai — como sempre — foi compreensivo com ela, e sua mãe soltou o seu braço.
– Podem me ligar se quiserem... — Sakura tentava cogitar ideias do que falar para eles, mas simplesmente abraçou o seu pai e sua mãe, mas ela deixou um sussurro em seu ouvido:
– Escute bem, o seu pai é muito fácil, afinal, você é filha única, mas saiba que se criar alguma encrenca para nós, você não volta para essa casa tão cedo, ouviu? — Sakura pode sentir um sorriso rancoroso de sua mãe contra o seu ouvido.
– Sim. — Ela respondeu com a voz fraca.
– Ótimo. — Ela afastou-se do abraço. — Se cuide.
– Claro...
Ela atravessou o portão e pensou uma vida com Ino por um tempo, mais liberdade do que o costume, isso seria bom, algo que não envolvesse regras e leis, algo que não envolvesse a tirana de sua mãe em meio a tudo que a sua vida presenciava.
Ela se sentia desapontada com a vida a sua volta, ela nunca teve liberdade, nunca. Ela se sentia vazia por dentro, ela nunca fazia o que gostava por causa das regras, ela se sentia furiosa com si mesma por nunca ter se rebelado antes, ela queria que algo em sua vida mudasse, e ela sabia que dando esse passo algo mudaria.
Nem que ela tivesse que iniciar uma revolta, algo mudaria.
.O.O.O.O.O.O.O.
– Mais uma? — O garçom trazia outra garrafa de cerveja ao moreno, que ao menos havia bebido duas como aquelas. O moreno tinha seus olhos em uma morena que dançava no meio da festa.
– Não. — Respondeu com a sua voz habitualmente fria.
Ele era menor de idade, mas mesmo assim quebrava todas as regras que eram possíveis para a sociedade, ele dirigia moto, ele não estudava mais, e seu irmão, era o único que tinha o direito de reclamar, mas no final, a resposta era sempre a mesma.
– A vida é sua, mas aconselho não beber tanto... — O seu irmão sentou ao seu lado, observando as duas garrafas de cerveja que o irmão bebia, o terno preto era elegante, ao contrário do irmão, que mal estava passado, ao certo.
– Já me acostumei. — Respondeu seco. — Começo a ficar bêbado com quatro, não precisa se preocupar, sei me cuidar, aliás, quanto tempo vai durar isso? Estou louco para ir a uma balada e deixar essa gente chata.
– Mais uma hora, mais ou menos. — Respondeu observando o seu irmão mais novo levar a mão um brigadeiro e comê-lo sem ao menos mastigar, eles eram tão diferentes, mas era culpa dele por Sasuke não ter ao menos regras, seus pais morreram quando ele era pequeno, ao contrário de Itachi, que já era um adolescente responsável.
– Que idiota esse evento. — Respondeu ainda observando a morena dançando. — Não acredito que chamam isso de festa, olhe só, tem pessoas dançando.
– É uma festa formal, Sasuke, devia convidar alguma dama para dançar.
– Dama? — Sasuke riu cruelmente. — Só estou vendo um bando de patricinhas.
– Vou indo dançar com alguém. — O tom extremamente formal de Itachi o irritava, era quase como se eles não fossem irmãos. — Tente se divertir um pouco.
– Claro, claro, vou pegar uma dessas patricinhas e traçar no banheiro. — Ele fez uma piada, apesar do próprio Itachi o lançar um olhar reprovador. — Calma, já sei o que vai dizer! A vida é minha! — Riu de si próprio, a vida era mesmo dele, sempre foi.
Foi para fora, tomar um pouco de ar, algumas pessoas estavam apreciando a vista, que para ele era um tanto quanto monótona, estava com vontade de ir nadar, ir ao mar, ou então escalar alguma montanha, alguma coisa que envolvesse adrenalina.
– Jovem Sasuke. — O homem loiro se aproximou sorrindo. — Quanto tempo que não o vejo? Seis anos? Está ótimo. Gostaria de fazer uma visita a minha casa algum dia desses? Tratar de assuntos?
– Ah, o Itachi que lida com isso, não sou eu.
– Mesmo assim, conhecer a minha linda filha...
– Quem sabe... É que semana que vem vou para os Estados Unidos, não vou voltar antes do que um mês. — Mentiu para se livrar de alguma enrascada que pudesse se meter. — Meu voo saí logo, então...
– Poderia ser hoje. — O sorriso do loiro se iluminou.
– Claro... — Não havia mais como escapar, Itachi não o livraria, ele nunca o livrara, ele que fez, ele que paga. Ótimo, conhecer uma menina patricinha que vai querer conversar sobre estética era tudo o que Sasuke queria.
– Nos encontramos quando o evento acabar. — O loiro sorriu entrando.
– Até. — Sasuke sorriu falsamente até ele sumir de vista. — Aonde eu fui me meter! — Falou em voz alta, porém baixinho, fazendo só ele ouvir o próprio comentário.
Ele queria algo que pudesse o não deixar ir, não só com o loiro por causa da menina, mas sim por tudo. Ele tinha liberdade demais, algo que ele nunca pensou em desejar. Ele queria uma regra que ele não pudesse quebrar.
Sasuke pensava e pensava, ficou desapontado quando percebeu, o seu irmão não o colocava alguma regra, ele só o aconselhava, Itachi não tinha culpa, ele não era o seu pai, mas mesmo assim, ele se sentia vazio por dentro.
Desapontado e furioso com si próprio, algo em sua vida tinha que mudar.
Nem que ele tivesse que iniciar uma revolta, algo mudaria.
...
Se você se sente tão vazio
Tão usado, tão desapontado
Se você se sente tão furioso
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