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16 Capítulo 14: Remédios


Novembro, mês de provas finais.

– Eu preciso de alguns décimos em física e matemática para passar. — Murmurou Ellie.
– Preciso de dois pontos em química, estou desesperada. Não posso nem pedir uma ajudinha para o Taylor, ele está tão concentrado nos vestibulares que eu prefiro nem me aproximar muito. — Choramingou Ivy.
– Renée nem precisa se preocupar muito, não é?
– EU ODEIO A LUCÍOLA!
– Eer, acho que ela precisa se preocupar sim.
– EU ODEIO GEOGRAFIA.

É, estou desesperada meus caros, a minha ''adorável'' professora de geografia quer estragar minha vida me tirando muitos décimos porque esqueci uma mínima informação sobre a formação de uma rocha magmática!

– Desculpem meninas, eu preciso sair.
– Mas Renée, ainda temos aula pela frente.
– Diga que estou com dor de barriga ou algo do tipo. Até logo! — Fui para a biblioteca enfiar a cara nos livros de geografia, eu ia com 10 em todas as matérias nem que isso custe meu precioso sono.

(...)

– Ei, você está bem? — Era o Peter, a última aula foi dele, esqueci desse detalhe.
– Estou, por quê? — Arrumei meus materiais que ficaram na sala.
– As meninas disseram que você estava passando mal.
– Ah, não foi nada demais. — Coloquei a mochila no ombro e sai, mas ele me impediu. Como sempre.
– Faltar aula de outros professores para estudar outras matérias é feio sabia? — Droga, como ele descobriu?
– Quem disse que eu fiz isso? Sabe, eu estou bem folgada em matemática, faltar uma aula não é um crime.
– Renée, você está falando com seu professor, não com o Peter. — Ele respirou fundo.– Não ultrapasse seus limites.
– Minha irmã está me esperando, até logo.

As semanas passaram correndo, eu quase não arrumava tempo para estudar com tantas obrigações em casa e na escola, até que eu tive que tomar uma atitude radical para conseguir fazer isso.

– Moça, esses remédios precisam de prescrição médica. — Informou a farmacêutica
– Você não tem nada que seja ''liberado''? Eu estou desesperada.
– O que posso te indicar é...

(...)

Dia da prova final de geografia

– Renée, você está pálida, o que houve? — Perguntou Rosália enquanto caminhávamos pelos corredores.
– Nada não Rosa, deve ser a TPM. — Menti. A verdade é que eu estou há 3 dias sem dormir direito, por conta de remédios a base de cafeína e hoje é a prova de geografia– Vou para minha sala, até o quarto horário.
– Qualquer problema me avise. — Rosália depositou um beijo na minha testa como ela sempre faz e depois foi para a sala dos professores.

Eu realmente estava voltando para minha sala, mas minha visão estava um pouco turva e oscilante. Droga, não posso vacilar hoje, mas nem tudo acontece como a gente quer, eu cambaleei e tropecei no meu próprio, caí no chão e sentir um gosto de ferro na minha boca, depois disso não ouvi absolutamente nada.

(...)

– Renée, acorde por favor! — Rosália? Ela está chorando?
– Senhorita, isso estava na mochila dela. — Peter? Onde eu estou?

Abri meus olhos com dificuldade. Branco, era só o que eu via. Virei o rosto para o lado e vi minha irmã, o Peter e uma... enfermeira? Eu estou no hospital? Levantei minha mão e vi um monte de fio preso nos meus dedos.

– Renée!
– R-Rosa. — Falei com dificuldade.
– Onde você estava com a cabeça para tomar remédios inibidores de sono? Você é maluca?
– Desculpa. - Falei num tom quase inaudível.
– Desculpa? Só isso? Você não tem noção de quanto eu fiquei desesperada? Tinha sangue em volta de você! Além de não dormir você não estava comendo direito, esses remédios viraram uma arma! Se não fosse esse cara estranho eu não saberia que estava internada.
– Com licença, algum responsável precisa assinar os papéis. — A enfermeira avisou.
– Sim, a responsável sou eu. — Minha irmã respondeu. Logo em seguida ela me olhou com total reprovação e saiu.

Ficar deitada estava me causando um desconforto enorme então resolvi sentar na cama, com um esforço muito grande consegui. Olhei para o canto do quarto e lá estava Peter com um olhar medonho.

– O que é? Vai me dar uma bronca também? Tsc, meu teste de geografia foi pro espaço e logo logo eu mando aquela professora também.
– Eu avisei. Você quase morreu sua otária!
– Vai à merda, Peter. — Ri com o nosso gesto de carinho. Aos poucos ele foi se aproximando da cama.
– Estou falando sério. Por que não continuou com seu ritmo normal de estudos? Você é a melhor aluna do colégio, não vai ser uma mísera prova de geografia que vai te destruir né? — Respirei fundo e olhei para ele.
– Quando eu posso voltar para casa?
– Amanhã. — O silêncio se instaurou por muuuuito tempo, até que ele sentou ao meu lado. — Não faça isso novamente, você me deixou preocupado. — Senti que estava brincando com meu cabelo como ele sempre faz, meu coração disparou e isso apontou na máquina que mede os batimentos cardíacos, que vergonha!– Preciso voltar para o colégio, minha mãe ficou preocupada com o ocorrido.
– Senhora Belinda?
– Sim, eu avisei a ela e disse que eu te trouxe até o hospital. — Recebi um beijo no topo da cabeça e ele saiu.

No dia seguinte eu recebi alta e voltei para a escola, a diretora me deu mais uma chance para fazer o teste final de geografia e pouco tempo depois eu recebi o resultado que fui aprovada com honra e mérito para o terceiro ano! Agora é uma nova fase na minha vida.