Notas iniciais
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Hoje,Eduardo decidiu convidar Leah para ver Roberto treinar com as outras aves.Não que ela achasse isso grande coisa,afinal,de que lhe serviria ver o azulado lutando?Perdendo suas penas?

Bom,para a surpresa dela,não era luta de pancadaria,era mais um...

–Um jogo?-Leah questionou -Seus pássaros jogam futebol?

–Fute...o que?-Eduardo pareceu confuso.

–Isso ai que eles estão fazendo.-A fêmea viu Roberto marcar um gol e se exibir dançando.

–Isso que eles estão fazendo,não é um jogo ,é a nossa honra disputado no campo de conflito.-O mais velho estufou o peito de orgulho.

–Pra mim é futebol.-Ela calou-se quando viu Beto vir na sua direção...

–E ai,Lele? Viu que chute eu dei?-Ele parecia animado.

–Vi...-A ave ciana parou para pensar ligeiramente- Posso jogar?

–O que?-Eddie indagou- Este é um esporte pesado Leah,não se ofenda mas uma ave da sua categoria não iria se dar bem.Precisa ter agilidade,força,inteligencia e resistência.

Leah se ofendeu mas procurou não deixar transparente:

–Ora vamos,tenho certeza que posso fazer...-A cortaram.

–Esqueça disso,seu lugar é com as moças de sua idade e tenho certeza de que Mimi tem algo para você fazer.-A Arara-azul macho concluiu.

A jovem estava irritada com o nível de machismo por parte do líder da tribo Spix. Então,ela disse cortou assunto com uma palavra:

–Legal...-E levantou voo.

Roberto suspirou e olhou para o pai adotivo:

–Acho que devia ter deixado ela jogar,mesmo que não fosse pra valer.

–Bobagem,ela vai se adaptar melhor com as fêmeas.-Eduardo bateu suas asas para longe.

A Ararinha macho mais jovem,no entanto,não estava convencido.

Leah foi para longe,por ai,sem se importar com a direção.Precisava descontar sua irritação fazendo o que mais gostava,voar em alta velocidade.

A ciana analisou o local,tinha um rio com raízes contorcidas dentro e fora dele formando arcos. Respirou fundo e se lançou neles,voo por cima e por baixo em manobras áreas muito velozes.As vezes rodopiava para os lados a fim de evitar tocar nas folhas,ou insetos,foi questão de segundos e logo,Leah já estava do outro lado pouco ofegante.

–Bravo...-Ouviu alguém dizer.

A jovem se virou para ver um grupo de araras vermelhas,nenhuma que ela conhecia.

–Sabe, você é rápida,mas não muito inteligente.-Leah sabia qual frase viria a seguir- Você esta do nosso lado passarinha.

–Desculpe,eu vou voltar pro meu la...-Uma das araras bloqueou seu caminho.

–Acho que não entendeu,esse pé o nosso lado e quem entra,só sai com a permissão do líder. Sendo assim,não lhe resta escolha.

Escoltaram a probrezinha pela mata até chegarem no local onde a Tribo Scarlet residia. Era tão grande quanto a Spix,não havia muita diferença,exceto que pela flores,a tribo Spix tinha muitas flores variadas a Scarlet tinham mais vermelhas do que tudo.Outro detalhe era que esta tribo tinha muitas frutas variadas,coisa que a Spix não possuía.Em fim,leve diferenças.

A azulada foi conduzida até uma arvore ,havia muitas araras vermelhas rodeando o local,era uma especia de salão de julgamento ou algo assim.

Leah esperou pacientemente o líder chegar...foi quando viu um vulto vermelho pousar a sua frente.Era uma Arara- Vermelha macho,pelas características,devia ter a mesma idade que Eduardo.Sua crista jogada para traz em um penteado meio lambido e seus olho verde um tanto assustador. Aliás,este era outro detalhe,pois a ave era cega de um olho.

