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8 Capítulo 8: Faísca


Maio

Dom, 18:00: Querida Renée, eu e seu pai estamos na casa da sua avó, não voltaremos a tempo do jantar e sua irmã vai ficar na casa do Brandon, como não tem nada em casa jante em um restaurante próximo. Beijos da mamãe e do papai.

– Ótimo... sozinha em casa! Eu não tô afim de sair, será que não tem nada que eu possa cozinhar? — Fui até a cozinha, abri os armários e só tinha biscoitos ou miojo.– É... vou ter que sair hoje. — Peguei meu casaco e calcei meu tênis mais lascado de todos, parecia uma mendiga, mas saí assim mesmo. Fui até uma barraquinha de espetinhos e pedi uma porção completa!

Depois de um tempo esperando meu pedido chegou, ataquei a comida e matei quem estava me matando. Aí, quando você acha que não tem ninguém conhecido naquele bairro para te ver naquele estado deplorável, a pessoa mais irritante da face da Terra aparece na sua frente.

– Ora, que surpresa.
– Digo o mesmo acrescentando "desagradável".
– Nossa Renée, sua cordialidade me comove.
– E sua ironia me dá calafrios, Peter. O que está fazendo aqui, Peter?
– Eu moro por aqui perto.
– Mas que merda...
– Por que essa descrença? Mora aqui também por acaso?
– Talvez sim... talvez não.
– Deixando esse enorme carinho por mim de lado, como vai os estudos?
– No mesmo ritmo, por quê?
– Você tem vida social?
– Depende, o que é vida social para você? É tipo sair, comer qualquer um, beber até cair e gastar mais do que tem no bolso? Se for isso... não. Só tenho 15 anos. Fora que vai fazer o que — Contei nos dedos o tempo que estou no colégio– Quatro meses!
– Você é bem direta. Mas digamos que seja, sair para um parque ou algo do tipo. E já tem 4 meses que eu te aturo... uau!
– Sim, saio quando tenho vontade. Eu prefiro mesmo ficar em casa jogando ou tocando baixo. Não tenho um ar descolado ou sociável, perdi isso já tem um tempo. Sim, eu que devo estar surpresa.
– Saquei...

Eu e Peter ficamos conversando mais um tempo até que o celular dele tocou, ele se afastou e eu aproveitei para pagar o churrasquinho.

– Ei tenho que ir — Falou Peter.
– Namorada?
– Sim, muito irritante ainda por cima.
– Termina então ué.
– Ciúmes?
– Hã, bebeu por acaso? — Dei uma risada meio frouxa, que pergunta foi essa?– Você acha ela chata, então termina com ela. Relacionamentos são cansativos. Não vou te enrolar, vai logo ou ela ficará no seu pé. Boa noite.
– Ei, vem cá. Vou dar uma carona para você.
– No, thanks.
– Estou sendo tão legal e você recusa?
– Vai que sua mulher descobre e mande alguém me sequestrar?
– Você é bem neurótica. — Ele mostrou um sorriso encantador... espera... não! — Anda, vamos. — O bastardo puxou meu braço e me levou para o carro dele. Socorro.
– Como você vai me levar se não sabe qual minha casa?
– Simples, você me diz.
– Não estou muito afim de ficar olhando para sua cara. Moro duas quadras para cima, na única casa verde da rua. — Ele deu partida no carro e rapidamente cheguei, desci e fechei a porta.
– E o agradecimento?
– Foi passear, procura ele lá embaixo.
– Respeite os mais velhos, mocinha.
– Muito obrigada querido professor Peter, você é a pessoa mais gentil que eu conheço nesse mundo todo. Adeus!
– Renée.
– Quê?
– Boa noite. — Aquele desgraçado tem uma voz maravilhosa e ainda faz o favor de piscar. Cafajeste!– Sabe, tem um cara aí que curte mulatas, viu? Muito cuidado por onde anda.
– Acho melhor você ir embora. Boa noite! — Dei um aceno e entrei na minha casa.

Notas finais
Eba, está começando o ''love is in the air''