Ring
1 Capítulo 1- Only
Notas iniciais
Primeiro, é muito bom estar aqui de novo.
Segundo, alguém além de mim está apoiando essa trama da oitava temporada? (Claro, depois de chorar horrores com o final de 'XX')
Terceiro, parando de enrolação e vamos logo ao capítulo.
"O anel dourado atingiu a superfície do lago, causando um ruido curto e oco. Kate não pode deixar de acompanhar o pequeno brilho até o fundo do lago e vê-lo apagar-se após alcançar seu destino.
As lágrimas não haviam parado de cair desde que deixara o hospital, aquele lugar poderia ser pior que o inferno para algumas pessoas e Katherine era uma delas.
Caminhando do início do pier até o grande monumento de colunas Dóricas, lembrou de um dos seus primeiros casos com Castle. Naquele dia, havia puxado a orelha dele por tentar ouvir a conversa dela ao telefone. Essa lembrança trouxe um sorriso entre suas lágrimas de desespero. O maior desespero de sua vida.
***
Aquela era sua última semana como detetive, a partir da semana seguinte Kate assumiria o cargo de capitã. Apesar de estar muito feliz, o fato de não ir mais a campo a incomodava, sentiria, muito, a falta da ação.
Aproveitando o embalo daqueles pensamentos, Katherine saiu para mais uma prisão. Os dois parceiros e o marido junto a si.
- Ryan, Espo, os dois vêm comigo. Rick, eu quero que você fique no carro. — Beckett ordenou, recebendo como resposta um resmungo do marido. — Você fica! Nós sabemos o quanto aquele homem é louco, e você está sem colete. Não vou arriscar.
Javi e Kevin soltaram uma risadinha, Kate bateu no ombro de ambos, guiando-os até um prédio movimentado.
- Meninos, esperem aqui. Esqueci uma coisa no carro. — Ela apontou para o seu coldre vazio. — Já volto.
Os saltos dela ecoaram pelo asfalto chamando a atenção de Castle.
- Resolveu me liberar? — Os dedos dele brincavam com a poeira presente no painel do carro.
- Não, eu vim buscar a minha arma. — Debruçou-se na janela do automóvel — mesmo com o colete, o decote de sua blusa era visível — e abriu o porta-luvas, tirando de dentro a sua pistola simples. — Castle...
Por algum motivo — muito bem conhecido por ela- as palavras ficaram presas em sua garganta.
- O que houve, Kate? — Rick demonstrou sua preocupação para a esposa.
- Eu tenho algo para te contar, mas não agora. — Katherine recebeu, de seu marido, um olhar perdido. — Mais tarde, em casa.
- Tudo bem. — Respondendo-a. — Eu te amo, tenha cuidado.
- Eu te amo, Rick. — Deu um pequeno beijo em seus lábios e, sorrindo, afastou-se do carro.
- Na próxima vez, use uma blusa menos decotada. — Kate ainda pode ouvi-lo resmungar, mas sua voz com um tom de malícia.
***
- Ryan, eu disse pelo outro lado! — Katherine gritou para o amigo irlandês, não um grito de reprovação, mas de preocupação.
- Você vai ficar sem cobertura no lado leste.
- Apenas vá! Esposito, eu quero a saída de emergência coberta. — Com o rádio ligado ela avisou o parceiro.
- Tudo bem, mas Kate, você ficará totalmente desprotegida.
- Eu corro o risco, dessa vez. Agora, os dois em posição.
Os homens posicionaram-se em lados opostos, deixando o salão completamente vazio. Kate correu até a grande porta de madeira e, com a arma em punho e destravada, abriu-a. Percebendo o local deserto, respirou aliviada.
- Ninguém aqui. — Nenhuma resposta. Kate revirou os olhos, sabia o porquê do silêncio. — Limpo! — Um resmungo em meio aos chiados do rádio.
- Ah! Tudo bem. — Ryan respondeu e logo ouviram a risada de Esposito.
- Você não precisam levar esse código ao pé da letra, meninos. — Beckett caminhou de volta ao salão e encontrou os dois.
- Nós sabemos. — Responderam em uníssono, completando com um high-five.
- Vamos, ele não está mais aqui. — A detetive ignorou-os e voltaram-se à saída.
- Estou surpreso. — Espo tirou o pente da pistola para chamar a atenção da mulher. — Você sabe, seu marido cumpriu uma ordem sua.
- Ele sempre obedece. — Kate riu, mesmo sabendo que aquilo não era verdade, tornando aquilo um duplo sentido.
- Nós não queremos saber o que vocês fazem entre um capítulo e outro de um livro. — Ryan demonstrou sua indignação levando as mãos para cobrir o rosto. — Argh!
***
Castle, Espo e Ryan, dentro do carro, quietos e sem mover um músculo; Kate do lado de fora, irada pela bagunça que seu marido tinha feito no carro ao comer salgadinhos de queijo e pelo refrigerante de laranja que os dois policiais derramaram no banco de couro do seu carro.
- Vocês só podem estar querendo testar a minha paciência. — Beckett viu o escritor abrir outro pacote do salgadinho. — Passe isso pra cá.
- Ei!
- Calado! Fique sabendo que é você quem vai pagar a lavagem do carro. — Castle resmungou algo, mas não discutiu.
A detetive colocou uma bolinha do salgadinho na boca e no segundo seguinte estava pondo todo o seu café da manhã para fora.
- Beckett! — Os três homens ficaram assustados.
- Eu estou bem, podem ficar no... — Antes de terminar sua frase ouviu um grito.
- Ele roubou a minha bolsa!