–Quem é você?-Ele perguntou com sua voz grave.

Não deixando se amedrontar,Leah estufou o peito e disse:

–Eu sou...-Um grito a cortou.

–Leah!!!-Uma ave escarlate se aproximou rapidamente e esta foi reconhecida como Felipe.

–Felipe?-Ela olhou pouco surpresa.

–Felipe...-O líder falou em tom calmo.

Ao chegar perto de ambos,Felipe deu um aceno para ele:

–Pai.-Depois se virou para a moça- É bom te ver de novo.

–Conhece a intrusa?-Seu pai questionou.

–Sim,foi ela que me salvou ontem.-O mais jovem mostrou sua asa,ainda machucada.

–Oh sim, você me falou a respeito.-Limpando a garganta,o mais velho continuou- Então você salvou a vida do meu filho...

–Bom,não foi nada,qualquer um poderia ter feito o mesmo.-Leah disse sem jeito.

–Sim,qualquer um da Tribo Scarlet. Mas você,uma Spix,isso é surpreendente...-Se aproximou dela- Sou Daniel,o líder das Araras Rubras.

–Muito prazer senhor.-A jovem ficou em linha reta,como soldado.

–Tem pulso firme,isso eu gosto....muito bem,vamos resolver o seu problema de invasão.Hoje, você ficará na tribo e amanhã,contatarei Eduardo.Felipe,mostre os aposentos para nossa convidada.-Daniel concluiu.

Felipe assentiu:

–Vamos Leah,agora você vai desfrutar da nossa companhia e já que você me salvou,pode me chamar de Lipe.

–Deixa eu adivinhar,seu apelido.-Leah não estava surpresa.

–É,agora vamos para o meu ninho,só vou precisar de ajuda ,ainda não estou 100% se é que me entende....-Ele parou em frente a uma escadaria feita de galhos.

Leah o ajudou a se agarrar nos galhos de forma que conseguisse subir até o ninho.Uma vez feito isso,eles adentraram a arvore.

–Bom,seu quarto é aquele a direita,espero que goste.Ah e você não pode sair sozinha,eu tenho que te acompanhar.Nem todos vão aceitar uma Spix aqui.-Lipe explicou-Agora,que tal se a gente conversar?-Se sentou perto da Spix.

–Sobre?

–Hum... você.-Ele respondeu

–Ta,vou resumir....meu nome é Leah,fugi de um laboratório de Nova Orleans,vim pra cá e fim.

Felipe piscou:

–Nossa que vida movimentada,agora diz ai...o que fizeram com você nesse laboratório?

–Eles...-Leah hesitou um pouco-Modificaram minhas penas...estavam testando tinturas,ai as pontas das minhas penas perderam a cor,ficarm...-Levantou a asa- brancas...e a noite,ela brilham no escuro.

–Nossa...-O outro começou- E mais alguém sabe disso?

–Não,eu procuro evitar a noite e quando não da,eu procuro plantas e frutas brancas pra fazer tinta e pinto as penas.-Ela respondeu .

Foi ai que outra ave adentrou o local...

–Felipe...-Virou-se brevemente para a a outra- Intrusa...-Diante disso,Leah revirou os olhos e se deitou de costas para os dois- Daniel esta chamando você para a celebração.

–Diga que já vou.-Felipe ordenou e a outra arara saiu.-Bem gracinha, a gente se fala depois.Ah e nem tente fugir,meu pessoal esta rondando esse ninho.- A fêmea bufou em resposta.

Felipe retornou horas depois com sua face pintada de um lado,apenas,isso fora as linhas circulares em seu corpo rubro. Ja havia anoitecido e o ninho era escuro,pouco iluminado pela lua.Foi ai que ele viu uma figura reluzente dormindo.As penas brilhavam mais que a luar e destacam a beleza da ciana.

A ave escarlate sorriu lentamente e se aconchegou perto da pequena estrela azulada em sua ``cama´´.

