Ringo
1 Maçãs
Minhas mãos deslizam rapidamente pelo longo corrimão e assim que chego ao último degrau dou um pequeno salto como impulso e continuo a correr. Estou ficando sem tempo. Minha visão fica embaçada e cambaleio de um lado para o outro equilibrando-me nas paredes e móveis mais próximos, minhas pernas tremem e caio de joelhos sobre o piso quadriculado preto e branco. Minha respiração está forte e rápida demais, posso sentir o suor escorrer da testa até minhas bochechas, algumas gotas caem sobre a parte branca dos pisos, algumas de cor avermelhada.
–Que merda... Tsc.. Malditos guardas..-Minha voz sai quase como um rosnado e meu rosto ferve de raiva, posso senti-lo extremamente quente não só pela correria mas pela raiva que me toma. Esfrego as gotas de suor e sangue do piso e forço minhas pernas a se erguerem novamente.- Vamos lá pernas.. Eu sei que podem aguentar mais um pouquinho.
Depois de alguns minutos já posso senti-las prontas para correr. Passos acelerados começam a se aproximar e volto a correr o mais rápido que posso. Já consigo sentir meu rosto fervendo novamente e minhas pernas arderem com a adrenalina. Aumento cada vez mais a velocidade até que os passos se tornem imperceptíveis.
Diminui a velocidade até parar por completo. Minha respiração está mais forte do que antes e preciso respirar o mais devagar que posso até senti-la voltar ao normal. Apoio-me em uma cadeira próxima de uma mesa centrada em um cômodo que somente agora percebi que é grande o suficiente para uma família inteira viver.
–Uau..- Deixo um suspiro de surpresa escapar e assim que sinto a respiração normal dou alguns passos observando o lugar, meu estômago ronca e cubro a barriga com as mãos. Dou uma boa olhada por todo o cômodo e em cima da mesa posso ver uma bandeja prateada cheia de frutas. Pego uma maçã e devoro toda quase que em 3 mordidas, pega mais uma e faço o mesmo.
Algo bate na porta uma vez, mais uma vez e mais uma vez. A porta desaba no chão causando um barulho extremamente alto o que me faz jogar a maçã para o alto e quase cuspir um pedaço que mordi, olho em direção a porta e vejo alguns guardas apontando armas e espadas.
–Você! Venha conosco, AGORA!- Um deles fala de forma grossa e faz uma careta como se tivesse comido algo azedo demais e eu faço o mesmo.
–E se eu não estiver com vontade? Vai fazer o que? Atirar em mim com essa porcaria de arma? -Todos os guardas fazem a mesma careta. Dou um sorriso debochado e vou até a bandeja, pego outra maçã e sento-me na cadeira mais próxima. Todos dão alguns passos para frente ainda apontando as armas para mim.
–Teremos que levá-la a força.- Diz o mesmo guarda que gritou a pouco tempo atrás. Sua voz é rígida e sua aparência não é lá grande coisa, chega a ser estranha. Há uma cicatriz em seu rosto parecida com uma diagonal, provavelmente ele não enxerga nada pelo olho esquerdo.Uma ótima vantagem para mim. Levanto-me da cadeira e abro um largo sorriso fazendo-os franzirem a sobrancelha.
–Eu não vou.- Continuo a sorrir e todos correm em minha direção.
Jogo a maçã no chão e recuo puxando a cadeira para perto de mim, levanto-a o máximo que posso e jogo-a para frente, dois guardas caem de cara no chão, subo em cima da mesa e corro em direção à porta, um deles se vira esperando por algum ataque. Silêncio. Sua visão vai até os guardas e volta a procurar por mim. Ele solta um grunhido de dor e cai no chão, um poça de sangue se forma no chão se juntando as outras atrás deles. Seu rosto encontra os corpos de seus guardas, todos parados, mortos.
–Quem.. é.. você? Não pode ser humana.. N-..Não pode.. ser humana..- Sua voz agora é fraca e quase rouca. Ele coloca uma das mãos em cima da espada cravada em seu peito.
–Eu? Você está enganado senhor. Eu sou apenas uma garota normal, que está a procura de algo.- Dou um pequeno sorriso, pego a maçã caída do chão e sigo em direção à porta. Mais alguns grunhidos, e tudo fica silencioso.
–Vai ser uma longa viagem.. Preciso descansar e sinceramente.. Estou cansada de maçãs.- Mordo um pedaço e jogo o resto no chão andando pelo longo corredor até os próximos cômodos.
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