- Droga. — Kate apenas seguiu seu instinto, o enjoo e a chateação esquecidos, correu atrás do ladrão.
- Kate! — Ela ouviu a voz de Rick logo atrás dela.
Seguindo a rua a detetive entrou em um beco escuro. Encontrou o bandido segurando a bolsa.
- Uma mulher, sério? — Aquela frase fez o sangue dela ferver.
- Acredite, essa mulher vai prender você.
Em um pequeno espaço de tempo, o homem sacou uma arma. Kate teria feito o mesmo se não tivesse guardado a sua no carro.
- Você tem três segundos para sair ou eu atiro.
- Vamos lá. Você não quer fazer isso...
- Um. — Kate respirou fundo. — Dois. — Estava pronta para deixar sua vida se fosse necessário. — Três.
O barulho ecoou pelo beco estreito, com os olhos fechados, Kate não viu o que acontecera.
Quando abriu as grandes órbitas verdes, seu mundo ruiu. Rick encontrava-se no chão, sua camisa agora levava uma tonalidade de roxo, devido a mistura do azul do tecido com o vermelho vivo do sangue. Beckett soltou a respiração e desabou no chão, trazendo até seu colo a cabeça do marido.
- Rick! Fique comigo, Rick. — Olhou-o nos olhos, vendo o brilho extinguir-se. — Não me deixe, por favor. — As pequenas mãos da mulher tentando estancar o ferimento. — Fique comigo, ok?! — Sua voz suplicante, assim como a dele quando ela levou um tiro no peito.
O corpo de Richard já desistindo.
- Rick, eu te amo. — Lágrimas escorriam pelo rosto de Kate e molhavam o dele. — Eu te amo, Rick. Por favor, não vá. Eu não consigo sem você.
Ele fechou os olhos e Kate soltou um grito de desespero. Ela não soube ao certo quando a ambulância chegara, pois apenas sentiu os braços de Javier levarem-na para longe do marido.
- Não! Ele precisa de mim. Solte-me Javi, eu preciso ficar com ele. — Kate estava irreconhecível, o desespero estampado em sua face. — Por favor.
- Kate. Kate, olhe para mim. Ele vai ficar bem. — Kevin repetia aquilo não apenas para confortar a parceira como também para si mesmo.
Beckett seguiu, junto com os dois que a ampararam, até o hospital.
Ela não queria ouvir uma só palavra, de quem quer que fosse. O medo de perdê-lo já ultrapassava todas as escalas imagináveis e inimagináveis. "Ele vai ficar bem.", eram as palavras proferidas em forma de sussurro, acompanhadas de lágrimas.
O corredor branco estava vazio, exceto por Esposito, Ryan, Alexis e Martha no final do mesmo, enquanto Katherine, sentada em um dos bancos desconfortáveis, esperava notícias do amado.
- Sra. Castle? — Kate percebeu a presença do médico. Levantou o rosto apenas para ver a pior das expressões que alguém poderia ter: Pena. — Eu sinto muito, mas seu marido não resistiu e faleceu durante a cirurgia.
- Não. — Ela levantou do banco rapidamente. — O senhor está mentindo. — Sua voz trêmula mostrava a descrença.
- Eu sinto muito pela sua perda.
Após a saída, Kate não mais segurou o choro, e isso deixou bem claro para os outros presentes o que acabara de ocorrer.
Martha e Alexis, também desoladas, tentaram confortar um pouco a detetive. Em vão.
- Eu preciso de um tempo. — Katherine desvencilhou-se dos braços das ruivas. — A culpa disso ter acontecido é minha.
- Kate, não é... — A voz da ruivinha, falhou.
- Alexis, por favor, eu não posso com isso.
Beckett abraçou a enteada e apertou a mão da sogra em uma tentativa de conforto, logo depois deixou o hospital.
***
As lembranças daquele dia horripilante a levaram do lago do Central Park direto para o loft. Ela só queria tomar um banho e imaginar que tudo aquilo era mentira. Porém, o fato de que o assassino escapara não a deixava raciocinar.
Adentrando o loft, passou pela sala e foi em direção ao quarto, parando defronte a cômoda. Uma caixa de madeira envernizada estava ali, trancada com uma trava de senha. Kate girou os números, parando na sequência 090199, ela mudaria quela senha em breve, assim que levantou o pequeno tampo de madeira, avistou a corrente com a aliança de sua mãe.
- Preciso fazer um pouco mais de justiça. — Tirando a aliança mais antiga da corrente feita de elos de aço, guardou-a na caixa e no lugar pôs seu anel de noivado. Antes de fechar a caixa novamente, trocou a senha da tranca. 091115 era a nova sequência. Sim, na véspera de completarem um ano de casados, seu marido fora assassinado.
Katherine caminhou pelo quarto e parou em frente ao espelho ao lado da porta do closet.
- Agora somos só nós, filha. Vovó Martha, irmã Alexis, mamãe Kate, e você, Lucy. — Kate levantou a blusa de botões e antes mesmo que pudesse sentir, estava chorando mais uma vez. — Eu não consegui contar ao seu pai sobre você, não tivemos tempo. Desculpe. — Acariciando o ventre Kate tentou imaginar como seria dali para frente. Impossível.
Olhando o anel pendurado na corrente de aço no seu pescoço, pensou que mais uma vez o destino havia brincado com sua vida e levado a melhor, mas nada a faria abandoná-lo. Ele ainda estava vivo em sua memória e nunca se apagaria.
- Sempre! — Aquela que fora a palavra de um verdadeiro consolo, agora fazia parte de sua tristeza e sua sede por justiça."
Notas finais
Vejo vocês em Change In The Life e Thinking Out Loud!
Beijos! :3
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