….

O Sol nasceu...os raios fizeram os olhos cinzas azulados se abrirem. Leah levantou a cabeça devagar e viu um tufo vermelho deitado perto dela.Com o bico,empurrou a cabeça dele na esperança de seu despertar.

Lipe resmungou um pouco mas logo acordou...

–Bom dia gracinha.-Disse o mesmo com voz embargada.

–Dia...-A ciana bocejou.-Acho que chegou a hora de voltar para a Tribo Spix.

–É- Lipe concordou não muito animado.-Meu pai provavelmente vai estar aqui …

–Bom dia!-Daniel adentrou o local,firme e forte.

–...Agora...-Felipe completou a frase.

–Bem,vamos,já convoquei Eduardo e expliquei a situação.Felipe,como esta sua asa?-Daniel questionou

–Bem,pai,ja posso voar,mas não por muito tempo,mas algo eu consigo.-Seu filho respondeu.

–Ótimo,então vamos.-Daniel levantou voo.

–Ah que ótimo, estou com a impressão de que vou ser castigada-Leah comentou.

O avermelhado riu e pegou uma flor da mesma cor que suas penas,porem com leve manchas amareladas colocando-a na crista de Leah,substituindo a flor azul que Roberto havia lhe dado.

–Agora podemos ir.-Felipe anunciou e ambos bateram as asas.

Ao chegarem na divisa,a jovem já podia avistar Eduardo,Mimi e Roberto.Eduardo olhando reprovador,Mimi preocupada e Roberto com raiva.

–Ah que ótimo-A garota bufou.

Daniel tomou a frente do casal os impedindo de dar mais algum passo...

–Eduardo...

–Daniel...-O lider Spix devolveu.

–Acho que estou com alguém do seu grupo.-Daniel apontou para azulada.

–Leah...-Eduardo chamou – Volte já para cá,agora.

Leah obedeceu,mas antes,Lipe esfregou seu bico em sua face,como um beijinho na bochecha,para desgosto de Roberto que rosnou.Mimi olhou chocada mas recebeu-a de asas abertas.

–Oh minha querida,eles te machucaram?-Mimi perguntou examinando-a.

–Muito bem,Daniel...-Eddie limpou a garganta- Garanto que Leah não vai mais ultrapassar a divisa.

O lide da Tribo Scarlet pareceu pensar...

–Na verdade...-O mesmo começou-Ela até pode voltar.

–Não entendo...-Eduardo rebateu

–Ela tem mais Scarlet dentro de si do que uma Spix e é um ótima companhia par o meu filho-Daniel rebateu.

Beto olhou para a moça que estava tão surpresa quanto ele.

–Bem,finalizamos esse problema.-O lider Scarlet deu meia volta e bateu em retirada.

–Até qualquer dia gracinha.-Felipe foi atrás do pai.

Eduardo suspirou e se virou para Leah:

–A partir de agora,Roberto ficará de olho em você constantemente,incluindo eu.Para isso,dividirá o ninho com ele e obedecera´ao toque de recolher,após o por do sol, espero te encontrar lá.Deve aprender a obedecer regras mocinha.

Leah abaixou a cabeça:

–Sim senhor.

A volta foi silenciosa e como o ordenado,Leah se mudou para o ninho do azulado.

–Muito bem...-Roberto começou-Tem quartos suficientes aqui,escolha um...-Ele olhou para a ciana que estava com a cabeça baixa.- Lele ,entenda,Eddie só quer o seu bem.Invadir o outro lado do Pomar foi um erro acidental.

–É,eu acho.-Ela suspirou e se dirigiu ao primeiro quarto que viu.

Beto não sabia o que dizer para consolar sua amiga então,deitou-se admirando-a. Leah olhava para o céu azul,apenas pensando em como as coisas irão funcionar.

Notas finais
Em breve Blu e sua familia vão aparecer.